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1º SÁBADO – 5/ABRIL/2014

1º SÁBADO – 5/ABRIL/2014

SaoVicenteFerrerS. VICENTE FERRER (1350-1419). Dominicano espanhol, viveu no tempo da infeliz cisão religiosa do Ocidente. Morreu em Vannes (Bretanha) depois de ter percorrido os cami- nhos de Espanha, Itália e França, exortando os seus contemporâneos a uma penitên-cia radical e a uma conversão imediata. Seu lema era “Temei a Deus e dai-lhE honra”.

Jeremias 11,18-20 ; Sal 7, 2-3. 9bc-12 ; João 7, 40-53

OsSumosSacerdortesEOsFariseusEnviaramSoldados“A MULTIDÃO DIVIDIA-SE A SEU RESPEITO” Esta constatação do evangelista faz-nos pensar nas palavras de Jesus, quando diz : “Eu não vim trazer a paz à terra mas a divisão”. Não que Jesus seja um causador de problemas, mas porque diante d’Ele se manifesta o segredo dos corações : reconhecem Jesus os que têm o coração puro, os que desejam a pureza e a esperam de Deus; os outros não. As coisas não se alteraram: nas circunstâncias da nossa vida, do mundo e da Igreja, Jesus está simultaneamente escondido e manifesto – compete-nos discernir a Sua presença através da doçura e humildade do coração – “aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração”. Há porém que ter consciência de que não podemos evitar as contradições e a incompreensão e de que será necessário ter-se um coração compassivo (doçura) e um ânimo (vontade) forte.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris)

1ª SEXTA-FEIRA – 4/ABRIL/ 2014

1ª SEXTA-FEIRA – 4/ABRIL/ 2014

SantoIsidoroDeSevilhaSTO. ISIDORO DE SEVILHA (556-636). Bispo e Doutor da Igreja, salvou a cultura antiga do naufrágio universal que a ameaçava com a invasão dos bárbaros. Pai espiritual de muitas gerações e doutor universal de um milénio foi chamado de “último Padre da Igreja do Ocidente”. A oração era para ele o remédio do pecado. A última lição que deixou foi a sua morte santa: “Peço-vos que observeis a caridade entre vós; não deis mal por mal… perdoai e Deus vos perdoará”.

Sabedoria 2,1a.12-22 ; Sal 33,17-21. 23 ; João 7, 1-2.10. 25-30

JesusEnsinavaNoTemploMUITAS PERGUNTAS (Jo.7,1-2.10.25-30). Permanente esta lancinante questão acerca da pessoa de Cristo ao longo dos Seus 3 anos de vida pública:“de onde és Tu?”, “de onde vens Tu?”, “de onde procedes?”, “de onde saiste ?” Esta espécie de obsessão sobre a “proveniência” de Cristo culminará com a mesma pergunta feita a Jesus por Pilatos no decorrer da Paixão. Nós podemos colocar-lha igualmente: “de onde vens Tu, para ocupares na minha vida tamanho lugar ?” Eu sei que por Tua causa já não espero nenhum outro, porque Tu vens dO Pai és Tu que me levas a Ele.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris)

1ª QUINTA-FEIRA – 3/Abril/2014

1ª QUINTA-FEIRA – 3/Abril/2014

Êxodo 32, 7-14 ; Sal 105,19-23 ; João 5, 31-47

AdoracaoDoBezerroDouroA POTÊNCIA DAS ESCRITURAS (João 5,31-47). Todos nós experimentamos a força das Escrituras e a sua veracidade escutando o que delas diz Cristo : elas anunciam, elas atestam, elas desvendam através de Si o que já traziam de maneira ainda escondida. Elas são, de facto, a adequação exacta entre o que Ele anuncia e o que nos revela. Ele é o fruto maduro daquilo que as Escrituras tinham em germe. A Quaresma é o tempo favoravel para reassumirmos a potência radical das Escrituras. Cristo está ao nosso lado quando as lemos, as escutamos e, especialmente, quando as pomos em prática com o socorro da Sua graça. Depois das leituras cheias de alegria e de esperança do início da semana, é difícil não se ficar impressionado com a litania de recriminações dirigidas por Jesus aos seus interlocutores:“Vós não escutais a Sua voz”; “Vós nunca vistes O Seu rosto”; “A Sua palavra não habita em vós”; “Vós não acreditais em quem Ele enviou”; “O amor de Deus não está em vós”; “Vós não vos preocupais nem procurais a glória que vem dO único Deus”. Tudo o que Ele faz, nós afinal não fazemos ! Tal como ouvimos e compreendemos as palavras de consolação de Cristo é preciso ouvirmos e compreendermos as Suas recriminações. Recordemos as palavras do evangelho de S. João (6, 29) : “A obra de Deus é que vós acrediteis n’Aquele que Ele enviou”. Porque somos filhos nO Filho, se entrarmos numa relação pessoal com Ele, tornar-nos-emos irmãos uns dos outros. No tempo desta Quaresma, aprendamos com Jesus a viver como filhos bem-amados, e como Ele, na Páscoa, ressuscitaremos.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris)

QUARTA-FEIRA – 2/Abril/2014

QUARTA-FEIRA – 2/Abril/2014

SaoFranciscoDePaulaS. FRANCISCO DE PAULA (1416-1507). Eremita aos 19 anos, amigo da solidão e de Deus, viveu 6 anos numa gruta e depois obteve licença do bispo para construir um mosteiro no “monte Paula”, origem da “Ordem dos Mínimos”. Este taumaturgo “eremita da Caridade”,dedicava-se inteiramente a socorrer o próximo. Em 1562, os calvinistas profanaram a sua sepultura e queimaram o seu corpo incorrupto.

S.FRANCISCO COLL (1812-75). Este irmão prégador catalão foi um grande evangeliza-dor, numa época violentamente anti-clerical. Fundou a congregação de ensino das “Dominicanas da Anunciação”. Canonizado pelo Papa Bento XVI em 2009.

Isaías 49, 8-15 ; Sal 144, 8-9.13cd-14.17-18 ; João 5,17-30

“MEU PAl TRABALHA CONTlNUAMENTE…” S.João inicia aqui uma longa meditação sobre o mistério de Jesus, na dimensão mais profunda da filiação divina, da relação de Jesus com O Pai no seio de uma distinção das Pessoas, não menos essencial. Cita uma parábola vivida pelo próprio Jesus ; a parábola do aprendiz e do mestre artesão : “O Meu Pai está sempre a trabalhar”. O verbo utilizado sugere o trabalho operário de um artesão. O mestre artesão ama o aprendiz, “mostra-lhe tudo o que ele faz” e ensina-lhe todos os segredos da sua profissão. O aprendiz “está sempre com ele”, imita tão perfeita quanto possível cada um dos gestos que vê fazer ao seu mestre e evita alterar seja o que for. “O Filho não pode fazer nada por Si próprio; Ele faz apenas o que vê fazer aO Pai”. É assim Jesus com O Seu Pai; recebe tudo d’Ele e age tão identificado com Ele que se torna igual a Ele : “O Pai ressuscita os mortos e dá-lhes a vida, O Filho também dá a vida a quem Ele quiser”. Jesus é verdadeiramente igual aO Pai e por isso Ele é “O Seu Enviado”. Aqui entramos no cerne do cristianismo, no centro do mistério profundo dO Deus manifestado ao mundo, da transcendência divina que se anula a Si mesma para, em Jesus, se tornar acessível : rosto do Abismo sem rosto, Palavra de homem, portadora dO Verbo criador do mundo. Jesus “trabalha” tal como O Pai, em união indizível com O Pai, e a Sua obra é a criação do mundo – mais ainda – a sua recriação. Senhor !, como és grande ! Como é maravilhosa a obra das Tuas mãos !

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris)

TERÇA-FEIRA – 1/ABRIL/2014

TERÇA-FEIRA – 1/ABRIL/2014

BeatoCarlosDeAustriaBTO. CARLOS D’AUSTRIA (1887-1922). Eleito imperador da Áustria-Hungria, em 1916, tentou pôr fim à loucura mortífera da Primeira Guerra Mundial. Morreu exilado na ilha da Madeira. João-Paulo ll beatificou-o em 2004.

Ezequiel 47,1-9.12 ; Sal 45, 2-3. 5-6. 8-9 ; João 5,1-3a. 5-16

JesusCuraOParaliticoNaPiscinaDeBetzata“SENHOR, NÃO TENHO NINGUÉM PARA ME LEVAR À PISCINA…” Era a “lei da selva”, pois até naquela multidão de doentes só os mais fortes podiam chegar primeiro e ser curados. Situação espantosa que, no meio de tanta fragilidade, ainda o poder se imponha ! Mas Jesus vê as coisas de outra maneira. Ele nâo tem necessidade de mergulhar o doente na água; é a Sua própria palavra que cura e dá a vida. A regra de“o primeiro a chegar, será o primeiro a servir-se” fica abolida. Numa sociedade onde só os fortes conseguem encon-trar um lugar ao sol, e à custa dos mais pequenos, este evangelho recorda-nos como “cada um tem o seu lugar” e quanto Jesus “cuida dos mais frágeis”. Aprendamos a ajudar-nos uns aos outros a pôr-nos de pé. “Toma a tua enxerga e caminha !” Para interiorizarmos bem a mensagem das leituras de hoje tentemos “experimentar” o mistério da água, mais com o corpo e o coração do que com a mente. Talvez ela nunca nos tenha verdadeiramente faltado. Talvez tenhamos tido sempre água suficiente para beber, para nos refrescar, lavar, mergulhar. No mundo em que vivemos esta resposta imediata da água a todas as nossas necessidades faz-nos esquecer a dependência vital que dela temos. “Nossa irmã água”, dizia S.Francisco ; nós podemos dizer: nossa mãe água. Não é por acaso O Espírito Santo se chama “Água viva” ; não é em vão que O Coração de Cristo está aberto para dele jorrar água viva.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris)