QUARTA-FEIRA – 24/DEZEMBRO/2014

S. CHARBEL MAKHLOUF (1828-1898). Monge eremita libanês. O papa Pio XII assinou o decreto que deu início ao processo de beatificação do Padre Charbel, dizendo expres-samente: “O Padre Charbel já gozava, em vida, sem o querer, da honra de o chamarem santo, pois a sua existência era verdadeiramente santificada por sacrifícios, jejuns e abstinências. Teve uma vida digna de ser chamada cristã e, portanto, santa. Agora, após a sua morte, ocorre este extraordinário sinal deixado por Deus: seu corpo transpira sangue, sempre que se lhe toca, e todos os que, doentes, tocarem com um pedaço de pano as suas vestes constantemente húmidas de sangue, alcançam alívio nas suas doenças e não poucos até se veem curados. Paulo VI canonizou-o em 1977, em Roma, na que foi a 1ª proclamação por um Papa da santidade de um membro de uma Igreja de Rito oriental.

Missa do dia: 2 Samuel 7, 1-5. 8b-12.14a.16 ; Sal 88, 2-5. 27. 29 ; Lucas 1, 67-79 

Vigília do Natal: Is. 62,1-5 ; Sal 88, 4-5.16-17. 27. 29; Actos13,16-17. 22-25 ; Mateus 1,18-25

Noite do Natal: Isaías 9, 1-6 ; Sal 95, 1-3. 11-13 ; Tito 2, 11-14; Lucas 2, 1-14

AdoracaoDosPastores_CastroO DESEJO DE CONTEMPLAR O ROSTO DO SENHOR (Luc.1,67-79). O cântico de Zacarias a celebrar o dom de Deus que é a vinda de Cristo, Sol nascente, é uma oração de acção de graças. No Antigo Testamento o tema da luz é com frequência associado ao tema do “rosto” de Deus: “…respandeça sobre nós, Senhor, a luz do Teu rosto” (Salmo 4,7). Em Jesus, Deus tomou rosto de homem: “E O Verbo fez-Se homem (…) e nós vimos a Sua glória” (Jo.1,14). O Senhor recordou-Se dO Seu Povo. Visitou-o ao longo da história, por intermédio dos patriarcas, de David, dos reis e dos profetas. Esta memória santa era acompanhada de promessas concretas. Precisamente agora, o tempo dos promessas deu lugar ao tempo do seu cumprimento. João Baptista abre o caminho da Salvação, da iluminação, da saída das trevas. Anuncia o Sol que vem do alto. Sim, a Salvação é como uma nova luz que ilumina o sentido das nossas vidas, e nos permite levá-las a bom termo, graças ao amor e à ternura do nosso Deus que é O Único que pode guiar-nos no caminho da verdadeira paz.

QUEM GOSTA DO NATAL? (Luc.2,1-14). O Natal é uma festa que acorda sentimentos de solidão e de sofrimento em muitas pessoas, sobretudo nas que vivem isoladas ou em situação de exclusão. Mas hoje esta dificuldade está a alastrar. Talvez por isso, haja cada vez mais famílias a viver um Natal solidário com os mais pobres, e uma festa sob o signo do comércio justo e do respeito pela Criação. As iniciativas para celebrar o Natal “de outra forma” confirmam a necessidade de dar um verdadeiro sentido a esta festa. A experiência plena da alegria do Natal não é tão simples nem tão natural como pode pensar-se. Ela é, sem dúvida, um acto de fé. A Escritura pode esclarecer-nos. No ANTIGO Testamento, Isaías (Is.9,1-6) faz-se eco dum povo que aguarda. Uma expectativa ancestral, transmitida de geração em geração. E o NOVO Testamento confirma que a expectativa se confirmou: Deus veio habitar o nosso mundo. A pergunta é-nos feita directamente: estaremos nós a esperar? Que esperamos nós? Será possível ter alegria se nada esperarmos? Para Maria e para José, isto era bem evidente. Apesar de todos os anjos e “anunciações”, eles guardavam essas coisas no coração. Um acto de fé. Desde sempre, para se sentir a alegria do Natal, há que se saborear primeiro a alegria de Deus a dar-nos O Seu Filho.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 23/DEZEMBRO/2014

S. JOÃO CÂNCIO DE KETY (1390-1473).  João Câncio, natural de Kety, estudou e doutorou-se na universidade de Carcóvia, onde ficou professor após ser sacerdote. Grande benfeitor dos pobres, vivia ele próprio como pobre. A sua humildade era acompanhada pela simplicidade de uma criança. Após acabar o ensino, dirigia-se para a igreja onde ficava em oração e contemplação diante de Cristo na Eucaristia. Morreu durante a missa da vigília do Natal. Foi canonizado por Clemente Xlll, em 1767. Padroeiro da Polónia e da Lituânia.

Malaquias 3,1-4. 23-24 ; Sal 24, 4bc-5ab. 8-10.10-14 ; Lucas 1, 57-66

ZacariasEscreveONomeDeJoaoA GRAÇA DE DISCERNIR (Lucas 1,57-66). Isabel convida-nos a também tomarmos em consideração a novidade que Deus instaura nas nossas vidas. Isso implica posicionar-nos de forma inédita, tal como ela o fez relativamente à sua tradição familiar, sem ceder ao peso dos acontecimentos e à rotina. Porque se certamente há uma coerência no desígnio de Deus, com o que ele tem de continuidade, há igualmente pontos de rotura que apenas O Espírito nos pode ajudar a discernir. “Quem virá a ser este menino?” É sob o signo da incerteza que termina hoje o evangelho. Porém, todos sabem que “a mão dO Senhor está sobre ele”. A sua atitude é reveladora da tensão típica da vida cristã: por um lado a incerteza e a expectativa da vinda dO Senhor, e por outro, a confiança e a certeza da presença de Deus. Digamos, com a antífona do Magnificat: “Ó Emanuel, nosso rei e legislador, que todos os povos aguardam como Seu Salvador, vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus!”

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 22/DEZEMBRO/2014

STA. FRANCISCA XAVIER CABRíNI (1850-1917). Santa activa, audaz, sem um desfalecimento, uni-da a Deus e confiada no Coração de Jesus e em S.Francisco Xavier. Com o apoio de Leão XIII, fundou, em 1877, as “Missionárias do Sagrado Coração de Jesus”, cujo alvo de missão era, escreveu ela, “o Ocidente, não o Oriente como fez S.Francisco”. Entre 1901 e 1913 emigraram para a América 4.711.000 italianos e um grande número de italianos ficava em Nova York. Em trinta anos de atividade, Francisca Cabrini fundou (1889) um orfanato em Nova York, a primeira de 67 instituições na Itália, França, nas Américas, e no Brasil. Morreu de desinteria no hospital de Chicago, já cidadã americana. Foi canonizada em 1949 pelo papa Pio Xll.

BTA. JUTTA DE SPANHEIM (1091-1136). No mosteiro beneditino de Disiboden (cerca de Maiença), ensinou Hildegarda de Bingen, sua futura sucessora, com 8 anos, a escrever e dirigiu-a no caminho da santidade. Jutta era praticante severa do ascetismo, incluindo a auto-flagelação penitencial e utilizando uma corrente de ferro como cilício.

1 Samuel 1, 24-28 ; 1 Samuel 2, 1. 4-8 ; Lucas 1, 46-56

OMagnificatNaVisitacaoO MAGNíFICAT É UM CÂNTlCO CONTESTÁRIO (Lucas 1,46-56). Apesar dO “Magnificat” se ter tornado uma oração oficial da Igreja, temos que render-nos à evidência de que ele é, de facto, um texto destabilizador. Ele surge-nos em “contra-mão”, face a todos os nossos reflexos habituais. Ele exalta a humildade de Maria e diz-nos estar aí o segredo da sua bem-aventurança; confirma que Deus dispersa e despede os poderosos e orgulhosos, mas exalta os humildes; afirma que cumula de bens todos os necessitados e esvazia aqueles que vivem na abundância de bens. De facto, O “Magnificat” é a tradução – em acção de Graças – das Bem-aventuranças. Esboça o retrato de Jesus e, ao mesmo tempo, o retrato de Maria, que se tornou a Sua primeira discípula. A sua lógica é a que necessitamos obter para vivermos como testemunhas dO Reino. Com Maria cantemos, na fé, este cântico de louvor, cântico que permite a Deus actuar concretamente em cada um de nós, para que o testemunho da encarnação de Jesus se torne, realmente, testemunho na nossa carne.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.

IV DOMINGO DO ADVENTO – 21/DEZEMBRO/2014

S. PEDRO CANíSIO (1521-1597). Pedro Canísio nasceu em Nimega (hoje na Holanda, então parte da Alemanha). Foi teólogo no Concílio de Trento. Grande pregador e professor, lutou contra a expansão do protestantismo nos países germânicos. Daí o seu título de “segundo apóstolo da Alemanha, depois de S.Bonifácio”. Das 36 obras que escreveu, o mais célebres é o “Catecismo”, em 3 volumes, com perguntas e respostas sobre a fé. Doutor da Igreja.

2 Samuel 7,1-5. 8b-12.14a.16 ; Sal 88, 2-5. 27. 29 ; Rom.16, 25-27 ; Lucas1, 26-38 

AAnunciacaoDoAnjoQUE NOVlDADE! (Lucas 1,26-28). Eis-nos novamente, com Maria, imersos no mistério da expectativa do Natal. No meio dos anúncios das gares ferroviárias e dos aeroportos, dos “spots” publici-tários, ou ainda, dos acontecimentos assinalados nas redes sociais, esta é a “bomba noticiosa” que deveria abrir todos os media e ser “prime time” de todos os telejornais. “Como sucederá, se não conheço homem?” Aqui está uma frase surpreendente para os espíritos modernos. Sendo Deus Todo-Poderoso – a Deus tudo é possível – porque teria Ele feito surgir um novo ser no ventre duma mulher sem intervenção de homem? O mais importante da mensagem não está porém aqui. A linguagem um pouco misteriosa desta narrativa faz parte do tesouro da expressão religiosa : se o Verbo de Deus ia tornar-se carne era importante que manifestasse desde o início a Sua identidade particular. Nasce de uma mulher mas a Sua origem é mais abrangente que a de uma simples paternidade terrestre: O Seu Pai é Deus, como Jesus não cessará de repetir nos evangelhos. Hoje é-nos anunciado que Maria será a mãe dO Salvador, que terá por nome “Emanuel”, “Deus connosco”. Para além da ressonância mediática sobre a qual nós não temos controle, faltará saber o que os ouvintes desta tão grande novidade, desta Boa Nova, irão fazer com uma informação que ultrapassa o imaginável. Quem poderia adivinhar, além dos que tinham lido e meditado profetas como Elias, que Deus iria entrar assim na nossa história, pela porta dum estábulo e não, ao som das trombetas, por um arco de triunfo real? Certamente por o homem ser tão pequeno, foi necessário Deus entrar entrar no mundo através das fragilidades das nossas vidas e da história dos homens. Com a certeza de que O Espírito Santo nos “cobrirá” e nos englobará a todos nesta vocação nova da huma-nidade: transformar-nos numa grande família que terá não apenas Deus como Pai, mas também como Irmão. Como terá sido exactamente a Sua concepção jamais alguém o poderá saber. Foi na verdade obra dO Espírito, seja qual fosse a forma a que O Espírito tenha recorrido. Voltemo-nos para Maria, com infinito respeito pela sua fé de discípula, nunca posta em causa. Que a sua intercessão nos guie no mesmo caminho!

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.