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SEGUNDA-FEIRA – 24/NOVEMBRO/2014

DecapitacaoDeSantoAndreDungLacSTO. ANDRÉ DUNG-LAC e CC (séc.XVIII e XIX). Preso em Hanoi em 1839, este padre vietnamita recusou pisar a cruz de Cristo e foi decapitado. Canonizado pelo papa S. João-Paulo ll em 1998, com outros 116 mártires do Vietname mortos pela fé durante os séculos XVIIIº e XIXº.

Apocalipse 14, 1-3. 4b-5; Sal 23, 1-6; Lucas 21,1-4

“UM CÂNTICO NOVO” (Apocalise 14,1-3.4b-5). Este “cântico novo” ressoa através do saltério, como o cântico do suplicante libertado por Deus de todas as provações que teve de atravessar. Cântico de louvor, cântico litúrgico que a assembleia retoma em festa, ele é, no Apocalipse, o cântico da grande liturgia que se desenrola no céu, para acolher O Cordeiro imolado a partir de agora vencedor, que recebe a glória de Deus. Cântico que une na mesma acção de graças as potências celestes, o mun-do de Deus e dos homens que sofreram por seguirem Cristo e permaneceram fiéis até à morte. Este cântico“novo” evoca a Aliança nova ou Testamento novo, como relação inaudita agora instaurada entre Deus e a humanidade, pelo amor de Cristo, vitorioso da morte.

OObuloDaViuvaO DINAMISMO DO AMOR E DA CONFIANÇA (Luc.21-1-4). Estamos no início da última semana do tempo comum e já paira no ar o perfume de um nascimento. Para prepararmos a vinda dO Emanuel, sigamos o exemplo desta viúva miserável que se aproxima do tesouro do Templo. Ela assemelha-se a uma figura de présépio, enrugada como uma maçã ressequida! Com um gesto simples, ela dá tudo o que possui, sem se preocupar com o amanhã. Deus providenciará… Abordemos, também nós, os dias que nos separam do Natal com confiança total na Sua misericórdia. Um menino estende-nos os braços: os braços de Deus feito homem.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris).

DOMINGO DE N. SENHOR JESUS CRISTO, REl DO UNlVERSO– 23/NOVEMBRO/2014

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO. Termina esta semana o ano litúrgico “A”. A partir do próximo domingo, o Advento é a abertura do novo ano “B” dO Reino de Deus. Vamos continuar a busca da santidade, abrindo-nos ao que O Senhor quiser revelar-nos.

MartirioDeSaoClementeS. CLEMENTE I (99). 3º sucessor de São Pedro. É-lhe atribuida uma Carta aos Coríntios, evocativa do início da Igreja e das suas dificuldades e conflitos, que lhes recordava o ideal evangélico. Morreu mártir afogado.

Ezequiel 34, 11-12.15-17 ; Sal 22, 1-3. 5-6 ; 1 Coríntios 15, 20-26. 28 ; Mateus 25, 31-46

JulgamentoFinal_RubensUM ANTE-GOSTO DO REINO (Mat.25,31-46). A celebração de Cristo “Rei do universo” remete-nos para as representações políticas, apesar das leituras nos mostrarem que Jesus não é um príncipe terrestre. O Evangelho do Julgamento Final insiste todavia sobre a eficácia social e política da aceitação da res-surreição de Cristo. Devido às suas fragilidades, os justos agiram mal simplesmente e sem cálculo. Os dispostos no lado mau foram denunciados pela ausência de compaixão concreta, e a sua duplicidade foi firmemente desmascarada. Se tivessem sabido que, na pessoa daquele pobre, era O Rei que se apresen-tava, ter-se-iam imediatamente posto ao Seu serviço, mas por interesse. Esta festa litúrgica ajuda-nos a compreender que, quando a graça da eter-nidade se saboreia no interior das nossas existências quotidianas, a fé na ressurreição de Cristo não é apenas uma experiência íntima. É nos compromissos humanos que testemunhamos o nosso baptismo. De facto, a fé cristã é, ao mesmo tempo mística e política, secreta e visível, interior e eficaz. Todavia, essa espessura política da fé não é senão um ante-gosto dO Reino definitivo de Deus e isso deveria impedir o cristianismo de pretender substituir-se ao Estado. A Igreja só reclama a liberdade religiosa, tanto para ela como para todas as religiões. A fé impele-nos a agir e a testemunhar na sociedade, mas ela também nos permite descobrir que O Reino de Deus nos precede, porque O Espírito Santo actua na história e no coração de cada um. Jesus transporta os que O ouviam aos últimos tempos, quando O “Filho do homem” vier “na Sua glória” e Se sentar sobre o trono. O “Filho do homem” é descrito como um rei, que pode convocar todas as nações. O nome de “Senhor” que lhE é dado ressoa como o nome próprio de Deus na Bíblia. “Todas as nações” são convocadas. Os homens são separados em dois campos. “À direita”, lugar de honra tradicional, vêm os “benditos” dO Pai, os “justos”, que recebem em herança O “Reino”, a “vida eterna”. “À esquerda”, os “malditos”, privados dO Reino, “irão para o castigo eterno”. Que fizeram os justos para estar no bom campo? Eles aceitaram, (ajustaram-se), à Lei divina que exige justiça e rectidão nas acções, e fizeram-no sem procurar a recompensa dO Rei.  Eles encontraram, sem o saberem, O próprio Senhor na casa daqueles que socorriam. E que fizeram os malditos? Nada!, nem se mexeram, e não podem por isso ir para junto dO Senhor.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 22/NOVEMBRO/2014

ExtaseDeSantaCeciliaSTA. CECíLIA (~180). Nascida numa família ilustre romana, é, desde o século V, venerada como virgem e mártir.

Apocalipse 11, 4-12 ; Sal 143, 1-2. 9-10 ; Luc. 20, 27-40

“ESTAS DUAS TESTEMUNHAS….” (Ap.11,4-12). Pergunta-se com frequência quem serão estas duas testemunhas, também chamadas “profetas” : elas enfrentam as forças do mal que denunciam, que as matam com o regozijo dos habitantes da terra, mas, reerguidas por Deus, elas suscitam a conversão e o arrependimento dos seus inimigos. Responsáveis das Igrejas? Grupos cristãos? O autor tem o cuidado de sublinhar que escreve de forma simbólica. Trata-se certamente daqueles que, no encalço de Cristo aceitaram o apelo à conversão e morreram como Ele, nas condições e no mesmo lugar em que Ele foi crucificado. A palavra “testemunha” diz-se “martur” em grego, e os que testemunharam até ao fim ao preço da própria vida são os “mártires”, testemunhas credíveis acolhidas por Deus. “O Espírito da vida entrou neles”. Triunfo da Ressurreição sobre todas as forças da morte. É desolador contemplar os que se encarniçaram a matar de toda a espécie de formas, e que todavia podiam “subir ao céu na nuvem”. Pensamos logo na profecia de Zacarias (Zac.12,10), realizada na Cruz: “Hão-de olhar para Aquele que trespassaram” (João 19,37).

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 21/NOVEMBRO/2014

ApresentacaoDeNossaSenhora_bAPRESENTAÇÃO DE NOSSA SENHORA. A Igreja do Oriente celebra desde o séc.Vl esta festa, tão rica de significado, em que São Joaquim e Santa Ana apresentam nO Templo a jovem Maria.

Zacarias 2, 14-17 ; Sal 45,11-12. 13b-14.15b-16 ; Mateus12, 46-50

“…COMO SUA PORÇÃO NA TERRA SANTA.” (Zacar.2,14-17). Um texto célebre do regresso dos exilados a Jerusalém. O Senhor vem novamente habitar no meio do Seu povo. O vocabulário é de eleição : “tomar posse”, “escolher”, “seu património”(seu domínio), que denota um elo exclusivo entre O Senhor e Israel. Uma expressão sobressai : “na terra santa” ; não se trata do país, nem da Terra Santa no sentido actual do termo, mas mais precisamente de “solo”. O solo que Deus confiou ao homem para o cultivar e dele re-tirar o seu alimento, será, a partir de agora, o lugar para onde Deus vem viver no meio dos Seus. Tata-se de um solo “santo”, porque é um dom de Deus que, até na actividade humana mais simples, se torna presente para dar a vida. E isto é verdadeiro para todos os povos.

“AQUELE QUE FAZ A VONTADE DE MEU PAl…” (Mat.12,46-50). Neste dia da Apresentação de Maria no Templo, preparamo-nos para entrar no Ano dedicado à vida consagrada. Caminhar a seguir as pégadas de Cristo, diz respeito a todos, porque todos desejamos ser Seus “irmãos e irmãs”, na proximidade de Maria, que a Igreja escolhe hoje para nos apresentar como alguém que sabe fazer cons-tantemente a vontade dO Pai. Com ela, tentamos aprofundar a nossa maneira de rezar o “Pai Nosso” para descobrirmos que há mais alegria em fazer prevalecer em nós a vontade dO Pai do que em fazer triunfar a nossa…

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.