QUARTA-FEIRA – 7/ JANEIRO/2015

S. RAIMUNDO DE PENAFORTE (1175-1275). Fundou escolas de línguas orientais ; escreveu o manual “Summa contra gentiles”.

1 João 4,11-18 ; Sal 71, 2.10-11.12-13 ; Marcos 6, 45-52

A ESCOLA DO AMOR (1 João 4,11-18). A fidelidade a Cristo é um encontro quotidiano dO Senhor, com, por e para os outros. Depois de ter reconhecido o dom dO Pai em Jesus Cristo, somos chamados a entrar na dinâmica da Encarnação. Amar é dar-se aos outros, como O Filho Se dá a todos os homens. É descentrar-se de si mesmo para criar lugar ao outro. Amar os outros, é apoiar-se no amor dO Pai e dO Filho para connosco. Este amor divino é uma escola interior que nos transforma dia após dia. A força para amar os desfavorecidos e os marginalizados vem desta relação interior com a dinâmica da Encarnação. No Natal aprendemos a amar-nos uns aos outros.

“JESUS OBRIGOU OS DISCíPULOS…” (Mar.6,45-52). Como compreender que Aquele que chama livremente os Seus discípulos possa assim forçá-los, tanto mais que esta obrigação significava separarem-se d’Ele e arriscarem-se a ficar sós no meio do mar! Quando, em plena tempestade, os discípulos vêem Jesus a caminhar sobre as águas, “fazendo menção de passar adiante”, então começam a gritar. Deus é um grande pedagogo. Quando nos obriga, é para nos tornar livres. Quando somos submetidos às provações, quando parece que Deus está ausente e até nos ignora, Ele ouve o nosso clamor e diz-nos: “Confiança! Sou Eu, não tenhais medo!”

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 6/JANEIRO/2015

1 João 4,7-10; Sal 71, 2. 3-4ab. 7-8; Marcos 6, 34-44

RECONHECER O DOM (1 João 4,7-10). O amor fica frequentemente um sentimento vago ou emoção efémera. A sua palavra fica calada. Sem dúvida nós esquecemos demasiado depressa o tesouro da Palavra. A carta de S. João é antídoto para a dificuldade de nos apercebermos do amor. Os fiéis de Cristo não devem buscar primeiro um sentimento, mas verem o amor de Deus manifestado em Jesus. Para um cristão, o amor começa ao receber o que O Pai lhe dá totalmente. Então, os seus sentimentos, as suas emoções, as suas relações ficam transformadas. Sim, o amor começa com o reconhecimento do dom. Amar, é receber a vida que Deus quer dar-nos.

“ELE COMEÇOU A ENSINÁ-LOS DEMORADAMENTE…” (Marcos 6,34-44). Se Jesus tivesse falado menos, talvez a hora não estivesse tão avançada… Se Ele não tivesse proclamado longamente a Sua Boa Nova, a multidão não teria ficado faminta diante d’Ele… O milagre da multiplicação dos pães – manifestação dos dons superabundantes de Deus à nossa dependência d’Ele – surge portanto como consequência da Sua longa prégação. Nós temos disso experiência: quanto mais longamente frequentamos a palavra de Deus mais ganhamos consciência que temos fome, que nos falta o alimento; e então mais O Senhor nos pode cumular com os Seus dons. Escutar longamente a palavra para termos fome do Pão da vida, não é precisamente o que nós fazemos em cada Eucaristia?

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 5/JANEIRO/2015

S. JOÃO NEPOMUCENO NEUMANN (1811-1860). Natural da Boémia, este redentorista tornou-se o arcebispo de Filadélfia onde revelou grande zelo apostólico e “dedicação aos pobres, jovens e orfãos”, edificando mui-tas igrejas, escolas e orfanatos. Foi canonizado pelo BTOPaulo Vl, em 1977.

BTO. PEDRO BONILLI (1841-1935). Sacerdote durante 35 anos em Spoleto, foi o fundador das “Irmãs da Sagrada Família”.

1 João 3,22–4,6; Sal 2,7-8.10-11 ; Mateus 4,12-17. 23-25

RetirouSeParaAGalileia_Tissot“ELE PERMANECE EM NÓS…” (1 Jo.3,22–4,6). Numa época complexa em que vale tudo, em que é difícil escolher e comprometer-se, S. João vem despertar-nos. A sua leitura é um correctivo a todos os “falsos profetas” de 2015. O acontecimento da vinda dO Filho, na nossa carne, é o encontro decisivo da humanidade. Que O filho Se dê, Se rebaixe e permaneça entre nós, eis o que determina a história e o sentido das nossas vidas. Compreende-se porquê os “falsos profetas” O recusam: o consumo e o hedonismo determinam-os, esta ou aquela “grande” política ou científica orienta por completo a sua existência… Tudo o que pedir a Deus, Ele concede-mo, se eu for fiél aos Seus mandamentos. Isto pode ser um grande obstáculo onde “tropeçam” muitos cristãos sinceros, quando confrontados com as dificuldades. STO. Agostinho marca claramente a diferença entre o “acolhimento favorável” para a nossa salvação e a “satisfação” dos nossos desejos: “Aprende a orar a Deus, entregando-te ao médico para Ele fazer o que julge ser bom. A ti bastará declarar a doença, a Ele aplicar o remédio… Fica em paz: a caridade pede e Deus escuta. Ele pode não fazer o que tu queres mas realiza sempre o que te é necessário”. A Epístola de João apela a reconhecermos que O Filho é O vencedor e O maior, pois Ele permanece em nós e dá-nos O Seu Espírito.

“JESUS RETIROU-SE PARA A GALlLElA…” (Mateus 4,12-17.23-25). Será que Jesus, O Filho de Deus Omnipotente, teve medo? Com efeito, o anúncio da prisão de João Baptista, cujo destino adivinhava, fê-lO voltar à Galileia. Em várias ocasiões, Aquele que Se deixará prender na Sexta-feira Santa, evitou expôr-Se demasiado. Porque Ele não Se sentia preparado, ou sobretudo porque os homens ainda careciam do Seu ensino e exemplo? Quer preservando a Sua vida quer dando-a, Jesus tem apenas uma única finalidade: “Proclamar o Evangelho dO Reino e curar todas as doenças”. Assim procede Ele também connosco, Deus entrega-Se, Deus esconde-Se, Deus está presente, Deus está ausente, mas tem em vista apenas a realização do Seu único desígnio: manifestar-Se aos homens para os salvar.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR – 4/JANEIRO/2015

STA. ISABEL ANA SEATON (1774-1821). Episcopaliana convertida ao catolocismo, fundou a Congregaçãodas“Irmãs da Caridade de S.José” para cuidar dos doentes. Foi a primeira mulher nascida nos Estados Unidos da América a ser canonizada.

Isaías 60,1-6 ; Sal 72 ; Efésios 3, 2-3a. 5-6 ; Mateus 2,1-12

AdoracaoDosMagosATÉ ÀS EXTREMIDADES DA TERRA (Mat.2,1-12). Caminhantes em busca de Deus, os magos vieram das quatro cantos da terra. A Palavra guia e orienta-lhes os passos. Eles seguiram a estrela até à humilde mangedoura. Diante da criança recém-nascida, já não há estrangeiros. A partir de agora, Deus encontra-se em qualquer dos lugares da nossa humanidade. Todavia, é necessário ousar procurá-lO e saber descobri-lO! O Senhor manifesta-Se em qualquer parte onde haja pessoas feridas pela vida. Nos lugares onde haja um rosto de homem, imagem de Deus, desfigurado, em quaisquer lugares onde haja uma injustiça a corrigir, aí O próprio Deus faz-Se sempre encontrar. A estrela brilhou para saudar a aurora nova da, agora, eterna manhã do mundo. Em Belém, os magos foram os mensageiros duma humanidade toda chamada à salvação. Com o ouro, com o incenso e com a mirra, tudo está dito nos três presentes dos magos. O ouro próprio para honrar um rei. O incenso para honrar um Deus. A mirra própria para honrar Alguém que vai conhecer e vencer a morte. Tudo o que os magos têm lhE dão. O seu caminho nunca mais será o mesmo por-que as suas vidas e os seus corações se transformaram. Tornaram-se outros e regressaram a casa por outros caminhos. Quantos homens e mulheres não terão também feito um dia a experiência dum encontro com Cristo? Esse encontro mudou-lhes a vida ao ponto de lhes dar uma orientação nova. Mas quantos dos nossos contemporâneos não aguardarão aínda igual encontro? Jesus não tem outras mãos, outras palavras, outros rostos, além dos nossos, para manifestar até aos confins da terra, aos nossos irmãos e irmãs em humanidade, a vida em abundância que nos dá. “Nesta solenidade da Epifania devemos interrogar-nos sobre o impacto que, nas nossas vidas, tem a vinda de Cristo à nossa carne, tal como se relata no Evangelho e se celebra na Liturgia. De facto, a descrição da visita dos magos convida-nos a entrar, como diz Sto. Agostinho:“no íntimo mais profundo do coração”. Seremos nós esse tipo de pessoas que “sabem” mas não se mexem um palmo por estarem presas ao rame-rame quotidiano, impermeáveis a qualquer interrogação? Ou seremos como os magos, que se deixam juntar no desejo de Deus – abrindo-nos ao Seu acontecimento – e aceitando “deslocar-nos” interiormente, arriscando-nos a sair do imediato que conhecemos para ousarmos um encontro? A manifestação de Cristo convida-nos à experiência pessoal de Deus! Todavia, isto implica sairmos para fora, para o relento, com tudo aquilo que nos falta, e deixar-nos tocar e conduzir até ao nosso coração onde a Luz sem ocaso nos aguarda”. Irmã beneditina Emmanuelle Billoteau.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.