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1ªQUINTA-FEIRA – 4/SETEMBRO/2014

1 Coríntios 3,18-23 ; Sal 23,1-4ab. 5-6 ; Lucas 5,1-11

“TUDO VOS PERTENCE…” (1 Cor.3,18-23). Esta frase de Paulo resume bem o seu pensamento sobre a sabedoria de Deus, posta em contraste com a sabedoria dos homens. A sabedoria segundo o mundo, no sentido aqui entendido pelo Apóstolo, põe a confiança nos valores criados, de que faz valores absolutos. Ao contrário, a sabedoria de Paulo apoia–se firmemente sobre aquilo que é mais fraco que ele, e nada tem que corresponda a uma ver-dadera posse humana, pois não é nem material nem intelectual, apenas espiritual e mística. Só quem se apoiar em Cristo terá acesso a essa posse total, universal e definitiva. Se fosse de outra forma, como poderia Paulo dizer: “Apolo, Pedro, o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e futuras, tudo é vosso” ?… , seria puro delírio! Mas, evidentemente, é ainda na noite da fé que nós possuímos tudo.

AfastaTeDeMimSenhorPoisSouUmHomemPecador_TissotAS REDES ROMPlAM-SE COM TANTO PElXE (Luc.5,1-11). O pensamento de Paulo permite-nos interpretar de modo alargado a cena evangélica da pesca milagrosa. Trata-se, num primeiro sentido, do símbolo da acção missionária.  Mas quem avançar para o largo e disser a Jesus, como Pedro : “Mestre, com a nossa sabedoria da terra (e tinha-a, pois era pescador), tentámos a noite inteira e não pescámos nada, mas em atenção à Tua palavra vou lançar as redes”; esse, ao puxar as redes, encontrará a“pesca” abundante da qual Paulo faz o inventário ao escrever : “o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e futuras, tudo é vosso ; mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus”.  Os sucessores de Pedro, pescadores em todos os oceanos do mundo, lançarão a rede do evangelho aos homens de todas as raças, povos e línguas.  Ela nunca se romperá, porque Cristo deu a vida para todos os homens se reunirem nO Seu Reino.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 3/SETEMBRO/2014

ExtaseDoPapaGergorioMagno_RubensS. GREGÓRIO MAGNO (540-604). Papa, Doutor da Igreja. Empenhou o leme da Igreja quando segundo as suas palavras, ela “era como um navio carcomido e velho, que metia água por ambos os costados”. Converteu os Lombardos que devastavam a diocese de Milão, fomentou a cristianização da Inglaterra e foi o primeiro papa a usar o nome “servo dos servos de Deus”.

1 Coríntios 3,1-9 ; Sal 32,12-15. 20-21 ; Lucas 4, 38-44

DIVIDIDOS (1 Cor.3,1-9). O Espírito Santo é sempre apresentado como quem une. Ele restabelece a uni-dade destruída pelo pecado : Ele reconcilia o homem consigo, com os outros, com Deus e com a Criação. Mas esta obra faz-se em total liberdade, e é isso que explica a razão porque há divisões na comunidade de Corínto, onde Ele parece aliás estar particularmente activo, pois dá diversos dons e carismas nos seus membros. Advinham-se facilmente as raízes das divisões com a reflexão de Paulo. Naquela sociedade, que era demasiado humana, Cristo já não estava no centro das suas vidas como modelo único, e por isso caíam na tentação de todos os tempos e de todos os homens : a de seguirem um “leader”. Aliás, Paulo ousa apresentar-se como modelo, mas convidando-os a verem Cristo-Jesus através dele. Podemos inspirar-nos em Paulo, em Pedro, em João ou em Apolo ; se virmos Jesus através deles, não haverá mais divisões, somente uma sã diversidade que não se opõe à unidade, antes a enriquece.

“TODOS OS QUE TINHAM DOENTES, LEVAVAM-LHOS…” (Luc.4,38-44). Magnífico impulso de oração e de fé que faz, de todos os anó-nimos do evangelho de hoje, servos dos seus irmãos doentes. Imploraram pela sogra de Pedro e trazem aO Mestre da Vida, após o sol posto – já terminado o sábado ! – todos os doentes de Cafarnaum. Jesus cura, expulsa o mal e o que faz mal. O Reino dos céus está já presente nestas reabilitações. A Boa Nova é anunciada com acções. Hoje, O Senhor chama-nos a formar com os nossos irmãos igual cortejo que Lhe leve quem mais sofre. Na fé, sabemos que Ele os abençoa e lhes dá O Seu Espírito de vida. Felizes seremos ao fazê-lo.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 2/SETEMBRO/2014

1 Coríntios 2,10b-16 ; Sal 144, 8-14 ; Lucas 4, 31-37

O QUE HÁ NO HOMEM. Paulo diz aos correspondentes que eles são incapazes de conhecer Deus -O Deus de Jesus-Cristo- só com as forças humanas. Só Ele Se conhece e Se pode revelar pelO Espírito Santo. Para se fazer compreender melhor, o Apóstolo usa uma analogia: quem conhece o que há no homem, senão o espírito do homem ? Na verdade, nem os animais, nem as coisas possuem esta consciência, ainda que o mundo que nos cerca possa ajudar-nos a ir um pouco mais além nesse conhecimento de nós mesmos. Compreendemos perfeitamente esta argumentação. Mas se é verdade que sómente O Espírito nos pode dizer quem é Deus (com os limites da nossas capacidades) também apenas Ele nos pode ensinar, com verdade, o que é o homem ; quem somos nós ; quem sou eu. De facto, há em cada um profundidades que escapam a qualquer investigação das ciências humanas. Não será esta a mensagem par-ticular transmitida pelas curas que Jesus opera ao expulsar os demónios? Ou tratar-se-á, como alguns pensam, de relatos de outros tempos cuja interpretação deve ser simbólica ? Não se tratará antes de um convite para se olhar o homem mais além da superfície? Na verdade, quem poderá descobrir as suas próprias raízes, em particular as raízes do mal que o habita, a não ser O Espírito Santo? E quem poderá extirpar essas más raízes, senão Aquele que escrutina as profundezas de Deus e as profundezas do homem?

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro

SEGUNDA-FEIRA – 1/SETEMBRO/2014

VisaoDeSantaBeatrizDaSilvaSANTA BEATRIZ DA SILVA (1426-1490). Natural de Campo Maior, acompanhou a Espanha Dona Isabel, filha do rei D. Duarte, no casamento com D. João ll de Castela, em segundas núpcias. A sua beleza e as atenções do rei despertaram os ciúmes de Dona Isabel que a encerrou 3 dias num cofre. Aí teve a visão de NªSª trazendo O Menino Jesus ao colo que lhe confiou a missão de fundar a “Ordem de Nossa Senhora da Conceição” se-gundo a regra de S.Francisco, com o fim de a honrar, sobretudo no privilégio da Sua Conceição Imaculada.

1Coríntios 2,1-5 ; Sal 118, 97-102 ; Lucas 4,16-30

“QUANDO FUI TER CONVOSCO…” (1 Cor.2,1-5). As leituras falam-nos de “formas de caminhar” e de“caminho”. De facto, O Filho de Deus veio até nós e os homens devem correspon- der à Sua “forma de caminhar” e não ficar sentados“à sombra da morte”. Um “caminho” e um “modo de caminhar” com características próprias. Paulo foi à casa dos pagãos com humildade e sem quaisquer complexos de superioridade, para que a força de Deus passasse mais facilmente através da sua fraqueza. Os Coríntios aceitaram o Evangelho que lhes anunciava por, também eles, estarem a caminhar, ainda que ignorassem para quê ou para quem se dirigiam. Apesar da sua tendência fosse mais a de viverem com a sabedoria dos homens do que com sabedoria de Deus, não consideravam essa sabedoria como o fim último da sua viagem na vida.

LevaramJesusAoCimoDoMonte“MAS ELE SEGUIU O SEU CAMINHO…”(Luc.4,16-30). Qual é este caminho misterioso de Cristo, no qual Ele segue com liberdade soberana, um caminho do qual ninguém consegue demovê-lO? É o caminho da Sua missão, profetizado por Isaías. Em cada passo da caminhada Ele abre-nos os ferrolhos, libertando os prisioneiros do medo e da morte, fazendo entrar a luz de Deus nas trevas das angústias e violências humanas. Cada um dos Seus passos traz alegria à humanidade. Quem poderia afastá-lO do caminho que torna presente “o ano da graça dO Senhor”, como anuncia o profeta Isaías (Is.61,2)? Na passagem de Lucas toda a gente caminha: Elias é enviado à viúva estrangeira, esta dirige-se a Eliseu, Eliseu vai até Naamã. Jesus tinha andado quilómetros para vir a Nazaré, à casa dos seus, onde anuncia uma caminhada, que nunca terminará, ao encontro dos pobres, dos prisioneiros, dos cegos… A excepção (os que O expulsam do seu território) é muito instrutiva. Ensina-nos que as ideias pré-concebidas escondem a recusa de questionarmos o modo de vida e afastam-nos do caminho não nos deixando vê-lo, numa “anti-caminhada”, que é paragem, sinónima de morte.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 31/AGOSTO/2014

S. RAIMUNDO NONNATO (1200-40). Entrou na Ordem da Senhora das Mercês a pedido da Virgem Santíssima e foi, após S. Pedro Nolasco, a quem solicitara a admissão, o 2º Mestre Geral desta Ordem, dedicada ao resgate dos cristãos prisioneiros dos Mouros.

Jeremias 20, 7-9 ; Sal 62, 2-6. 8-9 ; Romanos 12,1-2 ; Mateus 16, 21-27

O PROFETA DEVE SOFRER PELO SEU DEUS (Jer.20,7-9). As leituras de hoje parecem pessimistas mas estão muito longe de o serem. Elas convidam-nos a olhar para o mistério da morte com os olhos da fé, e a discernir o mistério de vida que nela está escondido. Mas não chega um simples olhar. É necessário que nos empenhemos resolutamente nesse caminho. Só então nos será possível “compreender” as palavras e frases que, numa 1ª leitura, sem o empenho do coração, nos escapam. O fogo ardente que Jeremias diz não poder suportar é o amor de Deus, parceiro desse fogo que nos purifica profundamente. Paulo confirma-o : é a ternura de Deus que transforma e renova a vida do crente. Aliás, O Senhor também nunca fala da Sua Paixão sem mencionar a Sua Ressurreição. Jeremias está a ser alvo de perseguição por, em nome de Deus, profetizar desgraças e por os homens escutarem mais facilmente os profetas que os lisonjeiam ; preferimos as ilusões à realidade, sobretudo quando ela é dura de aceitar.

AfastaTeDeMimSatanasVENCER OS MEDOS (Mat.16,21-27). Que terá acontecido para Pedro ser chamado de Satanás logo após ter professado que Jesus era O Messias ? O anúncio do caminho messiânico ser um caminho de sofrimento, morte e ressurreição. E as vivas censuras que o 1º discípulo fez aO Mestre : “Não, Senhor, isso não Te acontecerá!” Pedro recusou portanto a morte de Jesus. STO. Agostinho esclarece esta recusa no seu “sermão 296” : “Pedro ficou estarrecido com a idéia dessa morte, de uma morte todavia natural, não querendo que O Senhor a aceitasse”. É que O apóstolo amava sinceramente o seu Mestre, “mas com um amor demasiado carnal”. O nosso amor a Cristo assemelha-se à recusa de Pedro : é sincero, mas com medo da morte. Custa-nos compreender o Seu difícil apelo para tomarmos a cruz e O seguir:“Quem quiser vir após Mim, tome a sua cruz e siga-Me”. Durante 2000 anos de cristianismo, inúmeros santos, conhecidos e desconhecidos, assumiram a cruz e seguiram O Mestre na Sua paixão e morte. Mas, se aceitaram perder a vida foi para a ganhar, segundo as palavras paradoxais de Cristo. Trata-se dum jogo de“quem perde, ganha”. O medo da morte é um temor natural, que Jesus deseja transfigurar : “Se Deus devia morrer, é na mesma natureza em que Ele devia ressuscitar”, acrescenta STO. Agostinho. O caminho dO Messias fica iluminado com a Sua ressureição. Pedro queria, portanto,“sem o saber, manter seguro o tesouro donde saíria o nosso resgate”. No limiar do novo ano escolar, entre as muitas decisões a tomar, teremos que fazer recusas e consentimentos. Algumas apreensões, bem naturais, podem encerrar-nos no medo. Então, com o profeta Jeremias, deixemo-nos seduzir, no mais profundo do nosso ser, pelo fogo devorador da palavra de Deus. Esta palavra acompanha o nosso regresso ao trabalho para nos ajudar a vencer os medos. Para fazermos, tal como Pedro, depois da Ressurreição, um Pentecostes.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.