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XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 21/SETEMBRO/2014

SaoSergioDeRadonejViktorS. SÉRGIO DE RADONEJ (1313-1392). Eremita russo, fundador do Mosteiro da Santíssima Trindade (75 Kms a nordeste de Moscovo) que, há mais de seis séculos, é um dos centros espirituais mais importantes da Igreja ortodoxa russa.

S. MATEUS, APÓSTOLO e EVANGELISTA (séc. I). “Segue-Me”, foram as palavras dirigidas por Jesus a Mateus (que significa, “presente de Deus”), aliás Levi, filho de Alfeu e cobrador de impostos em Cafarnaum. Foi martirizado na Etiópia.

Isaías  55, 6-9 ; Sal 144, 2-3. 8-9.17-18 ; Filipenses 1, 20c-24. 27a ; Mat. 20,1-16a

IluminuraDosEvangelhosA ALEGRIA DO REINO (Lucas 20,1-16a). A generosidade de Deus ultrapassa a nossa justiça e nesta parábola manifesta-se o desejo de Deus (dono da propriedade) para abrir a todos, de par em par, as portas dO Reino. Ele não faz qualquer selecção na base das com-petências ou de um passado que tenha sido fiável.  A única condição é o consentimento de quem responder ao convite. Mas há um segundo ponto a chamar a nossa atenção : a capacidade dO Senhor para dar a volta às situações e também a de ajudar o homem a não se instalar definitivamente num lugar, seja ele o primeiro ou o último; lugar que lhe outorgaria um “direito” sobre Ele ou sobre os Seus dons.  E isto, quer leiamos estes versículos ou na perspectiva da história da salvação – os primeiros dirigidos aos repre-sentantes de Israel e os outros, aos pagãos – ou à luz do contexto imediato e da inquietação de Pedro sobre a parte que caberia aos discípulos que tinham deixado tudo para seguir Jesus (Mat.19,27-30).  Enfim, podemos notar que a bondade dO Mestre é uma pedra de tropeço, por ela não ser compreendida e ser antes vivida como uma injustiça. Trata-se de uma parábola que nos engloba a todos numa humanidade ferida.  Humanidade que perdeu o contacto com Deus e, por esse motivo, ficou possuida pela paixão da inveja (olhar mau), como se aquilo que Deus dá a um (dons, amor, reconhecimento) seja retirado aos outros.  Isto leva-nos a imaginar um Deus semelhante ao homem, limitado nos seus recursos.  Ora a bondade de Deus é a generosidade absoluta. Este texto ecoa outros relatos bíblicos de relações conflituosas entre pessoas ou povos: Caím e Abel ; as na-ções e Israel, etc. Mas se Jesus, através da parábola, sublinha esta característica humana, é para fazer cresçer nos interlocutores o desejo de alargarem o espaço do seu coração, para reencontrarem em si a imagem dO Único Bom, para se livrarem das comparações e viverem a alegria dO Reino que nasce de uma relação fervorosa com Deus. Sabendo que a Sua bondade não é uma evidência sen-sivel e que o dom da fé a faz realçar e viver.  Jesus recorreu a esta parábola para falar dO Reino dO Pai e por isso a sua mensagem é tão importante.   A bondade de Deus ultrapassa largamente as nossas categorias e compreensão. Na figura deste Proprietário é Deus em pessoa que traz para o quotidiano o bem da nossa alma.  Não Se cansa de Se aproximar para mantermos sempre o nosso coração voltado para Ele.  Se parece vigiar-nos, espanta-Se quando perdemos tempo com futilidades que não levam à verdadeira felicidade e fica connosco como um Pai cheio de amor sempre atento. E é precisamente aqui que nos falta a confiança n’Ele e em nós mesmos, podendo sentir-nos como o último da lista da parábola: mas que importa, visto Ele colocar-nos em primeiro lugar!

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 20/SETEMBRO/2014

SantosAndreKimPauloChaingECompanheirosMartires STO. SANDRÉ KIM TAEGON, PAULO CHANG E 101 CC (séc.XIX). Santos mártires da Coreia, canonizados em 1984.

1 Coríntios 15, 35-37. 42-49 ; Sal 55, 9ab.10-14 ; Lucas 8, 4-15

MISTERIOSO CRESCIMENTO (1Cor.15,35-37.42-49). Paulo tenta dizer o indizível recorrendo á imagem, mais ou menos satisfatória, do grão empenhado num misterioso processo de crescimento.  Sendo assim, podemos reter a força da vida, a potência da transformação que está inscrita na criação. Mais ainda, podemos ver a existência presente como uma preparação, como uma gestação que nos leva, não sem dor, para uma realidade mais plena, mais densa. Quanto à nossa filação, em Adão e Cristo, não é ela uma unificação que passa pelo acolhimento do trabalho dO Espírito em todas as dimensões do nosso ser?

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 19/ETEMBRO/2014

SaoJanuarioS. JANUÁRIO (270-305). Bispo de Benevento, foi decapitado na perseguição de Diocleciano. O seu sangue, conservado numa ampôla na Catedral de Nápoles, liquefaz-se regularmente de forma inexplicável. Padroeiro da cidade de Nápoles.

1 Coríntios 15,12-20 ; Sal 16, 1. 6-8b.15 ; Lucas 8, 1-3

PLENITUDE DE COMUNHÃO COM DEUS (1 Cor.15,12-20).  Negar a possibilidade da ressurreição dos mortos tem consequências graves. Desde logo, esvazia de sentido a ressurreição de Cristo, “primogénito de uma multidão de irmãos”, e mata a esperança de uma vida nova, inaugurada na Páscoa de Cristo que desencadeou um processo de libertação (“Se Cristo não ressuscitou, não estais livres dos vossos pecados). Claro que a nossa ressurreição é realidade de fé que não pode representar-se a não ser sob o ângulo duma plenitude de comunhão com Deus, da  qual já saborearmos as primícias na oração, bem como a felicidade a que aspiramos.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 18/SETEMBRO/2014

SaoJoaoDeMaciasS. JOÃO DE MACIAS (1585-1645). Nascido em Ribera del Fresno na Estremadura espanhola, primeiro foi pastor na sua terra e depois, convidado a trabalhar para um proprietário rico do Peru, emigrou para a América. Conhecido pela sua piedade, dava tudo aos pobres. Aos 36 anos foi aceite nos Dominicanos onde, durante 20 anos, foi irmão porteiro e a quem ricos e pobres procuravam para aconselhamento. Era conhecido pelas suas visões e oração ininterrupta do Rosário pelas intenções das almas do purgatório. A tradição conta que a caridade e as orações de Juan de Macias terão levado ao céu mais de um milhão de almas. Foi canonizado em 1975 pelo Papa Paulo VI.

1 Coríntios 15, 1-11 ; Sal 117,16ab-17. 28 ; Lucas 7, 36-50

“ELE APARECEU-ME COMO A UM ABORTO…” (1Cor.15,1-11). Os especialistas discutem o sentido exacto desta palavra: criança mal formada, criança nascida de uma mãe morta…  A palavra diz apenas que houve um arrancar violento que transformou a vida de Paulo. Em qualquer caso, evoca uma situação de fraqueza e de inferioridade relativamente aos outros discípulos: Paulo não conheceu Jesus na Sua vida terrestre. Ele sabe-o e está desconfortado, mas pouco importa! Como por efracção, ele introduz-se na formulação do kerigma (mensagem), na proclamação da fé cristã, já tradicional: “Ele apareceu-me também a mim”. Espectacular audácia!

“ÀQUELE A QUEM POUCO SE PERDOA POUCO AMA…” (Luc.7,36-50).  “Ó Deus, envia-nos loucos. Que eles se empenhem a fundo, que amem mais do que por palavras, que se entreguem verdadeiramente até ao fim”.  Mas quem é o maior louco, Jesus ou a mulher?: os 2!  Jesus mostra a Sua loucura de amor perdoando sem aguardar nenhuma palavra de arrependimento. Ele deixa-Se tocar, não só por gestos mas pela angústia envolvida em ternura. Quanto à mulher que derrama abundantes lágrimas e perfumes, ela inverte a lógica das pessoas sensatas e arranca do coração de Jesus o que ninguém poderia
dar-lhe : a graça de ser liberta da escravidão do pecado. Simão !, escuta o que Cristo te diz hoje, e ama até à loucura.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.