Todos os artigos de paroquiacruzquebrada

QUARTA-FEIRA – 17/DEZEMBRO/2014

S. JOSÉ DE MANYANET Y VIVES (1833-1901). Sacerdote catalão, tinha um ideal : “Fazer de cada lar um lar de Nazaré”. Fundou 2 Institutos religiosos: os “Filhos” e as “Filhas da Sagrada Família” para formar na fé as famílias cristãs, defendendo-as das ideologias laicas da época. Promoveu a edificação do Templo da Sagrada Família em Barcelona e teve a felicidade de entregar o projecto ao genial arquitecto Gaudi. O papa S. João-Paulo II canonizou-o em 2004.

PapaFrancisco78º ANIVERSÁRlO DO PAPA FRANCISCO Parabéns, Papa Francisco !

Oração pelo Santo Padre:
Oremos pelo nosso Santo Padre, o Papa Francisco. Que o Senhor o proteja e lhe dê vida e o abençoe sobre a terra, para que não seja entregue ao poder dos seus inimigos.

Génesis 49, 2. 8-10 ; Sal 71, 2-4ab. 7-8. 17 ; Mateus 1, 1-17

“O NÚMERO TOTAL DAS GERAÇÕES…” (Mateus 21,28-32). Como é rude o começo desta semana preparatória do Natal! Como de facto é fastidiosa a leitura desta longa genealogia de Cristo! Em cada 10 nomes, sete ou mais não nos dizem nada. E todavia, através dela manifesta-se a sabedoria de Deus. Uma sabedoria paradoxal que, no seio do perfeito encadeamento das gerações, faz surgir Tamar, Raabe de Jericó, a moabita Rute e a mulher de Urias, Betsabé, figuras da loucura do homem assumida por Deus; porque “o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens…” (1 Coríntios 1,25).  Ela mostra-nos a que ponto a vida dO Filho de Deus se enraíza na história. Cristo não se contentou em “sobrevoar” a humanidade.  Ele assumiu a história complexa, na qual, os herois e os santos andam a par com os homens atraídos pelo poder ou pelo vício.  Ao inscrever-Se nesta genealogia, Cristo toma sobre Si as alegrias, as penas e os desvios dos homens de todos os tempos. Ele convida-nos a ter um olhar de esperança sobre o futuro, ainda que a nossa história pessoal seja dolorosa. Dirijamos a Cristo, sabedoria divina encarnada, a bela antífona do Magnificat de hoje: “Ó Sabedoria, saída da boca do Altíssimo, que envolves todas as coisas de um extremo ao outro e as dispões com força e ternura, vem ensinar-nos o caminho da prudência”.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 16/DEZEMBRO/2014

BTA. MARIA DOS ANJOS (1661-1717). Entrou com 15 anos nas Carmelitas descalças. Quase constantemente imersa na noite do espírito, deixou às irmãs inúmeros exemplos de ardente amor a Deus. Vivia em contínuo estado de oração. Teve singular devoção a São José, fundando em sua honra, em 1703, um convento em Moncalieri, no sul de Turim. Foi beatificada pelo BTO. PIO IX, em 1865.

BeatoHonoratoDeBialaBTO. HONORATO DE BIALA (1829‑1916). Sacerdote capuchinho polaco, perdeu a fé durante o curso de arquitectura e recuperou-a no dia da Assunção da Virgem, depois de passar pela prisão do Czar. Numa Polónia ocupada pela Rússia, que suprimira conventos, ele soube inovar a vida monástica e fundou em mais de 25 conventos”, “congregações” semelhantes aos actuais institutos seculares. “Nestas “congregações”, vive-se a vida religiosa, escondida aos olhos do mundo, não só por motivos de prudência e necessidade, como pelo desejo de imitar a vida escondida da Virgem, sem estar sujeito às vicissitudes de circunstâncias externas, sociais e políticas. Ela é voluntariamente escolhida por cada um, por ser amável em si mesma, por permitir maior glória de Deus e ser um meio de mais fácil progresso espiritual e mais segura salvação.” Honorato Kozminski de Biala foi beatificado pelo papa S.João-Paulo II, em 1988.

Sofonias 3, 1-2. 9-13 ; Sal 33, 2-3. 6-7. 17-18. 19. 23 ; Mateus 21, 28-32

EncontroDeJesusEJoaoBaptistaNaJuventudeNUNCA DESESPEREMOS (Mateus 21,28-32). Com frequência a nossa relação com Deus é bastante sinuosa. A nossa generosidade e boa vontade andam misturadas com os nossos cálculos, recusas e cansaços. E se nos afastamos dos apelos dO Senhor, uma pequena voz incita-nos a afastar-nos ainda mais: “Para quê servir a Deus, tu és demasiado frágil… Deus já não te ama, Ele já não necessita de ti… Estás tramado!”. É a tentação do desespero, subtil e perigosa. Todavia, assim como o filho arrependido se decidiu retomar o caminho da vinha, assim também nós podemos retomar as nossas recusas e voltar a dizer “sim” a Deus. Ele nunca Se cansa de nos ver regressar a Si. O exemplo dos pecadores arrependidos incita-nos a fazê-lo. Não fechemos o nosso coração como os sumos sacerdotes e anciãos, e não ouviremos O Senhor dizer-nos: “E vós, nem depois de verdes isto, vos arrependestes…”

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 15/DEZEMBRO/2014

BTO. JOÃO HENRIQUE CARLOS STEEB (1773-1856). Sacerdote alemão, de família luterana, converteu-se aos 18 anos. Fundou, em Verona, com Luísa Poloni, o “Instituto das Irmãs da Misericórdia” inspirado em S. Vicente de Paula, para assistir os doentes deficientes e ensinar os jovens. Este instituto está em Portugal desde 1971. O seu lema é: “caridade, humildade e simplicidade”.

SantaVirginiaBracelliSTA. VIRGíNIA BRACELLI (1587-1651). Após a morte do marido, esta Genovesa consagrou-se ao serviço dos orfãos, dos velhos e dos doentes e, depois, renunciando aos seus bens, participou, como auxiliar das “Cem senhoras da Misericórdia”. No ex-convento do Monte Calvário fundou a obra “Nosso Senhor do Refúgio do Monte Calvário”. Canonizada em 2003 por S.João-Paulo II.

Números 24, 2-7.15-17a ; Sal 24, 4bc-9 ; Mateus 21, 23-27

UMA AUTORIDADE QUE LIBERTA (Mat.21,23-27). A que autoridade confiamos as nossas vidas? À autoridade do poder, do parecer, do dinheiro? Ou à autoridade de Deus? Sem dúvida que a autoridade de Deus pode causar-nos medo. Se nos entregarmos a ela, que acontecerá à nossa liberdade, projectos e interesses? Todavia, a autoridade de Deus não é senão amor, bondade e benevolência. Ela faz-nos crescer. Colocarmo-nos sob a tutela dO Pai, dO Filho e dO Espírito, é acolher em nós mesmos um amor transbordante. A sua autoridade liberta-nos das zonas de sombra e torna-nos mais humanos, não só com os outros mas também com nós próprios. Em definitivo, a autoridade de Deus é a bitola de uma felicidade inexpugnável.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

III DOMINGO DO ADVENTO – 14/DEZEMBRO/2014

SaoJoaoDaCruzS. JOÃO DA CRUZ (1542-91). Monge carmelita que, com 25 anos e sacerdote recém-ordenado, empreendeu com STA. Teresa d’Ávila, apesar de fortes oposições, a reforma dos Carmelos feminino e masculino. Mais tarde foi preso, pelos antigos carmelitas (ramo masculino) que não queriam a reforma. Passou 9 meses na prisão, tratado com extrema dureza. João costumava pedir a Deus 3 coisas: que não o deixasse passar um só dia sem sofrimento, que não o deixasse morrer ocupando um cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado. Foi bem atendido! Vivia numa ascese tão grande que a saúde se ressentia. Os escritos de João da Cruz (por ex: “O Cântico espiritual, e a “A Noite obscura”) tornam este místico um grande poeta da língua espanhola, com textos que relatam a “união esponsal da alma com Deus”, como o meio mais seguro, escreve ele, para se entrar no caminho pascal de Cristo.

Isaías 61,1-2a. 10-11 ; Lucas 1, 46-50. 53-54 ; 1 Tessalonicenses 5, 16-24 ; João 1, 6-8. 19-28

UMA ALEGRIA PARADOXAL (ls.61,1-2a.10-11). Podem discernir-se duas partes nestes versículos de Isaías. A primeira está centrada na boa nova transmitida pelo enviado de Deus, com as suas promessas de cura, de libertação, de felicidade. A segunda fala da resposta jubilosa da comunidade a este anúncio: “Eu estremeço de alegria nO Senhor…” Trata-se portanto da relação de Deus com o Seu povo, ou seja da Aliança. O contexto do 3º Isaías (capS 56 a 66) refere-se ao tempo, logo após o regresso do exílio, com as fatais decepções.  Israel não se engana na resposta e reconhece que Deus foi verdadeiramente pródigo nos seus benefícios: talvez Ele não lhe tivesse dado a vida que imaginara, resolvendo todos os seus problemas, mas dera-lhe certamente o essencial. O Senhor renovou a Sua Aliança, como sugere a imagem dos esponsais, e deu a Israel razões bastantes para ele lhE responder com justiça, louvando-O e sendo justo com os outros. E nós, que esperamos de Deus? A graça da renovação da nossa relação com Ele e com os nossos semelhantes, ou que Ele actue como um “mágico”, confortando-nos nos nossos desejos de ter ou de parecer? Seremos dos que só exigem para si, ou teremos corações pobres, conscientes das fraquezas e apegos mas também do apelo recebido para partilhar da vida de Deus? Não será esta pobreza a passagem incontornável para se aceder à alegria evocada no texto, e que foi a alegria de Maria, exultante em Deus Seu Salvador. Esta alegria, dom dO Espírito, é uma alegria paradoxal porque não recusa o sofrimento nem nos torna indiferentes aos outros. Aprendamos a vivificá-la, com a contemplação das obras de de Deus, na certeza da fé que “a Sua misericórdia não acaba” nem se “esgota a Sua compaixão” mas que “ela se renova em cada manhã” (Lamentações 3,22-23).

UMA GERMINAÇÃO INTERIOR (João 1,6-8.19-28). Como preparar o Natal com João Baptista? Saborear a alegria do Natal não é fácil. Quando se está em família, vivêmo-la imersos nas alegrias e complexidades da nossa vida familiar, mas, quando se está só, a solidão pode pesar mais do que nos outros momentos. E ainda, no meio da festa do Natal, o curso habitual do mundo pode perturbar-nos. Por isso o anúncio de João Baptista é, de facto, uma Boa Nova extraordinária : “No meio de vós está Aquele que vós não conheceis”. A experiência humana é sempre excitada no interior por Aquele que, nO Natal, vem iluminar as nossas existências e transformá-las. A alegria do Natal não nasce da agitação por vezes pesada que O envolve, mas sobretudo pela experiência de uma “entrada de vida”. O nosso mundo, que arrisca sempre a fechar-se sobre si mesmo, é visitado bem no interior por uma potência de vida que, em cada um, toma corpo na própria carne. Desde a Visitação – encontro de 2 futuras mães – que João Baptista pressente esta efracção divina. É sempre a partir do interior que O Verbo encarnado actua, nunca condicionado por leis exteriores. E é na nossa própria existência, com os nossos limites, que é possível precisamente nesse momento germinarem a justiça e a paz.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.