Mensagem aos pais

19 de Março, na Igreja paroquial
18h30, Terço
19h, Eucaristia com a entrega do Pai nosso

Chegou o momento em que a Igreja se reúne e recebe as crianças, que caminham na sua iniciação cristã, para lhes entregar o tesouro precioso da oração que é o Pai Nosso.

No mundo inteiro a Igreja reza com as palavras de Jesus esta oração na Celebração Eucarística.

É a oração dos filhos de Deus.

Entregamos-te esta oração, que também nós recebemos, porque, pela fé, sabemos e acreditamos que tens o sinal de Jesus e confiamos que, com a ajuda da Graça a podes viver de verdade.

Jesus ensinou os Apóstolos a rezar. Igreja confia à criança, que está a crescer na fé, a oração mais perfeita entre todas as que possam existir. Esta é a oração mais perfeita porque foi a que Jesus fez, Jesus que é perfeito em tudo.

A entrega do Pai Nosso realiza-se no dia do Pai. Qual o sentido?

Na família cristã, o pai é chamado a ser a imagem da paternidade de Deus para os seus filhos. Imitando São José, os pais vivem nas suas casas esta vocação à paternidade: ser, na peregrinação terrena, um rosto de fortaleza e afecto, de sabedoria e paciência, de humildade e alegria.

Escolher esta data é também dar graças a Deus pelo pai de cada criança e por este grande desafio.

Toda a vida de Jesus se conhece na sua relação com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Ele veio para fazer e mostrar que o Seu Pai é o nosso Pai. E nós somos todos filhos de Deus.

Pai Nosso…

Ser pai – 2 – Audiência geral com o Papa Francisco 4/2/2015

Texto in vatican.va

Se alguém pode explicar até ao fundo a oração do «Pai-Nosso» ensinada por Jesus, é precisamente quem vive pessoalmente a paternidade. Sem a graça do Pai que está nos céus, os pais perdem a coragem e abandonam o campo. Mas os filhos têm necessidade de encontrar um pai que os espera quando voltam dos seus fracassos.

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de apresentar a segunda parte da reflexão sobre a figura do pai de família. Na última catequese falei sobre o perigo dos pais «ausentes», e hoje quero considerar acima de tudo o aspecto positivo. Também são José teve a tentação de deixar Maria, quando descobriu que ela estava grávida; mas interveio o anjo do Senhor, que lhe revelou o desígnio de Deus e a sua missão de pai putativo; e José, homem justo, «recebeu em casa a sua esposa» (Mt1, 24), tornando-se o pai da família de Nazaré.

Todas as famílias têm necessidade do pai. Hoje meditamos sobre o valor do seu papel, e gostaria de começar com algumas expressões que se encontram no Livro dos Provérbios, palavras que um pai dirige ao próprio filho, dizendo assim: «Meu filho, se o teu espírito for sábio, o meu coração alegrar-se-á contigo! Os meus rins estremecerão de alegria, quando os teus lábios proferirem palavras rectas» (Pr 23, 15-16). Não se poderia expressar melhor o orgulho e a emoção de um pai que reconhece que transmitiu ao seu filho aquilo que realmente conta na vida, ou seja, um coração sábio. Este pai não diz: «Sinto-me orgulhoso de ti, porque és precisamente igual a mim, repetes as palavras que pronuncio e aquilo que faço». Não, não se limita simplesmente a dizer-lhe algo. Diz-lhe uma coisa muito mais importante, que poderíamos interpretar assim: «Serei feliz cada vez que te vir agir com sabedoria e comover-me-ei todas as vezes que te ouvir falar com rectidão. Foi isto que desejei deixar-te, para que se tornasse algo teu: a atitude de ouvir e agir, de falar e julgar com sabedoria e rectidão. E para que pudesses ser assim, ensinei-te coisas que não sabias, corrigi erros que não vias. Fiz-te sentir um afago profundo e ao mesmo tempo discreto, que talvez não tenhas reconhecido plenamente quando eras jovem e incerto. Dei-te um testemunho de rigor e de firmeza que talvez não entendesses, quando só querias cumplicidade e tutela. Fui o primeiro que tive de me pôr à prova da sabedoria do coração e velar sobre os excessos do sentimento e do ressentimento, para poder carregar o peso das incompreensões inevitáveis e encontrar as palavras certas para me fazer entender. Agora — continua o pai — comovo-me quando vejo que tu procuras comportar-te assim com os teus filhos e com todos. Estou feliz por ser teu pai!». É isto que diz um pai sábio, um pai maduro.

Um pai sabe bem quanto custa transmitir esta herança: quanta proximidade, quanta meiguice e quanta firmeza. No entanto, que consolação e recompensa se recebe, quando os filhos honram esta herança! É uma alegria que compensa todos os esforços, que supera qualquer incompreensão e cura todas as feridas.

Portanto, a primeira necessidade é precisamente esta: que o pai esteja presente na família. Que se encontre próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E que esteja perto dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai presente, sempre. Estar presente não significa ser controlador, porque os pai demasiado controladores anulam os filhos e não os deixam crescer.

O Evangelho fala-nos da exemplaridade do Pai que está nos céus — o único, diz Jesus, que pode chamar-se verdadeiramente «Pai bom» (cf. Mc 10, 18). Todos conhecem a extraordinária parábola denominada do «filho pródigo», ou melhor, do «pai misericordioso», que se lê no capítulo 15 do Evangelho de Lucas (cf. 15, 11-32). Quanta dignidade e quanta ternura na expectativa daquele pai que está à porta de casa, à espera do regresso do filho! Os pais devem ser pacientes. Muitas vezes nada se pode fazer, a não ser esperar; rezar e esperar com paciência, doçura, generosidade e misericórdia.

Um pai bom sabe esperar e perdoar, do profundo do coração. Sem dúvida, também sabe corrigir com firmeza: não se trata de um pai fraco, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem aviltar é o mesmo que sabe proteger sem se poupar. Certa vez ouvi numa festa de casamento um pai dizer: «Às vezes tenho que bater um pouco nos filhos… mas nunca no rosto, para não os humilhar». Que bonito! Tem o sentido da dignidade. Deve punir, mas fá-lo de modo correcto e vai em frente.

Por conseguinte, se alguém pode explicar até ao fundo a oração do «Pai-Nosso» ensinada por Jesus, é precisamente quem vive pessoalmente a paternidade. Sem a graça do Pai que está nos céus, os pais perdem a coragem e abandonam o campo. Mas os filhos têm necessidade de encontrar um pai que os espera quando voltam dos seus fracassos. Farão de tudo para não o admitir, para não o revelar, mas precisam dele; quando não o encontram, abrem-se-lhes feridas difíceis de cicatrizar.

A Igreja, nossa mãe, está comprometida em apoiar com todas as suas forças a presença boa e generosa dos pais nas famílias, porque para as novas gerações eles são guardiões e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e da salvaguarda de Deus, como são José.

Papa Francisco

A tradição da Oração dominical (Pai nosso)

JesusEnsinaNosARezarIntrodução

A entrega da oração do Pai nosso, sendo feita no dia da Solenidade de São José, junta alguns significados que embora complementares entre si, derivam todos da revelação de Jesus Cristo como «Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai» (Jo 1,18).

As tradições na Igreja

São duas as tradições no itinerário catecumenal pelas quais a Igreja entrega aos eleitos os documentos do Símbolo da fé (o credo) e da Oração dominical (o Pai nosso). A Igreja entrega aos catecúmenos, «num gesto de grande amor, os documentos que, desde os tempos antigos, são considerados como o compêndio da sua fé e da sua oração» (RICA, 181).

Para os fiéis que foram baptizados como infantes, entretanto, chegou o momento de receberam na Igreja, de forma pessoal e consciente a oração que Jesus dirige ao Pai em relação filial. Na celebração do Baptismo, tinham sido ditas as palavras pronunciadas pelo celebrante que, de alguma forma antecipavam o momento que estamos a referir:

Irmãos caríssimos: Renascido (Renascida) pelo Baptismo, este menino (esta menina) é chamado (chamada), e é de verdade, filho (filha) de Deus. […]; membro da Igreja, há-de chamar a Deus seu Pai. Em nome dele (dela), no espírito de Filhos adoptivos que todos recebemos, ousamos agora rezar como o Senhor nos ensinou (RCBC, 103).

A singular santidade de São José

O Martirologio Romano refere a «Solenidade de São José, esposo da Santíssima Virgem Maria, homem justo, da descendência de David, que exerceu a missão de pai do Filho de Deus, Jesus Cristo, o qual quis ser chamado filho de José e lhe foi submisso como um filho a seu pai. A Igreja venera com especial honra como seu patrono aquele que o Senhor constituiu chefe da sua família».

A Solenidade de São José, a 19 de Março celebra-se na Quaresma, no tempo a Iluminação e da Purificação.

A vocação à paternidade. Em S. José os esposos e pais encontram um modelo e intercessor

Neste caminho comum de reflexão sobre a família, gostaria de dizer a todas as comunidades cristãs que devemos estar mais atentos: a ausência da figura paterna da vida das crianças e dos jovens causa lacunas e feridas que podem até ser muito graves. Com efeito os desvios das crianças e dos adolescentes em grande parte podem estar relacionados com esta falta, com a carência de exemplos e de guias respeitáveis na sua vida de todos os dias, com a falta de proximidade, com a carência de amor por parte dos pais. É mais profundo de quanto pensamos o sentido de orfandade que vivem tantos jovens (AG 28/1/2015).

Recomendando-nos, pois, à protecção daquele a quem o próprio Deus «confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos e maiores», aprendamos com ele, ao mesmo tempo, a servir a «economia da salvação». Que São José se torne para todos um mestre singular no serviço da missão salvífica de Cristo, que, na Igreja, compete a cada um e a todos: aos esposos e aos pais, àqueles que vivem do trabalho das próprias mãos e de todo e qualquer outro trabalho, às pessoas chamadas para a vida contemplativa e às que são chamadas ao apostolado (RC 32).

LEITURAS

FRANCISCO (Papa), Audiência geral. O Pai, 28/1/2015.
FRANCISCO (Papa), Audiência geral. O Pai (bis), 4/2/2015.

SIGLAS E ABEVIATURAS

AG — Audiência geral
RC — SÃO JOÃO PAULO II, Redemptoris custos, 15/8/1989.
RCBC — Ritual Romano. Celebração do Baptismo das Crianças.
RICA — Ritual Romano. Iniciação Cristã dos Adultos.

COMENTÁRIO DO BISPO FULTON SHEEN

Ser pai – 1 – Audiência geral com o Papa Francisco 28/1/2015

Texto in vatican.va

O problema nos nossos dias não parece ser tanto a presença invadente dos pais, mas ao contrário a sua ausência, o seu afastamento.

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Retomamos o caminho das catequeses sobre a família. Hoje deixamo-nos guiar pela palavra «pai». Uma palavra que a nós cristãos é muito querida, porque é o nome com o qual Jesus nos ensinou a dirigir-nos a Deus: pai. O sentido deste nome recebeu uma nova profundidade precisamente a partir do momento em que Jesus o usava para se dirigir a Deus e manifestar a sua relação especial com Ele. O mistério bendito da intimidade de Deus, Pai, Filho e Espírito, revelado por Jesus, é o coração da nossa fé cristã. Continue a ler Ser pai – 1 – Audiência geral com o Papa Francisco 28/1/2015