SEGUNDA-FEIRA – 20/ABRIL/2015

S.TA INÊS DE MONTEPULCIANO (1274-1317). Aos 14 anos era ecónoma num mosteiro que seguia a regra de S.TO
Agostinho, onde a sua obediência e espírito de penitência foram recompensados com graças especias: entrega do Menino Jesus por NªSª, comunhão trazida por um anjo, aparição de S.Domingos a chamá-la à sua Ordem, etc. Ela obedeceu e fundou uma comunidade de 20 religiosas dominicanas em Montepulciano. A obediência e a confiança de Inês na providência divina, revelada por Jesus a S.TA Catarina de Sena, eram tão grandes que S.TA Catarina se tornou sua grande admiradora, evocando-as no “Livro dos diálogos” que ditou.

Actos 6, 8-15 ; Sal 118, 23-24. 26-27. 29-30 ; João 6, 22-29

“TRABALHAl PELO ALlMENTO QUE PERDURA E DÁ A VlDA ETERNA…” (Jo.6,22-29). Este evangelho convida–nos a que procuremos Cristo com a multidão e, portanto, que nos deixemos deslocar interiormente. Não estaremos, tal como os contemporâneos de Jesus, desejosos de ver cessar as nossas dores e aceder à felicidade prometida pelO próprio Senhor? Tal como eles, é-nos porém necessário viver tempos de decepção, pois Deus não nos dá obrigatoriamente “o pão que procuramos”, quer se trate de êxitos humanos ou de experiências espirituais gratificantes. Perguntaram a Jesus: “Que faremos para realizar as obras de Deus? Jesus respondeu-lhes : “A obra de Deus é esta: crer n’Aquele que Ele enviou”. A pergunta ajusta-se bem à mentalidade moderna, sobretudo de nós ocidentais, para quem, ser eficaz implica sempre “fazer coisas”. Na verdade devemos agir, mas Jesus lembra que a fé é o fundamento da acção cristã, ou seja dos actos que perdurarão para além de si mesmos. Assim, se as obras que fizermos não estiverem impregnadas dos ensinamentos dO Evangelho, arriscamo-nos a trabalhar só para o alimento que perece. É útil ouvir hoje esta lição, por haver tão grande consciência das necessidades temporais dos irmãos. As nossas barcas humanas são bem frágeis para se passar de uma para a outra margem. Na realidade, somos incapazes de o fazer, basta-nos compreender que estas barcas são a existência humana e que a outra margem é a margem da vida liberta da morte. Somente Cristo nos pode permitir ser bem sucedidos nessa passagem, nessa Páscoa: Ele é O único vencedor da morte. Se já somos tão impotentes para viver por nós mesmos, como não achar irrisória a pergunta: “Que havemos de fazer para realizar as obras de Deus?” Mas terá Deus necessidade de nós ? E, todavia, Ele quer ter necessidade de nós ! Mas trata-se menos de “fazer as obras de Deus” do que acreditar na obra que Deus realiza em nós, pelO Seu Filho, “Ele que O Pai marcou com o Seu selo”. O baptismo inscreve em cada crente esta marca.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

lll DOMINGO DE PÁSCOA – 19/ABRIL/2015

S. TIMÃO (séc.I). Um dos sete primeiros diáconos escolhidos pelos apóstolos: Estêvão, Filipe, Prócuro, Timão, Parmenas e Nicolau. A tradição afirma que ele teria mais tarde evangelizado a região de Corinto onde teria sido martirizado e morrido na cruz.

Actos 3,13-15.17-19; Sal 4,2.4.7.9; 1João 2,1-5a; Lucas 24,35-48

“PORQUE ESTAIS PERTURBADOS…?” (Luc.24,35-48). A pergunta de Jesus não é retórica. Ela toca na vida dos Seus discípulos. Eles estão perturbados por causa da morte do seu Mestre, do seu amigo, d’Aquele que eles tinha querido seguir – com hesitações, sem dúvida – e que morrera de uma forma injusta e escandalosa. Era pois impensável para eles reconhecê-lO vivo no meio deles! Todavia, Jesus tinha anunciado repetidamente o Seu precurso de morte e de ressurreição… O episódio de hoje ilustra bem a convicção da presença de Cristo onde dois ou três estiverem reunidos em Seu nome. Essa presença não está ligada a nenhum lugar sagrado mas à comunidade onde circula a palavra sobre a experiência de Cristo ressuscitado. Esta irrupção dO Senhor suscita a todos sentimentos opostos (terror, medo, espanto, alegria), mas tem consequências e abre-nos à “compreensão das Escrituras”. A insistência é própria de Lucas: desde o início da Sua vida pública (Luc.4) e após a Sua ressurreição (Luc.24), Jesus explica as Escrituras. Os Actos vão prosseguir este trabalho de exegése, retomando os textos a que chamamos de Antigo Testamento para demonstrar o seu pleno cumprimento em Cristo. Mas será que fazemos um esforço para o compreender? Teremos o cuidado de memorizar passagens para criar uma memória bíblica e o hábito de fazermos dialogar os dois Testamentos?
É verdade que a fracção do pão permitiu aos discípulos reconhecerem O Seu Mestre, mas não sem referência às Escrituras, que os levavam a ter mais consciência que O Ressuscitado era O Crucificado. Tenhamos nós também a certeza que a Bíblia autentica a verdade da nossa experiência espiritual, no dinamismo que faz passar da dúvida à fé, do medo à confiança, da tristeza à alegria. Tal como para os discípulos, o sofrimento continua a ser para nós uma pedra de tropeço e podemos perfeitamente ler as Escrituras sem entender nada do que nos acontece. Tal como eles, ficamos por vezes bloqueados pela nossa incompreensão. Então, peçamos aO Senhor para que abra o nosso espírito à inteligência das Escrituras, para que elas deixem de ser-nos exteriores e se tornem num princípio de sentido e de unidade, em poder de cura e de renovação da nossa vida. Mas nunca nos admiremos de caminharmos numa cumeada muito estreita entre a fé e a dúvida. Afinal, não será isso próprio de toda a busca autêntica de Deus?

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama,  Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 18/ABRIL/2015

a_NaoTenhaisMedoBTA. MARIA DA ENCARNAÇÃO (1565-1618). Conhecida na vida social por “Bela Acarie”, depois da morte do marido tornou-se Carmelita. Antes já favorecera a introdução em França do Carmelo reformado de Santa Teresa d’Ávila e chamara religiosas espanholas para, com elas e quem as seguisse, fundar 4 conventos.

Actos 6,1-7 ; Sal 32, 1-2. 4-5.18-19 ; João 6, 16-21

“NÃO TENHAIS MEDO…” (João 3,31-36). Os discípulos tinham embarcado para uma travessia do mar da Galileia. Enfrentavam ventos contrários e Jesus não estava a seu lado. Quando se aperceberam que alguém vinha até eles caminhando sobre as águas revoltas ficaram cheios de medo. Quadro emblemático de uma situação que nos é perfeitamente familiar. Também nós remamos na noite. A obscuridade da dúvida impede-nos de reconhecer O Senhor, as borrascas dos meios de comunicação abafam a Sua voz. Porém, se prestarmos atenção com o ouvido do coração escutaremos o que Jesus nos diz : “Sou Eu, não tenhais medo”. Convite para lançarmos a âncora nas profundezas dO Nome divino. Ele é O Mestre que devemos seguir. Ele é quem nos tranquiliza, porque tem autoridade sobre as forças do mal. O temor, então, dará lugar à fé.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA– 17/ABRIL/2015

a_ComeramQuantoQuiseramBTA. IDA BOLONHA (1040-1113). Mãe de Godofredo de Bulhão e de Balduíno I (I Cruzada). Orava sem cessar e recebia conselhos de STO. Anselmo que a visitava, gostava de fazer paramentos litúrgicos e apoiava generosamente as abadias do seu tempo (fundou 3).

BTO. BATISTA MANTUANO (1447-1516). Carmelita descalço, humanista fidelissimo ao ideal carmelita: com intensa vida interior e devoção a Nossa Senhora. Combateu a corrupção da sociedade e do clero com veemência. O corpo jaz incorrupto na catedral de Mântua.

Actos dos Apóstolos 5, 34-42 ; Sal 26, 1. 4. 13-14 ; João 6,1-15 Continue a ler SEXTA-FEIRA– 17/ABRIL/2015

QUINTA-FEIRA – 16/ABRIL/2015

Actos 5, 27-33 ; Sal 33, 2. 9.17-20 ; João 3, 31-36

LOUCA GENEROSIDADE (Jo.3,31-36). “O Pai ama O Filho e colocou tudo na Sua mão”, diz-nos S.João. Esta confidência leva-nos ao limiar da intimidade divina, aí onde devemos descalçar-nos, arrebatados de alegria. O Filho e O Pai formam uma Unidade. Escutar Jesus, palavra de Deus encarnada, é escutar O próprio Deus. Acreditar em Jesus, é acreditar no Deus que diz a Verdade. Deus é O Pobre capaz de Se desapossar de tudo em favor dO Filho único num gesto de louca generosidade. Não lhE promete nem poder nem riquezas mas comunica-lhE o Seu Ser num acto de geração eterna. A resposta dO Filho só pode expressar-se através do dom de Si mesmo, numa incessante acção de graças. Cada criatura é chamada a entrar nesta dança com O Espírito Santo, que clama no seu coração aO Pai chamando-O de “Abba!”.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.