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SÁBADO – 21JUNHO/2014

SaoLuisGonzaga_colPartS. LUÍS GONZAGA (1567-91). Natural de Florença, filho primogénito da família de Mântua dos Gonzagas, morreu mártir da caridade ao serviço dos empestados em Roma, com 23 anos.  A sua pureza de vida era excepcional. Aos 17 anos, contra vontade da família, renunciou aos direitos de primogenitura a favor do irmão e entrou na Companhia de Jesus.   Canonizado por Bento XIII em 1724, que o declarou patrono dos jovens estudantes.

2 Crónicas 24, 17-25 ; Sal 88, 4-5. 29-34 ; Mateus 6, 24-34

O RISCO DA CONFIANÇA. O reino de Joás até se iniciara bem: ele era fiel aO Senhor !  Mas deixou-se seduzir pelo gosto do poder e do reconhecimento do povo. Não podendo servir 2 senhores, afastou-se de Deus. Os homens do nosso tempo estão também muitas vezes divididos: carregam o cuidado de muitas coisas ; agitam-se e inquietam-se.  Jesus convida-nos à confiança numa vida simples, frugal, centrada em Si e no Seu Reino.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir.Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 20/JUNHO/2014

BeatasSanchaMafaldaETeresaBTAS. SANCHA (1180-1229), MAFALDA (1195-1256)  e TERESA (1177-1250). As três beatas Teresa, Sancha e Mafalda, tam-bém chamadas raínhas Santas, eram filhas de Sancho I (netas de Afonso Henriques). Nascidas e criadas na Corte, acabaram todas por abraçar a vida religiosa, apesar de duas delas terem chegado a casar. As suas muitas obras de misericórdia e piedade, levaram a que fossem reconhecidas pelo Povo que lhes dedicou culto desde muito cedo.

2 Reis 11,1-4. 9-18. 20 ; Sal 131, 11-14.17-18 ; Mateus 6,19-23

AS RIQUEZAS (2R.11,1-4.9-18.20 ; Mat.6,19-23). A primeira leitura conta-nos uma história bem humana !   É, no fundo, uma história de “tesouro”. Esta palavra é o paradigma de tudo o que o homem ambiciona e procura conseguir. Por todos os meios, por vezes até com crimes, como se vê no comportamento da rainha Atália. Um homem político numa entrevista confessava que nada prende tanto ao coração humano como a paixão do poder. O desejo de possuir tesouros, quer se trate de poder ou de bens, está fortemente enraizado porque faz parte da sua natureza. Jesus na parábola das riquezas não tenta arrancar este desejo e até diz que há más e boas riquezas. Ele recorda-nos uma verdade básica: só se pode suprimir algo quando esse algo é substituído. À busca dos falsos tesouros, Jesus contrapõe a procura dos tesouros verdadeiros. Procura já não apenas horizontal mas vertical; já não tesouros que se desgastam, pois tudo no mundo acaba por se deteriorar (“desgaste”por vezes trágico, como no caso de Atália), mas antes um tesouro cujo valor irá incessantemente aumentar. Não mais um tesouro que corrói o coração mas aquele que o dilata até à sua dimensão divina. Jesus diz-nos : “Acumulai riquezas no céu”. Nós devemos tentar juntar laboriosamente na terra todas essas pequeninas partes, dia após dia (noite após noite), mesmo quando elas possam parecer-nos sem valor e sem brilho. Mas a fé diz-nos então, que, mesmo aparentemente desprezáveis, elas são de facto o nosso tesouro na eternidade.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir.Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 19/JUNHO/2014

S.ROMUALDO (1027). Natural de Ravena, fundou uma ordem muito original : a ordem dos “Camalducenses”, que compreendia não só eremitas mas igualmente monges que aspiravam a sê-lo. Todos se encontravam para assistirem à missa.

Ben-Sirá 48,1-15 ; Sal 96,1-7 ; Mateus 6, 7-15

ELOGIO DE ELIAS E ELISEU (Ben-Sirá 48,1-15). Ben-Sirá, O sábio, na primeira leitura do seu livro Eclesiastes, faz o elogio dos profetas Elias e Eliseu.   Eles tinham poder sobre o céu. O autor alude a episódios das suas vidas onde é difícil distinguir a história da lenda. No fundo pouco interessa.  O mais importante para nós é saber que a oração dO Pai Nosso que Jesus nos ensinou tem esse mesmo poder de “forçar” o céu.

JesusEnsinaOPaiNossaAosDiscipulosO PAI TEM A PRIMEIRA PALAVRA (Mat.6,7-15). O ensino de Jesus sobre a oração recor- da-nos o seu fundamento : a confiança que podemos ter nO Pai, Ele que sabe do que necessitamos. O que faz Deus agir em nosso favor não são as nossas palavras ou actos mas a bondade do Seu coração, que antecipa todos os nossos pedidos. O Pai tem a primeira palavra na relação que nos une a Ele e, antes que O procuremos, já está muito adiante. Se a oração do Pai Nosso que O Senhor nos ensina for algo mais do que simples palavras decoradas, se ela impregnar a nossa vida, há-de permitir-nos também fazer descer “fogo” e “chuva” do céu : “Fogo” (Espírito Santo que vem ao mundo) e “chuva” (a graça que transfigura o homem terreno no homem celeste). Jesus diz-nos que não temos necessidade de pedir aO Pai aquilo que necessitamos: Ele sabe melhor que nós aquilo que precisamos. Mas, logo a seguir ensina-nos as petições dO Pai Nosso. Como conciliar isto? Não será a forma de pedir que está em causa? Ou talvez, até mesmo as entoações da voz? Diz-se que a forma de dar vale mais do que aquilo que se dá. A forma de pedir não valerá também mais do que aquilo que se pede? Se isto se verifica no domínio da vida sómente natural não será ainda mais verdadeiro nas nossas relações com Deus? Devemos dizer a Deus : “Dá-me o que Vós quiserdes” ; se a fé, esperança e caridade estiverem presentes nos nossos pedidos que  são tão ignorantes do desígnio de Deus, isso não levará o céu a ir muito além dos nossos desejos, antecipando o que precisamos?

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir.Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 18/JUNHO/2014

S. GREGÓRIO BARBARIGO (1625-97).  Bispo de Pádua, aplicou na diocese as disposicões do Concílio de Trento (reforma dos seminários e santidade dos sacerdotes), inspirando-se no exemplo de S.Carlos Borromeu. Muito generoso com os pobres desejava ardentemente a união da igrejas do Oriente e do Ocidente.  Canonizado (1960) por S. João XIII.

2 Reis 2,1. 6-14 ; Sal 30, 20-21. 24 ; Mateus 6,1-6.16-18

OsProfetasEliasEEliseuA HUMILDADE E A OBRA DE DEUS (2 R.2,1. 6-14). Herdeiro da sabedoria de Elias, Eliseu teve que tentar 2 vezes para conseguir apartar as águas do Jordão com a capa de Elias. O seu primeiro “ensaio” falhado levou-o a voltar-se para Deus, quem, na verdade, agia através dele. A humildade foi indispensável ao profeta! Para ele, como para os discípulos aos quais Jesus se dirige no evangelho, tudo se constrói na simplici-dade da relação com Deus, duma forma escondida, na intimidade do coração. Pouco importa as maravi-lhas que realizarem, o essencial é que estejam conscientes ser Deus a actuar neles. Será sempre assim com quaisquer discípulos: o seu jejum, a sua oração, a sua esmola são o sinal da obra de Deus neles. Jesus volta-se para as “obras” tradicionais da religião : esmola, oração e jejum. Pede que façamos as obras “no segredo”. A ideia é que elas venham do fundo do coração, habitado pelo amor de Deus e dos homens e, assim, terão que ser esquecidas no próprio momento em que as fizermos, mesmo que tenham custado muito, a fim de dar lugar aos outros, sem os expôr ou entesourar.  Se “O Pai” está “no segredo” como poderemos preocupar-nos com o quer que seja, ou com quem seja o outro?  “À máxima de Nietzsche:“Sê aquilo em que te transformas”- escreve J.Guitton (1900-98), “Minhas razões de crer”- o cristão contrapõe “transforma-te naquilo que és”, pois a nossa identidade é O Deus Santo.”

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir.Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 17/JUNHO/2014

BTO. MARIE-JOSEPH CASSANT (1878-1903). Monge trapista do mosteiro de ST Maria do Deserto (Haute-Garonne) que, segundo afirmou o seu mestre de noviços, “ nada fez de extraordinário a não ser a forma extraordinária com que fazia as coisas ordinárias”.  Morreu tuberculoso 8 meses depois de ser ordenado sacerdote. Ele dissera : “Quando eu já não puder celebrar a Eucaristia, Jesus pode levar-me deste mundo”.

1 Reis 21,17-29 ; Sal 50, 3-4. 5-6a.11.16 ; Mateus 5, 43-48

EliasLevaAcabAoArrependimentoDEUS JAMAIS RENUNCIA À VIDA (1R.21,17-29). O Senhor “faz nascer o sol sobre maus e bons”. A história de Acab é disto um exemplo.  Embora o rei tivesse cometido um crime terrível, Deus acabou por Se deixar tocar : a misericórdia foi-lhe concedida. Podemos escandalizar–nos ao ver como é demasiado fácil a Deus aceitar o arrependimento após um assassinato. Mas fixemo-nos sobretudo na misericórdia de um Deus que jamais renuncia á vida. De facto, o Seu desejo de vida para o homem é sempre maior que os actos obscuros deste. Será, ao desejar também a vida, que nós daremos resposta a esta infinita misericórdia.

“AMAI OS VOSSOS INIMIGOS…” (Mat.5,43-48). O “mandamento” de Jesus é considerado uma novidade sem precedentes, muito para além do “amarás o teu próximo” do Levítico (19,18).   Todavia o judaísmo não ignorava o respeito pelo inimigo em desgraça : na Carta aos Romanos(12,20), Paulo cita o provérbio “se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer…”(Prov.25,21).  O inaudito surge quando Jesus pede aos crentes para terem a mesma atitude de Deus, que cuida dos bons e maus.  Para terem o mesmo amor de Deus, o“agapè”,com esse olhar indulgente e favorável, que sempre acredita no outro. O amor de Deus vai até ao perdão incondicional e nós nem sempre somos capazes de perdoar até esse ponto.   Jesus ensina-nos então a remeter-nos ao perdão de Deus : “Pai, perdoa-lhes…”

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir.Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.