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QUARTA-FEIRA – 9/ABRIL/2014

QUARTA-FEIRA – 9/ABRIL/2014

Daniel 3,14-20. 91-92. 95 ; Daniel 3, 52-56 ; João 8, 31-42

OsTresJovensEOAnjoNaFornalhaArdenteNA FORNALHA (Daniel 3,14 – 20.91 – 92.95). Antigamente o cântico dos 3 jovens era a regra (ou quase), depois da missa, no cântico de acção de graças.  Talvez saibamos de cor as palavras retomadas hoje após esta leitura.   De facto, existe um elo muito forte entre a acção de graças e o sacrifício; e os cristãos sempre reconheceram nos 3 jovens as figuras proféticas do que eles deveriam ser. Em teoria é belo. Mas no facto em si?  Por mais irreal que a história pareça, ela ilustra bem a realidade quotidiana que nós temos de viver neste mundo, ainda que essa realidade pareça infinitamente mais suave. Fornalha, de facto, não há.  É sobretudo o cinzentismo, o nevoeiro, por vezes a obscuracidade onde se vai desenvolver a fé. Desenvolver-se?  Seria primeiro necessário que ela pudesse só sobreviver, quando o edifício da nossa fé nos surge tão frágil, inconstante, junto do colosso cujos adoradores parecem ter a última palavra. “E se afinal forem eles a ter razão?” O seu culto está muito bem orquestrado com todos os instrumentos que celebram o “Homem”, a “Sociedade”, a “Liberdade”, ou mais simplesmente o Lucro, o Prazer imediato. Seriamos vencidos se esta não fosse precisamente a hora em que, perdidas a seguranças demasiado humanas, a nossa fé se purifica no cadinho e quando pode, então, agir em nós a Força vitoriosa da Ressurreição de Cristo. Mas para isso temos que retomar a oração no mais secreto de nós mesmos e repetir O Nome onde se encontra a força dos mártires, abrindo-nos aO Espírito do nosso Pai que nos torna livres no meio da fornalha do mundo sem Deus.

“A VERDADE VOS FARÁ LIVRES” (Jo.8,31-42). No mundo grego, a “verdade”, (alètheia), designa um regresso para lá do esquecimento, um desvendar das realidades que o espírito humano tinha esquecido. Ela é da ordem do conhecimento, da visão das realidades ideais que precedem o ser humano. No mundo judeu, a dimensão da visão é substituida pela audição; trata-se de escutar a palavra de Deus. Porém Jesus, aqui, afirma tanto ter visto como ter escutado. Pouco lhE importam as imagens! A verdade é duma outra ordem: ela não é um regresso a um passado perdido, mas uma marcha activa para Alguém que, com a Sua Palavra, nos chama a Si. A verdade é a confiança que liberta de todas as prisões e nos permite agir e avançar para a Vida.  Aquilo que Jesus viveu na perfeição.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort   (Supl.Panorama, Ed. Bayard, Paris)

TERÇA-FEIRA – 8/ABRIL/2014

TERÇA-FEIRA – 8/ABRIL/2014

BeataConstancaDeAragaoBTA. CONSTANÇA DE ARAGÃO  (1247-1300).  Rainha de Aragão e mãe da rainha BTA. Isabel de Portugal.  A sua bondade era grande e Dante colocou-a no “Paraíso” da “Divina Comédia”.

Números 21, 4-9 ; Sal 101, 2-3.16-21 ;  João 8, 21-30

MoisesMostraASerpenteDeBronzeNÓS SOMOS ULTRAPASSADOS (Núm.21,4-9). A experiência do cristão, sabemo-lo, passa pelo deserto. Não um deserto de areia sobrevoado num avião a jacto ou percorrido no dorso dum camelo, mas o banal deserto da nossa existência quotidiana: um tempo – se meditássemos nisto ! – preenchido pelo diálogo e descoberta do outro.  Já vivemos a experiência do que pode ser a vida sem Deus. E gritamos aO Senhor: “Não escondas a tua face no dia da minha angústia”. Então, ao ver nas feridas dO crucificado as nossas próprias feridas, descobriremos um dos traços mais perturbadores do Amor maravilhoso que nos possui e compreenderemos que o nosso pecado é, para Deus, um mal bem pior do que para nós. Nos momentos mais escuros em que me julgo nos antípodas do amor, afinal é quando Ele  está mais próximo de mim do que eu do meu ser dividido… “Senhor, escuta a minha oração !”

A VERDADE TODA INTEIRA (João 8,21-30). A tensão cresce entre Jesus e as autoridades religiosas, com a Sua identidade a continuar-lhes escondida.    Jesus vive esta tensão sem se desviar do Seu propósito porque  está enraízado na Sua relação com O Pai, “que jamais O deixa sózinho”. Consigamos tempo para nos determos no laço que une o Pai aO Filho e peçamos aO Espírito Santo para nos levar à verdade toda inteira : a verdade de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que apenas o acontecimento pascal revela em plenitude. Sim !, o “Um da Trindade” assumiu, livremente e por amor, a nossa condição humana para nos reconduzir aO Pai !

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort   (Supl.Panorama, Ed. Bayard, Paris)

SEGUNDA-FEIRA – 7/ABRIL/2014

SEGUNDA-FEIRA – 7/ABRIL/2014

SaoJoaoBaptistaDeLaSalleS. JOÃO BAPTISTA DE LA SALLE  (1651-1719).  Para colmatar a falta de mestres com qualidade este sacerdote, nascido em Reims numa família nobre, fundou o “Instituto das escolas cristãs” que promoviam as 12 virtudes entre os mestres: gravidade, silêncio, discrição, prudência, sabedoria, paciência, reserva, bondade, piedade, zelo, vigilância, generosidade. Padroeiro dos educadores desde 1950.

Daniel 13,1-9.15-17.19-30. 33-62 ; Sal 22,1-6 ; João 8,1-11

CristoEAMulherAdultera“TAMBÉM EU NÃO TE CONDENO…” (João8,1-11). Contemplemos como, com a Sua palavra, Cristo abre um futuro à mulher adúltera.    Palavra que distingue a pessoa dos seus comportamentos e a faz sair da confusão : há orientações que conduzem à vida, mas há outras que levam à morte. Então não tenhamos medo de expôr-nos à palavra da verdade, tal como somos e não como gostariamos de ser. Aceitemos o que ela vem trazer de ordem à nossa vida tantas vezes
caótica  e “sobrecarregada” pelo fascínio de “ídolos” de múltiplos rostos. É necessário que esta palavra de Jesus não deixe de ressoar no nosso coração, que ela seja como música de fundo que habita a nossa alma e a mantém numa atmosfera de paz.  Dificilmente faremos o bem num ambiente de temor, no máximo evitaremos o mal. Mas se nos soubermos perdoados por Deus (dom sempre renovado), veremos crescer em nós o desejo, em troca, de amar, de ser e agir como filhos de Deus. Mas temos que ir ainda mais além, na tomada de consciência do perdão de Jesus: tal como a mulher adúltera, nós estamos “à Sua frente”. É pois necessário que durante esta Quaresma cultivemos mais este face a face, que não escondamos o nosso rosto e que, ao contrário, olhemos para a face desfigurada e humilhada de Cristo para nela descobrirmos a Sua ternura por nós. Ajuda-me Senhor a contemplar-Te na Paixão !   Esquecerei então quer os maus desejos do meu coração, quer os fariseus que me acusam e, sem mesmo dar por isso, deixarei de pecar.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort   (Supl.Panorama, Ed. Bayard, Paris)

V DOMINGO DA QUARESMA – 6/ABRIL/2014

V DOMINGO DA QUARESMA – 6/ABRIL/2014

Directo 11h., Angelus Domini

Directo 16h30, visita à Paróquia Romana de S. Gregório Magno

BeatoMiguelRuaBTO. MIGUEL RUA (1837-1910). Primeiro sucessor de S.João Bosco à frente da “Sociedade de S.Francisco de Sales”. “Don Rua transformou a fonte em rio”, declarou Paulo Vl ao beatificá-lo, em 1972.

Ezequiel 37, 12-14 ; Sal 129,1-8 ; Romanos 8, 8-11 ; Jo.4, 5-42

ARessureicaoDeLazaro“DESLIGAl-O E DEIXAI-O IR” (João 11,1-45). De que doença e de que morte se trata aqui? Com certeza daquela morte que põe fim às nossas existências terrestres mas também da morte do pecado, mais insidiosa, que nos corta Cristo Deus, “a ressurreição e a vida”. Que boa nova nos dá este texto, senão que Cristo é O vencedor da morte sob os dois aspectos evocados atrás ? Para Cristo, trata-se apenas de um sono, de uma passagem donde cada um pode regressar para com Ele partilhar a refeição : eucaristica, messiânica. Por isso Jesus chama Lázaro com voz forte, uma voz de vencedor, que nos traz à mente o versículo de S.Paulo : “Ó morte, onde está a tua vitória ?”  (1 Colossenses 15, 55), seja ela  morte biológica ou morte espiritual. Sinal de esperança, portanto, este 7º e último sinal do evangelho de S.João. A ressurreição de Lázaro prenuncia a Ressurreição de Cristo, da qual é mero sinal, pois Jesus apenas deu de novo (ao amigo morto) a sua anterior vida provisória. Apenas a Sua morte e ressurreição hão-de transfigurar definitivamente a nossa morte e a nossa vida. Há uma circunstância neste relato que nos causa espanto: porque se terá perturbado tanto Jesus, ao ponto de chorar perante o cadáver do seu amigo, se sabia que ia restituir-lhe a vida ?  Mas porque nos admiramos ? Também nós acreditamos na ressurreição e, apesar disso, não conseguimos reter as lágrimas diante dos despojos mortais de um ente querido.    Esta é pois uma forte nota da humanidade do nosso Deus encarnado. Mas não será que, por detrás das lágrimas de Cristo, não está ainda e também a visão dum mundo afastado dO Deus imortal, mundo em situação de pecado, que a morte e a dissolução do corpo simbolizam ? Assim como o mundo anterior a Noé ficou submerso nas águas do dilúvio, também Jesus, na Páscoa, vai tomar nossas vidas mortais para as submergir no Seu sangue. Os “Padres da Igreja” sempre estabeleceram esta relação entre o dilúvio e a ressurreição de Cristo, e convirá que retomemos hoje o tema para alimentar a nossa vida espiritual.  Por isso, quando Jesus chora sobre um morto, é ainda o céu que chora sobre a terra pecadora e, por isso, sabemos que este mundo antigo mergulhado na morte vai poder ressurgir de novo. Noé soube admirar e discernir no arco-íris a misericórdia  divina. A ressurreição de Lázaro, que Jesus tira do seu sono mau, é sinal de outro arco-íris que nos deve maravilhar ainda mais, cientes que, pela vitória de Jesus se selou entre o céu e a terra uma aliança total e definitiva. Corpo de Cristo salvai-me !, Paixão de Cristo confortai-me!, Senhor mandai-me ir para Vós!

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort   (Supl.Panorama, Ed. Bayard, Paris)