SEXTA-FEIRA – 10/OUTUBRO/2014

SaoDanielComboniS. DANIEL COMBONI (1831-81). Sacerdote, partiu com 26 anos para África onde ficou sensibilizado com a desgraça dos escravos, apesar da escravatura já estar oficialmente abolida.  Propõe-se então salvar a África com os africanos, fundando escolas, hospitais e universidades. Fundou (1867) o “Instituto para as Missões” princípio daquilo que hoje são os Missionários Combonianos. Ordenado Bispo da África Central (1877), logo ordena o primeiro padre africano, antigo escravo.  O Papa S.João-Paulo ll beatificou-o em 1996 e canonizou-o em 2003.

Gálatas 3, 7-14 ; Sal 110, 1-6 ; Lucas 11,15-26

DIÁLOGO COM DEUS (Gálatas 3,7-14). Para mostrar que o desígnio de Deus é a salvação de todos os homens sem distinção, Paulo apoia a sua argumentação na Escritura e, em primeiro lugar, na promessa feita a Abraão: “Em ti serão abençoadas todas a nações”.   Eis o que a Escritura “ tinha previsto”… Mas o verbo grego é muito mais forte, ele é um composto do termo “evangelho” que significa precisamente: A Escritura “tinha anunciado antecipadamente a Boa-Nova”. Porque ao longo de todo o percurso de Israel – a Lei e profetas o testemunham – uma Boa-Nova se anunciava no horizonte duma história de servidão e de libertação, de aliança e de infidelidade, de promessas e de traições. Uma Boa-Nova que alcançará um dia todos os homens em Jesus crucificado e ressuscitado.

COMO BELZEBU SE INSTALA (Lucas 3,7-14).   O evangelho de hoje tem algo a ver com a “táctica do diabo”: como faz ele para ganhar o terreno que o deixamos ocupar na nossa alma e no nosso imaginário?  Cristo diz-nos que é dividindo, minando os equilíbrios e, sobretudo, contornando a nossa necessária vigilância. Mas, o exemplo da “casa varrida e bem arrumada” dá que pensar : talvez o desejo de impecabilidade porventura insidiosamente orgulhoso, seja uma porta aberta ao demónio? O demónio usa várias formas de orgulho que podem esconder-se sob a exemplaridade. Será melhor varrer simplesmente, com humildade, do que… varrer demasiado bem!

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 9/OUTUBRO/2014

BTO.BeatoJohnHenryNewman JOHN HENRY NEWMAN (1801-90). Padre anglicano que entrou na Igreja católica aos 44 anos, o Cardeal Newman foi um dos grandes pensadores cristãos do séc. XlX. Beatificado por Bento XVI, em 2010.

S. JOÃO LEONARDO (1541 -1609).  Discípulo, em Roma, de S. Francisco de Néri que repetia muitas vezes: “Tornar-se alguém santo, não é tudo, caro amigo; o importante é continuar a sê-lo”, este antigo farmacêu-tico lançou os fundamentos dos “Padres Regulares da Mãe de Deus” que promoviam a devoção à Virgem Maria, a devoção das 40 horas e a devoção da comunhão frequente.  Foi canonizado em 1938.

Gálatas 3, 1-5 ; Lucas 1, 69-75 ; Lucas 11,15-26

PEDIR COM FÉ (Lucas 11,15-26). É estranha esta parábola do amigo que vem em plena noite para obter três pães.  Ela é estranha, por-que Jesus nos fala da oração em termos que evocam a sem-cerimónia, a insistência, quase a falta de educação.  Isto afasta-nos duma certa visão da oração que seria uma espécie de desprendimento, de saída de si para chegar a um mundo que não é, em nada, o nosso. “Pedi e obtereis ; procurai e encontrareis ; batei e abrir-se-vos-á…” Estas não são ordens, mas convites de Cristo, injunções: um convite  firme, mas que nos deixa livres.  Aliás no Evangelho, Cristo diz que nós ainda não “pedimos nada”; sub-entendido: nós ainda não ousámos verdeiramente pedir, ou então não pedimos com suficiente fé (Mat. 21,22) o que “convém” que peçamos aos olhos de Deus para nosso bem.   Ousemos pois pedir. Com Deus, a sem-cerimónia do amigo da parábola é necessária.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 8/OUTUBRO/2014

STA. PELÁGIA (séc. IV). Segundo a tradição, esta jovem de 15 anos, natural de Antioquia,  ter-se-á atirado do alto da sua casa para escapar ao magistrado que pretendia abusar dela.

SantoArtoldo_ZubaranSTO. ARTOLDO (1101-1206). Monge cartuxo francês, nasceu no ano da morte de S. Bruno, fundou um mosteiro na Diocese de Genebra e morreu em aura de santidade com 105 anos, repetin-do: “Amai-vos uns aos outros; que a caridade seja sempre o elo a unir-vos todos em Cristo”.

Gálatas 2,1-2. 7-14 ; Sal 116 ; Lucas 11,1-4

“ENSlNA-NOS A REZAR…” (Lucas 11,1-4).  Este discípulo anónimo terá imaginado o alcance do seu pedido? Eis que a resposta dO Senhor será retomada através do mundo inteiro pelos cristãos de todos os tempos! Maravilhoso discípulo que ousou com simplicidade pedir a Jesus que o ensinasse a rezar. Tal como O Senhor na Sua oração Se volta para O Pai (Jo.7), assim Ele nos ensina, a nós também, a voltar-nos com Ele para O Pai.  No centro da oração de Jesus está a Sua relação filial, um movimento  dO Filho para O Pai em resposta ao amor que d’Ele recebe eternamente. Jesus deu-nos O Pai-Nosso para acompanhar a nossa vida. É bom que renovemos o nosso amor por esta oração única e primordial, constatando humildemente que devemos  reaprender a orar com Cristo e os Apóstolos. Depois de ter santificado O Nome dO Pai e esperado O
Seu Reino, debruçamo-nos  sobre as necessidades essenciais : o pão, o perdão recíproco, a vigilância moral.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 7/OUTUBRO/2014

Anunciacao_TiepoloNOSSA SENHORA DO ROSÁRIO. Esta festa recorda-nos que a recitação do Rosário, centrado sobre os mistérios de Jesus e de Maria, coloca a sua contemplação ao alcance do povo cristão. Invoquemos e oremos a Nossa Senhora do Rosário para que nos dê um desejo sempre mais enraízado de meditarmos com ela os mistérios de Cristo. Para que a sua presença ao nosso lado nos alcance mais assiduamente o gosto de viver como ela, nossa mãe e irmã mais velha na fé, “segundo a Palavra”. Hoje podemos pedir à Virgem Maria que nos faça atravessar a densidade e intensidade de tudo o que é alegria, luz, dor e glória nas nossas vidas, com uma confiança e esperança renovadas!

Actos 1, 12-14 ; Lucas 1, 46-55 ; Lucas 1, 26-38

“COBRIR-TE-Á COM A SUA SOMBRA…” (Luc.1,26-38). A imagem da expressão “estender a sombra, ornar, cobrir” ganha sentido graças aos ecos que desperta na Escritura. Esta evoca em primeiro lugar o relato da Criação no início do Génesis, quando O Espírito de Deus pairava sobre as águas; ela recorda também a presença da nuvem, na qual O Senhor acompanhava o Seu povo, no Êxodo, para o salvar.
Mas o verbo é sobretudo retomado por Lucas na cena da Transfiguração: a nuvem de onde vem a voz de Deus cobre com a sua sombra Jesus e os discípulos; eles compreendem então ser Ele “O Filho” (Luc.9,34). É assim anunciado que, em Maria, Deus vem preparar um mundo novo, liberto das forças do mal e da morte: Jesus é O Filho primogénito de uma nova Criação.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 6/OUTUBRO/2014

S. BRAparicaoDaVirgemMariaASBrunoUNO (1032-1101). Natural de Colónia, ensinou teologia em Reims e depois retirou-se com seis companheiros para o maciço da Grande-Cartuxa (Isère), “a fim de procurar os bens eternos”. Suas três maiores virtudes foram: grande espírito de oração, mortificação extrema e devoção à Santíssima Virgem. Nascia a “Ordem da Cartuxa”.

Gálatas 1, 6-12 ; Sal 1110,1-2. 4-5. 7-10c ; Lucas 10, 25-37

“UM OUTRO EVANGELHO…” (Gálatas 1,6-12).  Depois da partida de Paulo, outros prégadores cristãos vieram ao encontro dos Gálatas que ele tinha ganho para Cristo e convenceram-nos a deixar-se circuncidar e a seguirem a lei de Moisés, como sinal distintivo, garante da salvação que tinham acolhido. Ora só há um único Evangelho, uma Boa Nova, que se destina a todos sem distinção ou condições, sem marcas na carne nem exigências prévias.  O único Evangelho, é a revelação de Jesus Cristo como Filho de Deus, que convida todos os homens a receberem O Espírito de filiação, a tornarem-se irmãos, seja qual for a sua religião, o seu estatuto social ou o seu sexo : todos são Um em Jesus Cristo.

AGIR PELO SEU PRÓXIMO (Luc.10,25-37).   O que deve tocar-nos mais o coração na parábola do bom Samaritano, é a espontaneidade da iniciativa e a sua total gratuitidade: o que o Samaritano faz pelo seu “próximo” e que o torna a si próprio “o próximo” daquele sobre o qual se debruça para o ajudar. Tudo isto feito sem a sombra de um cálculo, de uma hesitação, de um passo atrás. Peçamos a Cristo a graça de saber aproximar-nos de igual maneira do que a providência põe sob o nosso olhar e sob o nosso gesto, para agirmos em consequência, na gratuitidade da caridade !

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)