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SEGUNDA-FEIRA – 14/JULHO/2014

SaoCamiloLellis_SubleyrasS. CAMILO DE LÉLLIS (1550-1614). Orfão desde o berço, viveu até aos 25 anos uma vida de libertino e jogador ao ponto de ter de mendigar. Chagas nos pés levaram-no ao hospital durante 4 anos, onde conviveu com S.Filipe de Néri. Foi ao ver a forma negligente como os assalariados tratavam os doentes que teve a idéia de fundar a “Congregação dos Ministros dos Enfermos” que também prestassem assistência corporal e espiritual aos do-entes em casas particulares.  O tratamento dos empestados em Nápoles e Roma foram a prova de fogo destes religiosos enfermeiros que, dizia S.Camilo de Léllis, deviam ter sempre “as mãos empapadas de caridade”.

Isaías 1,10-17 ; Sal 49, 8-9. 16bc-17. 21. 23 ; Mateus 10, 34-11,1

Isaias_TissotA COERÊNCIA NECESSÁRIA (Is.1,10-17).  Em Isaías, Deus revela-Se muito severo sobre a forma como estamos ausentes nas nossas orações, nas oferendas e nas nossas assembleias: Ele espera de nós coerência entre a liturgia que celebramos e o coração com que O habitamos, entre a nossa intenção e os actos que a confirmam. Revestido de uma tarefa missionária, podia esperar-se que Isaías partisse de imediato para longe, para terras de pagãos, como Jonas. Mas não, ele dirigiu-se aos mais próximos. Se é verdade que todo o cristão é missionário pelo baptismo, na maioria dos casos será ao seu meio habitual, no qual vive, que deve primeiro levar a Boa-Nova. Não apenas aos pagãos que o rodeiam, mas também a todos os cristãos com quem convive. Será sobretudo aí que esse jogo de paz e de guerra (simbolizado pela espada) irá decorrer.

PERDER A VIDA POR CAUSA DE CRISTO (Mateus 10,34–11,1).  É igualmente num contexto familiar que termina o ensino de Jesus, relatado por Mateus, sobre a missão. Será aí, nos encontros, permanentes ou inesperados, que aprendemos a tornar-nos dignos d’Aquele por quem militamos, ao mesmo tempo missionários e evangelizados. E isto “perdendo” a própria vida. Por exemplo, aturando um parente ou alguém que nos incomoda mas tem necessidade de ser ouvido; isso será como dar um copo de água a um “pequenino”: não fica sem recompensa. Por vezes, será ainda talvez resistir à tentação de abandonar a assembleia dominical só porque nos desagrada a liturgia. Se porém perseverarmos, O Senhor far-nos-á compreender que é nessa oração comunitária, que vive-remos e sentiremos verdadeiramente o coração da Igreja. Ser apóstolo e missionário, aqui e agora, onde Deus nos colocou, não é pois tarefa que possa ser malbaratada, visto ser O próprio Deus que no-la dá; hoje e sempre.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 13/JULHO/2014

SantoHenriqueESantaCunegundesSTO. HENRIQUE II e STA. CUNEGUNDES (lmperador 973-1024  e lmperatriz 1033). O Piedoso, como ficou  conhecido este santo cuja vida foi agitada por guerras e campanhas constantes para pacificação dos povos e defesa da Igreja.  Restaurou e fundou mosteiros e doou o globo de ouro, simbolo da sua realeza no Sacro Império Romano-Germânico, aos monges de Cluny. Henrique II e a esposa estão sepultados na catedral de Bamberg, que ele próprio construiu e é um dos melhores exemplos da arquitetura alemã de transição do românico para o gótico.

Isaías 55,10-11 ; Sal 64,10-14 ; Romanos 8,18-23 ; Mateus 13,1-23

OSemeador_TissotSEMEADORES DE ESPERANÇA (Mat.13,1-23). Numa linguagem simples e particularmente sugestiva, Jesus conta a história de um semeador. Aos discípulos que tinham necessidade de explicações, Ele gasta tempo a explicar o sentido da parábola que, sendo uma cena simples, levanta muitas questões aos ouvintes de ontem e de hoje. Trata-se de um semeador surpreendente que não escolhe o terreno onde semeia e espalha a semente com abundância por todo o lado. Ele semeia nas terras devastadas, calcinadas pelas guerra, ódio e miséria; semeia nas terras trabalhadas pelas provações, pelo sofrimento e pela oração; Ele semeia igualmente nas terras disponíveis das crianças e dos corações puros.  A parábola diz-nos que Deus trata todos os homens por igual : onde estiver um homem aí está Deus a semear a Sua Palavra.  Caberá a cada um interrogar-se sobre o tipo de terreno que oferece. A atitude do semedor é uma atitude de gratuitidade, de caridade e de esperança. E, ao mesmo tempo, Ele apela a que nos libertemos dos cuidados do mundo para a semente poder germinar. O semeador é um homem de acção, um ser previdente, generoso, aberto e preocupado com o futuro. É alguém que trabalha para que o amanhã, um dia seja melhor. Também nós devemos querer semear o Evangelho no mundo, mesmo que este pareça ter tanta gente má. Devemos semear na terra de cada geração, de cada cultura, e deixar a Deus o cuidado de controlar a germinação e o crescimento. Com esta parábola, a questão do acolhimento dO Reino ficou colocada tanto aos que seguiam Jesus na Galileia, como a nós hoje. Nunca acabaremos de receber a sementeira divina e infelizes daqueles que bloquearem o seu desejo de Deus; matarão a vida. Tem, ainda, uma característica: o semeador divino semeia durante todas as estações do ano, e semeia tanto na alegria como no sofrimento ; tanto na abundância como na penúria.   Sempre, e por toda a parte, os grãos caem com o seu misterioso poder de vida e de glória, que se revelará um dia, quando O Semeador tiver terminado e vier finalmente fazer a colheita.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 12/JULHO/2014

Isaías 6,1-8 ; Sal 92,1-2. 5 ; Mateus 10, 24-33

O DEUS SANTO REVELA-SE (Is.6,1-8).A leitura de hoje, fala-nos da vocação missionária de Isaías e dum medo que pode paralisar-nos e, no fundo, explica e engloba todos os medos : a consciência do pecado que nos habita. “Sou um homem de lábios impuros”. Como ousar então anunciar O Deus de toda a pureza ? Se sentirmos isto, certamente não veremos um serafim vir tocar-nos os lábios com um carvão ardente, mas devemos estar muito atentos para conseguir escutar, no fundo do coração as palavras de Deus:  “Que andas tu a fazer do teu baptismo, da tua confirmação, da Eucaristia, do sacramento da reconciliação ? Será que tudo isso não te basta para afastares todos os medos e anunciares O Meu Nome aos homens ?”

PROCLAMAI-O NOS TELHADOS (Mat.10,24-33). Mateus agrupa aqui várias frases num convite insistente para anunciarmos Cristo, sem temor nem vergonha. Claro que a perspectiva do martírio pode causar-nos medo. Mas os simples respeitos humanos também nos tornam mudos ; ou o receio de passar por “retrógrados” e ser ridicularizados pelos auto-proclamados “espíritos evoluídos”.  Mas, mesmo que não existam tais receios, podemos também calar-nos se nos deixarmos desanimar: “Tudo o que digo não serve para nada, porquê continuar ?”. Como se fosse possível saber-se qual é, num coração, o caminho misterioso duma palavra de vida.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 11/JULHO/2014

S. BENTO DE NÚRSIA (480-547). Fundador do mosteiro do Monte Cassino, berço da ordem dos beneditinos, é considerado como o “pai dos monges do Ocidente”. O Papa Paulo Vl proclamou-o padroeiro da Europa há precisamente 50 anos.

                              Provérbios 2,1-9 ; Sal 33, 2-11 ; Mateus 19, 27-29

CAVA COMO QUEM PROCURA UM TESOURO (Provérbios 2,1-9). O mestre sábio dos Provérbios convida-nos a escavar para encontrarmos o tesouro da sabedoria.  É a sabedoria humana, fruto da experiência e da reflexão, a que ele se refere, mas pressentindo já que, mais além, há um outro tesouro.  Neste pequeno texto, o termo “inteligência” e os seus derivados repetem-se cinco vezes, traduzidos por “verdade, discernimento, compreender”. O enquadramento é eloquente : Sabedoria, discernimento, conhecimento de Deus, mas tam-bém justiça, rectidão e integridade. A escolha deste texto para a festa de Bento, que legislou para os monges e cuja influência sobre o cristianismo ocidental foi considerável, é porque a sabedoria de S.Bento é a do Evangelho: “Cava como quem busca um tesouro, onde Bento te indica, e encontrarás;tu alcançarás o conhecimento de Deus, riqueza escondida aos olhos deste mundo”. O mestre sábio diz-nos que o acesso a Deus não se alcança por um legalismo rigoroso nem por uma confi-ança cega e irreflectida.   Quem busca Deus com temor e respeito deve fazê-lo usando toda a sua inteligência, que o levará a seguir um caminho recto e justo.  A busca de Deus passa por um discernimento, atento e rigoroso, que se inscreve na vida.

OTesouroEscondido_DouOLHAR O PAI COM OS OLHOS DE JESUS (Mat.19,27-29). Hoje, Jesus apresenta-nos um pedaço particularmente admirável do tesouro cujos mil reflexos devemos contemplar, e que está bem integrado no espírito paradoxal dO Evangelho : deixar tudo por Sua causa… Sim!, mas para tudo reencontrar n’Ele, purificado, desembaraçado de qualquer egoísmo, livre dos narcisismos que corrompem o amor que aspira à pureza total.  “Cava, como quem procura um tesouro !” Não temos nada mais importante a fazer na nossa vida. S. Bento, como os outros santos, passou a vida na terra a fazer isto mesmo. Será assim que também nós descobriremos maravilhados que tudo – incluindo os afectos mais queridos – tem a sua origem no coração de Deus: fonte que jamais se esgota. Se a Igreja recebe a vida consagrada, e a vida contemplativa em particular, como frutos extraordinários dO Espírito, é por eles serem sinal do amor dO Senhor pelo Seu povo. O contemplativo deixa tudo para olhar O Pai como Jesus, com um olhar que transforma todas as relações.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 10/JULHO/2014

STA. PAULINA DO CORAÇÃO AGONIZANTE DE JESUS (1865-1942). Italiana emigrada com 10 anos para o Brasil, fundou em Curitiba (1890) a congregação das “Irmãzinhas da Imaculada Conceição”. Em S.Paulo (1903) ocupou-se das crianças orfãs, filhas de ex-escravos, e dos escravos idosos e abandonados. Os diabetes fizeram-na sofrer e morrer cega. Primeira santa brasileira, beatificada por São João-Paulo II (1890).

Oseias 11, 1-4. 8c-9 ; Sal 79, 2ac. 3b.15-16 ; Mateus 10, 7-15

Nestes tempos da Nova Evangelização é bom reler o programa missionário de Jesus.  Anunciar o Evangelho não é uma tarefa, mas uma maneira de viver com os outros.   Paulo VI dizia: “O nosso mundo não escuta os mestres, mas as testemunhas”. Dito de outra forma, o anúncio é uma tarefa de pessoas que se reencontram com Cristo e descobrem a maneira de ser dO Senhor : Jesus Cristo é o único vencedor do mal e da morte, mas não é um triunfador nem um conquistador.   No Evangelho, ser vencedor não significa agir como cruzado ou como inquisidor e o seu programa será apenas o programa dO Príncipe da Paz : Jesus morto e ressucitado!

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.