Segunda-feira da XXI semana, ano par – 25/AGOSTO/2014

Fonte: www.wvangelhoquotidiano.org

S. José de Calasanz, presbítero, educador, +1648. Era espanhol, mais especificamente de Peralta de La Sal, em Aragão, nascido no ano de 1557. Foi ordenado sacerdote aos 28 anos, em sua terra natal, e depois foi para Roma onde começou sua grande dedicação à educação de crianças pobres. Fundou a primeira escola em 1597, o que deu origem mais tarde, em 1621, à congregação dos Clérigos Pobres da Mãe de Deus. Sua fundação logo se difundiu por todo o mundo, indo até a Itália, a Alemanha, a Boêmia e Polônia. A grande provação de sua vida foi quando, por inveja, seus próprios co-irmãos o acusaram de incapacidade de governar a sua congregação. Foi obrigado a ver sua obra esfacelar-se, e seu lugar foi substituído por um “visitador”, uma espécie de interventor da Santa Sé. Mesmo assim, manteve-se confiante em Deus, conseguindo fazer com que sua obra ressurgisse das cinzas. São José Calasanz morreu aos 90 anos, em 1648, e somente oito anos depois seu Instituto foi aprovado pelo papa Alexandre VI. Foi canonizado no ano de 1757.

S. Luís (IX), rei de França, +1270. Eleito rei desde os doze anos de idade, Luís, nascido em 1214, era filho da virtuosa Branca de Castela, regente de França durante sua menor idade. Recebeu forte educação cristã. Foi muito dedicado à renovação da justiça e da economia do seu país. Construiu hospitais, asilos, escolas e favoreceu a universidade de Sorbonne, o que deu à França o primado da cultura européia. Empreendeu uma cruzada para a libertação dos lugares santos, fez diversas conquistas, venceu muitas batalhas, até que foi tomado como prisioneiro dos egípcios. Pago o resgate, continuou suas atividades até que foi atingido pela peste, morrendo às portas de Túnis, a 25 de agosto de 1270.

Beato Miguel de Carvalho, presbítero, mártir, +1624. Miguel de Carvalho nasceu em Braga, em 1577, de família nobre e rica. Com 20 anos pediu para ser admitido na Companhia de Jesus. Cinco anos depois, partia com um grupo de missionários para o Oriente. Em Goa, termina o curso de teologia e aí fica alguns anos como professor. Mas o seu desejo era partir missionário para o Japão e, apesar das grandes dificuldades que os cristãos por lá viviam, consegue integrar-se num grupo de viajantes, disfarçado de soldado. Durante alguns anos conseguiu iludir as autoridades, pregando o Evangelho nos mais diversos lugares, até que um dia o descobriram e o condenaram a morrer pelo fogo. Pio IX beatificou-o em 1867. cf. Pe. José Leite, s.j., Santos de Cada Dia

2 Tes 1, 1-5. 11b-12; Sal 95 (96), 1-2a. 2b-3. 4a e 5; Mt 23, 13-22

Comentário:
Papa Francisco, Audiência geral de 02/10/2013 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)

Cristo chama todos os homens à santidade

No «Credo», depois de professar: «Creio na Igreja una», acrescentamos o adjectivo «santa»; isto é, afirmamos a santidade da Igreja, uma característica presente desde o início na consciência dos primeiros cristãos, que se chamavam simplesmente «santos» (cf Act 9,13.32.41; Rom 8,27; 1Cor 6,1), pois tinham a certeza de que é a obra de Deus, o Espírito Santo, que santifica a Igreja. Mas em que sentido é a Igreja santa, se vemos que a Igreja histórica, no seu caminho ao longo dos séculos, enfrentou tantas dificuldades, problemas, momentos obscuros? Como pode ser santa uma Igreja feita de seres humanos, pecadores? Homens pecadores, mulheres pecadoras, sacerdotes pecadores, religiosas pecadoras, bispos pecadores, cardeais pecadores, um Papa pecador? Todos. Como pode ser santa uma Igreja assim? Para responder a esta pergunta, gostaria de me deixar guiar por um trecho da carta de São Paulo aos cristãos de Éfeso. O Apóstolo, tendo como exemplo as relações familiares, afirma que «Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para a santificar» (5,25-26). Cristo amou a Igreja, entregando-Se totalmente na cruz. E isto significa que a Igreja é santa porque procede de Deus, que é santo, que lhe é fiel e que não a abandona ao poder da morte e do mal (cf Mt 16,18). É santa porque Jesus Cristo, o Santo de Deus (cf Mc 1,24), Se une a ela de modo indissolúvel (cf Mt 28,20); é santa porque se deixa guiar pelo Espírito Santo, que purifica, transforma e renova. Não é santa pelos nossos méritos, mas porque Deus a torna santa, porque é fruto do Espírito Santo e dos seus dons. Não somos nós que a santificamos. É Deus, o Espírito Santo que, no seu amor, santifica a Igreja.

Domingo XXI do Tempo Comum, ano A, 24/AGOSTO2014

Fonte: www.evangelhoquotidiano.org

Santa Rosa de Lima, virgem, +1617, padroeira da América Latina. Isabel Flores y de Oliva era o nome de baptismo de Santa Rosa de Lima que nasceu em 1586 em Lima, Peru. Os seus pais eram espanhois, que se haviam mudado para a rica colônia do Peru. O nome Rosa foi-lhe dado carinhosamente por uma empregada índia, Mariana, pois a mulher, maravilhada pela extraordinária beleza da menina, exclamou admirada: Você é bonita como uma rosa!

Levada à miséria com a sua família, ganhou a vida com duro trabalho da lavoura e costura, até alta noite. Aos vinte anos, ingressou na Ordem Terceira de São Francisco, pediu e obteve licença de fazer os votos religiosos em sua própria casa, como terceira dominicana. Construiu para si uma pequena cela no fundo do quintal da casa de seus pais. A cama era um saco de estopa, levando uma vida de austeridade, de mortificação, de abandono à vontade de Deus. Vivia em contínuo contacto com Deus, alcançando um alto grau de vida contemplativa e de experiência mística. Soube compreender em profundidade o mistério da paixão, morte de Jesus, completando na sua própria carne o que faltava à redenção de Cristo. Era muito caridosa e em especial com os índios e com os negros.

Todos os anos, na festa de São Bartolomeu, passava o dia inteiro em oração: “Este é o dia das minhas núpcias eternas”, dizia. E foi exactamente assim. Morreu depois de grave enfermidade no dia 24 de agosto de 1617, com apenas 31 anos de idade.

Is 22,19-23; Sal 137 (138), 1-2a. 2bc-3. 6 e 8bc; Rom 11,33-36; Mt 16,13-20

Comentário sobre o Evangelho
Beato John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador do Oratório em Inglaterra
Sermão «O Ministério Cristão»

«Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja»

O ministério de Pedro permanece na Igreja, […] na pessoa daqueles que lhe sucederam; é preciso compreender que a bênção do Senhor, pronunciada primeiramente sobre ele, recai também sobre o menor dos seus servos que «guardam o depósito da fé que lhes foi confiado» (cf 1Tim 6,20). Pedro representa-os e é o símbolo de todos eles.

«És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. Também Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. Dar-te ei as chaves do Reino do Céu.» Promessa sagrada e gloriosa! Seria possível que ela se esgotasse inteiramente na pessoa de Pedro, por grande que fosse este nobre apóstolo? Terá sido inserida na «Boa Nova eterna» (cf Ap 14,6) simplesmente para testemunhar em favor de alguém há muito desaparecido?

Além disso, a Palavra inspirada de Deus costuma exaltar as pessoas? A riqueza desta bênção de Cristo não resiste a qualquer interpretação minimalista que possamos fazer dela? Não transborda, façamos o que fizermos, até que a nossa falta de fé seja vencida pela bondade daquele que assim se comprometeu? Em resumo, não será devido a um conjunto de preconceitos que tantas pessoas estão impedidas de acolher essa promessa de Cristo feita a Pedro em conformidade com a plenitude da graça que a acompanhou? […] Se as promessas feitas por Cristo aos apóstolos não se concretizassem na Igreja ao longo de toda a vida da mesma Igreja, como poderia a eficácia dos sacramentos estender-se para além do período em que eles tiveram início?

SÁBADO – 23/AGOSTO/2014

SantaRosaDeLimaEOMeninoSTA. ROSA DE LIMA ( -1617). Primeira santa das Américas. Na sua cidade natal de Lima (Peru), esta Terciária dominicana consagrou-se à oração, às mortificações e ao serviço dos pobres.

Ezequiel 43,1-7a ; Sal 84, 9-14 ; Mateus 23,1-12

“A GLÓRIA DO SENHOR” (Ez.43,1-7a). A glória dO Senhor tinha abandonado O Templo quando da queda de Jerusalém para acompanhar os exilados à Babilónia (Ez.10,18-22). A esperança renasceu com a perspectiva do regresso e da reconstrução do Templo : a glória dO Senhor voltaria então para o meio dos Seus. Mas o que é esta Glória, quase personificada aqui como ser gigantesco e deslumbrante? A palavra hebraica “KaVôD” evoca o peso duma presença sobre a qual é possível apoiar-se. O grego escolheu traduzi-la por “doxa”, palavra que significa opinião, mas também reputação. Assim, doxa exprime o esplendor radiante de Deus. Os dois sentidos completam-se para melhor tentar exprimir a incomparável grandeza de um Deus com O qual o homem pode contar.

“FAZ O QUE ELES DIZEM E NÃO O QUE ELES FAZEM” (Mat.23,1-12). Jesus na sua passagem sobre a terra, deu a ver o rosto de Deus revelado no Antigo Testamento : rosto de Alguém que não Se fica pelas aparências mas “vê o coração” (1 Samuel 16, 7). O que Jesus critica nos escribas e fariseus não é o ensino; ele pede até para se fazer o que eles dizem. Mas, denuncia a incoerência entre o seu discurso e o seu agir. E depois Jesus denuncia as “aparências” que se arriscam a fazer esquecer o ser : só Deus merece verdadeiramente o nome de Pai e Jesus, Seu Enviado, o nome de Mestre. Senhor, com o Teu exemplo, dá-me a força para conseguir rebaixar-me, para que Tu, e Tu apenas, me ergas.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 22/AGOSTO/2014

VirgemSantaMariaRainhaVIRGEM SANTA MARIA , RAINHA. Na oitava da Assunção, a Igreja celebra hoje o poder de Maria, que intercede por nós como mãe. Este aspecto triunfal da sua realeza pressagia já a Igreja gloriosa do céu.

Ezequiel 37,1-14 ; Sal 106, 2-9 ; Lucas 1, 26-38

“VEM…, ESPíRITO! ”(Ez.37,1-14). O profeta visionário é transportado pelo poder dO Espírito. O termo hebraico “Ru’aH” é polivalente e designa tanto o vento, como o sopro do espírito, tanto do homem como de Deus. Ele está presente desde o início no Génesis, onde o sopro de Deus paira sobre as águas, sopro criador que dá vida a todos os seres: “Tu envias Teu sopro, eles são criados” (Sal.104, 30). Ele é também o espírito inspirador de reis e profetas, levando as faculdades humanas a um mais próximo conhecimento de Deus. O profeta Ezequiel anuncia o renascimento dum povo cuja esperança morrera, numa encenação alucinante que permitirá mais tarde falar-se da fé na ressureição. Para além da morte, a força dO Espírito há-de recriar-nos.

“FAÇA-SE SEGUNDO A TUA PALAVRA” (Luc.1,26-38). Conhecemos esta frase de Maria dita na visita do anjo Gabriel, na Anunciação. E, sem dúvida, não entendemos suficientemente o que ela implica. Ao pronunciá-la, Maria empenhou toda a sua vida, com uma confiança sem limites no projeto de Deus e renunciou, ao mesmo tempo, às suas aspirações pessoais. Ela mostrou-se totalmente livre colocando a sua vontade na vontade de Deus, sem saber onde esta a levaria. Modelo de fidelidade e de fé, Maria nunca voltou atrás na sua palavra e viveu toda a vida em total doação a Deus, meditando no coração os acontecimentos que continuaram a ser para ela um mistério. Que a nossa fé tenha igual fidelidade, pois a nossa vida ordinária está, também ela, sob o olhar benevolente de Deus.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 21/AGOSTO/2014

SaoPioXSÃO PIO X (1835-1914). Há cem anos morria Giuseppe Sarto, que fora eleito Papa em 1903 com o nome de Pio X. Tinha então escolhido como sua divisa : “Restaurar tudo em Cristo”. Canonizado em 1954.

Ezequiel 36, 23-28 ; Sal 50,12-15.18-19 ; Mateus 22,1-14

UM CORAÇÃO DE CARNE (Ez.36,23-28). O vocabulário bíblico que descreve o homem surpreende-nos muitas vezes. A nossa cultura é marcada pela tradição grega dualista que opõe a alma ao corpo, oposição que o mundo judeu não conhecia. O homem formava aí um todo : um ser de carne na sua fragilidade e finitude, e também um ser animado de sopro vital, inspirado pelO Espírito de Deus. O centro do homem é o coração, lugar dos sentimentos e também da vontade e da decisão. Quando o coração se afasta de Deus, torna-se coração de pedra, insensível, incapaz de entrar em relação e de amar. Mas Deus quer recriar de novo esta humanidade dividida que escolheu a morte. Ele quer dar-lhe O Seu próprio Espírito, animando os nossos corações de carne com a Sua própria vida.

“O REINO DOS CÉUS É COMPARÁVEL A UM REI QUE CELEBRA AS NÚPCIAS DO SEU FILHO…” (Mat.22,1-14). Que faremos nós no céu? Festejaremos as núpcias de Cristo. Da Igreja ? Sim, enquanto assembleia de todos os que tenham aceite o convite para entrarem. Alguns terão recusado entrar durante a vida nesta alegria das núpcias dO Filho, de reconhecerem em Jesus O Esposo da Igreja. Outros terão vindo, mas não terão querido vestir o traje das núpcias. Ou seja, não se terão deixado lavar pelO Filho. Estes terão vindo sem pensarem que só a misericórdia os pode despir do seu traje de pecado. O céu é um banquete de núpcias, e não uma cena de teatro em que nos contentamos de ficar sentados num banquinho da plateia a ver os anjos voarem. “Felizes os convidados às núpcias dO Cordeiro !”.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.