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SEGUNDA-FEIRA – 22/DEZEMBRO/2014

STA. FRANCISCA XAVIER CABRíNI (1850-1917). Santa activa, audaz, sem um desfalecimento, uni-da a Deus e confiada no Coração de Jesus e em S.Francisco Xavier. Com o apoio de Leão XIII, fundou, em 1877, as “Missionárias do Sagrado Coração de Jesus”, cujo alvo de missão era, escreveu ela, “o Ocidente, não o Oriente como fez S.Francisco”. Entre 1901 e 1913 emigraram para a América 4.711.000 italianos e um grande número de italianos ficava em Nova York. Em trinta anos de atividade, Francisca Cabrini fundou (1889) um orfanato em Nova York, a primeira de 67 instituições na Itália, França, nas Américas, e no Brasil. Morreu de desinteria no hospital de Chicago, já cidadã americana. Foi canonizada em 1949 pelo papa Pio Xll.

BTA. JUTTA DE SPANHEIM (1091-1136). No mosteiro beneditino de Disiboden (cerca de Maiença), ensinou Hildegarda de Bingen, sua futura sucessora, com 8 anos, a escrever e dirigiu-a no caminho da santidade. Jutta era praticante severa do ascetismo, incluindo a auto-flagelação penitencial e utilizando uma corrente de ferro como cilício.

1 Samuel 1, 24-28 ; 1 Samuel 2, 1. 4-8 ; Lucas 1, 46-56

OMagnificatNaVisitacaoO MAGNíFICAT É UM CÂNTlCO CONTESTÁRIO (Lucas 1,46-56). Apesar dO “Magnificat” se ter tornado uma oração oficial da Igreja, temos que render-nos à evidência de que ele é, de facto, um texto destabilizador. Ele surge-nos em “contra-mão”, face a todos os nossos reflexos habituais. Ele exalta a humildade de Maria e diz-nos estar aí o segredo da sua bem-aventurança; confirma que Deus dispersa e despede os poderosos e orgulhosos, mas exalta os humildes; afirma que cumula de bens todos os necessitados e esvazia aqueles que vivem na abundância de bens. De facto, O “Magnificat” é a tradução – em acção de Graças – das Bem-aventuranças. Esboça o retrato de Jesus e, ao mesmo tempo, o retrato de Maria, que se tornou a Sua primeira discípula. A sua lógica é a que necessitamos obter para vivermos como testemunhas dO Reino. Com Maria cantemos, na fé, este cântico de louvor, cântico que permite a Deus actuar concretamente em cada um de nós, para que o testemunho da encarnação de Jesus se torne, realmente, testemunho na nossa carne.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

IV DOMINGO DO ADVENTO – 21/DEZEMBRO/2014

S. PEDRO CANíSIO (1521-1597). Pedro Canísio nasceu em Nimega (hoje na Holanda, então parte da Alemanha). Foi teólogo no Concílio de Trento. Grande pregador e professor, lutou contra a expansão do protestantismo nos países germânicos. Daí o seu título de “segundo apóstolo da Alemanha, depois de S.Bonifácio”. Das 36 obras que escreveu, o mais célebres é o “Catecismo”, em 3 volumes, com perguntas e respostas sobre a fé. Doutor da Igreja.

2 Samuel 7,1-5. 8b-12.14a.16 ; Sal 88, 2-5. 27. 29 ; Rom.16, 25-27 ; Lucas1, 26-38 

AAnunciacaoDoAnjoQUE NOVlDADE! (Lucas 1,26-28). Eis-nos novamente, com Maria, imersos no mistério da expectativa do Natal. No meio dos anúncios das gares ferroviárias e dos aeroportos, dos “spots” publici-tários, ou ainda, dos acontecimentos assinalados nas redes sociais, esta é a “bomba noticiosa” que deveria abrir todos os media e ser “prime time” de todos os telejornais. “Como sucederá, se não conheço homem?” Aqui está uma frase surpreendente para os espíritos modernos. Sendo Deus Todo-Poderoso – a Deus tudo é possível – porque teria Ele feito surgir um novo ser no ventre duma mulher sem intervenção de homem? O mais importante da mensagem não está porém aqui. A linguagem um pouco misteriosa desta narrativa faz parte do tesouro da expressão religiosa : se o Verbo de Deus ia tornar-se carne era importante que manifestasse desde o início a Sua identidade particular. Nasce de uma mulher mas a Sua origem é mais abrangente que a de uma simples paternidade terrestre: O Seu Pai é Deus, como Jesus não cessará de repetir nos evangelhos. Hoje é-nos anunciado que Maria será a mãe dO Salvador, que terá por nome “Emanuel”, “Deus connosco”. Para além da ressonância mediática sobre a qual nós não temos controle, faltará saber o que os ouvintes desta tão grande novidade, desta Boa Nova, irão fazer com uma informação que ultrapassa o imaginável. Quem poderia adivinhar, além dos que tinham lido e meditado profetas como Elias, que Deus iria entrar assim na nossa história, pela porta dum estábulo e não, ao som das trombetas, por um arco de triunfo real? Certamente por o homem ser tão pequeno, foi necessário Deus entrar entrar no mundo através das fragilidades das nossas vidas e da história dos homens. Com a certeza de que O Espírito Santo nos “cobrirá” e nos englobará a todos nesta vocação nova da huma-nidade: transformar-nos numa grande família que terá não apenas Deus como Pai, mas também como Irmão. Como terá sido exactamente a Sua concepção jamais alguém o poderá saber. Foi na verdade obra dO Espírito, seja qual fosse a forma a que O Espírito tenha recorrido. Voltemo-nos para Maria, com infinito respeito pela sua fé de discípula, nunca posta em causa. Que a sua intercessão nos guie no mesmo caminho!

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 20/DEZEMBRO/2014

S. DOMINGOS DE SILOS (1000-73). Grande figura da Ordem Beneditina, devolveu a vitalidade ao Mosteiro de Silos, Castela Velha, arruinado nas guerras árabes. Em 1063, restaurou o culto de S. Vicente, e das suas 2 irmãs, mártires de Ávila. Taumaturgo, resgatou também muitos cristãos cativos dos mouros. Após a morte, o seu túmulo tornou-se lugar de peregrinação muito concorrido.

Isaías 7, 10-14 ; Sal 23, 1-6 ; Lucas 1, 26-38

“O SENHOR À PROVA…” (Isaí.7,10-14). Os reis de Samaria e de Damasco revoltaram-se contra o poderoso reino da Assíria e tentaram fazer de Acaz, rei de Judá, aliado. Mas Acaz preferiu pagar tributo aos Assírios. A resposta que dá ao profeta parece legítima: ele não quer duvidar de Deus, solicitá-lO, e “pô-lO à prova”! Mas não é o respeito de Deus que dita a conduta de Acaz; pelo contrário, a sua fé já está morta, e é ao rei da Assíria que desde então ele jurou fidelidade, trocando a sua fé no Deus de Israel pela homenagem prestada ao seu poderoso inimigo. E esconde a pusilanimidade da decisão com a aparência duma piedade que não passa duma mentira. O profeta responde-lhe com dureza: a salvação nunca virá da Assíria, ela pode apenas vir de Deus.

Anunciacao_Goya“O ANJO ENTROU EM SUA CASA…” (Luc.1,26-38). Não se diz por qual porta Gabriel entrou em casa de Maria. Na Anunciação tal como no Pentecostes, no início como no fim do evangelho, Deus entra brusca-mente nas nossas vidas, sem passar pelas portas que tivermos construído. Todavia, esta vinda de Deus faz de nós portas: na Anunciação o seio da Virgem torna-se Porta do Céu; da mesma forma nós devemos ser as portas por onde Deus vem aos nossos irmãos, e reciprocamente. Há apenas uma chave, Cristo, como canta a antífona de hoje: “Ó Chave da cidade de David, ceptro do reino de Israel, tu abres e então ninguém pode fechar; tu fechas, e ninguém pode abrir; vem…”

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 19/DEZEMBRO/2014

BTO. URBANO V (1310-1370). O dia 16/Out./1367 foi um dia memorável para os cristãos de Roma: após 60 anos de exílio em Avignon, o papado estava de volta à “sua” cidade. O homem que, apesar da resistência feroz de vários cardeais tinha levado a cabo esta difícil operação chamava-se Guillaume de Grimoard. Após brilhantes estudos de direito em Montpellier e Toulouse, ele optou pela vida religiosa, tornando-se o monge beneditino eleito papa em 1362. Após a eleição, continuou a usar o hábito e a viver como monge; a sua piedade e simplicidade contrastavam com a opulência, o carreirismo e o hedonismo de certos clérigos. Chegado a Roma, o BTO. Urbano V tentou restabelecer um autêntico clima espiritual e abriu estaleiros para restaurar as igrejas que ameaçavam cair em ruínas. Procurou também a aproximação com as Igrejas do Oriente, separadas de Roma há mais de três séculos. Todavia, alarmado com as emboscadas de grupos mercenários e preocupado com o recomeço das hostilidades entre a França e a Inglaterra, Urbano V resolveu, em 1370, que seria conveniente regressar a Avignon. Ali morreu, dois meses mais tarde. O processo de beatificação, iniciado logo após a sua morte, foi interrompido pelo Grande Cisma do Ocidente (1378-1417) e retomado apenas cinco séculos mais tarde (1870), quando o papa BTO. Pio IX elevou aos altares aquele que é considerado o melhor dos papas de Avignon.

Juízes 13, 2-7. 24-25a ; Sal 70, 3-4a. 5-6ab. 16-17 ; Lucas 1, 5-25

TuFicarasReduzidoAoSilencio“TU FICARÁS REDUZIDO AO SlLÊNCIO…” (Lucas 1,5-25). Quais terão sido os pensamentos íntimos de Zacarias nos nove meses de mutismo forçado? Sem dúvida que terá retirado lições da sua falta de fé nas palavras do anjo. Todavia, a reacção de Zacarias tinha sido compreensivel. Não era fácil acreditar que a sua mulher estéril poderia dar vida na velhice! No fundo, o silêncio prescrito a Zacarias é fonte de graça. O tempo de retiro, de interiorização, permitiu-lhe acolher melhor em si um Deus surpreendente. O Natal aproxima-se… Porquê, não imitar Zacarias? Procuremos encontrar pausas de silêncio para acolhermos o espantoso e formidável mistério da nossa fé.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 18/DEZEMBRO/2014

Jeremias 23, 5-8 ; Sal 71, 2. 12-13. 18-19 ; Mateus 1, 18-24

SonhoDeSaoJose_Bl“TU DAR-LHE-ÁS O NOME DE JESUS…” (Mat.1,18-24). A bem dizer, nada de original neste nome de Jesus, ou Josué ou Iéshua, tão frequentes no mundo bíblico : é este o nome de (Jesus de) Ben Sirá, e até, segundo certas versões, de Barrabás, liberto por Pilatos (Mat.27,17). Todavia, Jesus de Nazaré, não é apenas o sinal que “O Senhor salva”, porque Ele próprio é O Senhor, como O irá reconhecer S. Tomás aO designá-lO como “meu Senhor e meu Deus” (João 20,28). Graças à docilidade a Deus de Maria e de José, Cristo, ao mergulhar na nossa história, veio “perturbá-la”, obviamente no bom sentido. Ao salvar-nos do pecado, Ele libertou-nos da desesperança, da fatalidade e da visão pessimista da vida. Quer nas alegrias quer nos golpes duros, Ele está connosco: Ele é O Emanuel. Não, não estamos sós ! Mesmo que os homens não o entendam, Jesus fica ao nosso lado; Ele é O Adonai, como diziam os judeus, e podemos cantar-lhE a antífona de hoje: “Ó Adonai, guiai o povo de Israel, vinde salvar-nos”.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.