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QUARTA-FEIRA – 13/AGOSTO/2014

STOS. PONCIANO e HIPÓLITO (235). As heresias eram muitas no final do séc. II e princípio do III. Hipólito, tradi-cionalista muito culto, recusou reconhecer o Papa Calisto que acusava de ser modalista e suprimir a Trindade o que causou um cisma na Igreja que continuava quando foi eleito o Papa Ponciano, sucessor de Calisto. A perseguição de Maximino desterrou Ponciano e Hipólito para a Sardenha onde morreram reconciliados.

Ezequiel 9, 1-7; 10,18-22 ; Sal 112,1-6 ; Mateus 18,15-20

AGloriaDeDeus_Chagall“A GLÓRIA DE DEUS ESTAVA SOBRE ELES…” (Ezequiel 9,1-7;10,18-22). Estranho carro celeste conduzido pelos anjos fulgurantes que avança em todas as direcções no céu levando a glória de Deus; deixando O Templo que vai ser destruído, a glória acompanha o povo exilado na Babilónia. Este carro é a “merkabá”, que aparece nas especulações místicas da Cabala, e a “sweet charriot” dos Espirituais Negros dos escravos negros americanos. A literatura apocalíptica tem os seus códigos com que nos devemos familiarizar: este texto relê O Êxodo e a salvação do povo marcado na fronte e arrancado por Deus à escravidão; ele é o cântico de esperança de todos os deportados e miseráveis que esperam a vitória de Deus. Esperança que deve habitar em nós.

“QUE ELE SEJA PARA TI COMO UM PAGÃO OU UM PUBLICANO…” (Mateus 18,15-20). “Viver em Igreja”, supõe aprender a levar a comunidade – apesar das tendências más sempre virem à superfície – à aceitação humilde da ajuda entre os irmãos. Quando se lê este texto temos tendência para colocar o pecador em primeiro plano. Jesus, porém, não faz assim e dirige-se primeiro aos membros sãos da comunidade. Na Igreja todos devem ter consciência que estão encarregues dos que pecaram gravemente. Porém, quando surgir um pecador cujo coração esteja tão endurecido que pareça já não haver mais nada a fazer, deve ser tratado “como um pagão ou um publicano”. Estará tudo acabado ? A frase de Jesus devia ser como um provérbio que se dizia sem sequer pensar no “pagão” e no “publicano”. Mas quem eram eles para Jesus ? A resposta está na história dos homens: nenhuma exclusão é definitiva! Os pagãos em breve encherão a Igreja. Quanto aos publicanos, o próprio Mateus, antigo publicano, sabe que Jesus veio procurar o que estava perdido. Mateus apresenta-nos a comunidade cristã como um local de diálogo e de empenhamento e nunca de “fala-barato” ou de indiferença. Isto é um desafio que implica a purificação do coração : pela oração, conhecimento de si mesmo e das suas pobrezas, o domínio das paixões (cólera, orgulho…) Não serão os irmãos que exortaram em vão o pecador, os mesmos que, agora de comum acordo, rezam para que Deus, que tudo pode, cure os seus irmãos doentes? De facto, como sempre, a palavra de Deus diz-nos aqui muitas coisas sobre o que deverá significar para cada um “viver em Igreja”… Peçamos aO Espírito para nos iluminar e guiar.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 12/AGOSTO/2014

STA. JOANA-FRANCISCA DE CHANTAL (+1641). Viúva aos 28 anos, colocou-se sob a direcção espiritual de S. Francisco de Sales. Com ele, fundou em 1610, em Annecy, a “Ordem da Visitação”(as Visitandinas).

BTO. KARL LEISNER (1915-1945). Internado no campo de concentração de Dachau, este diácono alemão foi aí ordenado clandestinamente por Monsenhor Piguet, bispo de Clermont Ferrand. Beatificado em 1996.

Ezequiel 2, 8–3, 4 ; Sal 118,14. 24. 72.103.111.131 ; Mateus 18,1-5.10.12-14

ChamamentoEzequiel“EU ABRI A BOCA E ELE DEU-ME A COMER O LIVRO…” (Ez. 2,8–3,4). Para alguém se tornar profeta – no povo de Deus devemos sê-lo todos – não basta repetir a doutrina como um gravador, é necessário “comer o livro”, alimentar-se dele, assimilá-lo até se identificar com a Palavra que ele contém. Mas olhemos um pouco para esse “livro”. Na época eram rolos com escrita normalmente num único lado; aqui o rolo está escrito na frente e no verso para significar ser o pecado do povo tão grande que se tornava difícil encontrar espaço para escrever todo o castigo que merecia. E, todavia, este rolo cheio de ameaças é doce de comer como o mel. Porque será ? Não nos é dada nenhuma explicação, como que a convidar-nos a procurá-la. Para Deus, o castigo é sempre condicional e a doçura do mel faz-nos pressentir que, se o pecador se arrepender, a misericórdia seguirá de perto a justiça. Assim, por mais preenchido que esteja o rolo, e por mais apertada que seja a sua escrita, Deus encontrará sempre forma de escrever entre as suas linhas. Ezequiel sabe isso e saboreia de antemão a doçura do perdão. Ele é o profeta que fala da solicitude dO Pastor pela ovelha tresmalhada que volta ao redil, tema que Jesus retoma e relaciona com a alegria de Deus. Os que se alimentam da Palavra e do perdão de Deus, sabem que essa alegria já não é terrena e que ela contribui para os transfigurar ; por isso, virá aos seus lábios, espontâneamente, o cântico do salmista : “Doces são ao meu paladar as Tuas palavras, Senhor, muito mais do que o mel na minha boca”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 11/AGOSTO/2014

SantaClaraSTA. CLARA DE ASSIS (1193-1253). Impressionada com o exemplo de S. Francisco de Assis, Chiara Offreduccio foi a origem da segunda ordem franciscana, a das “Pobres Damas”(ou Clarissas), que ela dirigiu durante quarenta anos. Morreu a agradecer a Deus tê-la criado. Foi canonizada logo em 1255.

Ezequiel 1, 2-5. 24-28c ; Sal 148,1-2.11-14 ; Mateus 17, 22-27

A GLÓRIA DE DEUS (Ez.1,2-5.24-28c). Será difícil encontrar maior contraste entre as duas leituras. Ezequiel diz-nos -ou melhor, balbucia-nos – a visão que iniciou o seu ministério. Ele viu, não a Deus, o que é impossível aqui na terra, mas sim aquilo a que chama a “Sua glória”. Na sua pessoa é a terra que se eleva a antecâmara do céu e, Ezequiel, à vista do reflexo da “glória de Deus” caíu com o rosto por terra.

CristoPedroEAMoedaDoTributoDEIXAR-SE INTERPELAR (Mat.17,22-27). O texto evangélico relata também uma visão : a da fé pura. É o céu, na pessoa de Jesus Cristo, que desceu não à antecâmara do mundo mas sim às suas mais escuras áreas, pois trata-se já da Paixão e morte dO Senhor. As duas visões não são separáveis. Consideradas em conjunto definem o cristão e são o bilhete de identidade dO Filho do homem. O próprio Jesus apresenta-Se sem equívocos desta forma, pois põe o Seu título messiânico em relação com a Sua morte e ressurreição : “O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens ; será morto e ao terceiro dia ressuscitará !” Graças à fé, nós podemos agora fazer a união das duas visões e, assim, não nos é lícito seguir o profeta e os Apóstolos no seu temor e tristeza. O Filho do homem, que também é “glória de Deus” tem que ser doravante a fonte da nossa confiança e da nossa alegria. “Simão, que te parece ?” Não é a primeira nem a última vez que Cristo faz uma pergunta: “Para vós, quem sou Eu ?”(Mat.16,15) ; “Simão, filho de João, amas-Me tu mais que estes ?” (João 21,15). Deixemo-nos interpelar por Cristo, situemo-nos diante d’Ele e reinvestamos as nossas realidades humanas num novo recomeço. Que descobriu Pedro através deste diálogo, senão a liberdade dos filhos de Deus? Liberdade que Paulo consi-derava como um fruto da Redenção, a avaliar sempre com a medida da caridade : “Tudo é permitido, mas nem tudo é conveniente” (1Cor.10,23). Diz S. João: “No amor não há receio; pelo contrário, o amor perfeito expulsa o medo”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XlXª SEMANA DO TEMPO COMUM – 10/AGOSTO/2014

SaoLourencoS. LOURENÇO (258). Este jovem diácono morreu queimado vivo numa grelha por ter recusado entregar ao imperador as esmolas que a Igreja reservava para os pobres.

1 Reis 19, 9a.11-13a ; Sal 84, 9-14 ; Romanos 9,1-5 ; Mateus 14, 22-33

“SILÊNCIO E TEMPESTADE (1 Reis 19, 9a. 11-13a). A experiência mística do profeta Elias relatada na primeira leitura mostra-nos por imagens a passagem do temor ao amor. Será possível expressá-lo melhor do que pôr os flagelos da natureza em contraste com a brisa ligeira (brisa anunciadora no paraíso do encontro íntimo do homem com Deus) ? Um grito, um murmúrio… nós reconhecemos logo a voz dos que nos são queridos. A voz deles não é ruído, ela é linguagem, apelo, rosto. O ambiente sonoro da primeira leitura deste domingo é exemplar. O profeta Elias aguarda O Senhor que vai passar na montanha. Coisa fácil para alguém habituado a transmitir as mensagens de Deus aos homens, poderíamos pensar… Todavia, nada mais complicado. Elias teve que resistir à tempestade, ao tremor de terra e ao fogo, antes de reconhecer O Senhor no silêncio de uma brisa ligeira. E então, Elias “cobriu o rosto” como era o costume para se manter diante de Deus.

PensavamQueEraUmFantasma“NÃO TEMAIS, SOU EU !”(Mat.14,22-33). Os discípulos vivem a experiência do medo nesta cena do evangelho. Eles começaram a gritar na barca, cheios de medo, quando viram alguém a caminhar sobre o mar, e o vento só amainou e chegou a calmaria quando Jesus e Pedro voltaram a bordo. O homem é alguém habitado pelo medo; um sentimento que o seu crescente domínio do universo não extirpou, longe disso. O motivo do medo pode mudar mas ele permanece, porque não está ao alcance do homem arrancar a raíz dos seus temores. Os pagãos tinham medo dos deuses com quem procuravam reconciliar-se por intermédio de rituais mais ou menos mágicos. Deus encontrou os homens possuídos por estes temores ainda que, felizmente, por vezes eles sejam remédio contra o mal mais temível: a recusa dO Deus-Amor. Depois, no final os tempos, veio Jesus-Cristo. Se Jesus encontrar lugar na minha vida, a raíz do medo será arrancada. A Sua luz tem a virtude de dissipar as trevas, símbolo do pecado, mas também do medo; porém, só o pode fazer na medida em que o homem abrir o seu coração. “Sou Eu, não tenhais medo!” Sim!, se eu acolher Cristo verei desaparecer todos os medos porque acolherei O Amor. Mas como será possivel que Deus continue no anonimato para alguns e não para outros? Que Ele Se revele apenas a alguns, no silêncio ou na provação? O Apóstolo Paulo parece já levantar esta interrogação dolorosa na Epístola aos Romanos. Que a nossa oração se volte para aqueles que têm o desejo de crer mas não conseguem fazê-lo. Peçamos aO Espírito que nos converta coração para aceitar Deus como Ele é.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 9/AGOSTO/2014

Texto e imagens in http://www.evangelhoquotidiano.org

 SantaTeresaBeneditaDaCruzSanta Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), religiosa, mártir, padroeira da Europa, +1942. Edith Stein nasceu em Breslau, atualmente Wroclaw, capital da Silésia, na Alemanha (cidade que, depois da Segunda Guerra Mundial, passou a pertencer à Polónia), no dia 12 de Outubro de 1891, quando se celebrava a grande festa judaica do Yom Kippur, o Dia da Reconciliação. Seus pais, Sigefredo e Augusta, eram comerciantes judeus. Edith foi a última de onze filhos. O pai faleceu em 1893. A mãe encarregou-se dos negócios da família e da educação dos filhos. A pequena Edith, segundo o seu próprio testemunho, foi muito dinâmica, sensível, nervosa e irascível. Aos sete anos, começou a possuir um temperamento mais reflexivo. Em 1913, ingressou na Universidade de Gottingen e dedicou-se ao estudo da Fenomenologia. Aí encontrou a sua verdadeira vida: livros, companheiros e, sobretudo, o célebre professor E. Husserl. Durante este tempo chega a um ateísmo quase total. Em 1914, explode a Primeira Guerra Mundial. Edith vai trabalhar num hospital com quatro mil camas. Entrega-se a este trabalho de corpo e alma. Estuda com seriedade a Fenomenologia, até se encontrar com a doutrina católica. Encontra definitivamente a sua nova fé em 1921, quando lê a autobiografia de Santa Teresa de Jesus. O amor a Deus, o Absoluto, toma conta de sua alma: “Cristo elevou-se radiante ante meus olhos: Cristo no mistério da Cruz”. Sob a direção do Padre jesuíta Erich Przywara, começa a estudar a teologia de São Tomás de Aquino. Baptiza-se no dia 1 de Janeiro de 1922, recebendo o nome de Teresa Edwig. Desde então sente-se evangelizadora: “Sou apenas um instrumento do Senhor. Quem vem a mim, quero levá-lo até Ele”. “Deus não chama ninguém a não ser unicamente para Si mesmo”. Aos 42 anos, no dia 15 de Abril de 1934, festa do Bom Pastor, veste o hábito carmelita no Convento de Colónia. Sua conversão, que não a impede de continuar a sentir-se filha de Israel, enamorada de sua santa progenitura, separa-a, contudo, de sua família e de sua amada mãe: “Minha mãe opõe-se com todas as suas forças à minha decisão. É difícil ter que assistir à dor e ao conflito de consciência de uma mãe, sem poder ajudá-la com meios humanos”. (26-01-1934). No dia 21 de Abril de 1935, domingo de Páscoa, faz seus votos religiosos e três anos depois, no mesmo dia, seus votos perpétuos. Sua vida será uma “Cruz” transformada em “Páscoa”. Na Alemanha, os nazis começam a semear o ódio ao povo judeu. Ela pressagia o destino que a aguarda. Tentam salvá-la, fazendo-a fugir para a Holanda, para o Carmelo de Echt. Membros das SS não tardam a invadir o convento e prendem Irmã Benedita e sua irmã Rosa, também convertida ao catolicismo. Três dias antes de sua morte, Edith dirá: “Aconteça o que acontecer, estou preparada. Jesus está aqui conosco”. (06-08-1942). Após vários tormentos, no dia 9 de Agosto de 1942, na câmara de gás do “inferno de Auschwitz”, morria a mártir da Cruz, Irmã Teresa Benedita. Foi beatificada no dia 1º. de Maio de 1987, em Colônia, e canonizada em 1999 pelo papa João Paulo II. O mesmo Papa a declarou, com Santa Catarina de Sena e Santa Brígida da Suécia, padroeira da Europa. (cf.geocities.yahoo.com.br/monjascarmelitas).

Comentário do dia
Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poesia «Pax vobis»

A Paz de Cristo

«A paz seja convosco» (Lc 24,36):
É a saudação pascal do Ressuscitado: «Pax vobis.»
Para trazer a paz ao mundo, Ele fez-Se homem,
E a paz foi anunciada pelos anjos nas campinas de Belém.

A paz é um abrigo seguro no seio do Pai eterno:
Tu tinhas a paz, Senhor, quando foste peregrino nesta terra,
E tua Mãe também, visto que o seu coração era um com o teu.
Glorificaste teu Pai no mais alto dos céus
Para que Ele dirigisse de novo o seu olhar para a terra
E para que a paz adviesse também para aqueles que a não têm.
Mas isto só se cumpriu através da tua morte.
Quando, pelo preço do teu sangue, consumaste a obra da reconciliação
E voltaste a entregar o teu espírito nas mãos do Pai,
Então Ele inclinou-Se sobre os teus
E colocou-os, contigo, no seu seio.
O rio da paz jorrou para nunca mais se deter,
O seu percurso passa pelo coração de tua Mãe:
Ela o conduz aos homens com suas suaves mãos.

Foste tu, Rainha da Paz, que edificaste a nossa casa.
Para que se tornasse um local de paz.
Os corações dos teus filhos devem tornar-se cálices
De onde transborda o orvalho celeste,
Dando fecundidade às terras áridas.