SEGUNDA-FEIRA – 29/DEZEMBRO/2014

S. TOMÁS BECKET (1117-1170). Arcebispo de Cantuária. Com esta nomeação converteu-se radicalmente, pois antes tinha sido fiel longos anos ao rei Henrique II com quem partilhara a vida desregrada. Depois foi um prelado austero. Em conflito com o rei teve que exilar-se durante 6 anos. Foi assassinado na Catedral pouco após regressar do exílio.

1João 2,3-11; Sal 95,1-3. 5b-6; Lucas 2,22-35

ANTIGO / NOVO (1 João 2,3-11). Um mandamento antigo ou um mandamento novo? O texto parece hesitar. O mandamento do amor não é novo, pois já no Livro do Levítico se escrevia : “Tu amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lev.19,18). A Antiga Aliança não prescreveu, ela só é antiga à vista da novidade de Jesus-Cristo que cumpre a promessa de Deus. E o mandamento do amor, cláusula da Aliança antiga, participa do único desígnio de Deus que renova sem cessar a face da terra. Iluminado por um dia novo, no qual O Filho dá a Sua vida por amor, o mandamento terá ainda que tornar-se novo em cada um, iluminando os dias de trevas da nossa existência.

ApresentacaoDeJesus_rIZIAS IMAGENS DA CONFIANÇA (Lucas 2,22-35). Ao apresentarem Jesus no Templo, Maria e José recebem-nO de uma forma nova. Consagrar O seu Menino aO Senhor, é de algum modo aceitar serem desapossados d’Ele, reconhecerem que Ele “pertence” a Deus e que eles não são os senhores da Sua vida. Eles fazem já disso experiência através das pala-vras de Simeão, que na verdade não compreendem mas acolhem com toda a verdade. Maria e José são assim as imagens por excelência da confiança que irá permitir aO Senhor cumprir neste mundo a obra da salvação. Peçamos hoje a graça de vivermos com esta mesma disponibilidade e este mesmo desprendimento.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

Domingo dentro da oitava do Natal – 28/DEZEMBRO/2014

SAGRADA FAMíLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ. Sob o olhar de Deus, Maria e José, cumprem a Lei e apresentam Jesus no Templo. A graça de Deus estava com O Menino!

Gén.15,1-16; 21,1-3 ; Sal 104, 1b-6. 8-9 ; Hebr.11, 8.11-12.17-19 ; Luc. 2, 22-40

ApresentacaoDeJesus_OverbeckA AVENTURA FAMILIAR NA FECUNDIDADE DA FÉ (Luc.2,22-40). Aguns dias após o Natal a Igreja celebra já a Sagrada Família a apresentar nO Templo O Menino inocente que mais tarde será também “massacrado” e há-de, na profecia de Simeão, trazer a Maria dores iguais ou maiores às das mães dos santos inocentes. José e Maria fazem aqui uma experiência desconcertante: eles não são os proprietários do seu menino. Os homens não dão a vida, apenas a transmitem. Só O Pai está na origem da vida. Para as crianças, eis um apelo ao crescimento porque a sua vida é desejada por Deus. Para qualquer pai, ela traz uma missão importante: acolher uma criança com todas as ligações que a farão desenvolver na sociedade dos homens. Em família, a esfera previlegiada dos compromissos colectivos, trata-se de combinar intimidade e responsabilidade. Com a cerimónia no Templo, Jesus é integrado na sociedade do Seu tempo. Simeão dá, diante de todos, o testemunho que Ele é O Messias dO Senhor, anunciado em Israel. Ana profetiza que esta “criança-Deus” será a salvação de todos. A festa da Sagrada Família convida-nos a oferecer hoje aO Senhor as nossas famílias. Quaisquer que sejam os seus desafios, a sua missão permanece universal. O dom da vida vem de Deus mas é confiado à responsabilidade de cada um. Para Abraão (ou Abrão) a prova era ter confiança : “Não temas Abrão, Eu sou um escudo para ti”. Para Sara, era acreditar ser Deus capaz do impossivel. Crentes ou não, a aventura familiar continua a ser a mesma. E quer sejamos ou não pais, a experiência da fecundidade da fé da Sagrada Família fixa a nossa atenção especialmente naqueles que contam connosco para crescerem em sabedoria e santidade. Este texto pode ajudar-nos a centrar as nossas celebrações à volta de Cristo, Luz do mundo. Somos cristãos vindos de horizontes diferentes, como os pais de Jesus por um lado, e Ana e Simeão por outro, mas Ele é quem nos une para confessarmos a nossa fé e testemunharmos a nossa experiência de salvação. Porém, para que as celebrações que fazemos tenham alta densidade, é importante que elas sejam simultâneamente preparadas e prolongadas no tempo pela oração pessoal, meditação das Escrituras e re-leitura da vida. Também, para que louvor não seja puramente formal, é necessário cultivar uma expectativa e um olhar de fé sobre os acontecimentos. Peçamos aO Senhor que faça crescer o nosso desejo d’Ele, que nos desperte o olhar para além das aparências, e que nos torne disponíveis ao toque dO Espírito que fará de nós uma “oferenda à Sua glória”.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 27/DEZEMBRO/2014

1 João 1,1-4 ; Sal 96,1-2. 5-6. 11-12 ; João 20, 2-8

SaoJoaoApostoloeEvangelistaO discípulo amado do 4º evangelho está associado ao apóstolo João que tinha grande proximidade com Jesus. Ele está presente em todas as etapas importantes do ministério de Jesus. É ele que recebe Maria depois da morte dO Mestre; e é também ele, que – no momento da Ressurreição -, atesta de maneira decisiva aquilo que viu e naquilo que acredita. Pedro tem o papel da autoridade, conferida por Cristo, mas João é o discípulo que mais se identifica com Ele, que vive uma vo-cação de perfeita ressonância – objectiva e subjectiva – com Jesus. João é por excelência aquele que foi chamado a acreditar duma forma absolutamente pessoal e carismática. Mas Pedro e João não andam um sem o outro e a sua complementaridade é fecunda. Evitemos o perigo de julgar que só há uma maneira para abordar as coisas da fé. Nestes dias de Natal, acolhamos a fé comum da Igreja e procuremos que ela se identifique cada vez mais connosco, para podermos ser testemunhas verídicas, entusiastas e alegres.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 26/DEZEMBRO/2014

STO. ESTEVÃO (séc. I). Estêvão foi o primeiro mártir da Igreja. Morreu lapidado depois da ressurreição de Cristo

Actos 6, 8-10 ; 7, 54-59 ; Sal 30, 3cd-4. 6. 16bc. 17 ; Mateus 10, 17-22

SantoEstevaoESTÊVÃO, PROTO-MÁRTlR (Mat.10,17-22). A liturgia celebra, no dia a seguir ao Natal, a festa do 1º mártir da Igreja: o diácono Estêvão. Jesus, desde o primeiro instante da Sua vinda ao mundo, introduz-nos no mistério da Sua Páscoa. Sendo discípulos de Cristo não podemos refugiar-nos num casulo piegas, com o pretexto duma religião consoladora. Para seguir a Cristo, não há outro caminho a não ser o de dar a própria vida em todas as circunstâncias. Mas os discípulos não estão abandonados a si mesmos. Na medida em que forem autênticamente disponíveis, O Espírito de Deus falará e agirá neles, e nem a morte O poderá afastar. Abandonemo-nos inteiramente ao que permanece, ultrapassando o reflexo espontâneo que nos faz crer estar mais vivos quando nos agarramos ao que é passageiro, para assim estar Vivos segundo a Eternidade de Deus.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 25/DEZEMBRO/2014 NATAL DO SENHOR

Isaías 52, 7-10 ; Sal 97,1-6 ; Hebreus 1,1-6 ; João 1,1-18

SaoJoaoEmPatmos_Memling“NO PRINCíPiO…” (João 1,1-18). Quantos anos terá João meditado no retiro de Patmos, para escrever estas breves linhas? Desde as primeiras palavras somos submergidos no coração do projecto de Deus. João retoma o vocabulário do livro de Génesis que diz: “No princípio, Deus criou o céu e a terra”. É necessário entender a profundidade da palavra “princípio” no amplo sentido bíblico : não se trata de uma simples datação cronológica. Os dois relatos da Criação propostos nas primeiras páginas da Bíblia não têm pretensão histórica: mais profundamente, apontam-nos o sentido da nossa vida aos olhos de Deus. Para os que viveram com Jesus, tudo se clarificou: “No princípio era O Verbo!”. A mensagem fundamental do Natal está neste prólogo de S.João: “O Verbo fez-se carne e habitou entre nós, e nós vimos a Sua glória”. S. João – o teólogo – afirma claramente a Encarnação dO Senhor. Não é certo que esta realidade da fé esteja perfeitamente integrada na mentalidade dos cristãos de hoje. Falta saber o que entendemos por “Encarnação dO Senhor”. É impossível dar-se uma resposta totalmente desenvolvida da fé, mas nunca devemos colocá-la depressa demais na “prateleira” dos valores tradicionais. Cada época e cultura – e até cada pessoa – tem que re-apropriar-se dos diferentes aspectos do dogma. Ele contém toda a graça da revelação bíblica, mas necessita esclarecimento constante e interpretação em Igreja. Oremos para a expressão da nossa fé ser pertinente, e assim muitos a recebam e guardem.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.