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QUARTA-FEIRA – 3/SETEMBRO/2014

ExtaseDoPapaGergorioMagno_RubensS. GREGÓRIO MAGNO (540-604). Papa, Doutor da Igreja. Empenhou o leme da Igreja quando segundo as suas palavras, ela “era como um navio carcomido e velho, que metia água por ambos os costados”. Converteu os Lombardos que devastavam a diocese de Milão, fomentou a cristianização da Inglaterra e foi o primeiro papa a usar o nome “servo dos servos de Deus”.

1 Coríntios 3,1-9 ; Sal 32,12-15. 20-21 ; Lucas 4, 38-44

DIVIDIDOS (1 Cor.3,1-9). O Espírito Santo é sempre apresentado como quem une. Ele restabelece a uni-dade destruída pelo pecado : Ele reconcilia o homem consigo, com os outros, com Deus e com a Criação. Mas esta obra faz-se em total liberdade, e é isso que explica a razão porque há divisões na comunidade de Corínto, onde Ele parece aliás estar particularmente activo, pois dá diversos dons e carismas nos seus membros. Advinham-se facilmente as raízes das divisões com a reflexão de Paulo. Naquela sociedade, que era demasiado humana, Cristo já não estava no centro das suas vidas como modelo único, e por isso caíam na tentação de todos os tempos e de todos os homens : a de seguirem um “leader”. Aliás, Paulo ousa apresentar-se como modelo, mas convidando-os a verem Cristo-Jesus através dele. Podemos inspirar-nos em Paulo, em Pedro, em João ou em Apolo ; se virmos Jesus através deles, não haverá mais divisões, somente uma sã diversidade que não se opõe à unidade, antes a enriquece.

“TODOS OS QUE TINHAM DOENTES, LEVAVAM-LHOS…” (Luc.4,38-44). Magnífico impulso de oração e de fé que faz, de todos os anó-nimos do evangelho de hoje, servos dos seus irmãos doentes. Imploraram pela sogra de Pedro e trazem aO Mestre da Vida, após o sol posto – já terminado o sábado ! – todos os doentes de Cafarnaum. Jesus cura, expulsa o mal e o que faz mal. O Reino dos céus está já presente nestas reabilitações. A Boa Nova é anunciada com acções. Hoje, O Senhor chama-nos a formar com os nossos irmãos igual cortejo que Lhe leve quem mais sofre. Na fé, sabemos que Ele os abençoa e lhes dá O Seu Espírito de vida. Felizes seremos ao fazê-lo.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 2/SETEMBRO/2014

1 Coríntios 2,10b-16 ; Sal 144, 8-14 ; Lucas 4, 31-37

O QUE HÁ NO HOMEM. Paulo diz aos correspondentes que eles são incapazes de conhecer Deus -O Deus de Jesus-Cristo- só com as forças humanas. Só Ele Se conhece e Se pode revelar pelO Espírito Santo. Para se fazer compreender melhor, o Apóstolo usa uma analogia: quem conhece o que há no homem, senão o espírito do homem ? Na verdade, nem os animais, nem as coisas possuem esta consciência, ainda que o mundo que nos cerca possa ajudar-nos a ir um pouco mais além nesse conhecimento de nós mesmos. Compreendemos perfeitamente esta argumentação. Mas se é verdade que sómente O Espírito nos pode dizer quem é Deus (com os limites da nossas capacidades) também apenas Ele nos pode ensinar, com verdade, o que é o homem ; quem somos nós ; quem sou eu. De facto, há em cada um profundidades que escapam a qualquer investigação das ciências humanas. Não será esta a mensagem par-ticular transmitida pelas curas que Jesus opera ao expulsar os demónios? Ou tratar-se-á, como alguns pensam, de relatos de outros tempos cuja interpretação deve ser simbólica ? Não se tratará antes de um convite para se olhar o homem mais além da superfície? Na verdade, quem poderá descobrir as suas próprias raízes, em particular as raízes do mal que o habita, a não ser O Espírito Santo? E quem poderá extirpar essas más raízes, senão Aquele que escrutina as profundezas de Deus e as profundezas do homem?

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro

SEGUNDA-FEIRA – 1/SETEMBRO/2014

VisaoDeSantaBeatrizDaSilvaSANTA BEATRIZ DA SILVA (1426-1490). Natural de Campo Maior, acompanhou a Espanha Dona Isabel, filha do rei D. Duarte, no casamento com D. João ll de Castela, em segundas núpcias. A sua beleza e as atenções do rei despertaram os ciúmes de Dona Isabel que a encerrou 3 dias num cofre. Aí teve a visão de NªSª trazendo O Menino Jesus ao colo que lhe confiou a missão de fundar a “Ordem de Nossa Senhora da Conceição” se-gundo a regra de S.Francisco, com o fim de a honrar, sobretudo no privilégio da Sua Conceição Imaculada.

1Coríntios 2,1-5 ; Sal 118, 97-102 ; Lucas 4,16-30

“QUANDO FUI TER CONVOSCO…” (1 Cor.2,1-5). As leituras falam-nos de “formas de caminhar” e de“caminho”. De facto, O Filho de Deus veio até nós e os homens devem correspon- der à Sua “forma de caminhar” e não ficar sentados“à sombra da morte”. Um “caminho” e um “modo de caminhar” com características próprias. Paulo foi à casa dos pagãos com humildade e sem quaisquer complexos de superioridade, para que a força de Deus passasse mais facilmente através da sua fraqueza. Os Coríntios aceitaram o Evangelho que lhes anunciava por, também eles, estarem a caminhar, ainda que ignorassem para quê ou para quem se dirigiam. Apesar da sua tendência fosse mais a de viverem com a sabedoria dos homens do que com sabedoria de Deus, não consideravam essa sabedoria como o fim último da sua viagem na vida.

LevaramJesusAoCimoDoMonte“MAS ELE SEGUIU O SEU CAMINHO…”(Luc.4,16-30). Qual é este caminho misterioso de Cristo, no qual Ele segue com liberdade soberana, um caminho do qual ninguém consegue demovê-lO? É o caminho da Sua missão, profetizado por Isaías. Em cada passo da caminhada Ele abre-nos os ferrolhos, libertando os prisioneiros do medo e da morte, fazendo entrar a luz de Deus nas trevas das angústias e violências humanas. Cada um dos Seus passos traz alegria à humanidade. Quem poderia afastá-lO do caminho que torna presente “o ano da graça dO Senhor”, como anuncia o profeta Isaías (Is.61,2)? Na passagem de Lucas toda a gente caminha: Elias é enviado à viúva estrangeira, esta dirige-se a Eliseu, Eliseu vai até Naamã. Jesus tinha andado quilómetros para vir a Nazaré, à casa dos seus, onde anuncia uma caminhada, que nunca terminará, ao encontro dos pobres, dos prisioneiros, dos cegos… A excepção (os que O expulsam do seu território) é muito instrutiva. Ensina-nos que as ideias pré-concebidas escondem a recusa de questionarmos o modo de vida e afastam-nos do caminho não nos deixando vê-lo, numa “anti-caminhada”, que é paragem, sinónima de morte.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 31/AGOSTO/2014

S. RAIMUNDO NONNATO (1200-40). Entrou na Ordem da Senhora das Mercês a pedido da Virgem Santíssima e foi, após S. Pedro Nolasco, a quem solicitara a admissão, o 2º Mestre Geral desta Ordem, dedicada ao resgate dos cristãos prisioneiros dos Mouros.

Jeremias 20, 7-9 ; Sal 62, 2-6. 8-9 ; Romanos 12,1-2 ; Mateus 16, 21-27

O PROFETA DEVE SOFRER PELO SEU DEUS (Jer.20,7-9). As leituras de hoje parecem pessimistas mas estão muito longe de o serem. Elas convidam-nos a olhar para o mistério da morte com os olhos da fé, e a discernir o mistério de vida que nela está escondido. Mas não chega um simples olhar. É necessário que nos empenhemos resolutamente nesse caminho. Só então nos será possível “compreender” as palavras e frases que, numa 1ª leitura, sem o empenho do coração, nos escapam. O fogo ardente que Jeremias diz não poder suportar é o amor de Deus, parceiro desse fogo que nos purifica profundamente. Paulo confirma-o : é a ternura de Deus que transforma e renova a vida do crente. Aliás, O Senhor também nunca fala da Sua Paixão sem mencionar a Sua Ressurreição. Jeremias está a ser alvo de perseguição por, em nome de Deus, profetizar desgraças e por os homens escutarem mais facilmente os profetas que os lisonjeiam ; preferimos as ilusões à realidade, sobretudo quando ela é dura de aceitar.

AfastaTeDeMimSatanasVENCER OS MEDOS (Mat.16,21-27). Que terá acontecido para Pedro ser chamado de Satanás logo após ter professado que Jesus era O Messias ? O anúncio do caminho messiânico ser um caminho de sofrimento, morte e ressurreição. E as vivas censuras que o 1º discípulo fez aO Mestre : “Não, Senhor, isso não Te acontecerá!” Pedro recusou portanto a morte de Jesus. STO. Agostinho esclarece esta recusa no seu “sermão 296” : “Pedro ficou estarrecido com a idéia dessa morte, de uma morte todavia natural, não querendo que O Senhor a aceitasse”. É que O apóstolo amava sinceramente o seu Mestre, “mas com um amor demasiado carnal”. O nosso amor a Cristo assemelha-se à recusa de Pedro : é sincero, mas com medo da morte. Custa-nos compreender o Seu difícil apelo para tomarmos a cruz e O seguir:“Quem quiser vir após Mim, tome a sua cruz e siga-Me”. Durante 2000 anos de cristianismo, inúmeros santos, conhecidos e desconhecidos, assumiram a cruz e seguiram O Mestre na Sua paixão e morte. Mas, se aceitaram perder a vida foi para a ganhar, segundo as palavras paradoxais de Cristo. Trata-se dum jogo de“quem perde, ganha”. O medo da morte é um temor natural, que Jesus deseja transfigurar : “Se Deus devia morrer, é na mesma natureza em que Ele devia ressuscitar”, acrescenta STO. Agostinho. O caminho dO Messias fica iluminado com a Sua ressureição. Pedro queria, portanto,“sem o saber, manter seguro o tesouro donde saíria o nosso resgate”. No limiar do novo ano escolar, entre as muitas decisões a tomar, teremos que fazer recusas e consentimentos. Algumas apreensões, bem naturais, podem encerrar-nos no medo. Então, com o profeta Jeremias, deixemo-nos seduzir, no mais profundo do nosso ser, pelo fogo devorador da palavra de Deus. Esta palavra acompanha o nosso regresso ao trabalho para nos ajudar a vencer os medos. Para fazermos, tal como Pedro, depois da Ressurreição, um Pentecostes.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

Quinta-feira da XXI Semana, ano par – 28/AGOSTO/2014

Fonte: http://www.evangelhoquotidiano.org

Santo Agostinho, bispo, Doutor da Igreja, +430. Nasceu em Tagaste, no ano de 354. Africano da Tunísia, era filho de pai pagão e de mãe cristã. Espírito irrequieto e sedento de verdade, enveredou por várias correntes filosóficas e seitas, até chegar ao cristianismo. Incursionou também pelos meandros da vida amorosa, e por muito tempo viveu em companhia de uma mulher e ambos tiveram um filho. Esta mulher anónima, que Santo Agostinho amava e por ela era amado, e da qual nem sequer nos legou o nome, retornou à África e certamente não foi menor em sua oblação. Agostinho converteu-se por volta do ano 387 e recebeu o baptismo em Milão. Quem o baptizou foi o célebre bispo Santo Ambrósio que, juntamente com Santa Mónica, trabalhou pela sua conversão. Retornando à sua terra, levou vida ascética. Eleito bispo de Hipona, por trinta e quatro anos esteve à frente de seu povo, ensinando-o e combatendo as heresias. Além de “Confissões”, escreveu muitas outras obras. Constitui-se, assim, num dos mais profundos pensadores do mundo antigo. É por muitos considerado o pai do existencialismo cristão. Morreu em Hippo Regius, no dia 28 de Agosto de 430.

1 Cor 1, 1-9; Sal 144 (145), 2-3. 4-5. 6-7; Mt 24, 42-51

Comentário:
São João Paulo II (1920-2005), papa
Testamento (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

«Por isso estai também preparados»

«Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.» Estas palavras recordam-me a última chamada, que acontecerá no momento em que o Senhor quiser. Desejo segui-Lo e desejo que tudo o que faz parte da minha vida terrena me prepare para esse momento. Não sei quando Ele virá mas, como tudo, também deponho esse momento nas mãos da Mãe do meu Senhor: «totus tuus». Nas mesmas mãos maternas deixo tudo e todos aqueles com os quais a minha vida e a minha vocação me puseram em contacto. Nas suas mãos deixo sobretudo a Igreja, e também a minha nação e toda a humanidade. A todos agradeço. A todos peço perdão. Peço também orações, para que a misericórdia de Deus seja maior que a minha debilidade e indignidade (06/03/1979). […] Todos devem ter presente a perspectiva da morte. E devem estar preparados para se apresentarem diante do Senhor e Juiz, que é ao mesmo tempo Redentor e Pai. Também eu tomo isto continuamente em consideração, entregando este momento decisivo à Mãe de Cristo e da Igreja, à Mãe da minha esperança. […] Desejo mais uma vez confiar-me totalmente à vontade do Senhor. Ele mesmo decidirá quando e como devo terminar a minha vida terrena e o meu ministério pastoral. Na vida e na morte, «totus tuus», pela Imaculada. Aceitando já agora esta morte, espero que Cristo me conceda a graça para a última passagem, isto é, a minha Páscoa. Espero também que a torne útil para esta causa suprema que procuro servir: a salvação dos homens, a salvaguarda da família humana e, nela, de todas as nações e de todos os povos (entre eles, o meu coração dirige-se de maneira particular para a minha Pátria terrena), ser útil para as pessoas que de modo particular me confiou, para a vida da Igreja, para a glória do próprio Deus (01/03/1980).