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DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE – 15/JUNHO/2014

IconeDaSantissimaTrindadeA Igreja convida-nos hoje a celebrarmos a Santíssima Trindade: Deus único em 3 pessoas. O nosso enten-dimento vacila quando tentamos avaliar este tesouro da nossa fé.  É-nos necessário fazer um novo acto de fé, mesmo não compreendendo tudo e ficando desorientados. Máximo, o Confessor (580-662) ensina-nos a fazer de cada olhar, atento e contemplativo das coisas, uma espécie de experiência trinitária:“o facto de algo existir…remete-nos para O Pai,“Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis…”  – aliás, cada coisa visível é a visibilidade do invisível –  ;  o facto de podermos compreendê-la, revela-nos, nela e a partir dela, uma estrutura prodigiosamente “inteligente” que nos remete para O Filho, Verbo, Sabedoria e Razão dO Pai ; o facto duma coisa ser bela insere-a dinâmicamente numa ordem que tende para a plenitude e nos remete para O Espírito, O Sopro vivificante…”

Êx. 34, 4b-6. 8-9 ; Daniel 3, 52-56 ; 2 Cor.13,11-13 ; Jo. 3,16-18

ELE MESMO DIZ O SEU NOME (Êxodo 34,4b-6.8-9). “O Senhor desceu na nuvem e veio para junto de Moisés”. É Deus que Se apresenta ao homem e não o contrário.  Os convertidos que O procuraram por muito tempo, laboriosamente, por vezes de forma bem dolorosa, sabem-no perfeitamente: há um momento em que Deus Se deixa encontrar, quando Ele assim o quer.    Ele tem sempre a iniciativa do encontro com os homens. É Deus que desce até ao homem.  Para dar a conhecer o Seu Nome, que significa quem Ele é : “clemente e misericordioso, vagaroso para a ira, cheio de amor e de fidelidade”. Mas Ele vem igualmente dizer aos homens o que espera deles. O final da 1ª leitura do livro do Êxodo mostra que Moisés compreendeu isto muito bem : “Tu farás de nós um povo que Te pertença”. O Senhor espera um povo que saiba responder com amor ao Seu amor, com fidelidade – fruto desse amor – à Sua fidelidade.  Uma resposta que é dada pela forma como nos comportamos com os homens, nossos irmãos.

BEM-AVENTURADA TRINDADE (Jo.3,16-18). Os versículos do evangelho fazem parte do “discurso a Nicodemos”.   Ora foi só no final da sua busca feita “de noite” que ele recebeu uma revelação inédita sobre O Deus-Um em que acreditava. Uma noite que, provavelmente, foi também uma noite dO Espírito.  Perplexo perante a pessoa e a mensagem daquele “Mestre de Israel” que era Jesus, ele tomou a iniciativa para O encontrar, interrogando-O e deixando-se interrogar.  É verdade que Nicodemos já conhecia, pelas Escrituras de Israel, o amor dO Altíssimo pela humanidade.  Mas Jesus abre-o ao facto deste amor ter a sua fonte numa vontade de salvação comum em Deus – aqui, entre O Pai e O Filho.  Note-se que a palavra grega (agapè) para significar este amor, conota “o amor que seja mais racional, por implicar conhecimento e julgamento de valor”, a um amor ao qual é “essencial manifestar-se” e “dar provas”. (Léxico Teológico do N.T.). A caminhada de Nicodemos deve encorajar-nos. Ela é o percurso dum crente que, aceitando não compreender tudo, se abre intelec-tual e espiritualmente e nasce para o desconhecido. Não nos admiremos portanto de também estarmos neste caminho, com tudo o que ele possa ter de destabilizador e desconfortável. Porque, apesar de termos sido criados à imagem da Trindade e ser capazes de pressentir como poderá ser o amor em Deus, o dom dO Filho é rico a desconcertar-nos e a “escavar” em nós o desejo dO Espírito. Não é Ele quem nos “guiará para a verdade plena”(Jo.8)? Ele far-nos-á passar dum amor ainda muito egocêntrico para esse amor desinteressado, fonte de felicidade. A compreensão de Deus como comunhão e o alargamento do nosso coração andam a par e passo.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir.Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 14/JUNHO/2014

1 Reis 19,19-21 ; Sal 15,1-2a. 5-10 ; Mateus 5, 33-37

EliasLancouOMantoSobreEliseuELIAS LANÇOU O SEU MANTO SOBRE ELISEU (1 Reis 19,19-21). O gesto explica-se pelo forte simbolismo do traje na Bíblia ; o homem nu está dessocializado, a veste traduz quer a função quer a dignidade. A capa de Elias é sinal que o poder de Deus desceu sobre Eliseu. A preposição “para, sobre” é tanto usada para o manto como para O Espírito. Eliseu recebe esse poder quando Elias é arrebatado aos céus; então  Eliseu pegará na capa para apartar as águas do Jordão. Isto pode tornar-nos mais atentos ao significado das roupas nos relatos evangélicos:Jesus foi despojado das Suas vestes, disputadas ás sortes. Ele morreu nu; mas O Espírito subverte todas as simbolologias sociais e revestiu com a Sua glória o Seu corpo humilhado e elevou-O vivo para junto de Deus.

UM SIM FRANCO E INCONDICIONAL (Mat.5,33-37). Cristo convida-nos a dizer um sim que não passe pelo intermediário de um juramen-to “sobre” ou “por” qualquer coisa.  Isto, juntamente com o “fora de Mim, nada podeis fazer” do evangelho de João (Jo.15,5), é como se Jesus nos dissesse que todos os nossos “sins” têm de passar por Ele mesmo. São sins de adesão incondicional, que não necessitam verificação, nem de passar por substitutos, porque estão ancorados no absoluto da confiança. É com O próprio Deus, que eu confio em Jesus e desejo, assim, poder dizer-lhE um Sim franco e incondicional. Há duas razões para não jurar: primeiro, para não instrumentalizar as coisas sagradas.    Que pode Deus acrescentar aos nossos protestos de boa fé? E porquê falar como se a Sua Palavra estivesse na balança? Segundo, as palavras de um cristão devem ser sinceras e verídicas, sem que seja necessário reforçá-las invocando Deus. Aliás, é por Ele que podemos dizer “amen” a Deus -para a Sua glória – e, tal como Jesus, dizer sim a tudo o que seja um sinal, pequeno ou grande, da vontade de Deus na nossa vida : um acontecimento, um encontro… Tal como Maria – no dia de sábado que lhe é dedicado – vou dizer sim aO Deus que me pede para deixar a Sua Palavra nascer e crescer em mim. “Eis a serva(o) dO Senhor!”

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 13/JUNHO/2014

SantoAntonioAPregarAosPeixesSTO. ANTÓNIO. Natural de Lisboa (1195) é conhecido como STO. António de Lisboa ou de Pádua, Itália onde pregou. Irmão na Ordem Franciscana, ficou célebre como pregador exímio e grande conhecedor da Sagrada Escritura. Morreu perto de Pádua (1231), e era tal a sua fama de santidade que foi canonizado menos de um ano depois. A sua figura continua viva na memória do povo como alguém que nos ajuda a procurar as coisas perdidas, a cuidar dos que buscam um santo casamento e, principalmente, como intercessor dos pobres e necessitados.

Ben-Sirá 39, 8-14 ; Sal 18B, 8-11 ; Mateus 5,13-19

SAL DESNATURADO, LUZ ARTIFICIAL (Mat.5,13-19). Caminhar segundo o espírito das bem-aventuranças permitir-nos-á progredir como seres bem “salgados”, cujas vidas têm gosto e iluminam os outros, tal como STOAntónio.  E não iluminaremos artificialmente o nosso caminho, mas sim com a luz de Cristo, que Ele partilha connosco para que, além da nossa, sejamos luminosos também com a Sua luz. A chave do nosso acerto está na luz dO Filho.   Nada mostra essa realidade de forma mais límpida do que as frases proferidas por Jesus imediatamente depois das bem-aventuranças do Sermão da Montanha: “Vós sois o sal da terra”, “Vós sois a luz do mundo”.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 12/JUNHO/2014

BeatoGuyVignotelliBTO. GUY VIGNOTELLI (1185-1245). O encontro com S. Francisco de Assis mudou a vida deste senhor de Cortona, na Itália: deu todos os seus bens aos pobres, ingressou na Ordem dos Franciscanos e fez-se eremita na gruta de uma ponte.

1 Reis18, 41-46 ; Sal 64,10-13 ; Mateus 5, 20-26

SermaoDaMontanha_ConterAIra“VAI PRIMEIRO RECONCILIAR-TE …” (Mateus 5,20-26). Decididamente, amar não é nada fácil !   Jesus di-lo hoje no Sermão da Montanha de três maneiras.  Primeiro ao frisar que o amor não tem limites : “a justiça” não pode limitar-se à observância de preceitos. O amor tem de ser amplo e verdadeiro. Depois diz-nos que o amor é sempre prioritário e dá O Pai como exemplo.  Deus que escolhe ficar em segundo lugar, prefere que, antes de O honrarmos na oração, nos reconciliemos com os irmãos. O Pai – que nos amou primeiro – escolhe, no ensino de Jesus, apagar-Se diante dos irmãos. Deus assumiu um rosto de homem e, por isso, é junto dos homens que deve ser procurado e, qu-ando quisermos apresentar-nos a Ele, a melhor forma será, em conjunto, como irmãos. Por fim, Jesus recorda que o amor é vital: só o amor impede sermos “lançados na prisão”. Quer dizer, o “não-amor” ou a “recusa da reconciliação” introduzem-nos inevitavelmente numa espiral da discórdia que leva à rotura e à morte. E, inversamente, com a reconciliação será possivel avançar no “caminho”, até aO Pai, fonte de amor. A palavra de Deus é como o bisturi do cirurgão que serve para remover as nossas chagas e sará-las.  Aqui Jesus fala da ferida causada pela cólera contra o irmão.  A cura é mais necessária para o homem que se encoleriza do que para o insultado. É uma evidência evangélica : as palavras que eu pronuncio e ferem os meus irmãos atingem-me também, ainda mais profundamente. Por isso devo pedir perdão quando não for justo com o outro. Então sim, posso apresentar-me diante de Deus e oferecer-lhE a vida.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.