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6º DOMINGO DA PÁSCOA – 25/MAIO/2014

SaoBedaVeneravelS. BEDA, VENERÁVEL (673-735). Monge da abadia beneditina de Jarrow (Inglaterra). Autor de uma importante obra, composta principalmente por escritos exegéticos e históricos em língua inglesa  (primeiro autor a fazê-lo).  Doutor da Igreja desde 1899.

Actos 8, 5-8.14-17 ; Sal 65,1-3a. 4-7a.16. 20 ; 1Pedro 3,15-18 ; João14,15-21

PedroEJoaoImpoemAsMaosSObreOsSamaritanosEVANGELIZAÇÃO DA SAMARIA (Act.8,5-8.14-17) E DO MUNDO (1 Pedro 3,15-18). O Espírito Santo esconde-se no nosso íntimo mais profundo.  Ele é a fonte da vida e do amor.  Ele habita-nos e dá-nos um novo sopro. Ele é a força que Cristo prometeu para podermos viver segundo o Seu Evangelho. Tal como os samaritanos da primeira leitura, representados na iluminura flamenga (Willem Vrelant 1481, activo 1454-1481, J. Paul Getty Museum, Califórnia), estejamos mais atentos à Sua presença nesta altura do ano em que muitos cristãos são crismados.  Invoquemos a Sua vinda para que se renove a face da terra. Na Epístola, a injunção de Pedro é firme, fraterna e incontornável. Fala da esperança que temos em nós, e como devemos saber transmitir aos outros o sabor desse sal e vida que nos foi dada em abundância. Será na forma como formos, vivermos e servirmos que os nossos contemporâneos poderão descobrir – em nós e através de nós – o rosto d’Aquele que dá sentido à vida, o rosto resplandecente de Quem, pela Sua morte e ressurreição, fundamenta a nossa esperança e abre à humanidade inteira um caminho de salvação. O mundo tem necessidade de homens e mulheres que digam e gritem que, após a madrugada do túmulo vazio, as trevas deixaram de ter direito de cidadania na humanidade.  Cristo estava morto, Cristo está agora ressuscitado e o mundo deve tornar-se naquilo que ainda não é : capaz de ver, capaz de reconhecer O Espírito da verdade.

MENDIGOS DA ESPERANÇA (Jo.14,15-21). Na hora em que Jesus saía do mundo para O Pai, Ele traçou aos discípulos o perfil das tes-temunhas que o mundo precisa: “Se Me tendes amor, sereis fiéis aos Meus mandamentos(…)e O Pai vos dará O Espírito da verdade ”. O que Jesus promete aos apóstolos – Espírito Santo, Espírito de verdade, Amor vivo das Três Pessoas divinas – torna-se realidade em nós : é-nos concedido O Espírito Santo de Deus.  Ele estará connosco para sempre e dá-nos a conhecer o mistério íntimo de Deus. Mas só se O quisermos. Teremos que responder livremente a este dom gratuito de Deus.  Se O desejarmos, Ele far-nos-á ganhar a capacidade de acolhimento, de receptividade, e permitirá que Deus Se manifeste. Da parte de Deus as condições estão satisfeitas, tudo se cumpriu.  Cabe agora a nós (tudo passa por aqui) recolhermo-nos e acolhermos na fé esta promessa de Jesus feita realidade : então entenderemos para lá de todas as palavras e provas que, de facto, é assim.  Então “habitaremos na tenda de Deus”, teremos O mesmo Espírito, reagiremos da mesma maneira, tornar-nos-emos verdadeira morada de Deus… Permanecer fiéis aos mandamentos de Jesus, amá-lO e deixar-nos amar pelO Pai, eis O Caminho do discípulo,que nos identifica com Cristo e faz de nós autênticas testemunhas dO Reino que vem. O Papa Francisco compreendeu-o bem. Ele não cessa de nos dar conta da esperança que o possui, lembrando, numa bela coerência de vida, de gestos e de palavras, O Caminho de Cristo e do Evangelho. Um Caminho que passa necessariamente pelo encontro com os mais pobres, esses mendigos da esperança.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 24/MAIO/2014

Actos 16,1-10 ; Sal 99, 2. 3. 5 ; João 15,18-21

VisaoDePauloDoMacedonio“ATRAVESSA O MAR E VEM AUXlLlAR-NOS” (Actos 16,1-10).  O homem Macedónio, que na visão clama por socorro, simboliza ao mesmo tempo os futuros santos da jovem Igreja e Nero, que iluminará os jardins de Roma com os cristãos cobertos de pez, a arderem como archotes vivos. Jesus não é demagogo ; Ele não esconde aos discípulos as provações que os esperam. E, todavia, vão partir com alegria à conquista deste mundo ambíguo, sabendo que o seu sacrifício contribuirá para acender a grande luz que iluminará a noite de todos os homens.

“O MUNDO ODElA-VOS…” (Jo.15,18-21). Se dois mil anos de cristianismo não o confirmassem, quem daria crédito a esta afirmação? Esses homens, mulheres e até crianças, que darão a vida, o corpo e alma, serão perseguidos e até mortos por quem desejam salvar.  “O mundo odeia-vos”.  Mas de que mundo se trata? S. João, o contemplativo, intérprete de Jesus, não sabe fazer a distinção que os seus comentadores posteriormente farão.   Ele não nos diz que há “mundo” e “mundo”: o mundo que recusa e o mundo que acolhe. Ele sabe que este mundo é feito de mudança, como todo o homem; que a distância entre o ódio e o amor é por vezes curta, e que um não é senão a“face contrária” do outro. É pequena a diferença entre o movimento para se olhar alguém nos olhos, vendo aí reflectido o rosto de Deus-Amor, e o de lhe virar as costas.   Paulo, ao chegar à Europa, irá encontrar, tal como na Ásia, este mesmo combate entre a luz e as trevas.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed.Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 23/MAIO/2014

SantaJoanaThouretSTA. JOANA ANTIDA THOURET (1765-1826). Fundadora da “Congregação das Irmãs da Caridade”, em Besançon, tendo como padroeiro S.Vicente de Paulo. Enfrentou sem ressentimento a cisão da sua Ordem, hoje já reunificada sob o nome de “Irmãs da Caridade de STAJoana Antida Thouret”.

Actos 15, 22-31 ; Sal 56, 8-1 ; João 15,12-17

CristoAEnsinarOsApostolosAMAI-VOS UNS AOS OUTROS (Jo.5,12-17). Não com amor sentimental mas com um amor efectivo, que compreenda e se coloque no lugar dos outros evitando tudo o que escandalizar. Mas também com um amor forte, que não deixe os irmãos adormeçerem, como na morte, em critérios e formas de ver caducas. Muitos homens e mulheres já trocaram promessas de amor e fidelidade, mas a originalidade do amor de Cristo está na sua bitola de referência : “como Eu vos amei”, ou seja até dar a vida pelos que se amam. O mandamento de Cristo é indissociavel da Cruz e do túmulo vazio: amar à maneira de Cristo passa por renúncias, esquecimento de si, mas busca a vida para quem é amado e para o que ama.   Senhor !, eu deixo-Te chamar-me “meu amigo”, mas ajuda-me a responder à Tua amizade tentando amar os outros como Tu me amas !

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed.Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 22/MAIO/2014

SantaRitaDeCassiaSTA. RITA DE CÁSSIA (1381-1457). Casada 18 anos com um marido cruel, foi esposa dedicada e mãe de 2 rapazes. Com o assassinato do marido ficou viúva, mas a fé cristã  deu-lhe a graça do perdão. Os filhos queriam vingar a morte do pai e ela insistia que também perdoassem, mas só conseguiu evitar a vingança por eles terem morrido de causas naturais, reconciliados com Deus. Sózinha no mundo, após sete anos de tentativas frustadas, pôde por fim entrar no convento das Agostinhas de Cássia. Religiosa exemplar, excedia-se nas mortificações e ficou famosa pela eficácia das suas orações. Canonizada em 1900, é chamada em Espanha “La Santa de los impossibles”.

Actos 15, 7-21 ; Sal 95,1-3.10 ; João 15, 9-11

ConcilioDeJerusalemCONCíLIO DE JERUSALÉM (Actos 15,7-21).  Aprenderemos a amar se meditarmos na forma como se tomaram as decisões do primeiro Concílio da Igreja. Pedro, cujo temperamento era mais conservador, iluminado pelO Espírito, compreendeu que seria necessário abandonar a estrita observância das práticas do judaísmo; e sabemos como a partir de certa idade certas renúncias são difíceis! Ele tinha certamente vontade de quedar-se um pouco aquém. Paulo, naturalmente, queria avançar mais. Ambos se aperceberam que entre as 2 tendências havia um lugar, na caridade fraterna, graças aO Espírito. Guardaram por isso fielmente os ensinamentos dO Senhor e não romperam demasiado abruptamente com o passado, persuadidos de que, pouco a pouco, sem feridas e sem sofrimentos inúteis, o que tinha que cair caíria, como aconteceu. Hoje parece-nos bem curiosa a regra imposta de se absterem das carnes abafadas !

ALEGRIA COMUNICATIVA  (João 15,9-11). Algumas horas antes de morrer, Jesus deixa-nos o Seu segredo. Ele revela-nos o segredo da Sua alegria: a fidelidade aO Pai, de quem Se sabe amado. Sua vida terrena foi uma relação de amor com O Pai, animada pelo Seu Espírito.  Mas Ele quer partilhar esta relação:“Como O Pai Me amou, assim também Eu vos amei” ; “(Sede) fiéis aos Meus mandamentos (…) como Eu guardei fielmente os mandamentos de Meu Pai.” Senhor!, arranca-me do coração os sentimentos de tristeza, para irradiar a Tua alegria !

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed.Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.