SÁBADO – 27/SETEMBRO/2014

SaoVicenteDePaulo_01SÃO VICENTE DE PAULO (158–1660). Grande apóstolo da caridade.  Foi o fundador das Congregações dos “Padres da Missão”, das “Filhas da Caridade” (com STA. Luísa de Marillac) e das Equipas S. Vicente.

Cohélet 11, 9–12, 8 ; Sal 89, 3-6. 12-14. 17 ; Lucas 9, 43b-45

IR ALÉM DAQUILO QUE SE VÊ (Lucas 9,43b-45). Esta cena do Evangelho diz-nos muito sobre a maneira de ser de Jesus. Enquanto todos estão perturbados, Jesus permanece lúcido : Ele vai ser entregue !   Esta palavra está velada, não por esoterismo mas pela cegueira dos corações.  Com efeito, a admiração que Jesus suscita é superficial, fruto de uma religiosidade exterior. Ao contrário, Ele convida-nos a ir além daquilo que vemos, abrindo os ouvidos, deixando-nos transformar pela Sua Palavra. Esta transformação não é fácil e pode mesmo revoltar-nos, como sucedeu a Pedro.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 26/SETEMBRO/2014

SaoCosmeESaoDamiaoSTOS. COSME e DAMIÃO (séc. IV). Dois irmãos médicos, decapitados pela fé em Cirro, próximo de Alepo na actual Síria, durante a perseguição de Diocleciano. O seu culto expandiu-se no ocidente a partir do séc. V.

STOS. MÁRTIRES DA CHINA (Diocese de Macau).

Cohélet 3, 3-11 ; Sal 143, 1a. 2ab. 3-4 ; Lucas 9, 18-22

“E VÓS, QUEM DlZElS QUE EU SOU…?” (Lucas 9,18-22). Nas sociedades secularizadas, esta é uma pergunta essencial. Queixamo-nos da fraca prática religiosa, mas que dizer do nosso silêncio perante esta pergunta. Pedro pode ajudar-nos a responder.  Como os outros dis-cípulos ele ouve a pergunta de Jesus. E, bom judeu do seu tempo, responde com a riqueza de vocabulário da Escritura. E nós, onde fundamentamos as nossas palavras para respondermos a Jesus ?  Não nos apressemos nos lamentos sobre a sociedade. Escutemos Jesus e frequentemos a escola da Escritura.   Então saberemos responder a esta grave questão. Os anúncios da Paixão são com frequência apresentados como motivo de escândalo para os Apóstolos. Na verdade, Pedro – em nome dos Doze – insurgiu-se contra a idéia de um Messias sofredor e rejeitado. Jesus repreendeu-o severamente. Aqui Ele diz-nos: “É necessário que…” ; o que nos remete para outra passagem do evangelho de Lucas, quando O Senhor – após a Sua Ressurreição – apareceu aos discípulos de Emaús perguntando-lhes: “Não era necessário que O Cristo sofresse para entrar na Sua glória?” No anúncio da Paixão que hoje faz, e pela pergunta que nos coloca: “Para vós, Quem sou Eu ?”, Jesus transforma-se num profes-sor da Sagrada Escritura a examinar os alunos.  Será que os apóstolos, pertencentes a um povo que estudava a Escritura, desco-nheciam as profecias de Isaías acerca dO Servo sofredor ?   Esta ignorância é ainda mais lamentável porque Ele próprio – na sinagoga de Nazaré – Se identificara com esse misterioso personagem, que carregava sobre si os pecados dos outros para, logo a seguir, pela mesma razão, ser glorificado.  Estas reflexões recordam-nos, uma vez mais, a importância de conhecer o Antigo Testamento para melhor compreender O Novo.  Mais precisamente, para saber responder correctamente – durante toda a nossa vida – à pergunta :  “E vós, quem dizeis que Eu sou?”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 25/SETEMBRO/2014

BeataJosefaNavalGirbesBTA. JOSEFA NAVAL GIRBÉS (1820–93). Virgem, carmelita secular, abriu novos caminhos de santidade para a maioria dos membros da Igreja do mundo laical. O tempo em que viveu foi um tempo muito perturbado para a Igreja: “ O grande escândalo do séc. XIX foi a perda da classe operária”, disse o Papa Pio XI.  A casa de Josefa, o seu atelier de bordadeira, o seu catecismo, os círculos de formação de mulheres, as suas obras de caridade eram o seu convento. Exemplo e palavra! Josefa viu claramente os deveres do cristão leigo e viveu-os. S. João-Paulo II beatificou-a (1988).

Cohélet 1, 2-11 ; Sal 89, 3-6.12-14.17 ; Lucas 9, 7-9

INDIFERENTES A TUDO (Cohélet 1,2-11 ; Lucas 9,7-9). Pode suceder ficar-se por vezes como O Esclesiastes, indiferente a tudo! Tudo parece igual e sem valor, julga-se saber tudo e controlar todas as coisas.  Tal como Herodes, não se sabe o que pensar. Finalmente, “que aproveita ao homem tudo isso”? É o “para que serve”? Estes textos da Escritura retratam-nos e provocam-nos: será que vamos querer continuar a ver o mundo como sinistro e sem finalidade? É verdade que as coisas mudam, que muitas já não são possíveis e outras nunca o serão.  Como vamos reagir? Dizendo “nada de novo” e “já não sei o que pensar” ? Ser fiel a Cristo convida a uma lúcida esperança: Cristo, vencedor da morte é maior que tudo.  Com a Sua prégação, com os Seus gestos, Jesus coloca-nos uma pergunta. Até Herodes fica intrigado.  Fazer perguntas é o primeiro acto de evangelização, como na manhã de Pentecostes.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 24/SETEMBRO/2014

SaoVicenteMariaStrambiS. VICENTE MARIA STRAMBI (1745–1824).  Sacerdote passionista, grande prégador (comovia o auditório com as suas meditações da Paixão de Cristo)  e director de almas : o confessionário era complemento do púlpito.  Ofereceu a sua vida pelo Papa Leão XII. Canonizado em 1950.

NossaSenhoraDasMercesNOSSA SENHORA DAS MERCÊS. As contínuas guerras entre Mouros e Cristãos na Península Ibérica, a partir do ano de 711, foram palco de inúmeros cativeiros.  O fanatismo e a intransigência religiosa proporcionavam sofrimentos aos prisioneiros de ambas partes. Apareceu então em Espanha esta devoção à Virgem, invocada como NªSª das Mercês.  Mais tarde, no séc.XII as Cruzadas aumentaram muito o números dos cativos e surgiram várias Confrarias e Ordens para pagarem o seu resgate. A “Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos”, fundada com esse fim por S.Pedro Nolasco, em Espanha (1218), popularizou esta invocação, logo trazida para Portugal, e a seguir Brasil, pelos frades Mercedários. No Brasil os escravos viam em NªSª das Mercês a padroeira da sua libertação.

Provérbios 30, 5-9 ; Sal 118, 29. 72. 89.101.104.163 ; Lucas 9,1-6

“…O PÃO NECESSÁRlO.” (Prov.30,5-9).  O texto hebraico fala simplesmente de pão, e é assim o pedido dO Pai Nosso, mas há traduções que escrevem “a subsistência necessária”, e têm razão pois o pão não é o alimento base em muitas regiões do mundo.  O que importa é a justa medida reclamada; se não for sentida nenhuma falta o esquecimento de Deus (e dos outros) espreita-nos; se a falta for demasiado grande, somos levados a despojar o outro que Deus ama e protege. Este simples conselho do sábio esclarece-nos sobre o que vivemos na Eucaristia: partilha do pão da vida ! Se nos deixarmos fascinar pela plénitude do repasto, esquecemos o sentido do dom que nos envia para a missão e a partilha ; se nós o negligenciarmos e esquecermos, o que alimentará a nossa fé e o nosso amor ?

UM CONVITE PARA HOJE  (Luc.9,1-6).  Cristo reúne-nos, não para ficarmos nas sacristias ou entre “gente bem”, mas para ir, como os Doze, às cidades e aldeias que conheçamos. Elas têm o nome de empresa, diversão, mundo da saúde, universidade, bairros populares terceiro-mundo, favelas…  Estas são as nossas aldeias tal como as da Galileia de há 2000 anos.  Jesus convida-nos a ir aí anunciar a Boa-Nova.  Para as doutrinar? Pelo contrário!  Jesus dá-nos o antídoto a todo o proselitismo.   Ele convida-nos à não-violência, ao respeito de cada um e chama-nos a sarar, a fazer o bem ao outro.  Saiamos, pois, para anunciar e curar !

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.