SEGUNDA-FEIRA – 5/JANEIRO/2015

S. JOÃO NEPOMUCENO NEUMANN (1811-1860). Natural da Boémia, este redentorista tornou-se o arcebispo de Filadélfia onde revelou grande zelo apostólico e “dedicação aos pobres, jovens e orfãos”, edificando mui-tas igrejas, escolas e orfanatos. Foi canonizado pelo BTOPaulo Vl, em 1977.

BTO. PEDRO BONILLI (1841-1935). Sacerdote durante 35 anos em Spoleto, foi o fundador das “Irmãs da Sagrada Família”.

1 João 3,22–4,6; Sal 2,7-8.10-11 ; Mateus 4,12-17. 23-25

RetirouSeParaAGalileia_Tissot“ELE PERMANECE EM NÓS…” (1 Jo.3,22–4,6). Numa época complexa em que vale tudo, em que é difícil escolher e comprometer-se, S. João vem despertar-nos. A sua leitura é um correctivo a todos os “falsos profetas” de 2015. O acontecimento da vinda dO Filho, na nossa carne, é o encontro decisivo da humanidade. Que O filho Se dê, Se rebaixe e permaneça entre nós, eis o que determina a história e o sentido das nossas vidas. Compreende-se porquê os “falsos profetas” O recusam: o consumo e o hedonismo determinam-os, esta ou aquela “grande” política ou científica orienta por completo a sua existência… Tudo o que pedir a Deus, Ele concede-mo, se eu for fiél aos Seus mandamentos. Isto pode ser um grande obstáculo onde “tropeçam” muitos cristãos sinceros, quando confrontados com as dificuldades. STO. Agostinho marca claramente a diferença entre o “acolhimento favorável” para a nossa salvação e a “satisfação” dos nossos desejos: “Aprende a orar a Deus, entregando-te ao médico para Ele fazer o que julge ser bom. A ti bastará declarar a doença, a Ele aplicar o remédio… Fica em paz: a caridade pede e Deus escuta. Ele pode não fazer o que tu queres mas realiza sempre o que te é necessário”. A Epístola de João apela a reconhecermos que O Filho é O vencedor e O maior, pois Ele permanece em nós e dá-nos O Seu Espírito.

“JESUS RETIROU-SE PARA A GALlLElA…” (Mateus 4,12-17.23-25). Será que Jesus, O Filho de Deus Omnipotente, teve medo? Com efeito, o anúncio da prisão de João Baptista, cujo destino adivinhava, fê-lO voltar à Galileia. Em várias ocasiões, Aquele que Se deixará prender na Sexta-feira Santa, evitou expôr-Se demasiado. Porque Ele não Se sentia preparado, ou sobretudo porque os homens ainda careciam do Seu ensino e exemplo? Quer preservando a Sua vida quer dando-a, Jesus tem apenas uma única finalidade: “Proclamar o Evangelho dO Reino e curar todas as doenças”. Assim procede Ele também connosco, Deus entrega-Se, Deus esconde-Se, Deus está presente, Deus está ausente, mas tem em vista apenas a realização do Seu único desígnio: manifestar-Se aos homens para os salvar.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR – 4/JANEIRO/2015

STA. ISABEL ANA SEATON (1774-1821). Episcopaliana convertida ao catolocismo, fundou a Congregaçãodas“Irmãs da Caridade de S.José” para cuidar dos doentes. Foi a primeira mulher nascida nos Estados Unidos da América a ser canonizada.

Isaías 60,1-6 ; Sal 72 ; Efésios 3, 2-3a. 5-6 ; Mateus 2,1-12

AdoracaoDosMagosATÉ ÀS EXTREMIDADES DA TERRA (Mat.2,1-12). Caminhantes em busca de Deus, os magos vieram das quatro cantos da terra. A Palavra guia e orienta-lhes os passos. Eles seguiram a estrela até à humilde mangedoura. Diante da criança recém-nascida, já não há estrangeiros. A partir de agora, Deus encontra-se em qualquer dos lugares da nossa humanidade. Todavia, é necessário ousar procurá-lO e saber descobri-lO! O Senhor manifesta-Se em qualquer parte onde haja pessoas feridas pela vida. Nos lugares onde haja um rosto de homem, imagem de Deus, desfigurado, em quaisquer lugares onde haja uma injustiça a corrigir, aí O próprio Deus faz-Se sempre encontrar. A estrela brilhou para saudar a aurora nova da, agora, eterna manhã do mundo. Em Belém, os magos foram os mensageiros duma humanidade toda chamada à salvação. Com o ouro, com o incenso e com a mirra, tudo está dito nos três presentes dos magos. O ouro próprio para honrar um rei. O incenso para honrar um Deus. A mirra própria para honrar Alguém que vai conhecer e vencer a morte. Tudo o que os magos têm lhE dão. O seu caminho nunca mais será o mesmo por-que as suas vidas e os seus corações se transformaram. Tornaram-se outros e regressaram a casa por outros caminhos. Quantos homens e mulheres não terão também feito um dia a experiência dum encontro com Cristo? Esse encontro mudou-lhes a vida ao ponto de lhes dar uma orientação nova. Mas quantos dos nossos contemporâneos não aguardarão aínda igual encontro? Jesus não tem outras mãos, outras palavras, outros rostos, além dos nossos, para manifestar até aos confins da terra, aos nossos irmãos e irmãs em humanidade, a vida em abundância que nos dá. “Nesta solenidade da Epifania devemos interrogar-nos sobre o impacto que, nas nossas vidas, tem a vinda de Cristo à nossa carne, tal como se relata no Evangelho e se celebra na Liturgia. De facto, a descrição da visita dos magos convida-nos a entrar, como diz Sto. Agostinho:“no íntimo mais profundo do coração”. Seremos nós esse tipo de pessoas que “sabem” mas não se mexem um palmo por estarem presas ao rame-rame quotidiano, impermeáveis a qualquer interrogação? Ou seremos como os magos, que se deixam juntar no desejo de Deus – abrindo-nos ao Seu acontecimento – e aceitando “deslocar-nos” interiormente, arriscando-nos a sair do imediato que conhecemos para ousarmos um encontro? A manifestação de Cristo convida-nos à experiência pessoal de Deus! Todavia, isto implica sairmos para fora, para o relento, com tudo aquilo que nos falta, e deixar-nos tocar e conduzir até ao nosso coração onde a Luz sem ocaso nos aguarda”. Irmã beneditina Emmanuelle Billoteau.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1º SÁBADO – 3/JANEIRO/2015

SANTíSSIMO NOME DE JESUS. “Deram-lhE o nome de Jesus” (Luc.2,21). Que inefável é o Nome Santíssimo de Jesus! Muito se disse já e se dirá deste Nome, diante do qual“todo o joelho se dobra nos céus, na terra e nos infernos”( Filémon 2,10), e aínda: “Saíram da sala do Sinédrio cheios de alegria por terem sido julgados dignos de sofrer vexames por causa do nome de Jesus”(Act.5,41). Ó Nome de Jesus, exaltado acima de todo o nome, Ó gozo dos anjos, Ó alegria dos justos : em Ti está toda a esperança de perdão, e toda a expectativa de glória!

1 João 2, 29; 3, 6 ; Sal 97.1. 3-6 ; João 1, 29-34

NÃO TENHAMOS MEDO (1Jo.2,29;3,6). O pecado fere as nossas vida e trava-nos a marcha. É uma transgressão que nos cega sorrateiramenre, ocultando-nos o amor que, em Seu Filho Jesus-Cristo, O Pai nos dá . Mais que malícia, o pecado é sempre uma falta de fé. Confessar que O Filho veio para o meio de nós a fim de carregar os nossos pecados, reconhecer-se como filho de Deus, leva-nos a um encontro íntimo com Deus. A confissão do amor dO Pai transforma a nossa vida. Mas a vertigem que esta realidade nos causa pode assustar-nos e fazer-nos agir como se não a conhecêssemos. Todavia, estejamos certos que Ele, O Filho, não nos abandona. Não tenhamos medo do amor que Deus tem por nós !

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª SEXTA-FEIRA – 2/JANEIRO/2015

S. GREGÓRIO NANZIANZENO (329-90) e S. BASíLIO MAGNO (379). Dois amigos, dois bispos e dois dos maiores autores cristãos dos primeiros tempos. Gregório, monge e poeta, patriarca de Constantinopla e cantor da Santíssma Trindade teve que combater a heresia ariana. Basílio foi o panegirista dO Espírito Santo.

1 João 2, 22-28 ; Sal 97,1-4 ; João 1,19-28

UM PROGRAMA DE VIDA (1 João 2,22-28). Ainda hoje, certas ideias nos afastam e nos levam a recusar O Pai e O Filho. Quando se faz de Jesus um ser apenas histórico ignora-se a Boa Nova. Não se pode esquecer a relação filial de Jesus com O Pai. Ao tornar-se homem, O Filho manifestou essa relação, que é a própria vida de Deus. Ao viver entre nós numa ligação estreita com os homens e com O Seu Pai, Jesus introduz-nos e faz-nos habitar n’Ele e nO Pai. A vinda dO Filho pede-nos portanto uma resposta. O tempo de Natal convida-nos a reconhecer em Jesus, nascido num presépio, O Enviado dO Pai que nos dá a vida eterna. Eis-nos pois perturbados mas com um programa de vida esplêndido para 2015!

“QUEM ÉS TU JOÃO-BAPTISTA?” (João 1,19-28). Quem sois vós Paulo de Tarso, Francisco de Assis, Edith Stein? Quem sois vós, santos de ontem e de hoje? De onde vos vêm essas palavras, essa paz e alegria, essa capacidade de doação total de vós mesmos? “Não sou eu !” Isto não vem de mim: sirvo para pouco, não sou nada. Sou só alguém que deixa transparecer O Deus que me habita. É Deus que habita em mim, que vive em nós – até nos que andam distantes – pois, agora, a Sua graça transparece em todos os homens. Misteriosa e perturbadora a figura de João-Baptista, que gasta a vida a anunciar Aquele que vem depois de si e é maior do que ele! Esta sua maneira humilde de encarar o anúncio da fé – com o risco dum “não-reconhecimento” pessoal – é a forma que melhor carac-teriza um discípulo. João abre o caminho que leva à conversão os corações dos que o escutam, propondo-lhes um baptismo de água. Porém, só Jesus permite ultrapassarmos esse sinal de conversão, abrindo-nos a porta do acesso à plena realidade dO Reino. Sim!, Ele está realmente no meio de nós, embora não O reconheçamos de imediato! Deixemo-nos mover pela Sua Presença oculta.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.