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QUINTA-FEIRA – 20/NOVEMBRO/2014

GelasioIOAfricanoS. GELÁSIO I, O AFRICANO (496). Originário da África do Norte foi eleito papa em 492. Embora tenha sido Papa apenas durante 4,5 anos, exerceu uma profunda influência na política, liturgia e disciplina eclesiais. Reafirmou a superioridade do espiritual sobre o material, e a primazia da cátedra de Roma sobre a cátedra de Constantinopla. Muitos dos seus decretos foram incorporados no Direito Canónico. Foi chamado “Pai dos pobres”, por nunca ter hesitado em recorrer às riquezas da Igreja em tempos de fome, de epidemias de peste ou simplesmente de pobreza.

Apocalipse 5, 1-10 ; Sal 149,1-6a. 9b ; Lucas 19, 41-44

“ELE ALCANÇOU A VITÓRlA…”(Apoc.5,1-10). Entre as muitas questões que O Apocalipse coloca aos leitores de hoje, sinto certamente espicaçar-me esta : em quê, dirá respeito a mim mesmo, hoje, uma liturgia celeste como aquela que se desenrola no capítulo5? Irei eu também chorar diante do Livro selado? Ou cantarei eu com os quatro Viventes e os 24 anciãos diande dO Cristo-Cordeiro? Claro que sim!, porque sei e acredito que Cristo-Cordeiro tem a chave da interpretação do mistério das nossas vidas e da História! E que foi Ele que nos deu o sacerdócio real, posto tão em evidência pelo Concílio Vaticano II!

“…POR NÃO TERES RECONHEClDO O TEMPO EM QUE FOSTE VISITADA.” (Apocalipse.5,1-10). Jerusalém, tu que reunes na fé aO Deus Único uma multidão de homens vindos de povos, de raças, de línguas e ritos tão diferentes; tu que és a cidade dos que procuram Deus, eis que hoje O Filho de Deus está a chorar sobre ti. Pois não será afinal, cidade da Paz, o ruído da guerra que os teus filhos escutam? Jesus de Nazaré veio até ti propôr a paz, e tu que fizeste? Jesus morto numa das tuas colinas e ressus-citado num dos teus jardins. Mas a Sua vida sepultada na tua terra é sinal seguro que não foste abandonada pelo teu Deus, e que a oração que se eleva das tuas muralhas é ouvida. Jerusalém, não temas e reencontra a paz a que foste convidada!

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 19/NOVEMBRO/2014

SantaMatildeDeHackebornSTA. MATILDE DE HACKEBORN (1240-1298). Mística alemã, mestra e amiga de STA. Gertrudes Magna no mosteiro de Helfta (Saxe). Iniciou a devoção mariana das três avé-marias diárias. STA. Matilde e STA. Gertrudes são as precursoras da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

SaoRafaelKalinowskiS. RAFAEL KALINOWSKI (1240-1298). Entrou, aos 42 anos, inspirado na Virgem Maria, nos Carmelitas descalços “por definição Ordem de Maria”, da Áustria, e trabalhou na restauração do Carmelo na Polónia. Morreu em Wadowice, terra natal de S. João-Paulo II que o canonizou (1991).

Apocalipse 4,1-11 ; Sal 150,1-6 ; Lucas 19,11-28

UMA GRANDIOSA LITURGIA CELESTE (Apocalip.4,1-11). O capítulo quatro do Apocalipse celebra uma liturgia grandiosa que preside ao desenvolver do próprio Livro, apresentando em sucessivas etapas a atracção da Jerusalém celeste. Para nos dar a coragem e a esperança, porque através dos combates, Cristo é já O vencedor definitivo de todas as nossas lutas. A liturgia da Jerusalém celeste permite-nos suplantar, com o anúncio profético da paz definitiva de Deus, qualquer “terror apocalíptico”!

ParabolaDasMinasDeOuro_Merian“SENHOR, ELE JÁ TEM DEZ !…”(Lucas 19,11-28). Esta parábola das minas de ouro fere-nos. Este rei não é a imagem do nosso Deus. É um rei violento que usa meios radicais para eliminar os inimigos. É um rei injusto que aprofunda a separação entre o que já tem muito e aquele que nada possui. Como entender-se isto? Esta violência evoca o irrepremível desejo de um Pai que quer ver os filhos crescer, e fazer frutificar o dom depositado nas suas mãos. O reino de Deus deve crescer, porque a glória dO Pai é que nós produzamos muitos frutos. Não será essa a maneira de se honrar a Deus? A “mina” de ouro dada pelo rei aos servos é o sinal dessa imensa confiança outorgada a cada um. Não a coloquemos escondida sob o alqueire. Àquele que a deixar frutificar pelo dom de si mesmo, está prometida a superabundância.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 18/NOVEMBRO/2014

SaoPedroESaoPauloDedicação das BASíLlCAS de S.PEDRO e S.PAULO. A Igreja lembra os 2 Apóstolos fundadores e as 2 Basílicas erigidas na cidade de Roma : S.Pedro, símbolo e centro da Igreja Católica, e S. Paulo extra-muros, na estrada de Óstia.

Apocalipse 3,1-6. 14-22; Sal 14,2-5; Lucas 19,1-10

PARA ALÉM DOS SÉCULOS (Ap.3,1-6.14-22). As “cartas às Igrejas” (Ap.2,3) são dirigidas, para além dos dos séculos, também a nós. Com um infinito respeito pela nossa liberdade, O Senhor, está à porta do coração inteligente de cada um. Num quadro célebre, de Wiliam Hunt (1827-1910) “A luz do mundo”, na catedral de S.Paulo em Londres, Cristo bate a uma porta sem puxador, como que a sugerir que seremos nós quem, do outro lado, temos esse puxador na mão com total liberdade para lhE abrirmos ou não a porta.

“ZAQUEU DESCE DEPRESSA…”(Lucas 19,1-10). Zaqueu não estava à espera disto ! Ele queria apenas ver Jesus. Mas Jesus também o viu, e os seus olhares cruzaram-se: Zaqueu pendurado na árvore e, mais abaixo, Jesus que – como noutras passagens do Evangelho – erguia os olhos ao céu quando orava aO Pai. Há algo magnífico nestre encontro inesperado; súbitamente, Zaqueu já não pode ficar na árvore a olhar de cima. É-lhe necessário descer para reencontrar Jesus e desse reencontro nasce a sua alegria e conversão radical. Aprendamos também nós a descer do alto, a descer no nosso coração, aí onde podemos encontrar e acolher a vida de Deus!

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 17/NOVEMBRO/2014

SantaIsabelDaHungriaSTA. ISABEL DA HUNGRIA (1207-1231). Isabel fez um casamento de estado aos 14 anos com Ludwig IV, mais velho 7 anos. Do casamento feliz e exemplar de sete anos, nasceram 3 filhos. Durante esse período, com o apoio do marido, mandou construir um hospital, visitava os en-carcerados e dava diariamente esmola a centenas de pobres. Após a morte do marido, viúva aos 21 anos, Isabel deixou a corte e professou na Ordem Terceira de S.Francisco, sendo das primeiras terciárias da Alemanha. No verão de 1228, edificou um hospital em Marburg e, ali, dedicou-se a tratar os doentes, especialmente os leprosos, impondo-se muitas mortificações.

SaoGregorioDeToursS. GREGÓRIO DE TOURS (538-94). Viveu na época merovíngia, tempo de agitação política e matanças. Bispo de Tours, impõs-se pelas suas virtudes e coragem. Escreveu sobre a vida dos santos e uma “História dos Francos”, sendo considerado o pai da história de França.

Apocalipse 1,1-4; 2,1-5a; Sal 1,1-4.6; Lucas 18, 35-43

REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO (Apoc.1,1-4; 2,1-5a). O termo “apocalipse” significa “revelação”. Mas o seu complemento é ambíguo: Jesus Cristo é o sujeito que revela o futuro ao profeta João, ou será Ele mesmo o futuro revelado? A abertura do texto apresenta uma admirável sucessão: Deus confiara a revelação a Jesus Cristo e Ele fê-la conhecer ao Seu servo João, por intermédio de um anjo. João, testemunha da palavra de Deus e do testemunho dO próprio Jesus Cristo (“tudo o que ele viu”). O que João viu e lhe permite saber o que deve vir, foi a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Isso permite-lhe desvendar aos homens que irão atravessar igual Páscoa, num caminho de sofrimento e de morte, mas que a omnipotência dO Espírito, já em acção, virá renovar a sua vida. “O tempo está próximo”. Qual é a proximidade a que o Apocalipse se refere? É a do “kairos”: a vinda gloriosa de Cristo e o fim da ordem das coisas tal como presentemente as vivemos. Desde a Encarnação e a Redenção, nós vivemos no tempo-tempo, “chronos”, que cada dia nos aproxima do tempo-acontecimento, “kairos”, sobre o qual não sabemos nem o dia nem a hora. Confessemos que é uma ignorância nada confortável. Mas ela é a chave da vigilância cristã: nós somos os atentos vigilantes, na expectativa da vitória final de Cristo.

SenhorTemPiedadeDeMim“…AO OUVIR A MULTIDÃO PASSAR…” (Lucas 18,35-43). A deficiência deste cego é dramática : apenas o ouvido lhe permite aperceber-se que, à sua frente, está a passar uma multidão. Ele é o sinal da nossa condição na terra : vivemos sob o regime da fé e não vemos a Deus. Mas ouvimos Cristo, a Palavra, e tudo é possível. Na súplica do cego, nós escutamos o grito da humanidade:“Tem piedade de mim!” Este grito dos homens, Deus escuta-o. Ele escuta-o de tal maneira, que enviou O Seu Filho para restituir a vista aos cegos. Ele está diante de nós para nos curar. A primeira realidade sobre a qual se abriram os olhos do cego foi a pessoa de Jesus que vinha curá-lo e o olhava. Para nos conduzir até à visão de Deus, Jesus está ali e fita-nos. Ele abre-nos os olhos.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 16/NOVEMBRO/2014

SantaGertrudesMagnaSTA. GERTRUDES MAGNA (1256-1303). Os escritos desta mística alemã beneditina, que nunca foi abadessa, transmitem a alegria da sua fé profunda na Encarnação, na misericórdia de Jesus e numa íntima confiança no Seu Sagrado Coração. Por isso era entusiasta da Eucaristia e da Liturgia. STA. da Humanidade de Cristo e “teóloga” do Sagrado Coração, como por vezes é conhecida, tinha uma espiritualidade de luz e paz fundada na vida litúrgica da Igreja Católica, cujos ofícios divinos cantava diáriamente com STAMatilde, na abadia de Hefta. Esta vidente estigmatizada tinha grande cultura e testemunhou as suas visões e revelações em diversas obras:“O arauto da bondade divina” e em 7 “Exercícios”, editadas em latim no séc.XVI pelo cartuxo João Lamperge e logo traduzidas para as várias línguas.

Provérbios 31,10-13.19-20. 30-31 ; Sal 127, 1-5 ; 1 Tessal. 5, 1-6 ; Mateus 25,14-30

ParabolaDosTalentosELE REGRESSARÁ EM GLÓRIA (Mat.25,14-30). Jesus conta uma parábola para falar da Sua vinda aos discípulos. Mas, passados mais de dois mil anos, como falar do regresso dO Filho de Deus? Domingo após domingo, a Igreja reafirma a fé que lhe vem dos Apóstolos. O Credo dá-nos as palavras para nos apropriarmos deste tesouro imenso que O Senhor confiou aos homens até à Sua volta. “Ele regressará em glória”. Como o senhor da parábola, que quando voltou já não era esperado. A fé no regresso glorioso de Cristo é muito antiga. O Novo Testamento testemunha que as primeiras comunidades cristãs aguardavam o regresso eminente dO Mestre. E hoje? As iniciativas a favor da nova evangelização, a revalorização do diaconado, os apelos para o trabalho nas “periferias”, são ocasiões para despertarem a nossa expectativa no regresso de Cristo. Não as deitemos a perder pois O Mestre pedir-nos-á contas quando vier “julgar os vivos e os mortos”. Que fizemos nós do dom da fé ? Seremos ainda cristãos? Será ela, na verdade, uma Boa-Nova, que nos faz mudar de olhar, de comportamento, de ambição? S. João da Cruz dizia que no final da vida seremos julgados pelo amor. Mas em vez de temor, esse dia do julgamento deveria multiplicar as nossas capacidades de ternura e de serviço aos outros, enquanto esperamos o cumprir das promessas de Cristo. A nossa esperança está aí: “O Seu Reino não terá fim”. Deus acabará por reinar. No fim dos tempos, o Seu amor ganhará todos os recantos do universo. Nós não temos necessidade de compreender tudo. As dúvidas também fazem parte da fé. Deixemo-nos levar pela fé da Igreja.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.