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QUINTA-FEIRA – 27/MARÇO/2014

QUINTA-FEIRA – 27/MARÇO/2014

SaoJoseSebastiaoPelczarS. JOSÉ SEBASTIÃO PELCZAR (1842-1924).  Bispo de Przemysl, empenhou-se na formação dos sacerdotes, convencido que só um padre santo e modesto garante a santidade do povo e a boa formação da juventude. Fundou a“Congregação das Servas do Sagrado Coração de Jesus” para ajudar a promover essa devo-ção nos hospitais e nas famílias, numa época de crescente materialismo. O Papa João-Paulo ll beatificou-o em 1991 e canonizou-o em 2003.

Jeremias 7, 23-28 ; Sal 94,1-2. 6-9 ; Lucas 11,14-23

SEGUI ATÉ AO FlM O CAMlNHO (Jerem.7,23-28). De qualquer forma há que seguir um caminho: o “que vos indico” ou o apontado “pelos maus conselhos do vosso coração obstinado”? Ou se vira a cara para Deus ou as costas… Como fazer para hoje O olhar face a face e pôr os meus pas- sos a seguir os Seus ?  Será bom pensar nisto, abarcando todo o meu dia com o olhar, tal como normalmente irá decorrer, deixando que o “dedo de Deus” (Espírito Santo) me inscreva no coração um desejo renovado de seguir o que será hoje para mim o Seu caminho. Felizmente, no mundo haverá sempre muitos grupos, uma rede de pessoas, cristãs ou não, para quem “a fidelidade existe”.  Senhor !, quero fazer parte dessa rede de pessoas fiéis !

JesusExpulsaODemonioMudoOS EXEMPLOS DE UNIDADE (Lucas 11,14-23). O Maligno sente prazer em semear a divisão.  Esta diz respeito não apenas ao mundo em geral, mas também às comunidades cristãs, chamadas a ser exeplos de unidade: “O que dirá aos homens que sois Meus discípulos, será o amor que tiverdes uns pelos outros” (Jo.13, 35).   Sabemos o cortejo dos sentimentos que nos afastam uns dos outros: comodismo, procura de poder, orgulho, juízos, inveja… Para ficar unidos sigamos os conselhos de Cristo: permanecer junto d’Ele, reunidos com Ele. Cristo é O garante da unidade.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

QUARTA-FEIRA – 26/MARÇO/2014

QUARTA-FEIRA – 26/MARÇO/2014

BeataMadalenaMoranoBTA. MADALENA MORANO (1847-1908).  Esta “Filha de Maria Auxiliadora”, natural de Turim pedia a Deus a graça de “permanecer viva até alcançar a santidade”.   Exerceu o aposto-lado catequético e educativo na Catânia, Sicília, onde João Paulo ll a beatificou (1994).

Deuteronómio 4, 1. 5-9 ; Sal 147,12-13.15-16.19-20 ; Mateus 5,17-19

EU NÃO VIM ABOLIR, MAS COMPLETAR. (Deut.4,1.5-9).  As regras e proibições suscitam desconfianças. Quando propõe aos Hebreus uma legislação exigente, Moisés apresenta-a como uma forma superior de sabedoria que elevará Israel acima dos outros povos que dirão: “Não existe povo tão sábio e inteligente como o desta grande nação !”.  A OsDezMandamentos_Tissotlei de Moisés, que fez a grandeza de Israel e explica ainda hoje o seu destino excepcional, trransformou-se verdadeiramente na consciência do mundo. É esta lei vital do povo judeu, tão expressiva da sua personalidade religiosa, que Jesus veio “completar” ; sem definir aqui o Seu pensamento só sugere que há mais para lá da lei, para onde a lei está totalmente orientada.   Na continuação, no evangelho e, mais claramente, nas epistolas de S. Paulo, é-nos mostrado que esse “mais” é a vida dO Espírito Santo no coração de cada um, outro nome dO Reino de Deus. A lei prepara o coração para receber O Espirito, dom de Deus, força divina que eleva a nossa liberdade a partir do interior, que alivia o peso do mal num êxtase de amor filial, que fará de nós “filhos de Deus”. A lei prepara a vida para a  libertação nO Espírito, e, em troca, dá-lhe o seu pleno significado, o seu  “cumprimento”.   Porque recear então as suas proibições, que mais não são que sinais indicadores dos caminhos da liberdade?  A moral, toda a moral, só tem sentido se der orientações para se“adquirir O Espírito Santo”.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris).

TERÇA-FEIRA – 25/MARÇO/2014 ANUNClAÇÃO DO SENHOR

TERÇA-FEIRA –  25/MARÇO/2014    ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

Isaías 7,10-14;  8,10 ; Sal 39, 7-11 ; Hebreus 10, 4-10 ; Lucas 1, 26-38

“TU PREPARASTE-ME UM CORPO” (Hebr.10,4-10). O Sal.39 da liturgia canta : “Abriste-me os ouvidos (…) então eu disse:“Aqui estou!”  Mas a carta aos Hebros cita aqui a tradução grega: “Tu preparaste-me um corpo”, e coloca-as na boca de Jesus que veio para o meio dos homens. Porque o corpo humano, na Bíblia é o lugar da nossa relação com os outros e com Deus. Jesus viveu todas estas relações intensamente, com amor, até entregar o corpo, na confiança, remetendo-Se ao amor infinito de Deus.  Desde então, já não há necessidade de sacrifícios e é a vida dO Filho inteiramente dada a Deus, entregue ao Seu amor, que nos leva com Ele aO Pai. Jesus faz-nos entrar na oferenda que Ele mesmo é, na Sua própria santidade.

Anunciacao_Cambridge“FAÇA-SE EM MlM COMO DIZES” (Luc.1,26-38).  A Anunciação da Encarnação, não deve interromper a nossa marcha para a Páscoa. A resposta de Maria ao apelo dO Senhor é eloquente. O seu “sim” é total, a sua confiança, inabalável, a sua alegria, palpável. Este modelo poderia esmagar-nos, de tal modo nos sentimos distantes.  Todavia, não fujamos aos apelos dO Senhor e respondamos-lhE humildemente, tendo em conta a Sua graça: “Senhor, faz-me dizer “sim” até ao fim, fortifica a minha frágil fé e enche-me o coração da alegria de Te seguir”. O segredo de Maria está nesta humildade.    Ela sabe-se pobre, mas tem total confiança em Deus. Pela livre e perfeita adesão de Maria ao plano divino, nesse instante decisivo e único na história da humanidade, o tempo dos homens marcado pelas épocas e idades, tornou-se no tempo de Deus.   O Verbo ao encarnar no tempo – o tempo das nossas agendas e relógios – manifestou a Sua inexprimível Eternidade.  O desenrolar imprevisível da vida, com seus amanhãs cheios de incertezas, tornou-se para nós na manifestação, no anúncio (anunciação) da novidade, do dom de Deus da Sua juventude eterna, numa Páscoa sempre renovada.  Basta dizer “sim” com Maria, e repetir, sem cessar, esse “sim” à Encarnação dO Verbo em nós, vivendo cada parcela de tempo numa entrega total à Vontade dO Pai, no caminho que passa por Nazaré e nos leva a Jerusalém, lugar da Paixão, Ressurreição e manifestação dO Espírito.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)

SEGUNDA-FEIRA – 24/MARÇO/2014

SEGUNDA-FEIRA – 24/MARÇO/2014

SantaMariaKarlowskaBTA. MARIA KARLOWSKA (1865-1935). Monja polaca, fundadora da congregação das  “Irmãs Servas do Bom Pastor”, especialmente dedicada ao apostolado das prostitutas.  Beatificada por João Paulo ll em 1997.

2 Reis 5,1-15a ; Sal 41, 2-3; 42, 3. 4 ; Lucas 4, 24-30

EliseuCuraALepraDoSirioNaama“SE ELE TIVESSE PEDIDO ALGO DIFÍCIL…”(2 Reis 5,1-15a ; Luc.4,24-30). Confundimos simplismo com simplicidade. Somos feitos assim : quanto mais complicada é uma coisa mais profunda a consideramos.  E, todavia, nós cristãos sabemos que Deus é a Simplicidade infinita, e que o nosso progresso na vida do espirito começa com o desprendimento, para, à Sua imagem, nos tornarmos simples. Para se descobrir a profundidade duma coisa é necessário desembaraçá-la daquilo que a complica. Isto é ainda mais verdade no que respeita às relações com Deus, como se constata nas duas leituras. “Dizia para comigo (confessa Naamã) que o profeta falaria assim…  que faria isto e aquilo…” Os habitantes da Nazaré também não acreditaram que O Messias seria aquele seu conterrâneo, sem história, da sua aldeia… que eles conheciam por trabalhar com S.José.   Temos aqui um bom exemplo de situações com complexidades inúteis que nos cegam. Tudo começa na cabeça, com a imaginação a gerar ideias que nos endurecem e se transformam em preconceitos que nos blo-queiam e impedem de reconhecer Deus quando Ele vem visitar-nos: simples, simples como Ele é. Possa eu ter a meu lado, como Naamã, bons “servidores” que me mantenham no caminho da verdadeira simplicidade : agora com a primavera será talvez sufici- ente olhar para uma flor em botão.   Será porém necessário encontrar tempo para nela se reparar e poder vê-la como sinal!

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)

III DOMINGO DA QUARESMA – 23/MARÇO/2014

III DOMINGO DA QUARESMA – 23/MARÇO/2014 DIA DA CÁRITAS

Directo, 11h: Angelus Domini

SantaRebecaSTA. REBECA (RAFKA) AR-RAYES (1832-1914). Há 100 anos morria esta religiosa maronita que, na sua união a Cristo, bebia as forças para aceitar os sofrimentos físicos que a marcaram duramente. A 7/Out./1885, festa de NªSª do Rosário, ela ofereceu-se para partilhar os sofrimentos de Cristo e, desde aí, a sua saúde deteriorou-se ficando nos últimos 30 anos progressivamente cega e paralizada. Vivia em contínua oração, ajudando o convento nos trabalhos que podia fazer. Venerada no seu sepulcro no Líbano pelos milagres que aí realiza. João Paulo ll canonizou-a em 2001.

Êxodo 17, 3-7 ; Sal 94,1-2. 6-9 ; Romanos 5,1-2. 5-8 ; João 4, 5-42

JesusEASamaritana“DÁ-ME DESSA ÁGUA…” (Jo.4,5-42). Se hoje a humanidade se confronta com um desafio global, esse desafio é a carência de água potável, que a ONU reconhece como um direito humano fundamental. Poder-se-ia, neste domingo, aderir plenamente às recriminizações do povo que tem sede, e escutar o eco dos queixumes de todos os povos sofredores, porque é grande a “sede do mundo”. A humanidade está dependente da solidariedade internacional. Neste tempo de Quaresma, as nossas ofertas contribuem para fazer crescer a solidariedade. Muito concretamente, poços serão construidos e programas de irrigação apoiados. É quando se morre de sede que se descobre o valor inestimável de um fio de água, tal como os Hebreus no deserto , ou a Samaritana na hora de preparar a refeição e lavar a cozinha. É nesses momentos, nada atreitos a considerações místi-cas, que O Senhor vem ao nosso encontro e diz : “Eu sou a água viva !”. Mas, para além das “obras da Quaresma” em que tenhamos participado, qual é a nossa conversão? Será que nos apercebemos do alcance da conversão que Jesus opera e à qual Ele nos convida ? Eu preciso beber e digo : “Sem água pura não consigo viver”. Pois bem !,essa água, que é a vida da casa, é também sinal da Água verdadeira da qual eu tenho sede, da qual todos temos sede, e – maraviha ! – sinal da Água viva que tem sede de mim, que tem sede de nós.
Sob o sol ardente do deserto a sede levou o povo judeu a desafiar Deus, a pô-lO á prova. Jesus pede humildemente de beber a uma mulher que vem carregar a água do poço. O povo estava desconfiado, mas Jesus ensina a confiança. “Dá-me de beber” já não é um desafio, é um convite para entrar numa relação que revoluciona a ordem das coisas. Aquele que pede de beber será fonte, aquela de quem todos os judeus desconfiavam será vector de confiança para os outros. Entrar na confiança, à semelhança de Jesus nos caminhos da Samaria, é acreditar que a fé e a caridade se interpelam. Para me saciar, Cristo tem necessidade da minha sede, sede do meu desejo, que é em mim sinal da Sua presença. Porque eu possuo, ou melhor, sou já possuído pela “nascente maravilhosa a jorrar vida eterna”, e, para o descobrir, não é necessário interromper tudo (a cozinha e o resto) e ir a correr para a igreja… É no deserto de areia e saibro da existência, no caminho por vezes hesitante, que me exige coisas aparentemente impossíveis, quando talvez nem tenha tempo nem gosto para rezar, é nessa secura da alma que a Fonte vai jorrar. “Então, Senhor dá-me dessa água !”. “Aumenta em mim a fé e, do rochedo que és, brotará um caudal de água viva !”.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)