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SEGUNDA-FEIRA – 8/SETEMBRO/2014 NATlVlDADE DA VlRGEM SANTA MARlA

Miqueias 5,1-4a ou Romanos 8, 28-30 ; Sal 12, 6 ; Mateus 1,1-23

NatividadeDaVirgemSantaMaria_VanOverbeck“JESUS-CRISTO, FILHO DE DAVID…”(Mat.1,1-23). Esta genealogia de Jesus, que aborrece muitos, é um dos meus evangelhos preferidos, pois ela está cheia de humanidade : cada um tem um nome, e a sua história interessa a Deus; O Filho de Deus encarna num povo formado por rostos pessoais. Deste grande texto, a divindade de Jesus ressalta de uma forma impressionante. Uma longa lista de gerações, pontuada pelos nomes dos homens que as geraram, conhece subi-tamente uma rotura com o nome de uma mulher: “Maria, da qual foi gerado Jesus”. O imprevisivel de Deus surgiu na nossa história humana. A humilde filha da Palestina, escolhida por Deus para dar à luz Jesus, está em boa companhia nesta ascendência! Há por ex: Raab, que praticava a prostituição, Rute, uma estrangeira moabita, e Betsabé que, casada, se deixou seduzir por David. Deus entra no mundo através da sinceridade dos corações que, mesmo não se privando de nada, podem contudo tornar-se capazes do melhor quando o apelo de Deus se lhes manifesta. Maria pertence portanto a esses pobres de coração que alteram o cur-so da história humana. Nós, pobres pecadores – ao recordar a linhagem de que somos herdeiros – não desesperemos de ter iguais possibilidades nas nossas vidas cristãs. Peçamos vocações consagradas na nossa família!

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

23ª SEMANA DO TEMPO COMUM 2014 (Ano A)

O mês de Setembro – e o período do outono em geral – é particularmente rico em festividades. É tempo de evocação do povo de Deus na sua enorme diversidade. A Páscoa de Jesus e a vinda dO Espírito Santo, celebradas na primavera, são o início da grande festa da Igreja que se prolonga durante o verão e o outono até ao dia de Todos os Santos (1/Nov.) quando o céu e a terra se unem num mesmo louvor eterno, onde cada um de nós se torna membro de Cristo à espera da Sua vinda gloriosa no fim dos tempos. Prouvera a Deus que as nossas vidas pudessem ganhar – na participação da Liturgia da Igreja – toda a sua amplitude, para proclamar ao mundo a grande esperança do “amor partilhado”, tal como ele está em “Cristo, O Ungido” de Deus.

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 7/SETEMBRO/2014

Ezequiel 33, 7-9 ; Sal 94,1-2. 6-9 ; Romanos 13, 8-10 ; Mateus 18,15-20

ESCUTEMOS A VOZ DO SENHOR !(Sal. 94,1-2.6-9). Este hino celebra Deus pelo que Ele é (“nosso Rochedo”) e o que Ele nos faz (cri-ou-nos, guia-nos). A festa do coração a que o salmista nos convida, baseia-se numa experiência simultâneamente pessoal e colectiva. A quantidade de verbos: vir (ao Templo), gritar, aclamar, dar graças, inclinar-se, prostrar-se, é bem significativa da super- abundância da alegria e do facto que, em matéria de louvor, nada é verdadeiramente adequado à grandeza e ao amor de Deus. Quanto à advertência final, ela recorda um passado doloroso da história do povo (Êxodo 17; Números 20, etc.). O objectivo não é desencorajar, mas antes incitar à escuta, a não ignorar a graça oferecida, a não faltar ao encontro dO Senhor, num apelo a fazer de novo e a viver plenamente a maravilha dessa Aliança que faz dizer ao salmista : “Sim, Ele é o nosso Deus; nós somos o povo que Ele conduz, e o rebanho guiado pela Sua mão”. O dia de hoje é um dia que O senhor nos oferece como uma página em branco para a escrevermos, qualquer que seja o nosso passado : ele é o lugar dum encontro potencial em que Deus aguarda a nossa resposta ao Seu amor. Mas nós sabemos por experiência quanto é difícil encontrar-nos aí, na presença de Deus, de nós mesmos, e dos outros. Renunciar a evadir-nos antecipando o futuro ou refazendo o passado para ser centros de atenção. Atitude que não exclue a cons-ciência que este “hoje” está aberto a promessas: “Quando Deus for tudo em todos”, quando “nós O veremos face a face”. E isto, sem negar a experiência da nossa fragilidade, do nosso coração dividido, da nossa fé facilmente abalada pelas adversidades, como sucedeu a Israel no deserto. Não será desta forma que seremos verdadeiramente livres, a imitar o salmista no louvor e, talvez, a deixar-nos prender por este Deus que faz maravilhas?

O AMOR, FERMENTO DA SOLIDARIEDADE (Ezequiel 33, 7-9; Mateus 18,15-20). A solidariedade não é um vago sentimento de compaixão ou de enternecimento superficial. Ela é a determinação firme e perseverante em trabalhar para o bem comum (Encíclica“Sollicitudo rei socialis”,1987). Ao definir a solidariedade como uma interdependência, João-Paulo ll pôs em evidência a dimensão social do amor recíproco, que faz de todos os crentes vigilantes do amor à paz, em solidariedade com todo o género humano (“Gaudium et spes”, 1). Ele traduzia para hoje a palavra de sempre : a do amor mútuo, do amor que se torna responsável pelo seu irmão. O amor não é pois nem um sentimento vago nem uma casca vazia (“Caritas in veritate”, 3), ele é o meio para discernir nas nossas próprias condutas e nas dos nossos irmãos o pecado que ameaça esmagar-nos. Solidários dos nossos irmãos, nós não somos porém os seus juízes. É na mediação do amor, vigilantes da palavra que salva, agentes de ligação dO Reino de justiça e de paz, que nós escutamos o apelo dO Senhor (“Filho do homem”) para ser co-responsáveis, empenhados na reciprocidade do amor, dispostos também a escutar o irmão que vem, a sós, mostrar-nos as nossas faltas. Na vigília da Natividade da Virgem Maria, é-nos recordado que o amor que salva do pecado, o amor trazido ao mundo por Jesus, é fermento de solidariedade entre os homens. Escutemos o grito de Deus (“Evangelii gaudium”, 211), escreve o papa Francisco. A Igreja chama todos os homens, crentes ou homens de boa vontade, a praticarem esta exigência pessoal e social de um amor que se preocupa humildemente com o outro como um irmão.

JESUS PRESENTE NO MEIO DE NÓS. “Quando dois ou três estiverem reunidos em Meu Nome, Eu estarei no meio deles”. Mistério da presença activa, pacificadora, reconciliadora e amorosa de Jesus no meio dos Seus. Não apenas uma presença “frente” aos Seus discípulos mas bem “no meio” deles. O mistério da comunidade dos cristãos enraíza-se na comunhão íntima com Cristo e na mútua comunhão fraterna. Os discípulos de Jesus esforçam-se por construir a unidade dO Corpo de Cristo recorrendo, se for necessário, à “correcção fraterna”, referida no início do evangelho, associando-se numa oração comum de acção de graças e de petição. Entramos desta forma na comunhão dO Pai e dO Filho. De facto, se O Filho está presente e actua no meio daqueles que oram, como poderá O Pai não atender os pedidos feitos de acordo com a Sua vontade?

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1º SÁBADO – 6/SETEMBRO/2014

1Coríntios 4, 6b-15 ; Sal 144, 17-2 ; Lucas 6,1-5

“PORQUE FAZEIS O QUE NÃO É PERMlTlDO EM DlA DE SÁBADO?…” (Luc.5,33-39). Esta pergunta foi feita aos discípulos, mas é Jesus quem responde.  Tomou Ele simplesmente a defesa dos Seus amigos, autorizando-os a esfregar, num dia de sábado, algumas espigas da futura colheita da seara ?   Sim, de algum modo, fazendo referência a David.  Mas sobretudo, Ele corrige, rectifica e critica as falsas interpretações da Lei.  Ele é O Mestre do sábado e isso altera tudo.  Porque já deixou de bastar a pergunta: como ser fiel aos preceitos da Lei ?, para nos interrogarmos: como ser fiéis aO Deus bom, compadecido, generoso, que outorgou uma Lei de vida e de liberdade? O sábado foi dado ao homem para que ele repouse em Deus e descubra o Seu verdadeiro rosto, aquele revelado por Cristo.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ªSEXTA-FEIRA – 5/SETEMBRO/2014

IRMÃ MARIA DE CAMPELLO (1875-1961).  Esta franciscana dos Missionários de Maria, após a 1ª Guerra Mundial, durante a qual cuidou dos feridos, iniciou, com autorização superior, uma das experiências mais luminosas da vida evangélica do séc. XX.  No velho ermitério franciscano de Campello, que ela restaurou, viveu com outras companheiras, até à sua morte com 86 anos, seguindo um programa ba-seado exclusivamente na oração, no trabalho e no acolhimento de hóspedes. Como várias irmãs, não pertencentes à Igreja católica, ti-nham vindo rapidamente juntar-se à sua comunidade, ela foi durante muito tempo mal vista pelas autoridades eclesiásticas e teve que renunciar quase 30 anos à celebração da missa no seu Ermitério.  Escreveu numa carta : “A Igreja para mim é a sociedade dos crentes. Todo o crente sincero faz parte da alma da Igreja, este é por excelência o significado da palavra “católica”. Sinto-me em comunhão espiritual não apenas com um irmão cristão, mas também com um irmão israelita ou pagão, se viverem da fé, da esperança e do amor…”

1 Coríntios 4,1-5 ; Sal 36, 3-6. 27-28. 39-41 ; Lucas 5, 33-39

ACOLHER A MENSAGEM (1 Coríntios 4,1-5). Como poderemos ter as disposições necessárias para acolher a mensagem evangélica, sem que haja nada em nós a criar-lhe obstáculos ?   Paulo dá-nos um conselho : agirmos sob o olhar de Deus, esquecendo a preocupação do julgamento dos outros. Eis uma forma poderosa de libertar o nosso coração, e bem sabemos que num coração livre Jesus pode fazer entrar a Sua mensagem, a qual, sendo antiga, continua nova.

NinguemDeitaVinhoNovoEmOdresVelhos“O VINHO NOVO EM ODRES NOVOS…” (Luc.5,33-39). É sabido que os jovens aceitam facilmente as novidades e correm atrás delas.   Com a idade dá-se o inverso: é muito difícil renovar as formas de pensar e de viver. O erro dos jovens é não darem suficiente atenção às raízes, o erro dos velhos é esquecerem que, dessas raízes, a vida jorra sem cessar, sempre nova. Jesus propõe-nos uma liberdade que permite a renovação em profundidade, fundada numa sadia tradição, que não deve negligenciar-se nem congelar no passado. É claro que o texto do evangelho vai mais além da estrita visão natural do problema; porém, a nossa vida e o seu desenvolvimento, dependem mesmo dela, como sugerem as imagens “terra a terra” destas pequeninas parábolas. Sagrado Coração de Jesus fazei o meu coração semelhante aO Vosso !

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.