Aprendamos a viver em acção de graças

Homilia na Missa exequial de D. Daniel Batalha Henriques
Aprendamos com D. Daniel a viver em ação de graças

Irmãos caríssimos, entre todas as imagens que a tradição bíblica nos oferece, para entrevermos o rosto de Deus, a mais expressiva será precisamente a do Bom Pastor, que cuida do seu povo e de cada um dos seus crentes. Imagem que ganha total evidência na pessoa de Cristo, manifestada no Evangelho que ouvimos e com as caraterísticas que tem.
Bom Pastor que conhece as suas ovelhas, todas e cada uma, que cuida especialmente das mais frágeis e vai buscar a que se perde, chegando ao ponto absoluto de por elas dar a própria vida. A experiência cristã só acontece quando O sentimos assim em relação a nós, daí brotando confiança e ação de graças. Brota também algo mais, ou seja, que sejamos propriamente dos seus, quando com Ele nos tornamos também pastores para os outros, com idêntico cuidado e sentimento.
Di-lo claramente Cristo, em frases como estas, que conhecemos bem: «Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando … O que vos mando é que vos ameis uns aos outros … Amai-vos como Eu vos amei».
Neste momento em que agradecemos a Deus a vida e ministério de D. Daniel, tudo isto se torna ainda mais evidente, por ter sido maravilhosamente demonstrado em muito do que disse e do que fez. É por ter participado tanto e tão bem do Espírito de Cristo, que agora o sentimos presente e com ele continuaremos a contar no futuro. Porque a caridade – e a caridade pastoral, no seu caso – nunca acabará.
Poderia continuar assim, e muito mais haveria a dizer, partindo das Leituras que ouvimos e evocando a vida deste grande cristão que tivemos a graça de conhecer tão de perto. Acontece, porém, que ontem mesmo tive acesso a alguns escritos seus, que me deixou para ler após a sua morte. São de tal riqueza espiritual, de tanta verdade cristã por ele vivida, que não posso deixar de os partilhar convosco nesta homilia, que passa a ser propriamente sua.
Assim nos resume a sua vida em “O meu testamento”, texto que foi escrevendo de setembro de 2019 à Quaresma de 2020: «Do nada que sou, desta poeira ínfima na imensidão do tempo e do espaço, ouso elevar a Deus Pai todo o meu louvor e a minha adoração. […] Olho com profunda gratidão para aquele dia 6 de maio de 1966 em que, levado nos braços de meus queridos pais, fui iluminado pela graça batismal. […] Como um agricultor dedicado e providente, cuidastes desta semente através dos meus pais, destes-me catequistas que ajudaram a maturar a fé e o amor à Igreja, preparando-me para aquele dia maravilhoso em que vos recebi na minha primeira comunhão e onde pude exclamar com Santa Teresinha do Menino Jesus “Ah! Como foi doce o primeiro beijo de Jesus à minha alma!”. Agradeço-Vos a paciência nas minhas resistências à fé no tempo da adolescência e o modo como logo me envolvestes, de forma apaixonada, na Vossa Santa Igreja, através do grupo de jovens que integrei e da catequese que, ainda com quinze anos, comecei a dar a crianças pequeninas, no coro alto da capela de Ribamar. Louvo-Vos, Senhor, pelo dom dos sacerdotes na minha vida, pelos seus rostos e vidas concretas onde senti a Vossa presença carinhosa e solícita. […] Eu Vos louvo, Senhor, pela bênção incomensurável que foram os seminários que frequentei ao longo dos oito anos da minha juventude. O de São Paulo, em Almada (1982-1986) e o de Cristo-Rei, nos Olivais (1986-1990). Agradeço-vos os sacerdotes das suas equipas formadoras, que tanto me ajudaram a crescer como pessoa e como cristão, bem como a discernir os sinais vocacionais que me íeis enviando. […] Agradeço-Vos, Senhor, terdes-me chamado a uma mais íntima união convosco através do sacramento da Ordem. Ainda hoje me confunde ver como escolhestes um pobre jovem de apenas 24 anos para uma missão tão grandiosa: ser presença na terra do Vosso Coração ardente de amor e disposto a oferecer-se em oblação para que todos “tenhamos vida e a tenhamos em abundância”. […] Olho cheio de comoção e gratidão para estas três décadas de vida sacerdotal. Para as primícias, os sete anos em que integrei a equipa formadora do seminário de Almada. Em cada seminarista, um mistério de amor e de cuidado pelo vosso Povo, que me confiastes para ajudar a crescer e a amar-Vos sempre mais, na Vossa Igreja. Os vinte e um anos como pároco em Famões e Ramada, em Algés e Cruz Quebrada e em Torres Vedras e Matacães. Como Vos amei e fui amado, no meio e por meio do Vosso Povo Santo! Que dons incontáveis me concedestes! Como me fizestes crescer, também nas provações e nas incertezas!»
Finalmente, sobre o episcopado, como lhe surgiu e como o cumpriu: «E então, Senhor, fizestes-me chegar àquele dia dois de outubro de 2018, quando o Senhor Patriarca D. Manuel Clemente me deu a conhecer que, através do Santo Padre, me chamáveis ao episcopado. Confesso-Vos, Senhor, que demorou tempo a ter sobre tal um olhar verdadeiramente cristão. Uma profunda insegurança, medo, confusão e resistência interior, foram os primeiros sentimentos, demasiadamente humanos, que me assaltaram. Da minha doce e tranquila condição de pároco seria arrebatado para o mar encapelado de um futuro que verdadeiramente me apavorava. […] Mas depois, Senhor, a Vossa Graça me trouxe ao caminho certo, aos Vossos caminhos, não os meus. Lembrei-me como, desde o dia da ordenação sacerdotal, a nada me tinha negado de quanto a Igreja me pedira na pessoa do meu bispo, nada tinha escolhido e nada tinha preferido, Este “sim” constante, estou absolutamente certo, é obra Vossa e não fruto da minha carne e do meu sangue».
Um episcopado muito marcado pela doença que surgiu. Pela doença que viveu numa atitude inteiramente pascal. Oiçamos o que escreveu na Quaresma deste ano de 2022: «A Vós, Senhor, o meu canto de louvor. A Vós, toda a honra e toda a glória. Por puro dom da vossa liberalidade, destes-me a graça de ainda poder cantar os Vossos louvores nesta terra do meu peregrinar, mais de dois anos e meio depois de me saber doente de um cancro colonorretal particularmente agressivo. […] Muitos me falam em pedir um milagre, o milagre da minha cura. Mas para mim, Senhor, este milagre já se realizou. Melhor, é um milagre em progresso, que se renova com o passar dos dias e dos meses. […] Depois de alguns dias vividos em alguma perplexidade, logo a tempestade se acalmou e me fizestes navegar em águas tranquilas. […] Fizestes-me compreender que esta doença é uma nova missão que me convidais a abraçar, uma missão específica dentro do chamamento ao episcopado. Também isto me trouxe grande paz, Senhor: não encarar esta doença como uma limitação no ministério episcopal, mas antes uma forma de exercer o episcopado a que Vós, nos Vossos insondáveis desígnios, agora me chamais […]: a proximidade com quem mais sofre, o testemunho e confiança na adversidade, a experiência da alegria inefável que nasce da Esperança cristã, a certeza Pascal da vitória da Vida sobre a morte, a fecundidade da doença tornada dom salvífico, quando me uno a Vós. Tudo isto, vivido na carne macerada pela doença, para que se “complete na minha carne o que falta à Paixão de Cristo” (Col 1, 24)».
Concordemos, irmãos e irmãs, que quem vive e fala assim, já conhece tudo o que Deus nos oferece em Cristo, seja a nossa vida o que for e como for. Por isso mesmo, a fecundidade do ministério do nosso querido D. Daniel foi tão grande. E assim continua a ser, irradiando a Páscoa de Cristo. – Aprendamos com D. Daniel a viver em ação de graças. Por nós e por todos, por nós e para todos!
Sé de Lisboa, 5 de novembro de 2022
+ Manuel, Cardeal-Patriarca

12 nov 2022 «Deus fará justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam»

SÁBADO DA SEMANA XXXII DO TEMPO COMUM

anos pares

3 Jo 5-8; Sal 111 (112), 1-2. 3-4. 5-6; Lc 18, 1-8

Primeira leitura
3 Jo 5-8
«Devemos ajudar os irmãos, para sermos cooperadores da verdade»
Leitura da Terceira Epístola de São João

Caríssimo Gaio: Tu procedes fielmente em tudo o que fazes pelos irmãos, apesar de serem estrangeiros. Eles deram testemunho da tua caridade perante a Igreja. Farás bem, provendo-os do necessário para a viagem, de maneira digna aos olhos de Deus. Foi pelo nome do Senhor que eles se puseram a caminho, sem nada receberem dos pagãos. Devemos, portanto, ajudar esses homens, para sermos cooperadores da verdade.

Salmo Responsorial
Salmo 111 (112), 1-2.3-4.5-6 (R. cf. 1a)
Feliz o homem que espera no Senhor.

Feliz o homem que teme o Senhor
e ama ardentemente os seus preceitos.
A sua descendência será poderosa sobre a terra,
será abençoada a geração dos justos.

Haverá em sua casa abundância e riqueza,
a sua generosidade permanece para sempre.
Brilha aos homens rectos, como luz nas trevas,
o homem misericordioso, compassivo e justo.

Ditoso o homem que se compadece e empresta
e dispõe das suas coisas com justiça.
Este jamais será abalado;
o justo deixará memória eterna.

Evangelho
Lc 18, 1-8
«Deus fará justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!… E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»

11 nov 2022 «No dia em que Se manifestar o Filho do homem»

SEXTA-FEIRA DA SEMANA XXXII DO TEMPO COMUM

anos pares

2 Jo 4-9; Sal 118 (119), 1-2. 10-11. 17-18; Lc 17, 26-37

Primeira leitura
2 Jo 4-9
«Quem permanece na doutrina, esse possui o Pai e o Filho»
Leitura da Segunda Epístola de São João

Senhora eleita de Deus: Muito me alegrei por saber que os teus filhos vivem no caminho da verdade, segundo o mandamento que recebemos do Pai. E agora, Senhora, peço-te, não como quem escreve um mandamento novo, mas aquele que tivemos desde o princípio: amemo-nos uns aos outros. Ora o amor consiste em viver segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento que ouvistes desde o princípio e segundo o qual deveis viver. Apareceram no mundo muitos sedutores, os quais não professam a fé em Jesus feito homem. Este é o sedutor e o anticristo. Tende cuidado convosco, para não perderdes os frutos do nosso trabalho, mas, pelo contrário, para receberdes a plena recompensa. Quem se afasta e não permanece na doutrina de Cristo não possui a Deus. Quem permanece na doutrina, esse possui o Pai e o Filho.

Salmo Responsorial
Salmo 118 (119), 1-2. 10-11.17-18 (R. 1b)
Ditoso o que anda na lei do Senhor.

Felizes os que seguem o caminho perfeito
e andam na lei do Senhor.
Felizes os que observam as suas ordens
e O procuram de todo o coração.

De todo o coração Vos procuro,
não me deixeis afastar dos vossos mandamentos.
Conservo a vossa palavra dentro do coração,
para não pecar contra Vós.

Fazei bem ao vosso servo:
viverei e cumprirei a vossa palavra.
Abri, Senhor, os meus olhos
para ver as maravilhas da vossa lei.

Evangelho
Lc 17, 26-37
«No dia em que Se manifestar o Filho do homem»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como sucedeu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem: Comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio, que os fez perecer a todos. Do mesmo modo sucedeu nos dias de Lot: Comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construiam. Mas no dia em que Lot saiu de Sodoma, Deus mandou do céu uma chuva de fogo e enxofre, que os fez perecer a todos. Assim será no dia em que Se manifestar o Filho do homem. Nesse dia, quem estiver no terraço e tiver coisas em casa não desça para as tirar; e quem estiver no campo não volte atrás. Lembrai-vos da mulher de Lot. Quem procurar salvar a vida há-de perdê-la e quem a perder há-de salvá-la. Eu vos digo que, nessa noite, estarão dois num leito: um será tomado e o outro deixado; estarão duas mulheres a moer juntamente: uma será tomada e a outra deixada». Então os discípulos perguntaram a Jesus: «Senhor, onde será isto?». Ele respondeu-lhes: «Onde estiver o corpo, aí se juntarão os abutres».

10 nov 2022 «O reino de Deus está no meio de vós»

QUINTA-FEIRA DA SEMANA XXXII DO TEMPO COMUM

anos pares

Flm 7-20; Sal 145 (146), 7. 8-9a. 9bc-10; Lc 17, 20-25

Primeira leitura
Flm 7-20
«Recebe-o, não já como escravo, mas como irmão muito querido»
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo a Filémon

Caríssimo: Tive grande alegria e consolação por causa da tua caridade, pois graças a ti, os cristãos sentem-se reconfortados. Por isso, embora tenha a liberdade em Cristo para te ordenar o que deves fazer, prefiro, em nome da caridade, fazer-te um pedido. Eu, Paulo, já ancião, e agora prisioneiro por amor de Cristo Jesus, rogo-te por este meu filho, Onésimo, que eu gerei na prisão. Em tempos, ele era inútil para ti, mas agora é útil para ti e para mim. Mando-o de volta para ti, como se fosse o meu próprio coração. Quisera conservá-lo junto de mim, para que me servisse, em teu lugar, enquanto estou preso por causa do Evangelho. Mas, sem o teu consentimento, nada quis fazer, para que a tua boa acção não parecesse forçada, mas feita de livre vontade. Talvez ele se tenha afastado de ti durante algum tempo, a fim de o recuperares para sempre, não já como escravo, mas muito melhor do que escravo: como irmão muito querido. É isto que ele é para mim e muito mais para ti, não só pela natureza, mas também aos olhos do Senhor. Portanto, se me consideras teu amigo, recebe-o como a mim próprio. Se ele te deu algum prejuízo ou te deve alguma coisa, põe-no na minha conta. Eu, Paulo, escrevo com a minha mão: eu pagarei; para não dizer que tu mesmo estás em dívida para comigo. Sim, irmão, dá-me esta alegria no Senhor; dá sossego ao meu coração por amor de Cristo.

Salmo Responsorial
Salmo 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R. cf.5a)
Feliz o homem que espera no Senhor.

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.

O Senhor reina eternamente;
o teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações.

Evangelho
Lc 17, 20-25
«O reino de Deus está no meio de vós»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, os fariseus perguntaram a Jesus quando viria o reino de Deus e Ele respondeu-lhes, dizendo: «O reino de Deus não vem de maneira visível, nem se dirá: ‘Está aqui ou ali’; porque o reino de Deus está no meio de vós». Depois disse aos seus discípulos: «Dias virão em que desejareis ver um dia do Filho do homem e não o vereis. Hão-de dizer-vos: ‘Está ali’, ou ‘Está aqui’. Não queirais ir nem os sigais. Pois assim como o relâmpago, que faísca dum lado do horizonte e brilha até ao lado oposto, assim será o Filho do homem no seu dia. Mas primeiro tem de sofrer muito e ser rejeitado por esta geração».

9 nov 2022 «Falava do templo do seu Corpo»

DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE LATRÃO – festa

Ez 47, 1-2. 8-9. 12 ou 1 Cor 3, 9c-11. 16-17; Sal 45, 2-3. 5-6. 8-9; Jo 2, 13-22

PRIMEIRA LEITURA Ez 47, 1-2.8-9.12

Leitura da Profecia de Ezequiel
Naqueles dias,
o Anjo reconduziu-me à entrada do templo.
Debaixo do limiar da porta saía água em direcção ao Oriente,
pois a fachada do templo estava voltada para o Oriente.
As águas corriam da parte inferior,
do lado direito do templo, ao sul do altar.
O Anjo fez-me sair pela porta setentrional
e contornar o templo por fora,
até à porta exterior que está voltada para o Oriente.
As águas corriam do lado direito.
O Anjo disse-me:
«Esta água corre para a região oriental,
desce para Arabá e entra no mar,
para que as suas águas se tornem salubres.
Todo o ser vivo que se move na água onde chegar esta torrente
terá novo alento
e o peixe será mais abundante.
Porque aonde esta água chegar,
tornar-se-ão sãs as outras águas
e haverá vida por toda a parte aonde chegar esta torrente.
À beira da torrente, nas duas margens,
crescerá toda a espécie de árvores de fruto;
a sua folhagem não murchará, nem acabarão os seus frutos.
Todos os meses darão frutos novos,
porque as águas vêm do santuário.
Os frutos servirão de alimento e as folhas de remédio».
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 45 (46), 2-3.5-6.8-9 (R. 5)

Refrão: Os braços dum rio alegram a cidade de Deus,
a morada santa do Altíssimo.

Deus é o nosso refúgio e a nossa força,
auxílio sempre pronto na adversidade.
Por isso nada receamos ainda que a terra vacile
e os montes se precipitem no fundo do mar.

Os braços dum rio alegram a cidade de Deus,
a mais santa das moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela e a torna inabalável,
Deus a protege desde o romper da aurora.

O Senhor dos Exércitos está connosco,
o Deus de Jacob é a nossa fortaleza.
Vinde e contemplai as obras do Senhor,
as maravilhas que realizou na terra.

SEGUNDA LEITURA 1 Cor 3, 9c-11.16-17

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos:
Vós sois edifício de Deus.
Segundo a graça de Deus que me foi dada,
eu, como sábio arquitecto, coloquei o alicerce
e outro levanta o edifício.
Veja cada um como constrói:
ninguém pode colocar outro alicerce
além do que está posto, que é Jesus Cristo.
Não sabeis que sois templo de Deus
e que o Espírito de Deus habita em vós?
Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá.
Porque o templo de Deus é santo
e vós sois esse templo.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO Jo 2, 13-22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Estava próxima a Páscoa dos judeus
e Jesus subiu a Jerusalém.
Encontrou no templo
os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas
e os cambistas sentados às bancas.
Fez então um chicote de cordas
e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois;
deitou por terra o dinheiro dos cambistas
e derrubou-lhes as mesas;
e disse aos que vendiam pombas:
«Tirai tudo isto daqui;
não façais da casa de meu Pai casa de comércio».
Os discípulos recordaram-se do que estava escrito:
«Devora-me o zelo pela tua casa».
Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe:
«Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?».
Jesus respondeu-lhes:
«Destruí este templo e em três dias o levantarei».
Disseram os judeus:
«Foram precisos quarenta e seis anos para construir este templo
e Tu vais levantá-lo em três dias?».
Jesus, porém, falava do templo do seu Corpo.
Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos,
os discípulos lembraram-se do que tinha dito
e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus.
Palavra da salvação.