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1º SÁBADO – 2/AGOSTO/2014

Jer. 26,11-19 ; Sal 68,15-16. 30-31. 33-34 ; Mat.14,1-12

DecapitacaoDeSaoJoaoBaptista_Pitscheider“É POR ISSO QUE ELE TEM O PODER DE FAZER MILAGRES” (Mat.13,54-58; Jer.26,11-19). Esta re-flexão de Herodes, a respeito de João Baptista a quem matara, revela na casa deste rei um fundo de superstição e sumariza a sua Teologia.  Mas, como sucedeu com Caifás – o sumo-sacerdote que profetizou sem saber – a “teologia” de Herodes pode levar-nos longe na estrada do Precursor. Especialmente se atentarmos bem que Herodes identifica a sua vítima com Jesus.  Na verdade, quem tiver a coragem de ser discípulo de Cristo até ao fim, até dar a vida, ressuscitará com Ele. Ao ponto de, graça à sua identificação com Cristo, receber o poder de fazer milagres. Não necessariamente milagres espectaculares – esses não são os mais importantes – mas, contribuirá para operar curas e até, inclusivé, ressurreições espirituais.  Será mesmo capaz de  levar, como aqui, todos os“reis Herodes” a interrogarem-se e a colocarem questões.  E, sabemos, como um ponto de interrogação é já um dedo que se levanta para a campaínha do médico. Tudo isto é também válido para Jeremias. Com efeito, também ele teve a coragem de dizer palavras que iam contra a corrente do tempo.  E constatamos o milagre que isso produziu. Os “anciãos” (idade em que as convicções já solidificaram) encontraram suficiente liberdade de espírito para reconhecerem a mensagem dO Senhor naquilo que ia talvez colocar em questão toda a sua vida. Sim, se O Senhor ocupar na nossa vida o lugar que lhE pertence, ser-nos-á dado até o poder maravilhoso de fazer milagres.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª SEXTA-FEIRA – 1/AGOSTO/2014

STO. AFONSO MARIA DE LIGÓRIO (1696-1787). Advogado napolitano, fez-se sacerdote, fundou (1732) a Congregação dos Redentoristas.  Doutor da Igreja.

Jer. 26, 1-9 ; Sal 68, 5. 8-10.14 ; Mat.13, 54-58

DondeTeVemEstaSabedoria_TissotCONVERTER-SE DA MÁ CONDUTA (Jeremias 26,1-9). Jeremias denuncia o mal que parece ter-se instalado para sempre no povo de Israel. Na realidade, a expressão “instalado definitivamente” é ao mesmo tempo boa e má. Boa no sentido de e reconhecer ser difícil afastar os hábitos contrários à lei de Deus; instalamo-nos neles, ou eles em nós, não sabemos bem como dizê-lo. Mau porque, como diz o profeta, é um caminho em que nos embrenhamos, contrário ao desígnio de Deus. Perseguiram então o profeta da sua pátria mas onde os levou esse caminho? Será que podiam ter feito meia volta após se terem embrenhado nessa estrada? Parece difícil, ou mesmo impossível. Há porém uma expressão que nos tranquiliza; é dito: “mudai de caminho”, no sentido de con-vertei-vos; e não “voltai para trás”. Há aqui uma grande diferença; é como se Deus, na Sua misericórdia infinita, abrisse outra estrada boa, ao lado da nossa estrada má, e nos convidasse a um mero desvio para retomarmos, com facilidade, o caminho do bem.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª QUINTA-FEIRA – 31/JULHO/2014

STO. INÁCIO DE LOYOLA (1491-1556). Fundador da Companhia de Jesus. Os seus “Exercícios Espirituais” traçam um caminho para quem quiser consagrar a sua vida à glória de Deus. Foi canonizado em 1622 pelo Papa Gregório XV.

S. GERMANO (378-448). Um dos grandes prelados da sua época este Bispo d’Auxerre, durante trinta anos, encorajou a vocação de Santa Genoveva. Realizou duas viagens a Inglaterra para combater a heresia de Pelágio que ali se propagava.

Jeremias 18,1-6 ; Sal 145, 2-6 ; Mateus 13, 47-53

OReinoDosCeusEhComparavelAUmaRede_LuykenDISCERNIMENTO (Mat.13,47-53). Nas parábolas de hoje, dá-se uma separação. A separação entre o que é bom e o que é mau, entre os justos e os pecadores, onde se sublinha que O Reino implica um “discernimento”, palavra cuja etimologia é “separação”. O crente é convidado a confrontar-se com o dom que recebe e a “discernir” a resposta que deve dar-lhe, encontrando neste processo de discernimento um caminho de liberdade e de dom de si mesmo.   Se há um texto da Escritura que nos propõe um acto de fé é este. Na verdade, se olharmos para a Criação, para a grande história dos homens e para a nossa pequena história, temos a impressão que O Criador colocou na Sua obra tudo o que é necessário para que ela se desenvolva com total autonomia. Isto é verdade sobretudo para as criaturas dotadas de razão e liberdade. Portanto, mesmo que O Criador continue interessado por nós, poderá pensar-se que se reserva para intervir somente no final, para então fazer “a separação”, como Jesus diz na parábola da rede lançada ao mar.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 30/JULHO/2014

S. PEDRO CRISÓLOGO (450).  Reputado pela sua eloquência este Bispo de Ravena, recebeu o cognome de “Crisólogo”, que significa “palavra de ouro”. O Papa Bento XIII declarou-o Doutor da Igreja em 1759.

Jeremias15, 10. 16-21 ; Sal 58, 2-5a.10-17.18 ; Mateu 13, 44-46

PORQUE SERÁ QUE A MINHA DOR NÃO TEM FIM? (Jer.15,10.16-21). A lamentação do profeta Jeremias é um grito que percorre a história dos homens; e, contudo, podemos dizer que a história é um esforço imenso para o calar.  Aqui vê-se o sofrimento de um justo, com um mal imerecido.  Não é um grande pecador que fala, é um amigo de Deus.  Certamente que podemos apresentar uma razão : Jeremias é perseguido pelo ímpios que utilizam a sua liberdade de uma forma má.  Mas há tantos e tantos sofri-mentos que nos interrogam e desafiam todas as explicações! O profeta é a figura dO Servo Sofredor, Jesus Cristo. Ao entrar no mistério do mal, Jesus não nos dá uma explicação, mas faz mais que isso: revela aos homens que o mal será ultrapassado. O sofrimento insere-se no mistério dO Reino dos céus que se constrói na terra.

OReinoEhUmaPerolaDeGrandeValor_FettiPROCURAR, ENCONTRAR (Mateus 13, 44-46). As parábolas falam-nos de homens que procuram e encontram. Elas sublinham assim a busca essencial que habita o coração do crente. Ele está em movimento para este tesouro, para esta pérola, que adivinha mesmo no centro do seu campo de existência. Os mesmos homens vendem e compram: endividam-se para guardarem em si o tesouro que encontraram. Eles vivem para o adquirir, com despojamento dos bens que antes possuíam. Assim, O Reino está presente nas nossas vidas de maneira incondicional, mas depende de nós a decisão de acolher a sua riqueza e o seu dom. Não pode dizer-se que a dor faça parte do tesouro escondido no campo que o agricultor encontrou por acaso, porque o sofrimento é um mal em si mesmo. O sofrimento será, talvez, comparável ao estrume que faz frutificar essa riqueza. Porque o tesouro está vivo, mas é necessário vê-lo como uma planta que está a crescer e irá dar frutos abundantes, e nunca como um montão de objectos mortos por mais brilhantes que sejam. Quando experimentamos na nossa vida as dores de Sexta-feira Santa, como Jeremias, não é certa-mente fácil discernir com a razão o mistério pascal, onde o elemento essencial é o Domingo da Ressurreição. Todavia, a alegria está escondida na planta, que desejaríamos tantas vezes desenraizar e matar, e uma não chegará à maturidade sem a outra.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 29/JULHO/2014

STA. MARTA.Os nomes de Marta, Lázaro e Maria de Betânia evocam a família onde Jesus se sentia bem acolhido.

Rom.12, 9-13 ; Sal 33, 2-6. 9-11 ; Luc.10, 38-42

MariaEMartaOuvemJesus_CarolsfedAQUELA QUE ACOLHE (Rom.12-13; Luc.10,38-42). A Carta aos Romanos, duma certa maneira, fala de Marta, mulher unida a Jesus por uma amizade sincera, figura de esperança e capaz de uma hospitalidade singular.  O que caracteriza Marta, finalmente, é a sua capacidade de acolhimento em todas as circunstâncias : ela acolhe Jesus na sua casa e dispensa-lhe mil atenções; no momento da morte de seu irmão, ela acolhe a Sua mensagem de ressureição e exprime uma fé confiante.   Que O Espírito Santo ponha em nós o entusiasmo que elevava o coração de Marta e a empurrava para Jesus.  Que O Espírito Santo nos torne disponíveis, tão disponíveis como ela. Na família dos amigos de Jesus, em Betânia – na casa em que Ele gostava de descansar- Marta não era a figura que mais sobressaía. Entre Lázaro – o irmão ressuscitado por Jesus –  e a irmã Maria que “escolheu a melhor parte”, a sua silhueta parece ser a mais baça. Uma mulher vulgar que embora andasse activa, para receber convenientemente as visitas de sua casa, estaria nesse dia certamente dividida entre o desejo de – também ela – escutar O Mestre, e o serviço que não podia esperar… Esta Marta, no fundo, é muito seme-lhante a qualquer um de nós! Mas interessa-nos ainda sobretudo, porque a sua maneira de ser – simultaneamente discreta e directa – é, para nós, um modelo de fé.  Uma fé confessada, até nos momentos mais dolorosos ; quando da morte de seu irmão, é ela que sai de casa ao encontro de Jesus e diz: “Eu sei que meu irmão ressuscitará… Creio que Tu és O Cristo, O Filho de Deus que viria ao mundo”. Tem a fé que se traduz em humildes actos de serviço aos outros. Se partilharmos a sua fé também nos será dada “a melhor parte”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.