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Mensagem do Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, para a Festa da Família

B_FestaDaFamilia2014Caríssimas Famílias do Patriarcado de Lisboa

É com alegria e esperança que vos convoco para o nosso encontro de 25 de maio. Como sabeis, é uma iniciativa da Pastoral Familiar do Patriarcado e realiza-se em Mafra, com o lema “Família, vive a alegria da fé”.

Ao longo do dia teremos ocasião de conviver, partilhar e celebrar. Na Missa da tarde festejaremos especialmente as Bodas Matrimoniais de muitos casais presentes (10º, 25º e 50º aniversário). Cada um desses casais demonstra a possibilidade real e os frutos verdadeiros do matrimónio cristão.

Concretizam a esperança, que eles mesmos alimentam para todos. Pois há quem duvide, hoje em dia, de que a família, biblicamente compreendida, seja viável. Aumentam as uniões de facto e propõem-se outras formas de “conjugalidade”, que contrariam a proposta bíblica e a tradição da humanidade em geral: complementaridade masculino-feminino e abertura à geração de filhos. Questiona-se até a possibilidade de manter hoje uma união una, indissolúvel e fecunda, como se propõe no sacramento do matrimónio…

Mas quem «se casa no Senhor» (cf. 1ª Carta aos Coríntios 7, 39), enfrenta as dificuldades que sempre surgem em qualquer caminho humano com a convicção crescente de que a Páscoa de Cristo (morrer para si e viver para o outro, ganhando-se plenamente no conjunto) é o modo mais completo e feliz de realizar a sua vida, pois «a felicidade está mais em dar do que receber» (Actos dos Apóstolos 20, 35).

É para partilhar e celebrar esta verdade vivida e convivida da família cristã, na tradição das gerações que se sucedem, que nos encontraremos em Mafra no próximo Domingo 25. Porque sabemos que é possível, desde que cumpramos a nossa parte na preparação e acompanhamento do matrimónio e da família; e porque serenamente o propomos, confiados na graça do Senhor Jesus.

– Lá vos espero!

+ Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa

SÁBADO – 17/MAlO/2014

SantaJuliaSalzanoSTA. JÚLIA SALZANO (1846-1929).“Ensinarei sempre o catecismo até ao meu último sopro de vida”, dizia esta italiana, fundadora da Congregação das “Irmãs Catequistas dO Sagrado Coração”. Designada pelo seu carisma como Mulher Profeta da Nova Evangelização foi canonizada em 2010.

Actos 13, 44-52 ; Sal 97,1-4 ; João 14, 7-14

SaoPauloPregaAMultidaoEmAntioquia“ELES EXPULSARAM-NOS DO SEU TERRITÓRIO.” (Act.13,26-33). Se quisermos qualificar o anúncio do Evangelho a partir dos dois textos, podemos falar de “novidade” mas também de “juventude”. A Boa Nova, radicalmente jovem, vem inserir-se num mundo cuja tendência é para a esclerose e o envelhecimento.  Isto está na natureza humana; desde o nascimento que a criança caminha inexoravelmente para a velhice. Todos os valores, bons em si mesmos, são indispensáveis à nossa existência, mas quaisquer hábitos e costumes contêm em si o gérmen do envelhecimento o qual tem um cúmplice no nosso desejo de tranquilidade.  Compreende-se a razão por a missão poder “tropeçar” na recusa das pessoas cujo universo mental e religioso está “emparedado”. Se os pagãos de Antioquia da Pisídia aderiam em massa à Boa Nova é porque O Espírito podia penetrar no seu coração ainda jovem ; mas igual esclerose estará sempre à sua espreita senão se antiverem em guarda contra a usura do tempo. O discurso de Jesus é um apelo à abertura do coração, mas mais importante que abri-lo é, depois, deixá-lo permanentemente aberto. Não se pode viver a novidade e juventude do Evangelho no passado, a Boa Nova é questão de “agora”. É neste exacto momento que vejo Jesus e, assim, descubro O Pai, é agora que eu acredito no que Ele me diz, que peço em Seu nome. Para retomar a expressão de Lucas, mas num sentido absolutamente oposto, é vivendo este “hoje” dO Espírito que eu expulso do coração tudo o que me envelhece.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e apresentação: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 16/MAlO/2014

BeatoVladimirGhikaBTO. VLADIMIR GHIKA (1873-1954). A 31/Agost. de 2013 foi beatificado em Bucareste este príncipe ortodoxo da Moldávia, pioneiro do apostolado laical que, convertido, foi sacer-dote na diocese de Paris.  Após uma vida dedicada ao serviço do próximo, morreu com 80 anos numa prisão da Roménia comunista devido às cruéis torturas que sofreu.

Actos 13, 26-33 ; Sal 2, 6-11 ; João 14,1-6

SaoPauloPregaEmAntioquia“ESTAMOS AQUI PARA VOS ANUNCIAR A BOA-NOVA…” (Actos 13, 26-33). As duas leituras da liturgia de hoje estão marcadas, para o leitor superficial, por um contraste surpreendente. Paulo, que vai tornar-se no personagem principal do relato dos Actos dos Apóstolos, entrega-se por completo à acção missionária. Ele dirige-se aos seus irmãos de raça esquecendo-se, por causa deles, de tal modo de si que chega a dizer: “Desejaria (para vossa salvação) ser eu mesmo anátema, separado de Cristo” (Romanos 9,3). Certo que é uma maneira de dizer, mas revela-nos um homem devorado por um desejo imenso de anunciar Jesus Cristo. Paulo irá percorrer a terra e sofrer o martírio por essa única razão.

“NA CASA DE MEU PAl HÁ MUITAS MORADAS” (Jo.13,26-33). No Evangelho de João, parece que todo esse mundo, que Paulo quer contribuir para salvar com todas as forças, está esquecido ao ponto de se poder falar dum “egoísmo a 12”. Estamos confinados a uma pequena sala confortável onde os discípulos falam apenas do lugar que cada um ocupará junto dO Pai. Uma pequena frase, todavia, abre de par em par as portas e as janelas e vai levar os ouvintes do discurso da Última Ceia a todos os caminhos da terra : “Há muitas moradas – bem mais que doze ! – na casa de Meu Pai”. Quem, como nós, por fim conhece aquilo a que, mais ou menos conscientemente, todo o homem aspira: um Caminho, uma Verdade e Vida, não gosta com certeza de viver numa casa onde a maioria dos apartamentos está vazia e sente necessidade de ir à procura dos irmãos “sem morada espiritual”.  Quem não tiver “fome de almas” dessa multidão enorme, com permanente solicitude de coração, desconhece o caminho que mais directamente conduz aO Pai.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e apresentação: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 15/MAIO/2014

SantoIsidro_OLavradorSTO. ISIDRO, O LAVRADOR (1070-1130). Humilde agricultor de Madrid, modelo de piedade e de caridade foi canonizado em 1622, no mesmo dia de STA. Teresa d’Ávila, STO. Inácio de Loiola, S. Francisco Xavier e S. Filipe de Néri.

Actos 13, 26-33 ; Sal 2, 6-11 ; João 14,1-6

Na sinagoga de Antioquia da Pisídia, Paulo dirige-se primeiro aos Judeus reunidos para o Sabath, e depois àqueles  a quem chama de “tementes a Deus” ou de “adoradores”. Estes eram os pagãos, atraídos pela grandeza do monoteísmo e pela elevada qualidade moral da vida judaica. Muitos voltaram-se para O Deus de Jesus-Cristo: a dimensão universalista da nova fé respondia bem às suas expectativas. Paulo retoma para eles as grandes etapas da história da salvação :  a eleição dos patriarcas, a saída do Egipto, o vaguear no deserto, a Terra Prometida, a promessa a David e aos seus filhos.

O DESÍGNIO DE DEUS (Jo.14,1-6).Jesus diz aos discípulos como ler as Escrituras: confrontando as promessas com o seu cumprimento. Sendo assim, este reflexo de leitura não diz respeito apenas à Bíblia, aplica-se também à nossa vida. Somos convidados a  procu- rarmos ver como Deus nos tem conduzido com coerência que, na maioria das vezes, nada tem de evidente, mas que, depois de desco-berta é fonte de alegria e de paz.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e apresentação: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 14/MAIO/2014

Em directo, 9h25: Audiência com o Papa Francisco.

S. MATIAS. Após a traição de Judas, Matias foi escolhido para ser o 12º Apóstolo.

Actos 1,15-17. 20-26 ; Sal 112,1-8 ; João 15, 9-17

Matias_DeitaramSortes“…A SUA PARTE DO NOSSO MINISTÉRIO.”  (Act.1,15-17.20-26).  Pedro quer reconstituir o grupo dos Doze que Jesus tinha chamado para estar com Ele em representação das Doze tribos de Israel. Mas Pedro evoca este papel em termos de serviço e de tarefa : “A sua parte do nosso ministério”, “a sua tarefa”. O primeiro termo é “diakonia”, que, em grego designa o serviço das mesas e da palavra ; o segundo é a “episkopè” que designa a supervisão e a vigilância. Só dois séculos mais tarde estes termos designarão esses ministérios. Nos primórdios da Igreja significavam “ser testemunhas da Sua ressurreição”. “FUI EU QUE VOS ESCOLHI…” (Jo.15,9-17). Confesso que já me interroguei muitas vezes sobre os critérios de escolha usados por Jesus. O apóstolo Matias, que hoje festejamos, certamente terá também levantado igual Questão : “Porquê eu ?” Com os Apóstolos, somos chamados a ser testemunhas da amizade de Deus para com todos os homens. Esta escolha advém do amor puramente gratuito dO Senhor, porque a amizade não busca tirar qualquer lucro da relação. Jesus já não nos chama servos, mas Seus amigos. Ele faz-nos entrar na Sua intimidade, no segredo do Seu Ser de Filho bem-amado. Mas o mesmo amor dO Pai e dO Filho é derramado nos nossos corações para também vivermos essa mesma amizade entre nós. Dizia o Ir.Cristovão de Tibhirine: “A amizade é a alegria do outro”. Façamos nossa a oração de STO Anselmo: “O meu ser pertence-Te inteiramente pela Tua criação; que ele Te pertença inteiramente também por amor”.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e apresentação: Jorge Perloiro.