Senhor, ensina-nos a rezar – 6 (15/MARÇO)

«O pão nosso de cada dia nos dai hoje»

Texto do Catecismo da Igreja Católica (§§ 2828- 2837)

2828. «Dai-nos»: como é bela a confiança dos filhos, que tudo esperam do Pai! «Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e chover sobre justos e injustos» (Mt 5, 45); dá a todos os seres vivos «de comer a seu tempo» (Sl 104, 27). É Jesus quem nos ensina esta petição que, de facto, glorifica o nosso Pai porque é o reconhecimento de quanto Ele é bom, acima de toda a bondade.

2829. «Dai-nos» é também expressão da Aliança: nós somos d’Ele e Ele é nosso, é para nós. Mas este «nós» reconhece-O também como Pai de todos os homens, e nós pedimos-Lhe por todos, solidários com as suas necessidades e os seus sofrimentos.

2830. «O pão nosso». O Pai que nos dá a vida não pode deixar de nos dar o alimento necessário para a vida e todos os bens «convenientes», materiais e espirituais. No sermão da montanha, Jesus insiste nesta confiança filial que coopera com a providência do nosso Pai. Não nos incita a qualquer espécie de passividade, mas quer libertar-nos de toda a inquietação ansiosa e de qualquer preocupação. Assim é o abandono filial dos filhos de Deus:

«Àqueles que procuram o Reino e a justiça de Deus, Ele promete dar tudo por acréscimo. Com efeito, tudo pertence a Deus: nada faltará àquele que possui a Deus se ele próprio não faltar a Deus».

2831. Mas a presença daqueles que têm fome por falta de pão revela outra profundidade desta petição. O drama da fome no mundo chama os cristãos que oram com sinceridade a assumir uma responsabilidade efectiva em relação aos seus irmãos, tanto nos seus comportamentos pessoais como na solidariedade para com a família humana. Esta petição da oração do Senhor não pode ser isolada das parábolas do pobre Lázaro e do Juízo final.

2832. Tal como o fermento na massa, a novidade do Reino deve levedar a terra com o Espírito de Cristo. Há-de manifestar-se pela instauração da justiça nas relações pessoais e sociais, económicas e internacionais, sem nunca esquecer que não há nenhuma estrutura justa sem homens que queiram ser justos.

2833. Trata-se do «nosso» pão, de «um» para «muitos». A pobreza das bem-aventuranças é a virtude da partilha. Ela convida a comunicar e a partilhar os bens materiais e espirituais, não por coacção, mas por amor, para que a abundância de uns remedeie às necessidades dos outros.

2834. «Ora e trabalha». «Orai como se tudo dependesse de Deus, e trabalhai como se tudo dependesse de vós». Tendo nós feito o nosso trabalho, o alimento continua a ser uma dádiva do nosso Pai; é bom pedir-Lho dando-Lhe graças por ele. Tal o sentido da bênção da mesa numa família cristã.

2835. Esta petição e a responsabilidade que comporta valem também para outra fome de que os homens morrem: «O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Deus» (Mt 4, 4), quer dizer, da sua Palavra e do seu Sopro. Os cristãos devem mobilizar todos os esforços para «anunciar o Evangelho aos pobres». Há uma fome na terra que «não é fome de pão nem sede de água, mas de ouvir a Palavra do Senhor» (Am 8, 11). É por isso que o sentido especificamente cristão desta quarta petição tem a ver com o Pão da Vida: a Palavra de Deus, que deve ser acolhida na fé, e o corpo de Cristo, recebido na Eucaristia.

2836. «Hoje» é outra expressão de confiança. É o Senhor que no-la ensina; a nossa presunção não poderia inventá-la. Tratando-se sobretudo da sua Palavra e do corpo do seu Filho, este «hoje» não é somente o do nosso tempo mortal: é o «Hoje» de Deus:

«Se em cada dia recebes o pão, cada dia é hoje para ti. Se Cristo é para ti hoje, todos os dias Ele ressuscita para ti. Como é isso? “Tu és o Meu Filho, Eu hoje Te gerei” (Sl 2, 7). Hoje quer dizer: quando Cristo ressuscita».

2837. «De cada dia». Esta palavra «epioúsios» não é usada em mais lado nenhum no Novo Testamento. Tomada num sentido temporal, é uma repetição pedagógica do «hoje» para nos confirmar numa confiança «sem reservas». Tomada no sentido qualitativo, significa o necessário para a vida e, de um modo mais abrangente, todo o bem suficiente para a subsistência. Tomada à letra (epioúsios, «sobre-substancial»), designa directamente o Pão da Vida, o corpo de Cristo, «remédio de imortalidade», sem o qual não temos a vida em nós. Enfim, ligado ao antecedente, é evidente o sentido celestial: «este dia» é o do Senhor, o do banquete do Reino, antecipado na Eucaristia que é já o antegozo do Reino que vem. É por isso conveniente que a liturgia Eucarística seja celebrada em «cada dia».

«A Eucaristia é o nosso pão de cada dia […]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos. […] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação».

O Pai celeste exorta-nos a pedir, como filhos do céu, o Pão celeste. Cristo «é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste».

IV DOMINGO DA QUARESMA – 15/MARÇO/2015

NicodemosSTA. LUíSA DE MARILLAC (1591-1660. Co-fundadora, com S.Vicente de Paulo, das “Filhas da Caridade”. Filha ilegítima, esposa experiente, viúva contemplativa e activa, mãe preo- cupada e grande mãe, serena, educadora e cuidadosa, assistente social e promotora da Caridade, ela continua inspirando inúmeros homens e mulheres, dentre os quais 21.000 Filhas da Caridade, chamadas “Irmãs de São Vicente de Paulo”, que servem no mundo inteiro.  Em 1960, S.João XXlll proclamou-a  padroeira das obras sociais cristãs.

BTO. PLÁCIDO RICCARDI (1844-1915). Padre dominicano italiano, reitor do mosteiro de Farfa na Sabina durante vinte anos com uma intensa vida de pregação e zelo apostólico pelas populações vizinhas. Passava horas no confessionário.  S.Pio Xll beatificou-o em 1954.

2 Crónicas 36, 14-16. 19-23 ; Sal 136, 1-6 ; Efésios 2, 4-10 ; João 3,14-21 Continue a ler IV DOMINGO DA QUARESMA – 15/MARÇO/2015

Senhor, ensina-nos a rezar – 5 (14/MARÇO)

«Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu»

Texto do Catecismo da Igreja Católica (§§ 2822- 2827)

2822. É vontade do nosso Pai «que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 3-4). Ele «usa de paciência […], não querendo que ninguém se perca»(2 Pe 3, 9). O seu mandamento, que resume todos os outros e nos diz toda a sua vontade, é que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou.

2823. Ele «manifestou-nos o mistério da sua vontade, segundo o bene­plácito que nele de antemão estabeleceu […]: instaurar todas as coisas em Cristo […]. Foi n’Ele também que fomos escolhidos como sua herança, predestinados de acordo com o desígnio daquele que tudo opera de acordo com a decisão da sua vontade» (Ef 1, 9-11). Nós pedimos com empenho que este plano benevolente se realize por completo na terra, como já se cumpre no céu.

2824. Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente e duma vez para sempre. Ao entrar neste mundo, Jesus disse: «Eu venho, […] ó Deus, para fazer a tua vontade» (Heb 10, 7). Só Jesus pode dizer: «Faço sempre o que é do seu agrado» (Jo 8, 29). Na oração da sua agonia, Ele conforma-Se totalmente com esta vontade: «Não se faça a minha vontade, mas a tua» (Lc 22, 42) (88). Eis por que Jesus «Se entregou pelos nossos pecados […] consoante a vontade de Deus» (Gl 1, 4). «Em virtude dessa mesma vontade é que nós fomos santificados, pela oferenda do corpo de Jesus Cristo »(Heb 10, 10).

2825. Jesus, «apesar de ser Filho, aprendeu, por aquilo que sofreu, o que é obedecer» (Heb 5, 8). Com quanto mais razão nós, criaturas e pecadores, que n’Ele nos tornamos filhos de adopção! Nós pedimos ao nosso Pai que una a nossa vontade à do seu Filho, para que se cumpra a vontade d’Ele, o seu plano de salvação para a vida do mundo. Somos radicalmente impotentes para tal, mas unidos a Jesus e com o poder do seu Espírito Santo, podemos entregar-Lhe a nossa vontade e decidir escolher o que o seu Filho sempre escolheu: fazer o que é do agrado do Pai:

«Aderindo a Cristo, podemos tornar-nos um só espírito com Ele e assim cumprir a sua vontade; desse modo, ela será feita na terra como no céu».«Considerai como Jesus Cristo nos ensina a ser humildes, fazendo-nos ver que a nossa virtude não depende só do nosso trabalho, mas da graça de Deus. Aqui, Ele ordena a todo o fiel que ora a fazê-lo de modo universal, por toda a terra. Porque não diz “seja feita a vossa vontade” em mim ou em vós, mas “em toda a terra”: para que dela seja banido o erro e nela reine a verdade, o vício seja destruído e a virtude refloresça, e para que a terra deixe de ser diferente do céu».

2826. É pela oração que podemos discernir qual é a vontade de Deus e obter perseverança para a cumprir. Jesus ensina-nos que se entra no Reino dos céus, não por palavras, mas «fazendo a vontade do meu Pai que está nos céus» (Mt 7, 21).

2827. «Se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende» (Jo 9, 31). Tal é o poder da oração da Igreja feita em nome do seu Senhor, sobretudo na Eucaristia; ela é comunhão de intercessão com a santíssima Mãe de Deus e com todos os santos que foram «agradáveis» ao Senhor por não terem querido senão a sua vontade:

«Podemos ainda, sem trair a verdade, traduzir estas palavras: “seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu” por estoutras: na Igreja como em nosso Senhor Jesus Cristo; na esposa que Lhe foi desposada, como no esposo que cumpriu a vontade do Pai».

SÁBADO – 14/MARÇO/2015

OFariseuEOPublicanoOseias 6, 1-6; Sal 50, 3-4. 18-19. 20-2; Lucas 18, 9-14

“ELE DAR-NOS-Á A VlDA…” Na 1ª parte do texto de Oseias atentemos no alcance profético das suas palavras e, ao mesmo tempo, na leviandade com que os Israelitas as escutam. A importância deste texto é tal, que a Igreja o assumiu para nos convidar à autêntica conversão – a do coração – e proclamar a Sua fé no mistério pascal: a inserção na morte e ressurreição de Cristo. Mas a maior lição de hoje (Luc.18,9-14) é que Deus não se deixa enganar com a profissão de fé dos nossos lábios farisaicos, por mais inspirado pelO Espírito Santo que seja o texto ou a oração que recitemos.
É que Deus vê o fundo dos corações, e é aí onde Ele vem ao nosso encontro e deseja ser encontrado. Eis para nós um grande motivo de acção de graças e, ao mesmo tempo, uma séria chamada de Continue a ler SÁBADO – 14/MARÇO/2015