SÁBADO – 10/JANEIRO/2015

BTO. GONÇALO DE AMARANTE (1262). Dominicano, evangelizador do Minho.

STO. AGATÃO, Papa (681). “Combateu a heresia do monofisismo”.

1 João 5,14-21 ; Sal 149, 1-6a.9b; João 3,22-30

LIGUEMO-NOS A CRISTO! (1 Jo.5,14-21). Termina a leitura da epístola de S. João. Um bom exercício espiritual será relê-la na íntegra. Entender-se-á então melhor que o pecado é afinal tudo o que nos separa da vida recebida dO Senhor. Agarrando-nos a Cristo, estaremos certos da Sua misericórdia. O pecado que leva à morte é a separação de Jesus Cristo. No fim deste tempo da natividade, S. João exorta-nos a ligarmo-nos a Cristo. Esta ligação constrói-se, dia após dia, pelo encontro dos irmãos, pelos sacramentos, pela oração e pela solidariedade vivida no quotidiano. Pertencemos totalmente a Cristo porque, ao contrário do “mundo”, Ele dá a todos a vida recebida dO Pai.

“ELE BAPTIZAVA…” (Jo.3,22-30). Baptizaria Jesus verdadeiramente? Pode duvidar-se, porque o evangelista diz, mais adiante, que “na verdade, não era Jesus em pessoa que baptizava, mas os Seus discípulos” (João 4,2). Se O próprio Jesus tivesse baptizado, Ele teria assim, de facto, já instituído o baptismo cristão… Ora, o baptismo cristão – nO Espírito – é fundado no mistério pascal, na morte e ressurreição de Cristo: “é na Sua morte que nós fomos baptizados em Cristo” (Rom.6,3). O baptismo dos discípulos não é ainda o baptismo cristão mas permite levar as multidões a Jesus: “todos vão a Ele”. Nós que fomos baptizados no baptismo cristão, podemos, pela nossa vida, “baptizar” à maneira dos discípulos, ou seja, levarmos o mundo a Cristo.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 9/JANEIRO/2015

STO. ANDRÉ CORSINI (1301-1374). Bispo carmelita; “tinha o dom dos milagres e profecias”

1 João 5, 5-13 ; Sal 147, 12-13, 14-15, 19-20 ; Lucas 5,12-16 

LEVEMOS AOS OUTROS A VIDA RECEBIDA! (1 Jo.5,5-13). O ano 2014 foi difícil e o de 2015 começa cheio de incertezas. Como fiéis de Cristo, somos chamados a ter lúcida esperança. Temos muitas razões para desesperar mas a fé diz-nos que Cristo será O vencedor. Deus não nos abandonará em 2015. Tenhamos a coragem de acreditar mais no Seu testemunho do que no testemunho dos profetas da desgraça. No Filho que nos é dado, nós temos a Vida. Compete-nos levá-la ao mundo. Levemos essa Vida que recebemos, aí onde tantos homens e mulheres pedem uma vida digna: nos hospitais, nas periferias, junto das pessoas encurraladas pelo desemprego. É ao levar a vida recebida que se dá crédito ao testemunho de Deus.

“SENHOR, SE TU QUISERES…” (Lucas,12-16). Duvidaria este leproso da bondade de Jesus? Ele podia muito bem ter evitado a condição (“Se Tu quiseres”), como tantos outros que se tinham satisfeito com um (“Cura-me!”). Todavia, o pedido do leproso é mais justo: em Jesus, reconhece que a omnipotência de Deus (“Tu podes purificar-me”) está indissociada da Sua liberdade soberana (“Se Tu quiseres”). Ora, nós esquecemos isto demasiadas vezes: não compreendemos porquê, se Deus pode tudo, não satisfará Ele todas nossas vontades. Queremos que a Sua omnipotência esteja ao serviço da nossa pequena vontade, esquecendo que Ele é soberamente livre. Tal como este leproso prostrado diante de Jesus a suplicar-lhE, compete-nos fazer aquilo que depende de nós e depois remeter tudo à Sua vontade.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 8/JANEIRO/2015

S. PEDRO TOMÁS (1305-1366). Carmelita, teólogo e bispo. Defensor do dogma da “Imaculada Conceição”.

1 João 4,19–5, 4 ; Sal 72 ; Lucas 4, 14-22a

O ENCONTRO DOS IRMÃOS (1 João 4,19-5,4). Demasiadas vezes, nas nossas comunidades, a fé viva e a solidariedade activa opõem-se estérilmente, ao ponto de se pressentir uma tensão interior entre a nossa fé e as necessidades de solidariedade humana. Nesta passagem da carta de S. João, diz-se que, ao contrário, a qualidade das relações fraternas e a promoção humana são o substracto do encontro com O Senhor. Com efeito, é pelos outros que nós somos conduzidos aO Pai. Amar significa unificar as nossas vidas pela via do encontro dos irmãos, fazendo como O Filho: amar, curar, apoiar.

“CUMPRIU-SE HOJE A PASSAGEM DA ESCRITURA QUE ACABAIS DE OUVIR” (Luc.4,14-22a). Estará Jesus confundido com as datas? Com efeito, não é hoje que Ele é consagrado pela unção dO Espírito Santo, que já sucedera no dia do Seu baptismo. Da mesma forma quando Ele prometer no Calvário ao bom ladrão: “Hoje mesmo tu estarás coMigo no paraíso”. A cronologia continua incerta! Mas o tempo escatológico de Deus não é o nosso tempo cronológico: toda a eternidade está contida neste hoje, no qual o fim já chegou sem, todavia, ficar totalmente cumprido. Neste hoje da sinagoga, a Escritura já se cumpriu, mas ela cumprir-se-á também no hoje do bom ladrão, tal como se cumpre igualmente nas liturgias quotidianas que actualizam a presença de Cristo já, ali mesmo, e nos fazem tender para a Sua manifestação futura… hoje.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 7/ JANEIRO/2015

S. RAIMUNDO DE PENAFORTE (1175-1275). Fundou escolas de línguas orientais ; escreveu o manual “Summa contra gentiles”.

1 João 4,11-18 ; Sal 71, 2.10-11.12-13 ; Marcos 6, 45-52

A ESCOLA DO AMOR (1 João 4,11-18). A fidelidade a Cristo é um encontro quotidiano dO Senhor, com, por e para os outros. Depois de ter reconhecido o dom dO Pai em Jesus Cristo, somos chamados a entrar na dinâmica da Encarnação. Amar é dar-se aos outros, como O Filho Se dá a todos os homens. É descentrar-se de si mesmo para criar lugar ao outro. Amar os outros, é apoiar-se no amor dO Pai e dO Filho para connosco. Este amor divino é uma escola interior que nos transforma dia após dia. A força para amar os desfavorecidos e os marginalizados vem desta relação interior com a dinâmica da Encarnação. No Natal aprendemos a amar-nos uns aos outros.

“JESUS OBRIGOU OS DISCíPULOS…” (Mar.6,45-52). Como compreender que Aquele que chama livremente os Seus discípulos possa assim forçá-los, tanto mais que esta obrigação significava separarem-se d’Ele e arriscarem-se a ficar sós no meio do mar! Quando, em plena tempestade, os discípulos vêem Jesus a caminhar sobre as águas, “fazendo menção de passar adiante”, então começam a gritar. Deus é um grande pedagogo. Quando nos obriga, é para nos tornar livres. Quando somos submetidos às provações, quando parece que Deus está ausente e até nos ignora, Ele ouve o nosso clamor e diz-nos: “Confiança! Sou Eu, não tenhais medo!”

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 6/JANEIRO/2015

1 João 4,7-10; Sal 71, 2. 3-4ab. 7-8; Marcos 6, 34-44

RECONHECER O DOM (1 João 4,7-10). O amor fica frequentemente um sentimento vago ou emoção efémera. A sua palavra fica calada. Sem dúvida nós esquecemos demasiado depressa o tesouro da Palavra. A carta de S. João é antídoto para a dificuldade de nos apercebermos do amor. Os fiéis de Cristo não devem buscar primeiro um sentimento, mas verem o amor de Deus manifestado em Jesus. Para um cristão, o amor começa ao receber o que O Pai lhe dá totalmente. Então, os seus sentimentos, as suas emoções, as suas relações ficam transformadas. Sim, o amor começa com o reconhecimento do dom. Amar, é receber a vida que Deus quer dar-nos.

“ELE COMEÇOU A ENSINÁ-LOS DEMORADAMENTE…” (Marcos 6,34-44). Se Jesus tivesse falado menos, talvez a hora não estivesse tão avançada… Se Ele não tivesse proclamado longamente a Sua Boa Nova, a multidão não teria ficado faminta diante d’Ele… O milagre da multiplicação dos pães – manifestação dos dons superabundantes de Deus à nossa dependência d’Ele – surge portanto como consequência da Sua longa prégação. Nós temos disso experiência: quanto mais longamente frequentamos a palavra de Deus mais ganhamos consciência que temos fome, que nos falta o alimento; e então mais O Senhor nos pode cumular com os Seus dons. Escutar longamente a palavra para termos fome do Pão da vida, não é precisamente o que nós fazemos em cada Eucaristia?

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.