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19 nov 2022 «Não é um Deus de mortos, mas de vivos»

SÁBADO DA SEMANA XXXIII DO TEMPO COMUM

anos pares

Ap 11, 4-12; Sal 143 (144), 1. 2. 9-10; Lc 20, 27-40

Primeira leitura
Ap 11, 4-12
«Estes dois profetas atormentaram os habitantes da terra»
Leitura do Livro do Apocalipse

Foi-me dito a mim, João: «Eu mandarei as minhas duas testemunhas para profetizarem. São as duas oliveiras e os dois candelabros, que estão diante do Senhor de toda a terra. Se alguém lhes quiser fazer mal, sairá fogo das suas bocas para devorar os seus inimigos; se alguém lhes quiser fazer mal, assim deve perecer. Elas têm o poder de fechar o céu, para que a chuva não caia durante os dias em que profetizarem. Têm também o poder de transformar as águas em sangue e de ferir a terra com toda a espécie de flagelos, todas as vezes que quiserem. Mas quando terminarem o seu testemunho, o Monstro que sobe do abismo há-de fazer-lhes guerra, há-de vencê-las e matá-las. E os seus cadáveres ficarão estendidos na praça da grande cidade, que se chama simbolicamente Sodoma e Egipto, onde o seu Senhor foi crucificado. Homens de vários povos, tribos, línguas e nações olharão para esses cadáveres durante três dias e meio, sem que seja permitido dar-lhes sepultura. Os habitantes da terra alegrar-se-ão pela sua morte e felicitar-se-ão, enviando presentes uns aos outros, porque estes dois profetas tinham atormentado os habitantes da terra. Passados, porém, três dias e meio, entrou neles um sopro de vida, que veio de Deus, e eles puseram-se de pé, com grande espanto dos que os olhavam. Ouviram então uma voz forte vinda do Céu, que dizia: «Subi para aqui». E eles subiram para o Céu numa nuvem, à vista dos seus inimigos.

Salmo Responsorial
Salmo 143 (144), 1.2.9-10 (R. 1a)
Bendito seja o Senhor, rochedo do meu refúgio.

Bendito seja o Senhor,
o rochedo do meu refúgio,
que adestra as minhas mãos para a luta
e os meus dedos para o combate.

O Senhor é meu amparo e minha cidadela,
meu baluarte e meu libertador.
Ele é meu escudo e meu abrigo
e submete os povos ao meu poder.

Hei-de cantar-Vos, meu Deus, um cântico novo,
hei-de celebrar-Vos ao som da harpa,
a Vós que dais aos reis a vitória
e salvastes David, vosso servo.

Evangelho
Lc 20, 27-40
«Não é um Deus de mortos, mas de vivos»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e fizeram-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe mulher, mas sem filhos, esse homem deve casar com a viúva, para dar descendência a seu irmão’. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos. O segundo e depois o terceiro desposaram a viúva; e o mesmo sucedeu aos sete, que morreram e não deixaram filhos. Por fim, morreu também a mulher. De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher?». Disse-lhes Jesus: «Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos». Então alguns escribas tomaram a palavra e disseram: «Falaste bem, Mestre». E ninguém mais se atrevia a fazer-Lhe qualquer pergunta.

Tríduo da Solenidade de Cristo-Rei de Algés: 17, 18, 19 novembro

Os frutos da celebração de uma festa semeiam-se na sua preparação. Aproxima-se a Solenidade de Cristo Rei do Universo.

Na Igreja Paroquial de Algés, dedicada ao próprio Cristo, faremos o tríduo de preparação, com a oração, a pregação em vista da conversão, o terço e a possibilidade de confissões, seguindo-se a Santa Missa.

Dia 17, quinta-feira, às 18h
— para as crianças, com o Padre Gonçalo Cravo

Dia 18, sexta-feira, às 18h
— para os jovens, com a Irmã Júlia Capela

Dia 19, sábado, às 18h15
— para os casais, com o Padre Gonçalo Portocarrero 

Venha, participe e prepare condignamente a Solenidade de Cristo Rei.

ORAÇÃO DE INÍCIO

Ao Coração de Jesus


Coração de Jesus, fonte ardente de amor, nós acreditamos que nos amas com intensa ternura.
Nós te louvamos por nos teres associado ao ministério da reconciliação dos homens e do mundo.
Confirma-nos na fé e concede-nos o teu Espírito para que sejamos fiéis à vocação a que nos chamastes.
Coração de Jesus, nós nos consagramos hoje a Ti, para que faças de nós o que quiseres, certos de que o Teu amor tudo pode, tudo consegue e tudo santifica.
Nós te pedimos, Senhor, que faças o nosso coração semelhante ao Teu, para que possamos amar-Te cada vez mais e saibamos servir com amor o nosso próximo. Amen.

CONSAGRAÇÃO (NO FINAL)

Consagração ao Coração de Cristo Rei 


Verbo do Pai feito homem, neste dia do tríduo da Solenidade de Cristo-Rei do Universo, queremos consagrar-nos a Vós para sempre e tudo fazer para não nos separarmos do vosso Amor.

Desejamos que, em cada momento da nossa vida, sejais o nosso Mestre e Senhor. Entregamo-Vos o nosso ser, o nosso trabalho e sofrimento, a nossa alegria e toda a nossa vida.

Queremos ser só vossos, permanecer unidos ao Vosso Coração.
Tende misericórdia do mundo que vive na injustiça, na guerra, no ódio e em toda a espécie de mal e de pecado.

Convertei todos ao amor do vosso Coração de Cristo Rei, para que haja mais paz e justiça, menos guerra e fome, menos sofrimento e pecado.

Aceitai, Coração de Jesus, a nossa entrega e consagração. Fazei-nos apóstolos ardorosos e audazes do Vosso Coração e testemunhas vivas do Vosso amor infinito.

(texto do site do Santuário Nacional de Cristo Rei)

14.11-20.11.2022

Segunda-feira, dia 14

NA(S) PARÓQUIA(S):
08h00 Santa Missa – Cruz Quebrada (confissões a seguir)
18h00 Santa Missa – Miraflores (confissões às 17h30)
15h00 a 17h00 – Atendimentos pelo pároco, assuntos diversos (nos serviços paroquiais, 1º piso, Algés)
19h00 Santa Missa – Algés

NA DIOCESE:

Terça-feira, dia 15

NA(S) PARÓQUIA(S):
08h00 Santa Missa – Cruz Quebrada (confissões a seguir)
18h00 Santa Missa – Miraflores (confissões às 17h30)
18h00 a 19h00 – Confissões (Pe. António, 1º piso, Algés)
19h00 Santa Missa – Algés
19h30 Diálogo do pároco com os nubentes (prévio ao Matrimónio) e/ou encontro com os pais (em preparação do Baptismo). Nos serviços paroquiais, 1º piso, Algés (à terça-feira).

NA DIOCESE:

Quarta-feira, dia 16

NA(S) PARÓQUIA(S):
08h00 Santa Missa – Cruz Quebrada (confissões a seguir)
18h00 Santa Missa – Miraflores (confissões às 17h30)
18h00 a 19h00 – Confissões (Pe. António, 1º piso, Algés)
19h00 Santa Missa – Algés
21h00 Terço missionário – Cruz Quebrada
21h30 Ensaio para reforço dos coros – Miraflores (à quarta-feira)

NA DIOCESE:
15h00 Encontro de presbíteros – apresentação do itinerário de iniciação à vida cristã – Seminário dos Olivais

Quinta-feira, dia 17

NA(S) PARÓQUIA(S):
08h00 Santa Missa – Cruz Quebrada (Adoração do Santíssimo Sacramento, a seguir)
16h00 Santa Missa – Salão Paroquial (Pç. dos Combatentes da Grande Guerra)
17h00 Adoração do Santíssimo Sacramento – Miraflores
18h00 Santa Missa – Miraflores (confissões às 17h30)
18h00 a 19h00 – Confissões (Pe. António, 1º piso, Algés)
19h00 Santa Missa – Algés
19h30 Terço dos homens – Algés
– Tríduo a Cristo Rei

NA DIOCESE:

Sexta-feira, dia 18

NA(S) PARÓQUIA(S):
08h00 Santa Missa – Cruz Quebrada (confissões a seguir)
18h00 Santa Missa – Miraflores (confissões às 17h30)
18h00 a 19h00 – Confissões (Pe. António, 1º piso, Algés)
19h00 Santa Missa – Algés
– Tríduo a Cristo Rei

NA DIOCESE:

Sábado, dia 19

NA(S) PARÓQUIA(S):
09h00 Santa Missa – Algés
18h00 Santa Missa – Miraflores
19h00 Santa Missa – Cruz Quebrada (às 18h30, o Terço)
19h15 Santa Missa – Algés
– Tríduo a Cristo Rei

NA DIOCESE:
Jornada Diocesana da Juventude:
14h30 Check-in e acolhimento (Jardim Municipal de Oeiras)
16h00 Abertura (Jardim Municipal de Oeiras)
16h30 WorkShop’s (Escola Secundária Sebastião e Silva)
18h30 Concerto (Jardim Municipal de Oeiras)
20h00 Jantar
21h00 Vigília

Domingo, dia 20 – Solenidade de Cristo Rei

NA(S) PARÓQUIA(S):
10h00 Santa Missa – Miraflores
11h00 Santa Missa – Cruz Quebrada
12h15 Santa Missa – Miraflores
16h30 Catequese de Adultos (preparação para o Crisma, em Algés). Ao Domingo.
17h00 Adoração do Santíssimo Sacramento – Algés
18h00 Santa Missa – Algés
19h15 Santa Missa – Miraflores
– Pão por Deus – Apoio à Vida

NA DIOCESE:
Jornada Diocesana da Juventude
09h00
Check-in e acolhimento (Jardim Municipal de Oeiras) – apenas para quem participa no domingo
10h00 Oração da manhã (Jardim Municipal de Oeiras)
10h30 Conversa com o Cardeal-Patriarca (Jardim Municipal de Oeiras)
12h00 Abraço JMJ (Praia de Santo Amaro de Oeiras)
13h00 Almoço
15h30 Missa de envio (Jardim Municipal de Oeiras)
17h00 Encerramento



13 nov 2022 «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas»

DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM – Ano C

Mal 3, 19-20a; Sal 97 (98), 5-6. 7-8. 9; 2 Tes 3, 7-12; Lc 21, 5-19

LEITURA I
Mal 3, 19-20a
«Para vós nascerá o sol de justiça»
Leitura da Profecia de Malaquias

Há-de vir o dia do Senhor, ardente como uma fornalha; e serão como a palha todos os soberbos e malfeitores. O dia que há-de vir os abrasará – diz o Senhor do Universo – e não lhes deixará raiz nem ramos. Mas para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol de justiça, trazendo nos seus raios a salvação.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 97 (98), 5-9 (R. cf. 9)
Refrão: O Senhor virá governar com justiça. Repete-se
Ou: O Senhor julgará o mundo com justiça. Repete-se.

Cantai ao Senhor ao som da cítara,
ao som da cítara e da lira;
ao som da tuba e da trombeta,
aclamai o Senhor, nosso Rei. Refrão

Ressoe o mar e tudo o que ele encerra,
a terra inteira e tudo o que nela habita;
aplaudam os rios
e as montanhas exultem de alegria. Refrão

Diante do Senhor que vem,
que vem para julgar a terra;
julgará o mundo com justiça
e os povos com equidade. Refrão

LEITURA II
2 Tes 3, 7-12
«Quem não quer trabalhar, também não deve comer»
Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses

Irmãos: Vós sabeis como deveis imitar-nos, pois não vivemos entre vós na ociosidade, nem comemos de graça o pão de ninguém. Trabalhámos dia e noite, com esforço e fadiga, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não é que não tivéssemos esse direito, mas quisemos ser para vós exemplo a imitar. Quando ainda estávamos convosco, já vos dávamos esta ordem: quem não quer trabalhar, também não deve comer. Ouvimos dizer que alguns de vós vivem na ociosidade, sem fazerem trabalho algum, mas ocupados em futilidades. A esses ordenamos e recomendamos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que trabalhem tranquilamente, para ganharem o pão que comem.

EVANGELHO
Lc 21, 5-19
«Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

Aprendamos a viver em acção de graças

Homilia na Missa exequial de D. Daniel Batalha Henriques
Aprendamos com D. Daniel a viver em ação de graças

Irmãos caríssimos, entre todas as imagens que a tradição bíblica nos oferece, para entrevermos o rosto de Deus, a mais expressiva será precisamente a do Bom Pastor, que cuida do seu povo e de cada um dos seus crentes. Imagem que ganha total evidência na pessoa de Cristo, manifestada no Evangelho que ouvimos e com as caraterísticas que tem.
Bom Pastor que conhece as suas ovelhas, todas e cada uma, que cuida especialmente das mais frágeis e vai buscar a que se perde, chegando ao ponto absoluto de por elas dar a própria vida. A experiência cristã só acontece quando O sentimos assim em relação a nós, daí brotando confiança e ação de graças. Brota também algo mais, ou seja, que sejamos propriamente dos seus, quando com Ele nos tornamos também pastores para os outros, com idêntico cuidado e sentimento.
Di-lo claramente Cristo, em frases como estas, que conhecemos bem: «Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando … O que vos mando é que vos ameis uns aos outros … Amai-vos como Eu vos amei».
Neste momento em que agradecemos a Deus a vida e ministério de D. Daniel, tudo isto se torna ainda mais evidente, por ter sido maravilhosamente demonstrado em muito do que disse e do que fez. É por ter participado tanto e tão bem do Espírito de Cristo, que agora o sentimos presente e com ele continuaremos a contar no futuro. Porque a caridade – e a caridade pastoral, no seu caso – nunca acabará.
Poderia continuar assim, e muito mais haveria a dizer, partindo das Leituras que ouvimos e evocando a vida deste grande cristão que tivemos a graça de conhecer tão de perto. Acontece, porém, que ontem mesmo tive acesso a alguns escritos seus, que me deixou para ler após a sua morte. São de tal riqueza espiritual, de tanta verdade cristã por ele vivida, que não posso deixar de os partilhar convosco nesta homilia, que passa a ser propriamente sua.
Assim nos resume a sua vida em “O meu testamento”, texto que foi escrevendo de setembro de 2019 à Quaresma de 2020: «Do nada que sou, desta poeira ínfima na imensidão do tempo e do espaço, ouso elevar a Deus Pai todo o meu louvor e a minha adoração. […] Olho com profunda gratidão para aquele dia 6 de maio de 1966 em que, levado nos braços de meus queridos pais, fui iluminado pela graça batismal. […] Como um agricultor dedicado e providente, cuidastes desta semente através dos meus pais, destes-me catequistas que ajudaram a maturar a fé e o amor à Igreja, preparando-me para aquele dia maravilhoso em que vos recebi na minha primeira comunhão e onde pude exclamar com Santa Teresinha do Menino Jesus “Ah! Como foi doce o primeiro beijo de Jesus à minha alma!”. Agradeço-Vos a paciência nas minhas resistências à fé no tempo da adolescência e o modo como logo me envolvestes, de forma apaixonada, na Vossa Santa Igreja, através do grupo de jovens que integrei e da catequese que, ainda com quinze anos, comecei a dar a crianças pequeninas, no coro alto da capela de Ribamar. Louvo-Vos, Senhor, pelo dom dos sacerdotes na minha vida, pelos seus rostos e vidas concretas onde senti a Vossa presença carinhosa e solícita. […] Eu Vos louvo, Senhor, pela bênção incomensurável que foram os seminários que frequentei ao longo dos oito anos da minha juventude. O de São Paulo, em Almada (1982-1986) e o de Cristo-Rei, nos Olivais (1986-1990). Agradeço-vos os sacerdotes das suas equipas formadoras, que tanto me ajudaram a crescer como pessoa e como cristão, bem como a discernir os sinais vocacionais que me íeis enviando. […] Agradeço-Vos, Senhor, terdes-me chamado a uma mais íntima união convosco através do sacramento da Ordem. Ainda hoje me confunde ver como escolhestes um pobre jovem de apenas 24 anos para uma missão tão grandiosa: ser presença na terra do Vosso Coração ardente de amor e disposto a oferecer-se em oblação para que todos “tenhamos vida e a tenhamos em abundância”. […] Olho cheio de comoção e gratidão para estas três décadas de vida sacerdotal. Para as primícias, os sete anos em que integrei a equipa formadora do seminário de Almada. Em cada seminarista, um mistério de amor e de cuidado pelo vosso Povo, que me confiastes para ajudar a crescer e a amar-Vos sempre mais, na Vossa Igreja. Os vinte e um anos como pároco em Famões e Ramada, em Algés e Cruz Quebrada e em Torres Vedras e Matacães. Como Vos amei e fui amado, no meio e por meio do Vosso Povo Santo! Que dons incontáveis me concedestes! Como me fizestes crescer, também nas provações e nas incertezas!»
Finalmente, sobre o episcopado, como lhe surgiu e como o cumpriu: «E então, Senhor, fizestes-me chegar àquele dia dois de outubro de 2018, quando o Senhor Patriarca D. Manuel Clemente me deu a conhecer que, através do Santo Padre, me chamáveis ao episcopado. Confesso-Vos, Senhor, que demorou tempo a ter sobre tal um olhar verdadeiramente cristão. Uma profunda insegurança, medo, confusão e resistência interior, foram os primeiros sentimentos, demasiadamente humanos, que me assaltaram. Da minha doce e tranquila condição de pároco seria arrebatado para o mar encapelado de um futuro que verdadeiramente me apavorava. […] Mas depois, Senhor, a Vossa Graça me trouxe ao caminho certo, aos Vossos caminhos, não os meus. Lembrei-me como, desde o dia da ordenação sacerdotal, a nada me tinha negado de quanto a Igreja me pedira na pessoa do meu bispo, nada tinha escolhido e nada tinha preferido, Este “sim” constante, estou absolutamente certo, é obra Vossa e não fruto da minha carne e do meu sangue».
Um episcopado muito marcado pela doença que surgiu. Pela doença que viveu numa atitude inteiramente pascal. Oiçamos o que escreveu na Quaresma deste ano de 2022: «A Vós, Senhor, o meu canto de louvor. A Vós, toda a honra e toda a glória. Por puro dom da vossa liberalidade, destes-me a graça de ainda poder cantar os Vossos louvores nesta terra do meu peregrinar, mais de dois anos e meio depois de me saber doente de um cancro colonorretal particularmente agressivo. […] Muitos me falam em pedir um milagre, o milagre da minha cura. Mas para mim, Senhor, este milagre já se realizou. Melhor, é um milagre em progresso, que se renova com o passar dos dias e dos meses. […] Depois de alguns dias vividos em alguma perplexidade, logo a tempestade se acalmou e me fizestes navegar em águas tranquilas. […] Fizestes-me compreender que esta doença é uma nova missão que me convidais a abraçar, uma missão específica dentro do chamamento ao episcopado. Também isto me trouxe grande paz, Senhor: não encarar esta doença como uma limitação no ministério episcopal, mas antes uma forma de exercer o episcopado a que Vós, nos Vossos insondáveis desígnios, agora me chamais […]: a proximidade com quem mais sofre, o testemunho e confiança na adversidade, a experiência da alegria inefável que nasce da Esperança cristã, a certeza Pascal da vitória da Vida sobre a morte, a fecundidade da doença tornada dom salvífico, quando me uno a Vós. Tudo isto, vivido na carne macerada pela doença, para que se “complete na minha carne o que falta à Paixão de Cristo” (Col 1, 24)».
Concordemos, irmãos e irmãs, que quem vive e fala assim, já conhece tudo o que Deus nos oferece em Cristo, seja a nossa vida o que for e como for. Por isso mesmo, a fecundidade do ministério do nosso querido D. Daniel foi tão grande. E assim continua a ser, irradiando a Páscoa de Cristo. – Aprendamos com D. Daniel a viver em ação de graças. Por nós e por todos, por nós e para todos!
Sé de Lisboa, 5 de novembro de 2022
+ Manuel, Cardeal-Patriarca