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QUARTA-FEIRA – 25/JUNHO/2014

BeatoJoaoDeEspanhaBTO. JOÃO DE ESPANHA (1123-1160). Com dezasseis anos entrou no mosteiro cartuxo de Montrieux, onde   após ser monge foi ordenado sacerdote. Graças à maturidade precoce das suas virtudes cristãs, foi eleito Prior com vinte e poucos anos.  Foi no seu governo que se criou o ramo feminino do Carmelo.

SaoProsperoS. PRÓSPERO DA AQUITÂNIA (depois de 455). Nascido na Aquitânia, região da Gália antiga, recebeu educação literária e filosófica. Secretário do papa S. Leão Magno contribuiu para propagar as ideias de STO. Agostinho contra o pelagianismo que exagerava a força do livre arbítrio, chegando a negar a necessidade da graça, a transmissão do pecado original e a distinção entre natural e sobrenatural.

2 Reis 22, 8-13; 23,1-3 ; Sal 118, 33-37. 40 ; Mateus 7,15-20

AcautelaiVosDosFalsosProfetas“PELOS FRUTOS OS RECONHECEREIS…” (Mat.7,15-20). Eis uma lição sobre jardinagem cheia de bom senso. E sobretudo uma boa lição de discernimento espiritual dada por Jesus aos discípulos: avaliar os frutos para considerar a sanidade da árvore. Não é no inverno nem mesmo na germinação primaveril que se pode verificar a qualidade duma árvore. É necessário tempo para discernir e é necessário ter tempo para se verem amadurecer os frutos da graça de Deus. Jesus chama-nos a uma vigilância que consegue ver para além das aparências enganosas. Mas onde está O Espírito de Deus aí germinam e amadurecem os frutos da alegria, da unidade, e da paz. “O Espírito Santo é como um jardineiro”, dizia o santo Cura d’Ars. Espinhos e cardos, uvas e figos representam dois mundos: o mundo da natureza entregue a si própria, que pode ferir-nos, e o mundo da natureza cultivada, que nos alimenta. Assim também os verdadeiros profetas, que transmitem a palavra de Cristo sem adoçarem ou negarem o carácter incontornável da porta estreita, convidando os homens a trabalhar sobre si mesmos e sobre as suas paixões (cólera, inveja, avareza…), para não permanecerem no estado da natureza selvagem. Então, as sementes do amor que Deus deposita no nosso coração, podem crescer como frutos de escuta, de benevolência e de paciência para com os outros.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 24/JUNHO/2014

NASCIMENTO DE S. JOÃO BAPTISTA. A Igreja celebra, na alegria, o nascimento de João Baptista, que veio dar testemunho da Luz no limiar dos novos tempos.

Isaías 49,1-6; Sal 138, 1-3.13-15; Actos13, 22-26; Lucas 1, 57-66.80

“FEZ DA MINHA PALAVRA UMA ESPADA AFIADA…”(Is.49,1-6). São de guerra as imagens da vocação do profeta.   O Livro da sabedoria fará da Palavra personificada um combatente com uma espada afiada. A Epístola aos Hebreus dirá ser ela mais cortante que uma espada de dois gumes (He. 4,12). Em todos os textos a Palavra surge como um instrumento de julgamento: se Deus é bondade e misericórdia, a Sua Palavra, que penetra no fundo dos corações, põe a nu, ilumina e faz surgir a verdade. Ela faz aparecer o que, em cada um, é recusa e violência. Ela força-nos a uma escolha. Trazida pelo profeta ou por Jesus, a Palavra exige a renúncia aos ídolos e pede empenhamento.

ZacariasEscreveONomeDeJoao“NINGUÉM NA TUA FAMíLIA TEM ESSE NOME…” (Lucas 1,57-66.80). Dar à criança que ia nascer um nome diferente do de seu pai, não era habitual naquela época! A mãe Isabel atirara uma autêntica pedrada no charco. As tradições e costumes eram abalados. Mas O Espírito desdenha os nossos hábitos e tem o “feliz prazer” de gerar vida e bênção, desconcertando, ao fazê-lo, muitas das nossas certezas. Quando Zacarias confirma por escrito que o filho se chamará João, ei-lo liberto do seu mutismo. A Palavra nova e inesperada restitui-lhe a palavra. De algum modo, Deus tem sentido de humor! Confiemos nO Espírito que, mais uma vez, mostra ter novidades felizes.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 23/JUNHO/2014

SaoJoseCafassoS. JOSÉ CAFASSO (1811-1860).  Sacerdote e professor de teologia moral em Turim.  Foi director espiritual de S. João Bosco, cuja obra encorajou. Canonizado em 1947. Antes de morrer escreveu esta estrofe : “Não será morte mas doce sono para ti alma minha, se ao morrer te asssitir Jesus e te receber a Virgem Maria”.

2 Reis17, 5-8.13-15a.18 ; Sal 59, 3-5.12-13 ; Mateus 7,1-5

RetiraPrimeiroATraveDaTuaVistaRENUNCIAR A JULGAR (Mateus 7,1-5). Para os Pais eremitas do deserto não existia crescimento na caridade e na oração sem renunciar ao julgamento e à crítica dos outros.  Escutemos Doroteu de Gaza: “Imaginai o mundo como um círculo traçado na terra (linha redonda feita com compasso e um centro). Imaginai que o centro é Deus e os raios são os diferentes caminhos ou formas de viver dos homens. Quando os santos, desejosos de se aproximar de Deus caminham para o centro, à medida que entram no interior aproximam-se uns dos outros, e quanto mais se aproximam uns dos outros mais se aproximam de Deus.   Compreende-se que suceda o mesmo no sentido inverso : quanto mais afastados uns dos outros, mais os homens se afastam de Deus”. Doroteu de Gaza, o eremita (séc.VI) dizia também: “Se tivermos caridade, a própria caridade cobrirá todas as faltas”.  E que dizer dos santos que embora sem consentir no pecado, não julgam o pecador, nem “o abandonam”. Ao contrário, compadecem-se, exortam-no, consolam-no e tratam-no como membro doente. Um horizonte que podemos interiorizar, na plena consciência da nossa própria fragilidade.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

DOMINGO DO SS. CORPO E SANGUE DE CRISTO – 22/JUNHO/2014

S. TOMÁS MORE e JOHN FISHER (1535). Respectivamente Chanceler de Inglaterra  e bispo de Rochester, eles recusaram fazer, por fidelidade a Roma, o juramento da supremacia do rei Henrique VIII e morreram decapitados.

Deut. 8, 2-3.14b-16a  ; Sal 147,12-15.19-20 ; 1Cor.10,16-17 ; João 6, 51-58

SantissimaEucaristia_KharlamovO PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU (João 6,51-58).  A festa do “Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo” (desde o séc.XIII, é fruto das querelas teológicas e devoções da Idade Média. A transformação do pão e vinho nO Corpo e Sangue de Cristo permanece hoje o maior mistério da fé, e, por isso,  proclamamos solenemente na consagração: “Mistério da fé!” Na Idade Média os fiéis participavam afastados do altar da missa e raramente comungavam (todos, de pé, tentavam ver a exposição da Hóstia e do Cálice, na Sua elevação). Todavia a Igreja desde sempre afirma e crê que, no sacramento da Eucaristia, o pão se transubstancia nO Corpo de Cristo que Ele entregou, e o vinho se torna nO Sangue de Cristo derramado pela nossa salvação. Cada Eucaristia recorda a Sua morte e a última ceia, e proclama a Sua ressurreição. Quando celebramos a missa é Jesus ressuscitado que celebramos. Nesta passagem de S.João, há um número impressionante de frases que aludem á vida (ou à sua ausência):“o pão vivo”; “ele viverá eternamente”; “para que o mundo tenha a vida”; “vós não tereis a vida em vós”; “a vida eterna” ; “O Pai que está vivo” ; “Eu vivo pelO Pai” ; “viverá por Mim” ; “eles estão mortos” ; “viverá eternamente”.  Esta “vida” não designa a vida sobre a terra, mas a vida que vem do céu e por isso “eterna”, semelhante à vida dO “Pai”.   Ela torna-se possível possível por intermédio de Jesus (“Ele viverá por Mim). A nossa vida alimenta-se do pão que é O próprio Jesus: “Aquele que come a Minha Carne e bebe O Meu Sangue…” Sobrepõem-se dois domínios.  O primeiro é o mundo, ao qual pertencem o pão e o vinho que tomamos para sustentar a vida na terra. O segundo é o mundo divino, a que pertencem O Pão e O Vinho que comemos e bebemos na Eucaristia para sustentar a vida divina. Jesus ressuscitado faz-Se nosso pão para que possamos partilhar a vida divina que Ele comunga com O Pai. Esta é uma linguagem impossível e incompreensivel fora da fé em Cristo ressuscitado. O texto de João é disto um testemunho perfeito. Só quem comer a Carne de Jesus e beber o Seu sangue “permanece” em Jesus, e Jesus nele.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.