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SEXTA-FEIRA SANTA – 18/ABRIL/2014

SEXTA-FEIRA SANTA – 18/ABRIL/2014

Em directo, 15h50: Celebração da Paixão do Senhor

Em directo, 20h05: Via Sacra

Isaías 52, 13–53,12 ; Sal 30. 2. 6.12-13.15-17. 25 ; Hebreus 4, 14-16; 5, 7-9 ; João18,1–19,42

TomaATuaCruzESegueMeÉ verdade que Jesus nosso Senhor não sofreu uma longa doença, das que consomem o corpo pouco a pouco. Também não viveu bastante tempo para experimentar a velhice que fragiliza e diminue a pessoa que somos. Podemos escutar estes e outros remoques, por vezes ao sabor das nossas conversas, e são bem legítimos. E não não devemos varrê-los num gesto com as costas da mão como se não fossem ditos. Para melhor se responder às angústias da nossa época é indispensavel apoiar-nos nos textos bíblicos desta Sexta-Feira Santa. Porque, hoje, nós descemos com Cristo no Seu sofrimento e na Sua Paixão.    Ele, O filho de Deus feito carne, aceitou obedecer à vontade de Seu Pai para que o homem seja salvo da morte eterna. Ele não escapa portanto em nada à violência assassina gratuita e, menos ainda, ao suplício, apesar de inocente. Muitos homens e mulheres do nosso tempo retomam coragem no combate contra o mal, apoiando-se na força de Cristo em agonia. Em Jesus, eles vêem com esperança que a saída das suas provações é possivel e mesmo certa. “Aquele que atravessou os céus(…) não é incapaz de partilhar as nossas fraquezas, pois Ele foi provado como nós em tudo”. Contemplemos O Filho do homem sobre a cruz ; Ele estende os braços para abraçar o mundo que geme. O Seu silêncio não significa ausência de comunhão connosco.   Pelo contrário, Cristo dá-nos uma formidável ocasião para partilhar com Ele a cruz dos nossos medos e das nossas angústias.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

QUINTA-FEIRA SANTA– 17/ABRIL/2014

QUINTA-FEIRA SANTA– 17/ABRIL/2014

Em directo, 8h20: Missa Crismal

Em directo, 16h20: Missa in Coena Domini

Êxodo12,1-8.11-14 ; Sal 115.12-13.15-18 ; 1Coríntios11, 23-26 ; João13,1-15

CristoLavaOsPesAosApostolosA memória increve-se num gesto e ganha voz ! : “Fazei isto em memória de Mim”.   Esta frase central pode resumir o dia desta Quinta-Feira Santa.  Dia último, em que os sinais se vão inscrever em profundidade no coração e na vida dos discípulos e da Igreja, até aos dias de hoje.   Dia fundador da experiência pascal. Dia em que o serviço maior é o do lava pés.  Dia em que o dom total de Cristo Se fará no “Tomai e comei, este é O Meu Corpo”, e “Tomai e bebei, este é O Meu sangue”, precedendo a Sua morte e ressurreição. Dia fundador em que chega a hora de realizar a unidade entre a mesa e o serviço do irmão, entre a refei-ção da festa judaica da Páscoa e aquela, definitiva, da Eucaristia.  Os convivas desta refeição tiveram de passar por experiências inéditas : ver O Mestre levantar-Se da mesa e assumir a condição de servo ; expe-rimentar uma nova arte de viver a fazerem-se servos uns dos outros. Eles que seriam os caminhantes na fé, enviados a todas as nações, tiveram os pés lavados pelo Mestre. Eles continuaram a refeição e entraram no mistério do pão do caminho e no vinho da vida, dados para o perdão dos pecados, sinal da morte e da ressurreição dO Vivente.   Ganhar forças na fonte da vida e servir o irmão, tornar-se Corpo e Sangue de Cristo para amar este mundo à maneira de Cristo. Eis o que este dia fundamental dá aos baptizados.  A sua memória é celebrada com gravidade mas na alegria dO Evangelho. Este dia faz-nos orar com ousadia por e com o papa Francisco e os nossos bispos, por e com os actuais e futuros nossos sacerdotes, por e com todos os baptizados.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

QUARTA-FEIRA – 16/ABRIL/2014

QUARTA-FEIRA – 16/ABRIL/2014

Isaías 50, 4-9a ; Sal 68. 8-10. 21bcd-22. 31. 33-34 ; Mateus 26,14-25

SantaFace_Angelico“ENDURECI O MEU ROSTO…” (Isaías 50,4-9a).  Nós procuramos o rosto de Deus, o Seu rosto de glória. E eis a resposta da Palavra divina, dum escandaloso atrevi-mento: O Servo não é porém a resposta de Deus à questão do filósofo ; ela é a resposta pessoal que Deus dirige ao coração de todos os homens. Inacreditavel paradoxo : é através de um rosto de homem desfigurado, ridicularizado, à mercê dos insultos e dos escarros, – um rosto sem rosto – , que se nos revela a Face dO Deus vivo. Mas se Ele está assim abandonado à traição e à malícia dos homens, se Ele está assim totalmente desapossado de Si mesmo, no sofrimento e na morte, é por Ele ser a escuta perfeita da Palavra de Deus, disponibilidade absoluta à Vontade de Deus, pura relação filial a Seu Pai.  Ao entregar-Se assim, Ele revela-nos, num último nível de profundidade, o mistério do Amor gratuito, e a Glória d’Aquele que não se pode ver sem morrer. Ele revela-nos também o grau de expropriação de nós mesmos, que devemos aceitar para nos abrirmos à plenitude do mistério de Deus.  Ele ensina-nos, sobretudo, que está infinitamente próximo, e que podemos alcançá-lO e fazer a experiência da Sua Presença sempre que houver um sofrimento, uma humilhação… Hoje, à luz do rosto desfigurado de Cristo, podemos aprender a olhar e a amar todos os homens.

“SERIA MELHOR ESTE HOMEM NÃO TER NASClDO”(Mateus 23,14-25). Esta frase de Jesus mergulha-nos no drama pascal!  A figura de Judas, que nos acompanha toda a Semana Santa, aparece como uma antítese. Judas entregou Jesus por trinta moedas de prata.  Jesus entregou-Se como Servo tendo como única defesa o apoio dO Senhor. Judas só via o julgamento dos homens, ele estava submitido às autoridades terrestres. Nascido carnalmente, escolheu aí continuar. Jesus, através dO Servo, abre-nos outro caminho: confiar no julgamento de Deus.  Com Ele, não seremos confundidos, o que é terrestre não terá a última palavra, ela pertencerá aO Senhor.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

TERÇA-FEIRA – 15/ABRIL/2014

TERÇA-FEIRA – 15/ABRIL/2014

Isaías 49, 1-6 ; Sal 70.1-6ab.15.17 ; João 13, 21-33. 36-38

Judas“À LUZ DA PALAVRA”.  A experiência da traição é sem dúvida uma das mais comuns, na amizade, no casamento, no trabalho e no seio da própria Igreja. Não acusemos demasiado Judas, acontece que nós também traímos! Por vezes, atrai-çoamos pensan-sando fazer o bem. A palavra de Deus vem, hoje, dar luz às escolhas relacionais que fazemos : o nosso modo de agir é chamado a amar cada um como Cristo nos ama. A bitola das nossas relações, terá de ser a maneira de agir de Jesus. Compreende-se então a figura do Servo em Isaías. Nós somos essas ilhas longínquas, longe de Deus, longe dos homens.  Ele, O Servo, vem reconciliar as nossas relações com O Pai e entre nós.  Da 1ª leitura podemos recolher ainda uma frase que provavelmente já dissemos mais duma vez ao constatar o fracasso dos nossos esforços : “Fatiguei-me para nada…”  Mas O Pai vai realizar o Seu plano através do servo inútil e , no fracasso aparente de Cristo é que Deus Se vai glorificar.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

SEGUNDA-FEIRA – 14/ABRIL/2014

SEGUNDA-FEIRA – 14/ABRIL/2014

Isaías 42, 1-7 ; Sal 26.1-3.13-14 ; João 12,1-11

“EIS O MEU SERVO…” (lsaías 42,1-7). Nós podemos, antes de abordar as leituras de Isaías, que nos hão-de guiar progressivamente para a cruz de Jesus, sublinhar uma frase misteriosa do evangelho de amanhã : “Agora O Filho do homem foi glorificado e Deus foi glorifi-cado n’Ele”.  Jesus fala no passado.  Portanto, em todos os acontecimentos precedentes, de que a traição de Judas marca o desenlace fatal, Deus foi glorificado. Nós, que em princípio procuramos a glória e a revindicamos como razão de ser das nossas acções, deixemo-nos guiar para uma melhor compreensão do que é verdadeiramente para nós hoje a Glória de Deus. Uma coisa é de imediato evidente: por nós mesmos somos incapazes de o compreender; arriscamo-nos sempre ao equívoco. A prova são os sacerdotes que tinham lido, relido e inúmeras vezes comentado estas passagens de Isaías. Eles faziam o voto de procurar só a Glória de Deus, e aguardavam O servo ideal, o Eleito de Deus que, pelo poder dO Espírito, a manifestaria a todas as nações. E todavia não O reconheceram quando, em carne e osso, Ele veio para o meio deles. Esperavam um Cristo que viesse conformar a glória de Deus à sua própria glória, que viesse consolidar as seguranças da sua ciência teológica, da sua moral e religião, e assim confirmar a aliança firmada com Abraão e a sua descendência…  Não lhes atiremos porém pedras. Na vigília da Paixão, será que os apóstolos viram mais claramente ?

AUncaoEmBetania“A CASA FICOU CHEIA COM O ODOR DO PERFUME…” (João 2,1-11).  Na semana em que é proclamada a salvação da humanidade, a liturgia começa com a história de uma mulher, Maria, a der-ramar perfume nos pés de Jesus. Porquê?  Este gesto arrebatador de humildade, ditado pelo seu amor vai revelar-se profético. Maria de Betânia dá a Jesus um presente inestimavel, sinal de um amor sem limites e do reconhecimento da Sua dignidade única. É este perfume que se espalha na casa, na Igreja. O amor surgido da fé em Cristo, é a expressão do mistério escondido a todos os sábios e curiosos.  Maria teve a intuição da infinita gratuitidade do Dom de Deus, até à morte e sepultura. Nesta semana, vamos aproximar-nos do Seu mistério, acompanhá-lO na Sexta-feira na morte, e no silêncio da germinação de Sábado Santo, para nos erguermos com Ele na noite pascal. Vamos a caminho desse acto incrível em que Cristo nos dá a vida.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).