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V DOMINGO DO TEMPO COMUM – 9/FEVEREIRO/2014

V DOMINGO DO TEMPO COMUM – 9/FEVEREIRO/2014

Angelus Domini com o Papa Francisco. Transmissão em directo, às 11h00:

Isaías 58,7-10 ; Sal 111, 4-8a. 9 ; 1 Coríntios 2,1-5 ; Mateus 5,13-16

“NÃO DESPREZAR O TEU IRMÃO.” (Isaías 58,7c). O povo queixava-se do afastamentoDeusGuiaOHomemJusto_Chagall de Deus.  Isaías tenta fazer  compreender a Israel ser ele que se afasta dO Senhor quando pratica um culto exterior, formal, interesseiro e des- ligado da vida. Como poderá a luz de Deus chegar aos corações sem ser pela brecha de abertura ao “outro”, para poder acolher O “Absolutamente-Outro” e reciprocamente?  E o profeta sugere-lhes um caminho de iluminação e de cura para esta doença que se assemelha a uma noite do espírito : praticar a justiça com os outros sem a qual a “caridade” é simples ilusão. Isto significa concretamente sair da indiferença, diminuir as desigualdades sociais, renunciar a explorar o pobre, recusar a a violência física, verbal ou económica. Não existe pois autêntica relação com Deus sem respeito pelo outro, sem cuidar do seu crescimento e autonomia. Cada um sabe como, nas provações, é grande a tentação do endurecimento, da cedência ao oportunismo e ao cinismo. O outro, então já não existe ou é instrumentalizado, enquanto ficamos mais e mais o centro do mundo e nos deixamos dominar pelas paixões, sejam elas a cobiça, a avareza, o medo ou o ódio.  Cabe a cada um propôr os actos simples que pode fazer : olhar à volta de si, deixar-se tocar pelo rosto do seu semelhante em humanidade (pobre, estrangeiro, sem-abrigo, etc.), trabalhar para restabelecer o equilíbrio desejado por Deus e roto pela avidez do homem. De que servirá orar aO Espírito “derramado em nossos corações”(Rom.5,5), se o caminho para Deus não passar pelo próximo, como diz Jesus aos “benditos de Seu Pai” (Mat.25,34), fustigando quem pretende amar Deus sem amar o próximo?

VosSoisOSalDaTerraO CHAMAMENTO DO DISCÍPULO (Mateus 13-16). Em Jesus, a Escritura é palavra e fonte. E foi com as palavras das Escrituras que Jesus enfrentou O Maligno no deserto. Na Galiléia, Ele anunciou que “O Reino dos Céus está próximo”, convidou-nos ao “arrependimento” e a deixar-nos tocar no coração por esse Deus tão próximo.  Ao passar nas margens do mar da Galiléia, chamou discípulos para O seguirem e se deixarem possuir pelo mesmo desejo de Deus.   Eram pescadores e passaram a ser “pescadores” de homens. Eles seguem-nO, porque a Sua palavra tem a clareza e a força de Deus. As multidões também O seguem vindas de toda a parte. Apresentam-lhE os doentes e Ele cura-os.
Jesus chama então os discípulos à parte, sobre a“montanha”, lugar de ensino e revelação. Jesus ensina-os e fala-lhes de Deus e dO Reino.    As Suas primeiras palavras são simples, límpidas, admiráves e dizem tudo.  São uma proclamação de felicidade – as “bem-aventuranças”- para quem se deixar moldar segundo o coração de Deus. A felicidade que Jesus anuncia é paradoxal: trata-se da felicidade dos pobres, dos corações simples e disponiveis para Deus, a felicidade dos que perdoam e aprendem a amar como Deus.  Por isso a palavra de Jesus é radical: “Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu porém, digo-vos: não resistais ao mau (…) Amai os vossos inimigos !(…) Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste”. Jesus expõe as exigências dO Reino e diz aos discípulos como satisfazer o desejo de Deus: “sal para a terra” e “luz para o mundo”. É para aqui que aponta a lei de Moisés, mas que só o alcança quando toca o coração do homem e o transforma.   Jesus revela aos discí- pulos os contornos imensos do amor de Deus e convida-os a viverem assim.   Ele ensina-os a desejarem que a Sua vontade se faça “na terra como no céu”. É a oração filial de Jesus que Ele nos transmite para orarmos da mesma maneira.  O “sermão da montanha” é um programa de longo alcance.   Um dia, reunidos à roda de Jesus, os discípulos espantar-se-ão: “tudo isto é impossível !”   “ Para os homens é impossivel, dirá Jesus, mas a Deus tudo é possivel” (Mateus 19,26).

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)     

SÁBADO – 8/FEVEREIRO/2014

SÁBADO – 8/FEVEREIRO/2014

1 Reis 3, 4-13 ; Sal 118, 9-14 ; Marcos 6, 30-34

“VINDE, RETIREMO-NOS…” Estar retirado, num “lugar deserto”, para aí repousar, é um desejo e uma necessidade vital para as nossas vidas sobrecarregadas. É importante que Cristo o tenha proposto aos Apóstolos, em plena vida apostólica.  Sim, precisamos retomar o alento, “recarregar as baterias”, mas não interessa como, se estivermos bem próximo d’Aquele que não tem “onde repousar a cabeça”.
É porque Deus vela incansavelmente por nós e sobre nós que podemos repousar.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)

1ª SEXTA-FEIRA – 7/FEVEREIRO/2014

1ª SEXTA-FEIRA – 7/FEVEREIRO/2014

AS CINCO CHAGAS DO SENHOR. Devoção antiga em Portugal, desde o início da nacionalidade. Presentes no escudo da bandeira, Camões regista-as nos Lusíadas: “Vede-as no vosso escudo, que presente Vos amostra a vitória já passada, Na qual vos deu por armas e deixou, As que Ele para si na Cruz tomou.

Isaías 53,1-10a ; Sal 21, 7-8.15.17-18. 22-23 ; João19, 28-37 ou Jo.20, 24-29

JesusTrespassadoPelaLancaNão me move, meu Deus, para querer-Te
o Céu que me tenhas prometido,
nem me move o inferno tão temido,
para deixar por isso de ofender-Te.

Só Tu me moves, Senhor, move-me ver-Te
pregado nessa Cruz e escarnecido.
Move-me ver Teu Corpo tão ferido,
movem-me Tuas ânsias e Tua morte.

Move-me, enfim, Teu amor, de tal maneira,
que amar-Te-ia embora Céu não existisse,
e sem inferno que temer, temor teria.

Nada tens que me dar p’ra que Te queira,
e mesmo o que espero, nunca esperasse,
com o bem que Te quero, querer-Te-ia.

S. João da Cruz
Santa Teresa d’Avila
(atribuído)

No original:

No me mueve, mi Dios, para quererte
el cielo que me tienes prometido,
ni me mueve el infierno tan temido
para dejar por eso de ofenderte.

Tú me mueves, Señor, muéveme el verte
clavado en una cruz y escarnecido,
muéveme ver tu cuerpo tan herido,
muévenme tus afrentas y tu muerte.

Muéveme, en fin, tu amor, y en tal manera,
que aunque no hubiera cielo, yo te amara,
y aunque no hubiera infierno, te temiera.

No me tienes que dar porque te quiera,
pues aunque lo que espero no esperara,
lo mismo que te quiero te quisiera.

1ª QUINTA-FEIRA –6/FEVEREIRO/2014

1ª QUINTA-FEIRA –6/FEVEREIRO/2014 

STOS. PAULO MIKI E CC, MÁRTIRES DO JAPÃO (1597). S.Francisco Xavier iniciou aSaoPauloMikiECompanheiros evangelização do Japão em 1549 e, graças ao trabalho dos missionários jesuítas e franciscanos, 20 anos depois existiam já 200.000 cristãos nas ilhas, entre os quais muitos nobres e senhores feudais. Em 1588 todos os missionários receberam ordem de expulsão do imperador que carecia de poder político após prolongada guerra civil. Contudo muitos ficaram e apenas em 1592, com a chegada de outros franciscanos a perseguição se intensificou. O número dos mártires foi de 26, entre os quais seis franciscanos, 3 jesuítas, incluindo Paulo Miki, e 17 leigos japoneses (dois, já prisioneiros, foram aceites na Companhia), entre os quais dois rapazes e um menino que ajudavam os sacerdotes durante a missa. Após tortura prolongada foram crucificados numa colina próximo de Nagasáki.

1 Reis 2,1-4.10-12 ; 1Crónicas 29,10-13 ; Marcos 6, 7-13

APRENDER A VIAJAR SEM CARGAS INÚTElS (Marcos 6,7-13). Aprender a desembaraçar-nos na vida do supérfulo, é a recomendação que talvez nos faça O Senhor com aquilo que ordena aos discípulos para praticarem na sua missão. Nós somos também enviados por Cristo em missão e, porque somos enviados, teremos igualmente que aprender a viajar mais ligeiros, sem levarmos cargas inúteis !
Há-de ser a aprendizagem desta nova obediência que nos ajudará a aceitar a dependência uns dos outros, a ligação de uns aos outros.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)