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SEXTA-FEIRA – 9/MAIO/2014

SEXTA-FEIRA – 9/MAIO/2014

Actos 9, 1-20 ; Sal 116,1-2 ; João 6, 52-59

SaoPauloDerrubado_Damasco“ELE LEVANTOU-SE…” (Actos 9,1-20). O verbo “levantar-se” é um dos que apontam a ressurreição. Este primeiro relato da conversão de Saulo nos Actos dos Apóstolos descreve a entrada do jovem fariseu na Igreja, por meio de um percurso baptismal de iniciação à morte e ressurreição de Cristo. Saulo, derrubado pela visão, fica cego, e permanece três dias na noite, sem beber nem comer, passando pela morte. Mas todo o texto está saturado de verbos de ressurreição: “levanta-te”; “ele ergue-se”.  Quando Ananias lhe impõe as mãos, O Espírito de Deus ilumina Saulo e restitui-lhe a vista; o gesto do baptismo manifesta esta saída da morte que é ressurreição. Saulo recebe então o pão em alimento.

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 8/MAIO/2014

QUINTA-FEIRA – 8/MAIO/2014

Actos 8, 26-40 ; Sal 65, 8-9.16-17. 20 ; João 6, 44-51

FilipeBaptizaOEtiopeEunuco“O SEU DESTINO …” (Actos 8,26-40).  Mais que sobre“o seu destino”, o texto grego de Isaías que o eunuco estava a ler, interroga-se sobre “a geração” do servo, sobre a sua “descendência”: “Quem a poderá contar?” Maltratado pelos que o rodeiam, o profeta servidor é morto; suprimido da face da terra, não terá futuro, não terá descendência. Este texto despertou certamente no eunuco o eco doloroso da sua deficiência: ele não tinha descendência, no seu destino não havia qualquer esperança. Mas porque foi atingido na própria carne, o eunuco pôde acolher o anúncio de Filipe que lhe revela quem é Aquele que cumpriu a profecia por completo.   Jesus é O servo humilhado, condenado à morte, aparentemente sem descendência, mas que Deus reergueu dos mortos para lhe gerar uma multidão de irmãos.

“SE MEU PAI NÃO O ATRAIR…” (João 6,44-51).  Trata-se ainda mais uma vez da nossa relação com O Pai. Não há excepções: o mais modesto cristão, o mais pobre crente está sob a alçada dO Pai. “Ninguém pode vir a Mim se Meu Pai não o atrair”. O mesmo dirá S.Paulo dO Espírito Santo: isto é verdade não apenas para os“carismáticos”, até o acto de fé mais elementar acontece apenas sob a Sua inspiração.   “Eu vos declaro, ninguém pode dizer que “Jesus é O Senhor” sem ser pelO Espírito Santo”. Sim, cada um de nós, nos actos fundamentais da sua vida cristã, mesmo os mais simples ignorados pelos homens, está sob a acção da Santíssima Trindade… Mas pode surgir nos nossos corações uma inquietação: então, e os que não tenham estes favores divinos, não podem aceder à vida cristã ?  Jesus tranquiliza-nos: todos os homens são instruidos por Deus. De que forma? É o Seu segredo. Para todo o homem há um tempo, um momento, fixados pelO Pai na Sua sabedoria : pode ser no instante decisivo da morte, em que o homem se encontrará só diante de Deus e, num acto de soberana liberdade lhe é dado pronunciar o Sim ou o Não da sua eternidade. Jesus alerta-nos para uma vã presunção dos crentes, que por terem já vislumbrado O Pai na terra, se possam convencer que O reconhecerão nesse dia.  Não !, só Jesus viu O Pai. Nós, para vermos um dia O Pai, teremos primeiro que ir a Jesus, para O escutar, para conformar as nossas acções aos Seus ensinamentos, para nos alimentarmos d’Ele, Pão da vida.

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 7/MAIO/2014

QUARTA-FEIRA – 7/MAIO/2014

BTA. MARIA LUISA TRINCHET (1684- 1759). Fundadora, com S. Louis de Montfort, das “Irmãs da Sabedoria”, dedicadas ao ensino das crianças e cuidado dos doentes e pobres. Nas “Casas da providência” desta ordem, as Irmãs vivem com os orfãos, os velhos e os deficientes.   Foi beatificada, em 1993, pelo papa S.João-Paulo ll.

Actos 8, 1b-8 ; Sal 65, 1-3a . 4-7a ; João 6, 35-40

PedroJoaoEFilipeABaptizarNaSamaria“TODOS AQUELES QUE O PAI ME DÁ” (João 6,35-40).  Nós que temos a fé de Cristo, não estamos imunes a um certo farisaísmo: talvez digamos: nós somos os crentes e existem os outros, os não-crentes, senão malditos, pelo menos em risco de o serem. Jesus, neste evangelho, sublinha o carácter absoluta e divinamente gratuito da fé. Não apenas a fé é dom de Deus, mas nós mesmos, crentes, somos entregues pelO Pai a Jesus. Subtileza? Não! Só O Espírito Santo pode fazer-nos entender o significado de ser entregues pelO Pai a Jesus. A fé não é pois “alguma coisa” exterior a Deus de que nos possamos apropriar. Ela é a relação viva entre O Pai e O Filho no seio da Vida Trinitária. O Pai entrega-nos sem cessar aO Filho, e se O Filho acolhe os crentes, não é pelas qualidades que eles tenham, nem sequer pela sua fé ; mas, diz-nos Jesus, por causa dO Pai, porque Ele recebe tudo de Seu Pai e veio sómente para fazer a Vontade d’Aquele que O enviou.  Ao desprender-nos de nós próprios, Jesus não nos detem em Si mesmo e faz-nos voltar, com Ele, para O Pai.  Isto permanece um grande Mistério, impossivel de exprimir, mas é a única explicação que deveria arrastar o maior número de homens possivel, a partir de hoje, nesta relação entre O Pai e O Filho, para que O Pai em tudo seja glorificado. Quando ouvimos as testemunhas relatar a conversão, somos tocados pela mudança radical e profunda que se deu nas suas vidas. No seu itinerário, há claramente um “antes” e um “depois” desta descoberta de Deus.  Antes, a sua vida era marcada por uma grande fome não saciada mas, depois da experiência que lhe abriu o coração à fé encontram uma nova e definitiva orientação para a sua vida. Eles foram surpreendidos pela Presença de Cristo. A palavra de Jesus tomou neles carne e a sua alma ficou a partir daí saciada. No fundo do coração de quem acredita, abre-se uma porta. Cristo pode então entrar e levar-nos para essa Vida eterna. Aí, Ele é O Pão da vida, o alimento dos que n’Ele esperam.

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 6/MAIO/2014

TERÇA-FEIRA – 6/MAIO/2014

S. PETRONAX (670-747). Abade beneditino.  Restaurou o célebre mosteiro italiano de Monte Cassino, destruido pelos lombardos (581) e sarracenos e é por isso considera-do o segundo fundador, depois de S.Bento, deste berço da ordem beneditina.

Actos 7, 51–8,1a ; Sal 30, 3cd-4. 6ab. 7b. 8a.17. 21ab ; João 6, 30-35

MartirioDeSantoEstevaoENTRE AS MÃOS DO PAI (Actos 7,51–8,1a ; Salmo 30). Que contraste entre a cena da lapidação de Estêvão, tecida de brutalidade e de ódio, e os versículos do Sal.30 escolhidos como contraponto à primeira leitura! Este salmo, pronunciado por Cristo do alto da Cruz, retomado pelos primeiros mártires, é a resposta dO Justo perante o desencadear da violência. Quando um homem aceita deixar de dar livre curso á sua sede de vingança, ele abandona-se entre as mãos dO Seu Pai. “O Teu amor faz-me dansar de alegria: abriste uma passagem à minha frente”.

QUE SINAL? (Jo.6,30-35). Nós estamos dispostos a acreditar. Mas dá-nos ao menos um sinal “Faz” alguma coisa! Jesus responde não fazendo nada, com silêncio total sobre a Sua pessoa.Mas Ele retoma a argumentação dos interlocutores que pode resumir-se em três palavras: “Moisés -.- deu-nos -.- o maná” que substitue por: “O Pai -.- dou-vos(hoje) -.- O Pão verdadeiro”. Meditemos comparando cada um destes três elementos paralelos para ler a vida de hoje à luz desta afirmação de Cristo.   Não deveriam eles exprimir no nosso coração de crentes uma imensa alegria? Se muitas vezes andamos tristes e inquietos, não será por, tal como os Judeus, nos refugiarmos no Antigo Testamento, apenas tempo de Moisés e de sinais? Jesus suscitou aos Judeus o desejo dO Pão que Ele traz, tal como fez desejar a Água viva à Samaritana. Então pôde falar de Si mesmo e fê-lo: “Eu Sou O Pão da Vida”, e explicou esta declaração não com provas, demonstrações, mas com a garantia do seu efeito, do seu resultado: porque Eu sou O Pão, quem O comer ficará saciado. O pão não é para se ver, discutir, analisar, mas sim para alimentar. Como se dissesse : “Alimentai-vos de Mim; será então que vós Me reconhecereis por Aquilo que Eu sou. Partilhai O Pão que hoje vos oferece a Minha Igreja e conhecer-Me-eis verdadeiramente.

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 5/MAIO/2014

SEGUNDA-FEIRA – 5/MAIO/2014

S.ÂNGELO DA SICÍLIA (1185-1219). Carmelita aos 18 anos, na Palestina, foi enviado a Roma a defender a ordem.    Na Sicília combateu os cátaros (albigenses) e foi ali, enquanto pregava na igreja de S.Tiago de Licata, morto pelo marido duma mulher que ele convertera.

STA. JUDITE (1260). Viúva muito jovem, esta princesa viveu na solidão, na pobreza e na so-lidão.  A sua conduta virtuosa causou numerosas conversões.  É a Padroeira da Prússia.

Actos 6, 8-15 ; Sal 118, 23-24. 26-27. 29-30 ; João 6, 22-29

SantoEstevao_DiaconoEMartirA OBRA DE DEUS (Act.6,8-15). Não podemos esquecer que Jesus, Estêvão e Paulo foram atormentados e os dois primeiros mortos por homens religiosos convictos e não por perseguidores pagãos. O que estava em questão, era uma certa ideia de Deus, do Seu desígnio para os homens e da atitude a ter com Ele. Estêvão, como Jesus, espanta certos grupos de Jerusalém pela sua tranquila certeza, fruto de um grau de interioridade que lhes era desconhecido, só possivel com O Espírito Santo. Estêvão, “cheio de graça e de força (…) com a sabedoria e O espírito que marcavam as suas palavras”, inquieta-os pela sua audácia perante valores que lhes parecia impossível serem contestados : o Templo e a Lei. A observância religiosa, piedosa mas tacanha dos inimigos de Estêvão, não os deixa sequer suspeitar da liberdade de coração e de acção, fruto do verdadeiro conhecimento de Deus, da qual aliás o A.T. dá testemunho e preparava o desenvolvimento. Deixemos este texto tocar-nos profundamente e alertar-nos com mansidão : segundo o caso, pode criticar a nossa estreiteza e os nossos medos, ou fazer-nos sentir os limites duma vida interior cheia de hábitos que não levam a nada, ou ainda cortar cerce as audácias e as precipitações que não provêm da meditação amorosa da vontade de Deus. Se nos deixarmos conduzir,o texto esculpirá também em nós “um rosto de anjo”, não com face angélica triste mas, definitivamente, com traços de profundidade enérgica e potência calma.

ESSE PEQUENO PASSO QUE SALVA (Jo.6,22-29). Quando os interlocutores lhE perguntam o que devem fazer, O Mestre convida-os a mudarem de atitude : “ A obra de Deus é esta: acreditardes n’Aquele que Ele enviou”. Deus respeita tanto a nossa liberdade que agu- arda, como um mendigo, a esmola de um desejo do nosso coração para manifestar o Seu amor. Perante O Criador do céu e da terra, quem será o primeiro?  Seremos capazes de lhE manifestar este dom com as nossas obras, mesmo as mais geniais, ou muito simples-mente confiando n’Ele? Peçamos a Maria, que arriscou a vida ao pedido do anjo, para ousarmos dar esse pequeno passo que salva.

“Meditações Bíblicas”, Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard).  Recolha e síntese: Jorge Perloiro.