QUARTA-FEIRA – 27/ABRIL/2016

a_EuSouAVinhaBTO. NICOLAU ROLAND (1642-1678). Preocupado com a formação cristã da infãncia, fundou, em Reims, as “Irmãs do Menino Jesus” destinadas ao ensino das escolas de meninas pobres, então excluidas de toda a instrução. Foi director espiritual de João Batista de La Salle, que continuou a sua obra. “Deus não separa a caridade com Ele da que nos pede pelos irmãos”. Beatificado por S.João-Paulo ll, em 1994 .

STA. ZITA (1212-72). Nascida em Luca (Toscana), num lar humilde, Zita entrou com com doze anos ao serviço da família dos Fatinelli, perseverando até à morte com admiravel dedicação, paciência e caridade (dava até da dispensa do patrão…).

Actos 15, 1-6 ; Sal 121, 1-5 ; João 15, 1-8

“SOU A VINHA, VÓS, OS SARMENTOS… ” ( Jo. 15,1-8) . lmagem evocativa da segurança indestrutivel que advem da união a Cristo. A seiva vivificante de Cristo passa infalivelmente nos sarmentos. Os frutos abundantes não vêm acrescentados do exterior e eles são a expressão desta adesão recíproca. S. João coloca-nos na presença de duas realidades : a do dom e a da aceitação da responsabilidade. A primeira é o dom da vida e da fé, do seu crescimento e frutificação. Mas a revelação deste dom vem a par com o apelo para “permanecer” enxertados em Cristo. Trata-se de se deixar vivificar pela Sua seiva nutritiva. Interroguemo-nos sobre os meios utilizados para se honrar este apelo : a oração, a meditação da Palavra, a participação nos sacramentos, o trabalho de compreensão da fé, os encontros com os nossos semelhantes… Os frutos serão necessariamente abundantes. As imagens de Jesus são de uma riqueza inesgotável. Na imagem da imagem da vinha é o agir dO próprio Cristo que passa para o crente. O crente é extremamente activo! Ele é “movido”, posto em movimento, por esse agir de Cristo que o leva a produzir muito fruto. Um agir tanto mais eficaz quanto mais nos deixarmos mover por Ele. O contrário de um activismo agitado, de um agir por si mesmo, por mais eficaz que isso seja aos olhos do mundo. Os sarmentos nada são sem a cepa, mas o fruto é deles.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 26/ABRIL/2016

Actos 14,19-28 ; Sal 144, 10-13ab. 21 ; João 14, 27-31a

“A MlNHA PAZ ” ( Jo. 14,27-31a) . O início desta passagem da última prégação de Jesus merece ser traduzido palavra por palavra, por mais estranho que seja o resultado do texto português a que se chegar: “Deixo-vos a paz ; uma paz – a Minha – que a dou a vós”. Esta não é uma “paz” qualquer, é a de Jesus; e Ele não se contenta em a “ deixar”, como se deixa um objecto ao partir, porventura esquecido: Jesus “dá” expressamente essa paz como uma dádiva, como algo muito precioso que nos trará felicidade. Ora se Jesus está disposto a dar-nos a paz é porque pode dispôr dela. E se Ele a dá, é ainda porque deseja que também seja nossa. Num dom desta magnitude o que conta não é o que se dá, mas sim a relação que se estabelece entre que m dá e quem recebe. Qualquer presente em si mesmo – mesmo sendo algo tão precioso como esta misteriosa “paz” – apenas acrescenta uma nota suplementar à alegria da partilha comum. Que este dom nos tenha sido concedido no momento da Sua partida, tem o significado profundo de que a relação criada não irá sofrer com a separação : permaneceremos e manter-nos-emos unidos até que Ele venha.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 25/ABRIL/2016

a_SaoMarcosEvangelistaS. MARCOS, EVANGELlSTA Após ter posto a sua casa à disposição dos primeiros cristãos, ele acompanhou S. Paulo e depois S.Pedro nas suas viagens. Escreveu a pregação de Pedro, compondo assim o Evangelho segundo Marcos, antes de partir para Alexandria (43 d.C.) onde fundou a Igreja Copta e terá sofrido o martírio.

STA. MARIA EUFRÁSIA PELLETIER. Nascida na Revolução Francesa, conservou intacta a sua fé e têmpera de espírito. Fundou o “Instituto das Irmãs do Bom Pastor”, para regeneração das mulheres transviadas e amparo das que estavam em perigo.

1 Pedro 5, 5b-14 ; Sal 88, 2-3. 6-7. 16-17 ; Marcos 16,15-20

A HUMILDADE EM PRIMEIRO LUGAR (1 P. 5,5b-14). “Revesti-vos de humildade no trato uns com os outros…” Revestir-se de humildade será revestir-se de Cristo, “manso e humilde de coração” (Mat.11,29). Sabendo que a humildade é o receptáculo da graça, ou seja dos dons dO Espírito, da misericórdia, do abandono, do repouso… tudo coisas que nos permitem resistir à tentação da desesperança quando chegar a adversidade. Porque, ao posicionar-nos como criaturas amadas por Deus, renunciando às pretensões de domínio, ficamos mais livres para discernir através do que nos acontece, a mão abençoadora dO Senhor e Mestre das nossas vidas.

“PROCLAMAI A BOA-NOVA A TODA A CRIATURA… ” ( Mar. 16,15-20) . Este evangelho é um autêntico envio em missão: “Ide pelo mundo inteiro! Proclamai a Boa-Nova a toda a Continue a ler SEGUNDA-FEIRA – 25/ABRIL/2016

V DOMINGO DO TEMPO DA PÁSCOA – 24/ABRlL/2016

a_JerusalemCelesteS. BENTO MENNI (1841- 1914). Este milanês descobriu a sua vocação aos 18 anos, na gare de Milão, repleta dos soldados feridos na batalha de Magenta (1859, na 2ª Guerra da independência da Itália contra a Áustria), ao ver como eles eram tratados pelos Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus. Maravilhado, pediu a admissão e recebeu o hábito no ano seguinte. Foi ordenado em 1866, e no ano seguinte, com apenas 26 anos, foi enviado pelo papa Pio IX a Espanha, para ali restaurar sua Ordem. Perante a urgente necessidade de atendimento das mulheres doentes mentais, fundou (com Maria Josefa Recio e Angustias Gimenez, em 1881) a “Congregação das Irmãs Hospitaleiras”. Ele mesmo implantou a Congregação em Portugal. Homem de caridade inesgotável e de excepcionais dotes de governo, foi testemunha fiel do amor de Deus aos mais pobres e marginalizados. Quando morreu em Dinan (França), existiam já 22 grandes centros entre asilos, hos- pitais gerais e hospitais psiquiátricos. O papa S.João-Paulo II canonizou-o em 1999.

Act.14, 21b-27 ; Sal 144, 8-13ab ; Apoc. 21,1-5a ; Jo.13, 31-33a. 34-35

TUDO COISAS NOVAS (Apoc.21,1-5 a). Para os leitores familiarizados com a Escritura, estes 5 versículos do Apocalipse despertam múltiplas ressonâncias, que manifestam o cumprir das profecias e o regresso à história entre Deus e a humanidade, colocada sob o signo de uma rotura original com carácter dramático. Isaías anunciava a criação dos novos céus e nova terra bem como o fim de um passado doloroso (Is.65,17). Ezequiel deixava entrever a renovação da aliança e a proximidade da “morada de Deus”, ou seja a Sua presença activa no meio do Povo (Ez.37). Aquilo que, igualmente, referia a profecia dO Emanuel (Is.7). E se, no Capítulo 3, do Génesis – relato da expulsão de Adão e Eva do paraíso – se descrevia a separação dos humanos de Deus, aqui hoje, nestes versículos do Apocalipse garante-se a reversão da maldição de uma vida cheia de morte e lágrimas. A Igreja, sob a figura da Cidade Santa, Esposa dO Cordeiro, dá-nos a contemplar a Aliança renovada e definitiva, selada na Páscoa de Cristo, acontecimento que muda irrevogavelmente o curso da história colectiva e as nossas histórias individuais. Deus revela-Se como Aquele que consola e recria pelo dom dO Seu Filho. Será que que já alguma vez fizemos, pessoalmente, a experiência luminosa da consolação que vem de Cristo ? Experiência que nos terá deixado entrever toda a glória e peso da novidade instaurada por Cristo ? Mas como conhecemos as lágrimas e o sofrimentos daqueles que nos são próximos, faremos muitas vezes perguntas a que o texto bíblico não dá resposta. Ele apenas nos propõe um caminho de fé, num desejo atravessado pela esperança.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.