1 mar 2023 «O sinal de Jonas»

QUARTA-FEIRA DA SEMANA I DA QUARESMA

(catequese paroquial, 2019)

PRIMEIRA LEITURA Jonas 3, 1-10

Leitura da Profecia de Jonas
A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas nos seguintes termos: «Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e apregoa nela a mensagem que Eu te direi». Jonas levantou-se e foi a Nínive, conforme a palavra do Senhor. Nínive era uma grande cidade aos olhos de Deus; levava três dias a atravessar. Jonas entrou na cidade e caminhou durante um dia, apregoando: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de sacos, desde o maior ao mais pequeno. Logo que a notícia chegou ao rei de Nínive, ele ergueu-se do trono e tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. Depois foi proclamado em Nínive um decreto do rei e dos seus ministros, que dizia: «Os homens e os animais, os bois e as ovelhas, não provem alimento, não pastem nem bebam água. Os homens e os animais revistam-se de sacos e clamem a Deus com vigor; afaste-se cada um do seu mau caminho e das violências que tenha praticado. Quem sabe? Talvez Deus reconsidere e desista, acalmando o ardor da sua ira, de modo que não pereçamos». Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou.
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 50 (51), 3-4.12-13.18-19 (19a)

Não desprezeis, Senhor,
o nosso coração humilhado e contrito.
Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as culpas. Refrão

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais afastar-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.Refrão

Não é do sacrifício que Vos agradais
e, se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis.
Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido:
não desprezareis, Senhor,
um espírito humilhado e contrito. Refrão

EVANGELHO Lc 11, 29-32

«Nenhum sinal será dado a esta geração, senão o sinal de Jonas»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, aglomerava-se uma grande multidão à volta de Jesus e Ele começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas. Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração. No juízo final, a rainha do sul levantar-se-á com os homens desta geração e há-de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão. No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão-de conde¬ná-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas».
Palavra da salvação.

28 fev 2023 «Orai assim»

TERÇA FEIRA DA SEMANA I DA QUARESMA

(catequese paroquial, 2019)

PRIMEIRA LEITURA Is 55, 10-11

Leitura do Livro de Isaías
Assim fala o Senhor. «A chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a haverem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer. Assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 33 (34), 4-5.6-7.16-17.18-19 (R. 18b)

Rfr.:
Deus salva os justos
de todos os sofrimentos.
Enaltecei comigo o Senhor
e exaltemos juntos o seu nome.
Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,
libertou-me de toda a ansiedade. Refrão

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,
o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.
Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,
salvou-o de todas as angústias. Refrão

Os olhos do Senhor estão voltados para os justos
e os ouvidos atentos aos seus rogos.
A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,
para apagar da terra a sua memória. Refrão

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,
livrou-os de todas as suas angústias.
O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado
e salva os de ânimo abatido. Refrão

EVANGELHO Mt 6, 7-15

«Orai assim»
 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito. Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes. Orai assim: ‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal’. Porque se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas».
Palavra da salvação.

Mensagem para a Quaresma e homilia de Quarta-feira de Cinzas – 2023

Uma Quaresma para consolidar a esperança

(mensagem publicada aqui)

«Diz agora o Senhor: “Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso…”»

Confesso-vos, irmãos, que estas palavras que ouvimos há pouco ao profeta Joel me soaram desta vez com particular intensidade e urgência. Abalados como fomos pelo relatório sobre abusos sexuais de menores na Igreja, de 1950 em diante, não podemos deixar de viver esta Quaresma sem um sentimento misto de tristeza e, apesar de tudo, esperança.

Tristeza, por nós e sobretudo por quem sofreu o que nunca devia ter sofrido, e muito menos da parte de quem sofreu e onde sofreu. Tristeza, vergonha e arrependimento não podem faltar neste momento, mesmo quando mais institucional do que pessoalmente, para quem não cometeu tais crimes nem com eles compactuou. Nada disto relativiza o pedido de perdão, antes nos corresponsabiliza a todos para emendar o que tem de ser emendado e aliviar o que possa ser aliviado a quem sofreu na altura e ainda sofra depois.

Reiteramos o pedido de perdão a quem sofreu, com a nossa solidariedade total e o compromisso de tudo fazer para ajudar no presente e prevenir o futuro. Quando houver algo a ser julgado e sancionado, sê-lo-á certamente, segundo a lei civil, canónica e evangélica – sendo que esta última não nos deixa desistir da conversão de ninguém.

Aí estão, preparadas e disponíveis, as nossas comissões diocesanas de proteção de menores e adultos vulneráveis, bem como a respetiva coordenação nacional, compostas por pessoas habilitadas e experientes, provindas das áreas da psicologia e da psiquiatria, da magistratura e da polícia, entre outras. Também reforçaremos o que diz respeito à preparação e seleção dos agentes pastorais, clérigos ou leigos, para estarem devidamente habilitados para o trabalho com os mais novos. Não pode ser doutro modo e assim será certamente.

Como tivemos a iniciativa de constituir uma comissão independente, para apurar o que aconteceu, também temos agora a disposição firme de continuar atentos e ativos neste campo, onde não podemos falhar de modo algum.

Sim, estamos bem cientes da fraqueza humana, que não nos garante futuros impecáveis, nesta como em outras áreas. Somos, aliás, a única assembleia que, sempre que se reúne, se declara publicamente pecadora «por pensamentos e palavras, atos e omissões». Mas mais cientes estamos ainda da misericórdia divina e do seu poder de reconstruir vidas e mudar corações. Por isso repetimos convictamente as palavras do profeta: «Convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso…»

Aliás é esta certeza, que também é esperança, que nos justifica e garante como Igreja de Cristo, qual barca vogando entre ondas alterosas, que nos poderiam afogar. Mas certos também de que a misericórdia divina pouco ou nada poderá fazer em corações que não se queiram converter a ela, sinceramente e de facto.

Temos uma Quaresma de conversão, temos uma Páscoa a cumprir. Mesmo a indignação que ouvimos da parte de outros pode provir da nossa contradição, por vezes grave, com o Evangelho que pregamos mas nem sempre seguimos. Sigamo-lo agora, mais decididamente ainda. Façamo-lo intimamente e com a garantia que Jesus nos deu há pouco: «E teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

Porque disso se trata, efetivamente. Poderíamos passar muito tempo, demasiado tempo, em exterioridades “religiosas”, distraídos na forma e reticentes no fundo. Mesmo nas devoções quaresmais, que os séculos preencheram com cerimónias expressivas e por vezes espetaculares, corremos o risco de acompanhar a paixão de Jesus e a soledade da sua Mãe mais atentos ao que se vê e enfeita do que ao que significa e converte.

Não pode ser assim, diante de um Deus que «vê o que está oculto» e nos pede a conversão do coração e da vida. Aproveitemos por isso este tempo quaresmal, tão rico de sugestões bíblicas, litúrgicas e para-litúrgicas, para nos refazermos com Deus para glória sua e serviço do próximo, em oração e caridade verdadeiras.

Que os mais frágeis nos sintam próximos de si, com aquela caridade autêntica que os faça viver e reviver também, mais seguros, mais alegres e em paz. Se o jejum nos abstém de nós, é para dar lugar aos outros. E o mesmo se diga da oração, que no Pai Nosso é sempre plural.

A última palavra desta homilia e mensagem quaresmal é dirigida aos meus caríssimos irmãos sacerdotes, sem esquecer os diáconos: tendes sofrido particularmente neste tempo, em que a inegável dedicação pastoral da generalidade é afetada por notícias da infidelidade de alguns, provada ou alegada que seja.

Sei que não vos falta a proximidade e o conforto de muitos membros do Povo de Deus, que reconhecem e agradecem a vossa entrega ao serviço de todos e de cada um, nos atos sacramentais, na transmissão doutrinal e nas obras de caridade, pessoais ou institucionais. Prosseguis a atitude de Cristo Pastor, quer nos seus tempos de oração pessoal, quer ensinando os discípulos a rezar, quer nas palavras que proferia e nos gestos “sacramentais” com que fazia das suas atitudes outros tantos sinais do Reino de Deus.

Assim nos redimiu na cruz, porque abriu com a sua morte e ressurreição um caminho de regresso a Deus Pai que ninguém conseguiria trilhar sozinho. Ofereceu-se por nós, para nos oferecermos com Ele. É isto que fazeis no dia-a-dia, com grande generosidade também, com a discrição própria das realidades verdadeiras e constantes. Essas mesmas que o olhar divino regista agora e recompensará por fim.

Vivamos intensamente o nosso sacerdócio e o nosso serviço, sem os quais o mundo não seria o que, apesar de tudo, vai sendo, em tantas situações de solidariedade social e comunhão espiritual. E tendo bem presente que o êxito da Jornada Mundial da Juventude, cada vez mais próxima e tão necessária aos mais novos, neste tempo pós-pandémico, resultará sobretudo da intensidade espiritual com que a vivamos desde já.

– Seja uma Quaresma para consolidar a esperança!

Sé de Lisboa, 22 de fevereiro de 2023

+ Manuel, Cardeal-Patriarca


Informação: A renúncia quaresmal de 2022, destinada em parte à Diocese de Palai (Índia), para o seu hospital que atende especialmente a população mais pobre, e em parte à Cáritas Diocesana de Lisboa, para apoiar as necessidades do povo ucraniano, totalizou 140 000 €.

A renúncia quaresmal deste ano destina-se à construção duma casa de acolhimento a adolescentes e jovens que descem da montanha para estudar em Laleia (diocese de Baucau – Timor Leste), gerida pelas Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, e à Comunidade Vida e Paz, para poder reforçar o seu apoio às pessoas em situação de sem-abrigo.

11 mar 2019 «A Mim o fizestes»

SEMANA I DA QUARESMA – SEGUNDA-FEIRA

(catequese paroquial, 2019)

PRIMEIRA LEITURA Lev 19, 1-2.11-18

Leitura do Livro do Levítico
O Senhor dirigiu-Se a Moisés, dizendo: «Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel e diz-lhes: ‘Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo. Não furtareis, não direis mentiras, nem cometereis fraudes uns com os outros. Não prestarás juramento falso, invocando o meu nome, pois profanarias o nome do teu Deus. Eu sou o Senhor. Não oprimirás nem expropriarás o teu próximo. Não ficará contigo até ao dia seguinte o salário do jornaleiro. Não insultarás um surdo nem colocarás tropeços diante de um cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. Não cometerás injustiças nos teus julgamentos: não favorecerás indevidamente um pobre, nem darás preferência ao poderoso; julgarás o teu próximo segundo a justiça. Não caluniarás os teus parentes, nem conspirarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. Não odiarás do íntimo do coração os teus irmãos, mas corrigirás o teu próximo, para não incorreres em falta por causa dele. Não te vingarás, nem guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor’».
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 18 B (19), 8.9.10.15 (R. Jo 6, 63c)

As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida.
A lei do Senhor é perfeita,
ela reconforta a alma;
as ordens do Senhor são firmes,
dão sabedoria aos simples. Refrão

Os preceitos do Senhor são rectos
e alegram o coração;
Os mandamentos do Senhor são claros
e iluminam os olhos. Refrão

O temor do Senhor é puro
e permanece eternamente;
os juízos do Senhor são verdadeiros,
todos eles são rectos. Refrão

Aceitai as palavras da minha boca
e os pensamentos do meu coração
estejam na vossa presença:
Vós, Senhor, sois o meu amparo e redentor. Refrão

EVANGELHO Mt 25, 31-46

«O que fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’ E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».
Palavra da salvação.

26 fev 2023 Jesus jejua durante quarenta dias e é tentado

DOMINGO I DA QUARESMA – ANO A

Gen 2, 7-9 – 3, 1-7; Sal 50 (51), 3-4. 5-6a. 12-13. 14 e 17; Rom 5, 12-19 ou Rom 5, 12. 17-19; Mt 4, 1-11

Primeira leitura
Gen 2, 7-9 – 3, 1-7
A criação e o pecado dos nossos primeiros pais
Leitura do Livro do Génesis

O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. Fez nascer na terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. Ora, a serpente era o mais astucioso de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: «É verdade que Deus vos disse: ‘Não podeis comer o fruto de nenhuma árvore do jardim’?». A mulher respondeu: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus avisou-nos: ‘Não podeis comer dele nem tocar-lhe, senão morrereis’». A serpente replicou à mulher: «De maneira nenhuma! Não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal». A mulher viu então que o fruto da árvore era bom para comer e agradável à vista, e precioso para esclarecer a inteligência. Colheu fruto da árvore e comeu; depois deu-o ao marido, que comeu juntamente com ela. Abriram-se então os seus olhos e compreenderam que estavam despidos. Por isso, entrelaçaram folhas de figueira e cingiram os rins com elas.

Salmo responsorial
Salmo 50(51)
Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia,
apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.

Porque eu reconheço os meus pecados
e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
Pequei contra Vós, só contra Vós,
e fiz o mal diante dos vossos olhos.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Abri, Senhor, os meus lábios
e a minha boca cantará o vosso louvor.

Segunda leitura
Rom 5, 12-19
«Onde abundou o pecado, superabundou a graça»
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só todos pereceram, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a todos os homens. E esse dom não é como o pecado de um só: o julgamento que resultou desse único pecado levou à condenação, ao passo que o dom gratuito, que veio depois de muitas faltas, leva à justificação. Se a morte reinou pelo pecado de um só homem, com muito mais razão, aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça, reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo. Porque, assim como pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só, virá para todos a justificação que dá a vida. De facto, como pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, todos se tornarão justos.

Evangelho
Mt 4, 1-11
Jesus jejua durante quarenta dias e é tentado
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Diabo. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». Então o Diabo conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». De novo o Diabo O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’». Então o Diabo deixou-O e aproximaram-se os Anjos e serviram-n’O.