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SEXTA-FEIRA – 26/SETEMBRO/2014

SaoCosmeESaoDamiaoSTOS. COSME e DAMIÃO (séc. IV). Dois irmãos médicos, decapitados pela fé em Cirro, próximo de Alepo na actual Síria, durante a perseguição de Diocleciano. O seu culto expandiu-se no ocidente a partir do séc. V.

STOS. MÁRTIRES DA CHINA (Diocese de Macau).

Cohélet 3, 3-11 ; Sal 143, 1a. 2ab. 3-4 ; Lucas 9, 18-22

“E VÓS, QUEM DlZElS QUE EU SOU…?” (Lucas 9,18-22). Nas sociedades secularizadas, esta é uma pergunta essencial. Queixamo-nos da fraca prática religiosa, mas que dizer do nosso silêncio perante esta pergunta. Pedro pode ajudar-nos a responder.  Como os outros dis-cípulos ele ouve a pergunta de Jesus. E, bom judeu do seu tempo, responde com a riqueza de vocabulário da Escritura. E nós, onde fundamentamos as nossas palavras para respondermos a Jesus ?  Não nos apressemos nos lamentos sobre a sociedade. Escutemos Jesus e frequentemos a escola da Escritura.   Então saberemos responder a esta grave questão. Os anúncios da Paixão são com frequência apresentados como motivo de escândalo para os Apóstolos. Na verdade, Pedro – em nome dos Doze – insurgiu-se contra a idéia de um Messias sofredor e rejeitado. Jesus repreendeu-o severamente. Aqui Ele diz-nos: “É necessário que…” ; o que nos remete para outra passagem do evangelho de Lucas, quando O Senhor – após a Sua Ressurreição – apareceu aos discípulos de Emaús perguntando-lhes: “Não era necessário que O Cristo sofresse para entrar na Sua glória?” No anúncio da Paixão que hoje faz, e pela pergunta que nos coloca: “Para vós, Quem sou Eu ?”, Jesus transforma-se num profes-sor da Sagrada Escritura a examinar os alunos.  Será que os apóstolos, pertencentes a um povo que estudava a Escritura, desco-nheciam as profecias de Isaías acerca dO Servo sofredor ?   Esta ignorância é ainda mais lamentável porque Ele próprio – na sinagoga de Nazaré – Se identificara com esse misterioso personagem, que carregava sobre si os pecados dos outros para, logo a seguir, pela mesma razão, ser glorificado.  Estas reflexões recordam-nos, uma vez mais, a importância de conhecer o Antigo Testamento para melhor compreender O Novo.  Mais precisamente, para saber responder correctamente – durante toda a nossa vida – à pergunta :  “E vós, quem dizeis que Eu sou?”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 25/SETEMBRO/2014

BeataJosefaNavalGirbesBTA. JOSEFA NAVAL GIRBÉS (1820–93). Virgem, carmelita secular, abriu novos caminhos de santidade para a maioria dos membros da Igreja do mundo laical. O tempo em que viveu foi um tempo muito perturbado para a Igreja: “ O grande escândalo do séc. XIX foi a perda da classe operária”, disse o Papa Pio XI.  A casa de Josefa, o seu atelier de bordadeira, o seu catecismo, os círculos de formação de mulheres, as suas obras de caridade eram o seu convento. Exemplo e palavra! Josefa viu claramente os deveres do cristão leigo e viveu-os. S. João-Paulo II beatificou-a (1988).

Cohélet 1, 2-11 ; Sal 89, 3-6.12-14.17 ; Lucas 9, 7-9

INDIFERENTES A TUDO (Cohélet 1,2-11 ; Lucas 9,7-9). Pode suceder ficar-se por vezes como O Esclesiastes, indiferente a tudo! Tudo parece igual e sem valor, julga-se saber tudo e controlar todas as coisas.  Tal como Herodes, não se sabe o que pensar. Finalmente, “que aproveita ao homem tudo isso”? É o “para que serve”? Estes textos da Escritura retratam-nos e provocam-nos: será que vamos querer continuar a ver o mundo como sinistro e sem finalidade? É verdade que as coisas mudam, que muitas já não são possíveis e outras nunca o serão.  Como vamos reagir? Dizendo “nada de novo” e “já não sei o que pensar” ? Ser fiel a Cristo convida a uma lúcida esperança: Cristo, vencedor da morte é maior que tudo.  Com a Sua prégação, com os Seus gestos, Jesus coloca-nos uma pergunta. Até Herodes fica intrigado.  Fazer perguntas é o primeiro acto de evangelização, como na manhã de Pentecostes.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 24/SETEMBRO/2014

SaoVicenteMariaStrambiS. VICENTE MARIA STRAMBI (1745–1824).  Sacerdote passionista, grande prégador (comovia o auditório com as suas meditações da Paixão de Cristo)  e director de almas : o confessionário era complemento do púlpito.  Ofereceu a sua vida pelo Papa Leão XII. Canonizado em 1950.

NossaSenhoraDasMercesNOSSA SENHORA DAS MERCÊS. As contínuas guerras entre Mouros e Cristãos na Península Ibérica, a partir do ano de 711, foram palco de inúmeros cativeiros.  O fanatismo e a intransigência religiosa proporcionavam sofrimentos aos prisioneiros de ambas partes. Apareceu então em Espanha esta devoção à Virgem, invocada como NªSª das Mercês.  Mais tarde, no séc.XII as Cruzadas aumentaram muito o números dos cativos e surgiram várias Confrarias e Ordens para pagarem o seu resgate. A “Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos”, fundada com esse fim por S.Pedro Nolasco, em Espanha (1218), popularizou esta invocação, logo trazida para Portugal, e a seguir Brasil, pelos frades Mercedários. No Brasil os escravos viam em NªSª das Mercês a padroeira da sua libertação.

Provérbios 30, 5-9 ; Sal 118, 29. 72. 89.101.104.163 ; Lucas 9,1-6

“…O PÃO NECESSÁRlO.” (Prov.30,5-9).  O texto hebraico fala simplesmente de pão, e é assim o pedido dO Pai Nosso, mas há traduções que escrevem “a subsistência necessária”, e têm razão pois o pão não é o alimento base em muitas regiões do mundo.  O que importa é a justa medida reclamada; se não for sentida nenhuma falta o esquecimento de Deus (e dos outros) espreita-nos; se a falta for demasiado grande, somos levados a despojar o outro que Deus ama e protege. Este simples conselho do sábio esclarece-nos sobre o que vivemos na Eucaristia: partilha do pão da vida ! Se nos deixarmos fascinar pela plénitude do repasto, esquecemos o sentido do dom que nos envia para a missão e a partilha ; se nós o negligenciarmos e esquecermos, o que alimentará a nossa fé e o nosso amor ?

UM CONVITE PARA HOJE  (Luc.9,1-6).  Cristo reúne-nos, não para ficarmos nas sacristias ou entre “gente bem”, mas para ir, como os Doze, às cidades e aldeias que conheçamos. Elas têm o nome de empresa, diversão, mundo da saúde, universidade, bairros populares terceiro-mundo, favelas…  Estas são as nossas aldeias tal como as da Galileia de há 2000 anos.  Jesus convida-nos a ir aí anunciar a Boa-Nova.  Para as doutrinar? Pelo contrário!  Jesus dá-nos o antídoto a todo o proselitismo.   Ele convida-nos à não-violência, ao respeito de cada um e chama-nos a sarar, a fazer o bem ao outro.  Saiamos, pois, para anunciar e curar !

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 23/SETEMBRO/2014

SaoPioDePietrelcinaS. PIO DE PIETRELCINA (1887–1968). Entrou com 16 anos no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Ordenado sacerdote com 23 anos, fazia da Eucaristia e do Sacramento da Confissão o cerne da sua espiritualidade e ministério. Firme crente do valor meditação cristã terá dito: “Através do estudo dos livros procuramos a Deus, pela meditação encontramo-lO”. A fama que alcançou não era resultado da sua ciência, mas da forma humilde como celebrava a missa e ouvia confissões de manhã à noite. Estigmatizado, foi proíbido durante anos de confessar e rezar a missa em público. O convento de Giovanni Rotondo tornou-se lugar de peregrinação.  Foi beatificado (1999) e canonizado (2002) por S. João-Paulo II.

Provérbios 21,1-6.10-13 ; Sal 118, 1. 27. 30. 34-35. 44 ; Lucas 8,19-21

“O HOMEM SIMPLES…” (Prov.21,1-6.10-13). Existe uma ligação constante na Escritura entre a simplicidade e a sabedoria : “As ordens dO Senhor são firmes, dão sabedoria ao homem simples”. A tradução grega varia : ora “o inocente”, ora “a criança”.  As bem-aventuranças proclamam feliz o pobre de espírito e de coração puro. De que simplicidade se trata ?  Não tanto de inocência moral, nem de humildade intelectual, e mais de uma abertu-ra espontânea à palavra que vem de algures.  O homem simples aceita aprender para avançar na sabedoria: ele aprende com a experiência, ele está atento à chamada dos outros.  No fundo trata-se da capacidade de acolhimento do outro e de Deus que aqui é louvado como “simplicidade”.

QuememinhamaeQuemsaomeusirmaosUMA FAMíLIA CRlSTÃ? (Luc.8,19-21). Quando, daqui a 15 dias, em Roma, se inicia o Sínodo sobre a família, somos hoje no evangelho interpelados sobre isso.  Muitos, feridos pelos fracassos, vivem com um sentimento de vergonha, por sua vida familiar não ser um “top”.  A Igreja promove a família mas não dá o modelo social. Como Jesus, ela recoloca as relações humanas e familiares relativamente à Palavra de Deus. Como Enviado dO Pai, Jesus vem às nossas famílias com o que elas são, para as meter na vida de Deus. A família cristã não é pois um perfeccionismo bem-pensante mas um lugar a que O Senhor traz a paz.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 22/SETEMBRO/2014

SantoInacioDeSanthiaSTO. INÁCIO DE SANTHIÁ (1686–1770). Sacerdote italiano da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, vivia centrado na oração a que dedicava muitas horas diárias adorando O Santíssimo Sacramento. Enviado para Turim, viveu os últimos 25 anos de vida em actividades distribuidas entre convento do Monte e a cidade. Todos os domingo explicava a doutrina cristã e a regra franciscana aos irmãos leigos, e todos os anos dirigia os exercícios espirituais da comunidade. Na igreja era o confessor mais solicitado. S.João-Paulo II canonizou-o em 2002 : “Este humilde capuchinho que teve a graça de atrair inúmeras pessoas à fé, tem sido considerado o pai dos pecadores e dos desesperados…”

Provérbios 3, 27-34 ; Sal 14, 2-5 ; Lucas 8,16-18

“NINGUÉM ACENDE UMA LÂMPADA PARA A PÔR SOB O LEITO…” (Lucas 8,16-18). Imaginemos um quarto em que se vê um vago clarão sair debaixo de um leito recoberto de tecido que diminui a pouca claridade. Interrogar-nos-iamos sobre o bom senso dos ocupantes de tal lugar. Porém, quantas vezes não procedemos também assim: acreditamos que Cristo é Deus, que morreu e ressuscitou por nós e…, todavia, não o dizemos às nossas relações, aos colegas de trabalho ou até aos familiares. Talvez porque esta luz é tão espantosa, simultâneamente poderosa e discreta, é que nós não ousamos falar dela. Todavia, se ela nos está confiada é para que a façamos irradiar, para que ela desperte uma gozosa claridade no olhar dos homens do nosso tempo.

FAÇAMOS VER A LUZ DE CRISTO (Luc.8,16-18). Jesus na parábola da lâmpada, dá-nos um método de evangelização. Ser fiel de Cristo, é ser como uma lâmpada que ilumina o que a rodeia. Acabemos com as querelas entre os paladinos das tradições culturais e os que proclamam ser descomplexados e explícitos. Quantas falsas categorias! A lâmpada que somos foi acesa por Cristo. Isto convida-nos a ser coerentes com a luz que levamos. Cristo ilumina o mudo através da maneira justa como vivemos. Sejamos pois lâmpadas que fazem os outros ver a luz de Cristo e deixemos de nos escutar a nós mesmos. Então, a fecundidade da Palavra abrir-nos-à a porta para ir todos ao encontro d’Aquele que nos ilumina.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.