SEXTA-FEIRA – 24/ABRIL/2015

S. FIEL DE SIGMARINGA (1578-1623). Renunciou à sua profissão de advogado para entrar nos Capuchinhos. Enviado em missão para a Suiça, obteve a conversão de muitos chefes calvinistas antes de ser assassinado: “Meu Jesus, tende piedade de mim. Santa Maria, Mãe de Deus, assisti-me!”, disse pouco antes de morrer.

Actos 9,1-20 ; Sal 116, 1-2 ; João 6, 52-59

“ENTÃO OS OLHOS ABRlRAM-SE…” (Act.9,1-20). O que significa a cegueira de Saulo após o encontro com Cristo? Qual é o sentido do seu jejum durante esse tempo? Não ver e não tomar alimento simboliza a morte, e os 3 dias aqui referidos recordam-nos o artigo do Credo: “Ele ressuscitou ao 3º dia”. Durante esta espécie de morte, Saulo conheceu uma transformação semelhante à de Cristo: Jesus histórico, identificado com o homem pecador, que na noite do túmulo Se transforma nO Ressuscitado da manhã da Páscoa. De facto, é outro homem, que a mudança de nome – Saulo, em vez de Paulo – simboliza, e que veremos na continuação dos Actos. Temos aqui um esquema da vida cristã que pode experimentar, e experimenta várias vezes, o “caminho de Damasco”.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 23/ABRIL/2015

S. JORGE (303). O culto de S.Jorge (é um dos 14 S.TOS Auxiliares) funda-se no martírio de um soldado romano, sob o imperador Diocleciano, em Lida, na Palestina). A tradição popular atribui-lhe o título de matador do dragão que tudo destruia com o seu vómito de fogo e vivia num lago perto de Silena, Líbia. É padroeiro de Inglaterra. Na luta contra Castela, o auxílio do Duque de Lencastre a D. Fernando, trouxe a devoção para Portugal. Em 1388, no lugar onde fora hasteada a bandeira portuguesa na batalha de Aljubarrota, fundou-se uma ermida de S.Jorge.

S.TO ADALBERTO (956-997). Bispo de Praga, baptisou o futuro S.TO Estêvão da Hungria e fundou a abadia beneditina de Brevnov na Boémia. Morreu mártir na Prússia pagã com 41 anos.

Actos 8, 26-40 ; Sal 65, 8-9.16-17. 20 ; João 6, 44-51

UM EUNUCO (Act.8,26-40). O 1º pagão que o diácono Filipe baptiza na fé em Jesus-Cristo é um eunuco. Uma realidade carregada de sentido para os leitores da Escritura. O Livro de Isaías diz que o exílio na Babilónia porá fim à descendência de David : “os filhos do rei serão os eunucos do palácio” (Is. 39,7). Mas os primeiros pagãos acolhidos no templo de Deus no regresso do exílio serão os “eunucos (…) que escolheram o que Me é agradável e se afeiçoaram à Minha aliança” (Isaías 56,4). A fidelidade a Deus e à Sua aliança vem substituir a genealogia como critério de pertença. Aqui, o eunuco vindo da Etiópia para adorar a Deus reconhece em Jesus O Servo anunciado: aquele a quem “a vida foi cortada” é O Filho de Deus glorificado que atrai os homens a Si. “A MINHA CARNE, DADA PELA VlDA DO MUNDO…” (João 6,44-51). “Pão e jogos” era uma expressão usada na Roma antiga para troçar dos imperadores demagogos que procuravam assim adular o povo e tornarem-se bem-queridos. Jesus porém não promete mundos e fundos, nem propõe diversões fáceis e efémeras. Quando Ele diz ser O Pão da vida, não se trata de um slogan ou de uma frase feita, sem ligação verdadeira com o quotidiano das pessoas. Jesus dá efectivamente a Sua vida. “O pão que Eu hei-de dar pela vida do mundo é a Minha carne”. Por Jesus ser O filho de Deus, a Sua morte na carne pode dar a vida ao mundo. Deus não Se fica nas palavras, mas a Sua Palavra produz o que ela nos diz.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 22/ABRIL/2015

S.TA SENHORlNHA (924-982). Natural de Vieira do Minho era prima de S. Rosendo e viveu num mosteiro de Cabeceiras de Bastos de que só restam alguns vestígios arqueológicos. Apesar de apenas no séc. XVIII o ofício de S.TA Senhorinha entrar no Breviário Bracarense, esta festa fazia parte dos calendários da Igreja e das Ordens monásticas desde o séc.XIII.

S.LEÓNIDAS (457-556). Filósofo, retórico e professor em Alexandria. Pai de Orígenes, cedo reconheceu o génio do filho que o queria acompanhar quando o pai foi preso e decapitado. Origenes fez-lhe chegar uma carta em que dizia: “Deus cuidará de nós”. Assim foi; apesar dos bens da família terem sido confiscados, uma senhora rica cuidou da viúva e dos 7 filhos.

Actos 8, 1b-8 ; Sal 65, 1-3a. 4-7a ; João 6, 35-40

FAZER A VONTADE DO PAI (Act.8,1b-8). O amor pode chegar a ser tão forte que até se alegra com o ódio sofrido e
servir-se dele como meio para fazer a vontade de Deus. A perseguição, relatada nos Actos, impulsiona a missão e contribui para fazer crescer a semente de vida divina pois a terra está regada com o sangue de Estevão, 1º mártir lapidado, de que Paulo foi testemunha. Foi nas perseguições que Saulo acumulou um potencial de arrependimento sem o qual talvez nunca tivesse sido o Apóstolo Paulo, missionário de grandeza ímpar que continua, hoje, a evangelizar-nos com os seus escritos. Saulo prendia os cristãos, mas, quando ele próprio ficou prisioneiro por causa de Cristo, compreendeu não ser possível acorrentar a Boa-Nova da plena libertação em Jesus Cristo e que os muros das prisões a iriam gritar ao mundo. Isto continua a ser assim : a emoção que por toda a parte suscitam as detenções por razões de fé e de consciência evidencia como elas têm enorme valor para o anúncio dO Evangelho e da verdade. Jesus veio cumprir a vontade dO Pai e todo o universo está ao Seu serviço para apoiar a Sua obra. Maravilhamo-nos ao ver que, de algum modo, os acontecimentos dizem a Deus aquilo que nós deviamos dizer: “Eis-nos aqui : utiliza-nos a Teu bel-prazer”. Não podemos deixar de crer que Deus deseja, antes de mais, o serviço livre das criaturas! A narrativa dos Actos é o 1º acto deste grande drama, desta“divina comédia”, na qual todos estamos implicados não como simples espectadores mas como actores bem comprometidos.

REGRESSAR A CRISTO, INCANSAVELMENTE (João 6,35-40). Jesus apresenta-Se como Aquele que nos dá a vida eterna. Mas o que é essa vida eterna? A Sua oração, no capítulo 17 do evangelho de João, ensina-nos que ela tem uma parte ligada ao conhecimento dO único e verdadeiro Deus, um conhecimento fundado no amor. Portanto, sem O Filho nO qual podemos ver O Pai, arriscamo-nos muito a fabricar “um falso deus”,fruto de fantasmas de omnipotência, da nossa necessidadede consolação ou ainda de muitas outras coisas. Eis o convite para voltarmos sempre a Cristo tal como Se revela nas Escrituras. Não é Ele o caminho e a verdade?

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 21/ABRIL/2015

S.TO ANSELMO (1033-1109). Grande teólogo, tornou a abadia beneditina de Bec-Hellouin (Normandia) num centro espiritual de renome em que a norma era a mansidão, a bondade e a alegria. Primaz de Inglaterra, arcebispo de Canterbury. É Doutor da Igreja.

S.CONRADO DE PARZHAM (1818-1894). Durante quarenta anos, ele foi o porteiro do convento capuchinho de Nossa Senhora d’Altoting, na Baviera). Diz-se que “Ele acolhia todos, como se cada um fosse o próprio Cristo a bater à porta”.

Actos 7, 51–8,1a ; Sal 30, 3cd-4. 6ab. 7b. 8a.17. 21ab ; João 6, 30-35

“SENHOR DÁ-NOS SEMPRE DESSE PÃO.” (Jo.6,30-35). Tal como a Samaritana que pedia a Jesus para lhe dar a beber da água viva, a multidão pede hoje o pão que não se esgota… Jesus não critica esse desejo, mesmo que seja necessário purificá-lo, transformá-lo. Muitas aspirações dos homens são sinais de uma vida espiritual, de uma procura do absoluto, de uma busca de Deus. Elas não conduzem sempre explicitamente a Deus e, por vezes, parecem até afundarem-se no que lhE é contrário (p. ex., os tipos de vício que escravizam). Saber descobrir mesmo nos vícios uma verdadeira sede, uma verdadeira fome, mesmo que ela não seja superada, é olhar para as pessoas com amor, é vê-las a partir daquilo que elas têm de maior, de mais alto. É por aí que Jesus começa. O Seu discurso sobre o pão da vida abrange todo o mistério da Encarnação e da Redenção. Na terra o homem não encontra alimento com facilidade e, por mais que se esforce, por mais que trabalhe, não consegue saciar a sua fome ; para isso é necessário O alimento novo que vem do céu. É isto que Jesus quer fazer compreender aos discípulos. A incompreensão em que Ele esbarra não vem apenas do mal-entendido das palavras, mas sobretudo do facto dos homens desconhecerem a sua verdadeira fome. É preciso despertá-los e abrir-lhes as portas obstruídas pelos apetites exclusivamente terrestres. Para o conseguir, Cristo irá pagar com a Sua vida. E será igualmente por isso que o diácono Estevão é apedrejado até à morte por homens com apetites apenas terrestres, sem que tal diminua neles a eficácia dos desígnios divinos de salvação. “Eu sou o pão da vida, diz-nos sempre O Senhor…

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.