1º SÁBADO – 3/JANEIRO/2015

SANTíSSIMO NOME DE JESUS. “Deram-lhE o nome de Jesus” (Luc.2,21). Que inefável é o Nome Santíssimo de Jesus! Muito se disse já e se dirá deste Nome, diante do qual“todo o joelho se dobra nos céus, na terra e nos infernos”( Filémon 2,10), e aínda: “Saíram da sala do Sinédrio cheios de alegria por terem sido julgados dignos de sofrer vexames por causa do nome de Jesus”(Act.5,41). Ó Nome de Jesus, exaltado acima de todo o nome, Ó gozo dos anjos, Ó alegria dos justos : em Ti está toda a esperança de perdão, e toda a expectativa de glória!

1 João 2, 29; 3, 6 ; Sal 97.1. 3-6 ; João 1, 29-34

NÃO TENHAMOS MEDO (1Jo.2,29;3,6). O pecado fere as nossas vida e trava-nos a marcha. É uma transgressão que nos cega sorrateiramenre, ocultando-nos o amor que, em Seu Filho Jesus-Cristo, O Pai nos dá . Mais que malícia, o pecado é sempre uma falta de fé. Confessar que O Filho veio para o meio de nós a fim de carregar os nossos pecados, reconhecer-se como filho de Deus, leva-nos a um encontro íntimo com Deus. A confissão do amor dO Pai transforma a nossa vida. Mas a vertigem que esta realidade nos causa pode assustar-nos e fazer-nos agir como se não a conhecêssemos. Todavia, estejamos certos que Ele, O Filho, não nos abandona. Não tenhamos medo do amor que Deus tem por nós !

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª SEXTA-FEIRA – 2/JANEIRO/2015

S. GREGÓRIO NANZIANZENO (329-90) e S. BASíLIO MAGNO (379). Dois amigos, dois bispos e dois dos maiores autores cristãos dos primeiros tempos. Gregório, monge e poeta, patriarca de Constantinopla e cantor da Santíssma Trindade teve que combater a heresia ariana. Basílio foi o panegirista dO Espírito Santo.

1 João 2, 22-28 ; Sal 97,1-4 ; João 1,19-28

UM PROGRAMA DE VIDA (1 João 2,22-28). Ainda hoje, certas ideias nos afastam e nos levam a recusar O Pai e O Filho. Quando se faz de Jesus um ser apenas histórico ignora-se a Boa Nova. Não se pode esquecer a relação filial de Jesus com O Pai. Ao tornar-se homem, O Filho manifestou essa relação, que é a própria vida de Deus. Ao viver entre nós numa ligação estreita com os homens e com O Seu Pai, Jesus introduz-nos e faz-nos habitar n’Ele e nO Pai. A vinda dO Filho pede-nos portanto uma resposta. O tempo de Natal convida-nos a reconhecer em Jesus, nascido num presépio, O Enviado dO Pai que nos dá a vida eterna. Eis-nos pois perturbados mas com um programa de vida esplêndido para 2015!

“QUEM ÉS TU JOÃO-BAPTISTA?” (João 1,19-28). Quem sois vós Paulo de Tarso, Francisco de Assis, Edith Stein? Quem sois vós, santos de ontem e de hoje? De onde vos vêm essas palavras, essa paz e alegria, essa capacidade de doação total de vós mesmos? “Não sou eu !” Isto não vem de mim: sirvo para pouco, não sou nada. Sou só alguém que deixa transparecer O Deus que me habita. É Deus que habita em mim, que vive em nós – até nos que andam distantes – pois, agora, a Sua graça transparece em todos os homens. Misteriosa e perturbadora a figura de João-Baptista, que gasta a vida a anunciar Aquele que vem depois de si e é maior do que ele! Esta sua maneira humilde de encarar o anúncio da fé – com o risco dum “não-reconhecimento” pessoal – é a forma que melhor carac-teriza um discípulo. João abre o caminho que leva à conversão os corações dos que o escutam, propondo-lhes um baptismo de água. Porém, só Jesus permite ultrapassarmos esse sinal de conversão, abrindo-nos a porta do acesso à plena realidade dO Reino. Sim!, Ele está realmente no meio de nós, embora não O reconheçamos de imediato! Deixemo-nos mover pela Sua Presença oculta.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª QUINTA-FEIRA – 1/JANEIRO/2015

STA. MARIA, MÃE DE DEUS. À volta dO Menino na mangedoura, os pastores relatam, glorificam e
louvam a Deus. Toda a gente se espanta. Maria retém os acontecimentos e medita-os no coração.

Números 6, 22-27 ; Sal 66, 2-3. 5-8 ; Gálatas 4, 4-7 ; Lucas 2,16-21

“ADOPTADOS COMO FILHOS.” (Gál.4,4-7). Paulo, tal como na carta aos Romanos (Romanos 8), evoca aqui um termo jurídico : “adopção filial” (huiothesia). No mundo greco-romano, a sociedade estava dividida em dois compartimentos absolutamente estanques : os escravos que não tinham quaisquer direitos e os filhos, herdeiros dos pais. Ora, por princípio, a filiação era sempre adoptiva, ou seja: a criança acabada de nascer só era reconhecida como filha e herdeira se o pai a tomava, erguia e adoptava (os outros filhos eram expostos e deixados morrer). Compreende-se assim melhor a força desta afirmação: a partir de agora, todos nós, judeus e pagãos, escravos e homens livres, homens e mulheres, somos acolhidos como filhos muito queridos. À semelhança de Cristo, podemos chamar a Deus “Pai”.

SantaMariamaeDeDeusGEREMOS O FILHO! (Luc.2,16-21). Passou há 8 dias o Natal e enquanto os pastores regressam aos campos com o coração mais ligeiro que o ar a que estão habituados – a cantar mais alto que os mais altos campanários -, a Mãe, amadurece O Acontecimento no segredo do seu coração. Os pastores guardam as ovelhas enquanto ela guarda O Mistério; não apenas para Si, mas para todos nós que O viveremos no futuro, porque – no segredo – ela já é Igreja. Igreja, que hoje celebra novamente um acontecimento inaudito: O Filho de Deus “nascido de uma mulher”. Maria abre o ano e abre os caminhos da humanidade a Deus. À sua imagem, todos somos chamados a gerar O Filho, em nós e à nossa volta, como disse o padre Emanueld’Alzon, fundador dos Assuncionistas. A experiência da maternidade muda uma mulher interiormente e socialmente. Acontece o mesmo na nossa relação com Cristo. Ao trazer em nós O Filho, e dando-O à nossa volta, a nossa vida transformar-se-à. Maria é então a nossa mãe, porque ela ensina-nos a gerar O Filho, para podermos chamar, em conjunto, “Abba” aO Pai de todos nós.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 31/DEZEMBRO/2014

S.SlLVESTRE l(335). O pontificado deste papa, eleito em 314, coincidiu com o reinado do imperador Constantino que, pelo édito de Milão (313), deu liberdade de culto aos cristãos.

1 João 2,18-21 ; Sal 95,1-2.11-13 ; João 1,1-18

AbrahamVanLingeNA NOITE DOS TEMPOS. O inverno chegou melancólico e o ano de 2014, nesta noite, irá soltar o último suspiro. Mais um ano se vai acrescentar à idade do mundo, idade que aliás jamais conheceremos exactamente. Mas será mesmo útil ou necessário que o saibamos? Ora, é à cabeceira do ano que agoniza que lemos o mais solene e santo dos prefácios. Toda a gente nos diz que tudo recomeça sem cessar, que – no fundo – nada muda e que apesar das muitas festas artificiais e febris celebradas no mundo, todos se aborrecem. Bem-aventurados os que renovam os seus corações e renovam o próprio tempo no eterno começo de Deus! Na origem da História que não conhecemos e que – por vezes – nos causa medo, está a Palavra, está a luz. Está Deus – Deus e um Menino – está um Deus feito homem, estão as testemunhas que Ele envia, e n’Êle, a possibilidade de todos os homens se tornarem filhos de Deus: como é bom, em segredo, sabermos isto! É suficiente para que O possamos ver – longe de todos os “reveillons”, sem sentido -, e ver com mais clareza. Ó!, como é de facto tão claro este entardecer na noite dos tempos !

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 30/DEZEMBRO/2014

1 João 2,12-17 ; Sal 95, 7-10 ; Lucas 2, 36-40

PriofetizaAna_TissotANA, VELHA “IGREJA-MULHER” (Luc.2,36-40). Há tão pouco tempo que Jesus Cristo, a Palavra, veio ao mundo – e nele permanece – e como Ele nos faz já falar tanto de Si! Desde a noite do Seu nascimento, quando os pastores já diziam: “Vamos ver o que se passa!” E, eis que a velha Ana, reclusa há muitos lustros na “sacristia” dO Templo, também ouviu falar d’Ele e não fala senão d’Ele, com a volubilidade deliciosa duma mulher, de idade avançada, que a vida não desiludiu, pois continua bondosa e ingénua. Estranha, esta mulher! Antiga como a “Antiga Aliança”, antiga como essa Lei que hoje passa a uma nova era, Ana, gasta como um longo pergaminho, como a sua Escritura doméstica que desenrolaria com os seus dedos trémulos, e que – graças à sua memória sólida – sabia de cor, de tanto a meditar dia e noite. Tornou-se profetiza à força de ler e reler os profetas, e de esperar. Taciturna por estado, esta enamorada, só fala da Palavra e com que entusiasmo! Parece estar ali a prefigurar a Igreja – tão antiga e, ao mesmo tempo, nova -, Igreja que está sempre a insistir na Palavra, a lê-la e a comentá-la. Porque é “na” e “pela” Igreja que O Menino cresce, que a Palavra cresce e Se propaga. A Igreja, meditativa e missionária, tal como Ana, a mulher estéril que louva Deus no Templo, e como Maria, testemunha do crescimento secreto de Jesus em Nazaré: duas figuras da fecundidade. Uma e outra são testemunhas da obra de Deus; uma e outra aceitam o caminho que se abre para elas. Ana, sem filhos, podia ter-se tornado amarga. Maria, sem compreender, podia ter-se revoltado. Mas elas, pelo contrário, escolhem o caminho da docilidade e da contemplação, aceitando assim a salvação que batia à sua porta e às portas do mundo. Seremos nós capazes, como elas, de ultrapassar as nossas desilusões e acolher O Deus que passa no dia-a-dia das nossas vidas?

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.