QUINTA-FEIRA – 12/MARÇO/2015

Jeremias 7, 23-28 ; Sal 94, 1-2. 6-9 ; Lucas 11, 14-23

“O RElNO DE DEUS ESTÁ NO MElO DE VÓS…” É um facto sempre actual, O Reino de Deus está aqui, constrói-se no meio de nós, está presente sob os nossos olhos. Mas, tal como os judeus do tempo de Jesus, somos lentos a reconhecê-lo; e eis que o nosso olhar se obscurece ao ponto de chamarmos por vezes obra do diabo ao que tem o selo de Deus. Aliás, Deus só estará ausente das nossas vidas, ausente do nosso mundo, se não O soubermos reconhecer, esperar e procurar; porque preferimos fechar os olhos ou fazer belos discursos para evitar ser “apanhados” por esta exigência da construção dO Reino, pelo Seu acolhimento. Neste homem em desgraça, naquela mulher sem amor, neste adolescente em crise, está O Reino que tenho que construir e o único cimento que servirá para a Sua Continue a ler QUINTA-FEIRA – 12/MARÇO/2015

Senhor, ensina-nos a rezar – 2 (11/MARÇO)

Que estais no Céu

Texto do Catecismo da Igreja Católica (§§ 2794- 2796)

2794. Esta expressão bíblica não significa um lugar («o espaço»), mas um modo de ser; não é o distanciamento de Deus, mas a sua majestade. O nosso Pai não está «algures», está «para além de tudo» o que podemos conceber da sua santidade. E é por ser três vezes santo que Ele está mesmo junto do coração humilde e contrito:

«É com razão que estas palavras: “Pai nosso que estais nos céus” se referem ao coração dos justos, nos quais Deus habita como em seu templo. Por isso, também aquele que ora há-de desejar ver morar em si Aquele a quem invoca». «Os “céus” também poderiam muito bem ser aqueles que trazem em si a imagem do mundo celeste e em quem Deus mora e passeia».

2795. O símbolo dos céus remete-nos para o mistério da Aliança que nós vivemos, quando rezamos ao Pai. Ele está nos céus: é a sua morada. A casa do Pai é, pois, a nossa «pátria». Foi da terra da Aliança que o pecado nos exilou, e é para o Pai, para o céu, que a conversão do coração nos faz voltar. Ora, foi em Cristo que o céu e a terra se reconciliaram, porque o Filho «desceu do céu», sozinho, e para lá nos faz subir juntamente consigo, pela sua cruz, ressurreição e ascensão.

2796. Quando a Igreja reza «Pai nosso que estais nos céus», professa que somos o povo de Deus já sentado nos céus em Cristo Jesus escondidos com Cristo em Deus e que, ao mesmo tempo, «gememos nesta tenda, ansiando por revestir-nos da nossa habitação celeste»(2 Cor 5, 2):

Os cristãos «estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Passam a vida na terra, mas são cidadãos do céu».

QUARTA-FEIRA – 11/MARÇO/2015

SaoSofronioDeJerusalemS. SOFRÓNIO DE JERUSALÉM (560-638). De ascendência árabe, era professor de retórica em Damasco. Apaixonado pelo estudo das Escrituras entrou no mosteiro palestiniano de S. Teodósio onde se tornou discípulo e amigo de S. João Mosco. Patriarca de Jerusalém, combateu o monotelismo, heresia que ensinava que Jesus tinha uma única vontade, a divina, excluindo assim a vontade humana na Sua Encarnação. Sofrónio morreu logo depois da conquista de Jerusalém pelo califa Omar I, em 637, mas não antes de ter negociado o reconhecimento das liberdades civis e religiosas dos cristãos em troca de tributos, acordo conhecido como “Acordo de Omar”, que reconhecia o Patriarcado de Jerusalém como a autoridade guardiã dos lugares Santos, das comunidades cristãs, dos mosteiros e dos conventos. O Patriarcado ficava ainda como mediador entre as autoridades cristãs e muçulmanas. Além de escritos dogmáticos, Sofrónio, deixou-nos importantes obras hagiográficas e litúrgicas (primeira versão dos “Impropérios” de Sexta-feira Santa).

Deuteronómio 4, 1. 5-9 ; Sal 147, 12-13. 15-16. 19-20 ; Mateus 5, 17-19 Continue a ler QUARTA-FEIRA – 11/MARÇO/2015

Senhor, ensina-nos a rezar – 1

Pai, Pai «nosso»

Texto do Catecismo da Igreja Católica (§§ 2779- 2793)

2779. Antes de fazermos nosso este primeiro impulso da oração do Senhor, convém purificar humildemente o nosso coração de certas falsas imagens «deste mundo». A humildade faz-nos reconhecer que «ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho Se dignar revelá-Lo», quer dizer «os pequeninos» (Mt 11, 25-27). A purificação do coração refere-se às imagens paternas ou maternas provenientes da nossa história pessoal e cultural, que influenciam o nosso relacionamento com Deus. É que Deus, nosso Pai, transcende as categorias do mundo criado. Transpor para Ele ou contra Ele, as nossas ideias neste domínio, seria fabricar ídolos, a adorar ou a derrubar. Orar ao Pai é entrar no seu mistério, tal como Ele é e tal como o Filho no-Lo revelou:

«A expressão Deus Pai nunca tinha sido revelada a ninguém. Quando o próprio Moisés perguntou a Deus quem era, ouviu um nome diferente. A nós, este nome foi revelado no Filho; porque este nome (de Filho) implica o nome de Pai».

2780. Nós podemos invocar Deus como «Pai», porque Ele nos foi revelado pelo seu Filho feito homem e porque o seu Espírito no-Lo faz conhecer. A relação pessoal do Filho com o Pai, que o homem não pode conceber nem os poderes angélicos podem entrever, eis que o Espírito do Filho nos faz participar dela, a nós que cremos que Jesus é o Cristo e que nascemos de Deus.

2781. Quando oramos ao Pai, estamos em comunhão com Ele e com o seu Filho Jesus Cristo. É então que O reconhecemos num encantamento sempre novo. A primeira palavra da oração do Senhor é uma bênção de adoração, antes de ser uma súplica. Porque a glória de Deus é que nós O reconheçamos como «Pai», Deus verdadeiro. Damos-Lhe graças por nos ter revelado o seu nome, por nos ter dado a graça de acreditar n’Ele, de sermos habitados pela sua presença.

2782. Nós podemos adorar o Pai porque Ele nos fez renascer para a sua vida adoptando-nospor seus filhos no seu Filho Único: pelo Baptismo, incorpora-nos no corpo do seu Cristo; e pela Unção do seu Espírito, que da Cabeça se derrama pelos membros, faz de nós «cristos»:

«Deus, que nos predestinou para a adopção de filhos, tornou-nos conformes ao corpo glorioso de Cristo. Doravante, pois, participantes de Cristo, sois com todo o direito chamados “cristos”».

«O homem novo, que renasceu e foi restituído ao seu Deus pela graça, começa por dizer, “Pai!”, porque se tornou filho».

2783. Deste modo, pela oração do Senhor, nós somos revelados a nós próprios, ao mesmo tempo que nos é revelado o Pai:

«Ó homem, tu não ousavas levantar o teu rosto para o céu, baixavas os teus olhos para a terra, e de repente recebeste a graça de Cristo: todos os pecados te foram perdoados, de mau servo tornaste-te bom filho […]. Portanto, ergue os olhos para o Pai que te resgatou pelo seu Filho e diz: Pai nosso […]. Mas não reivindiques para ti algo de especial. Só de Cristo é que Ele é Pai de modo especial, de todos nós é Pai em comum; porque só a Ele gerou, ao passo que a nós, criou-nos. Portanto, por graça, diz também tu “Pai nosso”, para mereceres ser filho».

2784. Este dom gratuito da adopção exige da nossa parte uma conversão contínua e uma vida nova. Orar ao nosso Pai deve desenvolver em nós duas disposições fundamentais:

O desejo e a vontade de nos parecermos com Ele. Criados à sua imagem, é pela graça que a semelhança nos é restituída e a ela devemos corresponder.

«Devemos lembrar-nos de que, quando chamamos a Deus «Pai nosso», temos de nos comportar como filhos de Deus».
«Vós não podeis chamar vosso Pai ao Deus de toda a bondade se conservardes um coração cruel e desumano; porque, nesse caso, já não tendes a marca da bondade do Pai celeste».
«Devemos contemplar incessantemente a beleza do Pai e impregnar dela a nossa alma».

2785. Um coração humilde e confiante que nos faça «voltar ao estado de crianças» (Mt 18, 3): porque é aos «pequeninos» que o Pai Se revela (Mt 11, 25):

É um estado «que se forma contemplando a Deus somente, com o ardor da caridade. Nele, a alma funde-se e abisma-se em santa dilecção e trata com Deus como com o seu próprio Pai, muito familiarmente, numa ternura de piedade muito particular».

«Pai nosso – que haverá de mais querido para os filhos do que o pai? – Este nome suscita em nós ao mesmo tempo o amor, o afecto na oração, […] e também a esperança de obter o que vamos pedir […]. De facto, que pode Ele recusar à súplica dos seus filhos, quando já previamente lhes permitiu que fossem filhos seus?».

Pai «nosso»

2786. Pai «nosso» refere-se a Deus. Pela nossa parte, o adjectivo «nosso» não exprime uma posse, mas sim uma relação totalmente nova com Deus.

2787. Quando dizemos Pai «nosso», reconhecemos, antes de mais nada, que todas as suas promessas de amor, anunciadas pelos profetas, se cumpriram na Nova e eterna Aliança no seu Cristo: nós tornámo-nos o «seu» povo e Ele é doravante o «nosso» Deus. Esta relação nova é uma pertença mútua, dada gratuitamente: é por amor e fidelidade que temos de responder «à graça e à verdade» que nos foram dadas em Cristo Jesus.

2788. Uma vez que a oração do Senhor é a do seu povo nos «últimos tempos», este «nosso» exprime também a certeza da nossa esperança na última promessa de Deus: na Jerusalém nova, Ele dirá ao vencedor: «Eu serei o seu Deus e ele será o meu Filho» (Ap 21, 7).

2789. Rezando ao «nosso» Pai, é ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nós nos dirigimos pessoalmente. Não dividimos a divindade, pois que o Pai é a sua «fonte e origem», mas confessamos desse modo que o Filho é por Ele gerado eternamente e que d’Ele procede o Espírito Santo. Também não confundimos as Pessoas, pois confessamos que a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo no seu único Espírito Santo. ASantíssima Trindade é consubstancial e indivisível. Quando rezamos ao Pai, adoramo-Lo e glorificamo-Lo com o Filho e o Espírito Santo.

2790. Gramaticalmente, «nosso» qualifica uma realidade comum a vários. Há um só Deus, que é reconhecido como Pai por aqueles que, pela fé no seu Filho Único, renasceram d’Ele pela água e pelo Espírito. A Igreja é esta nova comunhão de Deus com os homens; unida ao Filho Único, que se tornou o «primogénito de muitos irmãos» (Rm 8, 29), ela está em comunhão com um só e mesmo Pai, num só e mesmo Espírito Santo. Ao rezar Pai «nosso», cada baptizado reza nesta comunhão: «A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma» (Act 4, 32).

2791. É por isso que, apesar das divisões dos cristãos, a oração ao «nosso» Pai continua a ser um bem comum e um apelo premente para todos os baptizados. Em comunhão pela fé em Cristo e pelo Baptismo, eles devem participar na oração de Jesus pela unidade dos seus discípulos.

2792. Por fim, se rezamos em verdade o «Pai-nosso», saímos do individualismo, pois o Amor que nós acolhemos dele nos liberta. O «nosso» do princípio da oração do Senhor, tal como o «nos» das quatro últimas petições, não é exclusivo de ninguém. Para que seja dito em verdade, as nossas divisões e oposições têm de ser superadas.

2793. Os baptizados não podem dizer Pai «nosso», sem levar até junto d’Ele todos aqueles por quem Ele deu o seu Filho bem-amado. O amor de Deus é sem fronteiras; a nossa oração deve sê-lo também. Rezar Pai «nosso» abre-nos às dimensões do seu amor manifestado em Cristo: orar com e por todos os homens que ainda O não conhecem, para que sejam «reunidos na unidade». Este cuidado divino por todos os homens e por toda a criação animou todos os grandes orantes; deve também dilatar a nossa oração num amor sem limites, quando ousamos dizer: Pai «nosso».

TERÇA-FEIRA – 10/MARÇO/2015

SantaMariaEugeniaSTA. MARIA-EUGÉNIA MILLERET (1817-98). De todas as conversões ocorridas na catedral de Notre-Dame de Paris, conhece-se especialmente a do escritor Paul Claudel no dia de natal de 1886, ignorando a de Maria–Eugénia meio século mais cedo. Criada numa família abastada mas pouco crente, Maria foi aos 18 anos provada por vários dramas sucessivos: a ruína do pai, a separação dos pais, a morte da mãe pouco depois da sua instalação em Paris. Na aurora da idade adulta, a jovem sentia-se portanto profundamente desorientada, mas apesar de tudo resolveu ir, na primavera de 1836, a Notre-Dame ouvir as célebres conferências quaresmais do abade Lacordaire. A inspirada prégação do futuro restaurador dos Dominicanos em França abriu-lhe “um caminho de luz” e insuflou-lhe “uma fé que nunca nada faria vacilar”, de tal forma que ela escreveria: “A minha vocação data de Notre-Dame”, (como o recorda agora uma placa comemorativa, colocada e benzida pelo cardeal André Vingt-Trois em 1/Jun./2014). O caminho de conversão prosseguiu, em 1839, com a fundação da congregação das “Religiosas da Assunção”, vocacionadas para a contemplação e educação Continue a ler TERÇA-FEIRA – 10/MARÇO/2015