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SEXTA-FEIRA – 8/AGOSTO/2014

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SaoDomingosGusmaoS. Domingos de Gusmão, presbítero, fundador, +1221. São Domingos nasceu em Caleruega, em Castela-a-Velha, no ano de 1170. De família nobre, e de belo rosto, acostumou-se desde jovem a duras penitências. De caráter metódico e firmíssimo, deu grande importância aos estudos, como premissa indispensável ao dever apologético dos frades pregadores. Aos 14 anos de idade, foi enviado para Palência, onde estudou filosofia e teologia. Como sacerdote e cônego de Osma distinguiu-se pela rectidão, zelo, pontualidade nas funções e espírito de sacrifício. Pregou com êxito contra os hereges albigenses, que defendiam a existência de dois princípios, de duas divindades: o Bem e o Mal. Estudo e pobreza são os dois pontos principais da Ordem dominicana, o programa de vida dos frades ’mendicantes’ que vestem o hábito de São Domingos, contemporâneo de outro grande e amado santo fundador, São Francisco de Assis. São Domingos morreu em Bolonha no dia seis de Agosto do ano 1221 e foi proclamado santo, 13 anos após a morte, em 1234.

Naum 2, 1. 3; 3, 1-3. 6-7 | Sal Deut 32, 35cd-36ab. 39abcd. 41
| Mt 16, 24-28

Comentário do dia
Imitação de Cristo, tratado espiritual do século XV, Livraria Moraes, 1959
Livro II, cap. 11

«Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo»

Jesus tem agora muitos que amam o seu reino, mas poucos que gostem de carregar a sua cruz. Tem muitos que desejam consolação, mas poucos tribulação. Encontra bastantes companheiros de mesa, mas poucos de abstinência. Todos desejam alegrar-se com Ele, mas poucos querem suportar por Ele alguma coisa. Muitos seguem Jesus até à fracção do pão, mas poucos até ao beber do cálice da Paixão. Muitos veneram os seus milagres, mas poucos seguem a ignomínia da Cruz. Muitos amam a Jesus, enquanto as adversidades não os tocam. Muitos O louvam e bendizem enquanto dele recebem quaisquer consolações, mas se Jesus Se esconder e os abandonar um pouco, caem nos queixumes ou em grande abatimento.

Aqueles, porém, que amam Jesus por Jesus, e não por si próprios, bendizem-No em toda a tribulação e angústia, tal como na maior consolação. E, ainda que Ele nunca lhes quisesse dar consolação, louvá-Lo-iam sempre e sempre Lhe quereriam dar graças. Oh, quanto pode o puro amor a Jesus, não misturado a nenhuma comodidade pessoal ou amor próprio!

QUINTA-FEIRA – 7/AGOSTO/2014

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S. Sisto II, papa, e companheiros mártires, +258. Procurou unir a igreja cristã em torno dos sacramentos e da palavra de Deus. Perdoou aos delatores, fortaleceu o espírito dos condenados pelo “crime capital de professar a fé em Jesus Cristo”. Reatou as relações com os bispos africanos e da Ásia Menor, interrompidas pela controvérsia sobre o baptismo dos herejes. Efetuou a transladação dos restos de São Pedro e São Paulo. Foi mártir durante as perseguições ordenadas pelo imperador Valeriano, sendo assassinado enquanto efetuava a cerimônia da consagração do pão como fizera Jesus Cristo, encontrando a morte junto de muitos fiéis e inúmeros ministros sacramentados.

SaoCaetano_GoyaS. Caetano, presbítero, +1547. Nasceu em Vicenza no ano 1480. Estudou direito em Pádua e, depois de ter sido ordenado sacerdote, fundou em Roma a Congregação de Clérigos Regulares, chamados Teatinos, com o fim de promover o apostolado, e propagou-a no território de Veneza e no reino de Nápoles. S. Caetano distinguiu se pela sua vida de oração e pela prática da caridade. Morreu em Nápoles no ano 1547.

Jer 31, 31-34 | Sal 50 (51), 12-13. 14-15. 18-19 | Mt 16, 13-23

Comentário do dia
Catecismo da Igreja Católica
§§ 1440-1443

«Tudo o que desligares na terra será desligado no Céu»

O pecado é, antes de mais, ofensa a Deus, ruptura da comunhão com Ele. Ao mesmo tempo, é um atentado contra a comunhão com a Igreja. É por isso que a conversão traz consigo, ao mesmo tempo, o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja, o que é expresso e realizado liturgicamente pelo sacramento da Penitência e Reconciliação.

Só Deus perdoa os pecados (Mc 2,7). Jesus, porque é Filho de Deus, diz de Si próprio: «O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados» (Mc 2,10), e exerce este poder divino: «Os teus pecados são-te perdoados» (v. 5; Lc 7,48). Mais ainda: em virtude da sua autoridade divina, concede este poder aos homens para que o exerçam em seu nome (Jo 20,21s). Cristo quis que a sua Igreja fosse, toda ela, na sua oração, na sua vida e na sua actividade, sinal e instrumento do perdão e da reconciliação que Ele nos adquiriu pelo preço do seu sangue. Entretanto, confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico. É este que está encarregado do «ministério da reconciliação» (2Co 5,18). O apóstolo é enviado «em nome de Cristo» e «é o próprio Deus» que, através dele, exorta e suplica: «Deixai-vos reconciliar com Deus» (v. 20).

Durante a sua vida pública. Jesus não somente perdoou os pecados, como também manifestou o efeito desse perdão: reintegrou os pecadores perdoados na comunidade do povo de Deus, da qual o pecado os tinha afastado ou mesmo excluído. Sinal bem claro disso é o facto de Jesus admitir os pecadores à sua mesa, (Mc 2,16), e mais ainda: de Se sentar à mesa deles, gesto que exprime ao mesmo tempo, de modo desconcertante, o perdão de Deus, e o regresso ao seio do povo de Deus (cf. Lc 15; Lc 19,9).

QUARTA-FEIRA – 6/AGOSTO/2014 – TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

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Transfiguração do Senhor A Festa da Transfiguração do Senhor remonta ao século V, no Oriente. Na Idade Média estendeu-se por toda Igreja Universal, especialmente com o papa Calisto III. O episódio foi relatado pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas. Presentes estavam os apóstolos Pedro, João e Tiago. Jesus transfigurou-se diante deles, seu corpo ficou luminoso e resplandecentes as suas vestes. Com isto, Jesus quis manifestar aos discípulos que Ele era realmente o Filho de Deus, enviado pelo Pai. Jesus é o cumprimento de todas as promessas de Deus; é Deus connosco, a manifestação da ternura e da misericórdia do Pai entre os homens. A sua paixão e morte não serão o fim, mas tudo recobrará sentido quando Deus Pai o ressuscitar e o fizer sentar-se à Sua direita, na Sua glória. Tudo isto é dito de uma maneira plástica – luz, brancura, glória, nuvem … que indicam a presença de Deus. O caminho necessário para a ressurreição é, contudo, o caminho da cruz, da paixão e morte, da entrega total de Sua vida pelo perdão dos pecados

Dan 7, 9-10. 13-14  ou 2 Pedro 1, 16-19 |  Sal 96 (97), 1-2. 5-6. 9 e 12
| Mt 17, 1-9

Comentário do dia
Anastácio do Sinai (?-depois de 700), monge
Homilia na Festa da Transfiguração

«Nisto apareceram Moisés e Elias a conversar com Ele»

Hoje o Senhor apareceu realmente na montanha. Hoje a natureza humana, criada no passado semelhante a Deus mas obscurecida pelas figuras disformes dos ídolos, foi transfigurada na antiga beleza do homem criado «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1,26). […] Hoje, na montanha, o homem, que estava vestido com túnicas de pele escura e sombria (Gn 3,21), endossou a vestimenta divina, «envolto em luz como num manto» (Sl 103,2). […]

Moisés contemplou de novo o fogo que não consumia a sarça (Ex 3,2), mas que dá vida a toda a carne […], e disse: «Agora vejo-Te, a Ti que és realmente e para sempre, a Ti que estás com o Pai e que me disseste: “Eu sou Aquele que sou” (v. 14). […] Agora vejo-Te, a Ti que desejava ver quando disse: “Mostra-me a tua glória” (Ex 33,18). Já não vejo apenas as tuas costas, escondido na fenda da rocha (v. 23), mas vejo-Te, Deus cheio de amor pelos homens, oculto sob uma forma humana. Já não me cobres com a tua direita (v. 22), mas és a Direita do Altíssimo revelada ao mundo. Tu és o mediador, tanto da Antiga como da Nova Aliança, Deus antigo e homem novo. […]

«A Ti que me disseste no Sinai: “Um ser humano não pode ver-Me e continuar vivo” (v. 20), como podemos agora contemplar-Te face a face aqui na terra, em carne e osso? Como vives entre os homens? Tu que és a vida e que dás a vida, como corres para a morte? Tu que moras entre os seres no mais alto dos céus, como avanças para mais abaixo que os seres mais abandonados, para junto dos que já morreram? […] Porque queres mostrar-Te também àqueles que estão adormecidos desde há séculos, visitar os patriarcas na morada dos mortos, descer a libertar Adão das suas dores.» […] Porque é assim que «os justos brilharão na ressurreição» (Mt 13,43); é assim que eles serão glorificados, é assim que serão transfigurados.

TERÇA-FEIRA – 5/AGOSTO/2014

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BasilicaDeSantaMariaMaiorDedicação da Basílica de Santa Maria Maior. A festa recorda a dedicação da Basílica e o famoso “milagre da neve”, segundo o qual no dia 5 de Agosto de 358 nevou em pleno verão na pequena colina romana do Esquilino (uma das famosas sete colinas de Roma), como sinal extraordinário do convite da Virgem para que se construísse um templo em sua honra. A tradição conta que, na noite de 5 de Agosto, a Virgem apareceu no meio da neve ao Papa Libério e ao patrício João e sua mulher, manifestando o desejo de que uma Capela em sua honra fosse construída no lugar em que tinha nevado durante essa noite. Conta a lenda que o próprio Papa traçou na neve a área de edificação do primeiro Santuário. Um século depois, o Concílio de Éfeso (431) declarou Maria Santíssima como Mãe de Deus, e o Papa Sixto III (432-440) mandou construir a Basílica em honra da Virgem.

Jer 30, 1-2. 12-15. 18-22 | Sal 101 (102), 16-18. 19-21. 29 e 22-23 | Mt 15, 1-2. 10-14

Comentário do dia
João Escoto Erígena (?-c. 870), beneditino irlandês.
Homilia sobre o prólogo do evangelho de S. João, 11

«São cegos a conduzir outros cegos»

Santo teólogo [São João], primeiro chamaste «Verbo», «Palavra de Deus» ao Filho de Deus; depois chamaste-Lhe «vida» e «luz» (1,1.4). Foi com toda a propriedade que mudaste os seus nomes, para nos fazer compreender significações diferentes. Nomeaste-O «Verbo», porque foi por Ele que o Pai disse todas as coisas, e disse e tudo foi feito (Sl 33,9). Nomeaste-O «luz e vida» porque o Filho é também a luz e a vida de todas as coisas que foram feitas por Ele. O que é que Ele ilumina? Nada mais que Ele próprio e seu Pai […]: ilumina-Se a Si mesmo, dá-Se a conhecer ao mundo, manifesta-Se aos que não O conhecem. Essa luz do conhecimento de Deus havia deixado o mundo, quando o homem abandonou Deus.

A luz eterna revela-Se ao mundo de duas maneiras, pela Escritura e pela criação (Sl 18; Rm 1,20). O conhecimento de Deus só se renova em nós pelos textos da Escritura santa e pela visão da criação. Estudai as palavras de Deus e recebei em vosso coração o que elas significam: aprendereis a conhecer o Verbo. Percebei pelos vossos sentidos corporais as formas magníficas das coisas acessíveis aos nossos sentidos, e nelas reconhecereis Deus, o Verbo. Em todas estas coisas, a verdade nada mais vos revelará que o próprio Verbo, que tudo fez (Jo 1,3); nada podeis contemplar fora dele, porque Ele é todas as coisas. Ele está em todas as coisas que existem, quaisquer que sejam.

SEGUNDA-FEIRA – 4/AGOSTO/2014

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S. João Maria Vianney, presbítero, +1859.

SaoJoaoMariaVianneyConhecido também como Cura D´Ars, S. João Maria Vianney nasceu em Dardilly, na França, em 1786. Era um camponês de mente rude e, segundo contam, tinha poucos dotes pessoais. Teve que se esconder por algum tempo por haver desertado do exército napoleónico na marcha para a Espanha. Nem sequer soube a gravidade desse acto, que se deveu ao facto de não ter conseguido acertar o passo com o seu batalhão. Os seus mestres de seminário ficavam muito desanimados com o seu péssimo desempenho mental. Mas devido ao modelo de piedade que era, o Vigário geral resolveu aprová-lo e deixar que a providência se encarregasse do resto. Em 1815, deram-lhe as ordens sagradas. Porém havia uma condição: não poderia confessar, por julgarem-no incapaz de guiar as consciências. Após um ano de aprendizado com o abade Balley, em Ecculy, foi para Ars, primeiramente com o título de vigário capelão e depois veio a ser vigário ou cura.

Jer 28, 1-17 | Sal 118 (119), 29 e 43. 79-80. 95 e 102 | Mt 14, 22-36

Comentário do dia
São Tomás Moro (1478-1535), estadista inglês, mártir
Carta escrita no cárcere a sua filha, 1534 (trad. Breviário, 22/6, rev.)

«Salva-me, Senhor!»

Não vou deixar de ter confiança, Meg, na bondade de Deus, por mais receio que tenha de, com medo, poder vacilar. Mas lembro-me sempre de São Pedro que, à primeira rajada de vento, começou a afundar-se por causa da sua pouca fé; se tal me vier a acontecer, farei como ele: gritar por Cristo e pedir-Lhe que me ajude. E assim espero que Ele estenda a Sua mão para me segurar e me salvar das águas tumultuosas, impedindo que me afogue.

E se Ele permitir que a minha semelhança com Pedro vá mais longe, ao ponto de me precipitar e cair totalmente, jurando e abjurando (que de tal coisa Deus me livre na sua infinita misericórdia e que, se assim for, dessa queda me venha antes mal do que bem), ainda assim espero que o Senhor me dirija, tal como fez a Pedro, um olhar cheio de compaixão (Lc 22,61) e me levante de novo para que possa outra vez confessar a verdade da minha consciência e suportar aqui o castigo e a vergonha da minha anterior negação.

Por fim, querida filha, estou plenamente convencido de que, sem culpa própria, Deus não me abandonará. Por isso, com toda a certeza e esperança me entrego nas suas mãos. […] Assim, minha querida filha, fica tranquila e não te preocupes comigo, seja o que for que me aconteça neste mundo. Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E seja o que for que Ele queira, por muito mau que nos pareça, é na verdade o melhor.