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2 mar 2021 «Dizem e não fazem»

TERÇA-FEIRA DA SEMANA II DA QUARESMA

Is 1, 10. 16-20; Sal 49 (50), 8-9. 16bc-17. 21 e 23 Ev Mt 23, 1-12

Primeira leitura
Is 1, 10.16-20
«Aprendei a fazer o bem, respeitai o direito»
Leitura do livro de Isaías

Escutai a palavra do Senhor, chefes de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, povo de Gomorra: «Lavai-vos, purificai-vos, afastai dos meus olhos a malícia das vossas acções, deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde então para discutirmos as nossas razões, – diz o Senhor. Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, ficarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã. Se fordes dóceis e obe¬dientes, comereis os bens da terra. Mas se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados pela espada». Assim falou a boca do Senhor.

Salmo responsorial
Salmo 49 (50)
A quem segue o caminho recto darei a salvação de Deus

Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo:
os teus holocaustos estão sempre na minha presença.
Não aceito os novilhos da tua casa
nem os cabritos do teu rebanho. Refrão

Como falas tanto na minha lei
e trazes na boca a minha aliança,
tu que detestas os meus ensinamentos
e desprezas as minhas palavras. Refrão

Considerai isto, vós que esqueceis a Deus,
não aconteça que vos extermine, sem haver quem vos salve.
Honra-Me quem Me oferece um sacrifício de louvor,
a quem segue o caminho recto darei a salvação de Deus.

Evangelho
Mt 23, 1-12
«Dizem e não fazem»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus falou à multidão e aos discípulos, dizendo: «Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover. Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam as filactérias e ampliam as borlas; gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os tratem por ‘Mestres’. Vós, porém, não vos deixeis tratar por ‘Mestres’, porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. Na terra não chameis a ninguém vosso ‘Pai’, porque um só é o vosso pai, o Pai celeste. Nem vos deixeis tratar por ‘Doutores’, porque um só é o vosso doutor, o Messias. Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

1 mar 2021 «Perdoai e sereis perdoados»

SEGUNDA-FEIRA DA SEMANA II DA QUARESMA

(o dia do mês é referido a 2019, ano em que foi feita esta leitura orante)

PRIMEIRA LEITURA Dan 9, 4b-10

Leitura da Profecia de Daniel

Senhor, Deus grande e terrível, que sois fiel à aliança e à mi¬¬sericórdia para com os que Vos amam e observam os vossos mandamentos! Nós pecámos, cometemos injustiças e iniquidades, fomos rebeldes, afastando-nos dos vossos mandamentos e preceitos. Não escutámos os profetas, vossos servos, que em vosso nome falavam aos nossos reis, aos nossos chefes e antepassados e a todo o povo da nação. Em Vós, Senhor, está a justiça; em nós recai a vergonha que sentimos no rosto, como sucede neste dia aos homens de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo o Israel, aos que estão perto e aos que estão longe, em todos os países para onde os dispersastes por causa das infidelidades que contra Vós cometeram. Sobre nós, Senhor, recai a vergonha que sentimos no rosto, sobre os nossos reis, chefes e antepassados, porque pecámos contra Vós. No Senhor, nosso Deus, está a misericórdia e o perdão, porque nos revoltámos contra Ele e não escutámos a voz do Senhor, nosso Deus, seguindo as leis que nos dava por meio dos profetas, seu servos.

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 78 (79), 8.9.11.13 (R. Salmo 102, 10a)

Refrão: Não nos julgueis, Senhor, pelos nossos pecados. Repete-se

Não recordeis, Senhor, contra nós
as culpas dos nossos pais.
Corra ao nosso encontro a vossa misericórdia,
porque somos tão miseráveis. Refrão

Ajudai-nos, ó Deus, nosso salvador,
para glória do vosso nome.
Salvai-nos e perdoai os nossos pecados,
para glória do vosso nome. Refrão

Chegue à vossa presença, Senhor,
o gemido dos cativos;
pela omnipotência do vosso braço,
libertai os condenados à morte. Refrão

E nós, vosso povo,
ovelhas do vosso rebanho,
louvar-Vos-emos para sempre
e de geração em geração cantaremos a vossa glória. Refrão

EVANGELHO Lc 6, 36-38

«Perdoai e sereis perdoados»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».

Palavra da salvação.

Oração em famílias com os filhos mais pequenos

Olá a todos os pais com filhos ainda pequenos.

Na boca das crianças, Senhor, pusestes o louvor perfeito (Salmo 8,2)

No Centro Social da Paróquia da Cruz Quebrada têm sido preparadas ao longo deste tempo algumas orações para as famílias e crianças que frequentam a Creche São Francisco e Santa Jacinta.

De entre as várias actividades que são preparadas semanalmente surgiu a ideia de partilhar estas orações que podem ajudar os pais a rezar com os seus filhos mais pequenos.

Segue a apresentação, que pode descarregar:

Orações em família 2ª semana da quaresma 1a 7 mar 21

 

caminhar juntos para a páscoa (CNJP 2021)

 Caminhar juntos para a Páscoa

Reflexão Quaresmal de 2021 da Comissão Nacional Justiça e Paz

«Vamos subir a Jerusalém» (Mt 20, 18)

Eis-nos de novo na Quaresma e o Papa Francisco convida-nos a juntarmo-nos a Jesus que nos diz: «Vamos subir a Jerusalém…».

A Quaresma é sempre um tempo especial, mas esta apresenta-se com uma nova fisionomia, apresenta-se carregada de medos num caminho armadilhado e por isso a tentação de desistir da caminhada é grande. Na sua Mensagem, no entanto, o Papa diz-nos que é um «tempo para renovar fé, esperança e caridade». Subir a Jerusalém é ir ao encontro da Páscoa.

Subir a Jerusalém é um caminho a percorrer e podemos fazê-lo juntos no desafio da comunhão e assim «recebemos com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo».

O trajeto do tempo presente, o troço que nos propomos calcorrear, tem vários encontros à nossa espera. É uma subida com «a luz da Ressurreição que anima os sentimentos, atitudes e opções» e se orienta pelos marcos da fé, esperança e caridade.

1. A fé chama-nos a acolher a Verdade e a tornar-nos suas testemunhas diante de Deus e de todos os nossos irmãos e irmãs

«A fé não resolve a nossa sede.
Muitas vezes intensifica-a, destapa-a e,
em algumas circunstâncias,
torna-a até mais dramática.
Mas a fé ajuda-nos a ver na sede
Uma forma de caminho e de oração».

Tolentino Mendonça, in Elogio da Sede

Neste tempo de Quaresma, acolher e viver a Verdade manifestada em Cristo leva-nos a acreditar no caminho. É neste caminho que «ojejum, vivido como experiência de privação» por um valor maior, «leva, a quem o pratica com simplicidade de coração, a redescobrir o dom de Deus e a compreender a nossa realidade de criaturas que, feitas à sua imagem e semelhança, n’Ele encontram plena realização». O amor é um movimento que centra a minha atenção no outro, considerando-o como um só comigo mesmo.

É o tempo de «acolher e viver a verdade», de dar espaço, fazer o vazio para acolher.

E não nos falta quem acolher. Na nossa fragilidade de criaturas, somos desafiados a acolher a vida com as suas fragilidades, sem pretensões a super-heróis. Mas este processo faz parte do caminho, desta subida que não se satisfaz com um verniz espiritual. Exige que se viva uma espiritualidade com coerência e realismo. E não falta onde meter as mãos: quantas realidades sociais carecem de ações que promovam uma efetiva subsidiariedade que ultrapasse o domínio despótico dos mercados de capitais e dos lucros que olha com desdém para os trabalhadores que vivem na incerteza e na penúria, em que a economia não é capaz de dar o devido valor à pessoa! É um desafio nesta caminhada para, com consciência, dar maior atenção e valorização à economia social, para que esta não seja mero adereço para momentos de aflição extrema.

É tempo de «acolher e viver a verdade» diante dos idosos e inverter o paradigma social. Neste tempo favorável somos chamados a acolher cada idoso como um presente de Deus que nesta pandemia eleva um grito silencioso, mas angustiante, questiona e exige uma outra resposta, pois não nos falta engenho. Com gratidão pela vida, precisamos de desenhar uma nova proximidade, onde a institucionalização não pode ser resposta única nem primeira.

«A eliminação dos idosos da vida da família e da sociedade representa a expressão de um processo perverso em que já não existe a gratuidade, a generosidade, aquela riqueza de sentimentos que fazem com que a vida não seja apenas um dar e receber… Eliminar os idosos é uma maldição que muitas vezes esta nossa sociedade se autoinflige»[1].

Por isso, a atenção materna da Igreja que recentemente nos alerta: «Existe, antes de tudo, o dever de criar as melhores condições para que os idosos possam viver esta fase particular da vida, tanto quanto possível, no seu ambiente familiar, com as amizades habituais», diz o documento recentemente publicado pela Academia Pontifícia para a Vida[2].

É preciso tempo de «acolher e viver a verdade», para acolher a solidão e o isolamento, convidando todos a ver mais além a verdadeira provocação da vida.

É preciso tempo, um tempo onde a fé da criatura mergulha na relação íntima com o seu Criador. «E o Senhor está ali, … dar-nos-á a palavra certa, o conselho para ir em frente sem aquele sumo amargo do negativo. Porque a oração, usando uma palavra profana, é sempre positiva. Sempre! Leva-te em frente»[3] – são palavras do Papa Francisco. 

2. A esperança como «água viva», que nos permite continuar o nosso caminho 

«Tudo à nossa volta parece agitado
por um tremor que nos faz inseguros, pessimistas,
à espera de um grande sismo;
e é enorme a tentação de exclamar
“que não há onde firmar pé”.
Hoje quero ver para além do nevoeiro ou das trevas,
olhando para a nascente, onde a esperança está limpa,
sem os afluentes poluídos do caminho».

João Aguiar Campos, in Circunstâncias

É o tempo da «esperança que não desilude». A subida a Jerusalém carrega o anúncio da paixão e morte de Jesus, mas é um caminho que desemboca na Ressurreição.

A vida no mundo carrega preocupações e canseiras. Basta olharmos para a educação e a saúde. Sentimos entre as mãos fragilidades e incertezas.

Mas é agarrados a esta «esperança que não desilude» que podemos com desprendimento olhar a educação e perceber que é nela que se joga o futuro de um povo e que ela não pode ser reduzida a jogos de poder, a números semelhantes a bolas de sabão, a querer resultados sem olhar a meios.

Continuamos a perceber guerras por quinhões educativos, por querer fazer da educação um instrumento onde os experimentalismos se expandem como cogumelos em inverno chuvoso.

Mais do que parece, não há verdadeiro empenho educativo. São necessários horizontes de sonho e capacidade para fazer germinar processos educativos que verdadeiramente promovam a capacidade de enfrentar o ‘novo’ e olhar para as inevitáveis dificuldades da vida como possibilidades de melhor e mais além.

«Falar de esperança – escreve o Papa na sua mensagem – no contexto de preocupação em que vivemos atualmente onde tudo parece frágil e incerto, poderia parecer uma provocação».

Mas estamos no tempo da esperança e a vida não está num ecrã.

E com o olhar de esperança também olhamos para a saúde com preocupação. Não nos podemos resignar aos efeitos mágicos diariamente exibidos de números, gráficos e imagens que parecem vindas de um qualquer filme de ficção. A saúde são pessoas. A saúde é Covid-19, mas é cancro e tantas outras doenças que apoquentam muitas pessoas, principalmente as mais pobres.

E depois não nos podemos escandalizar e rasgar as vestes diante do despontar de fenómenos de timbre populista.

Neste tempo da «esperança que não desilude» espera-se a capacidade de tocar as feridas para ajudar a sarar e não para provocar a dor, espera-se encontrar soluções efetivas e não placebos que adiem para um amanhã incerto. É que a frescura da esperança «ilumina desafios e opções da nossa missão».

Este é o tempo da «esperança que não desilude» olhando também para as feridas da criação. Somos convocados a cuidar das preciosidades desta Terra que se deleita com o mar e as serras, as florestas e os rios, as planuras e todas as intervenções antrópicas… Precisamos da consciência dos limites da finitude dos recursos, das respostas imperfeitas que a tecnologia oferece, dos limites que fazem parte intrínseca da criação e, ao mesmo tempo, são desafios à superação.

Neste caminho de subida para Jerusalém, precisamos de companheiros de viagem para este itinerário de amor, aquele Amor que é timbre da criação, e podermos ser «testemunhas do tempo novo em que Deus renova todas as coisas», diz o Papa.

E a Ressurreição é o maior sinal da esperança. 3. A caridade, vivida seguindo as pegadas de Cristo na atenção e compaixão por cada pessoa, é a mais alta expressão da nossa fé e da nossaesperança 

«Para curar as feridas profundas das relações primárias da nossa vida (“a fraternidade”), temos uma necessidade vital do tempo.
Não nos reconciliamos verdadeiramente se não permitirmos
que a dor-amor entre até à medula da relação doente,
seja absorvida e lentamente a cure.
São sobretudo necessárias ações que digam,
com a linguagem do comportamento, que queremos realmente recomeçar».

Luigino Bruni, in Redescobrir a Árvores da Vida

«A caridade… é a mais alta expressão da nossa fé e da nossa esperança», não é assistencialismo, mas é um dom que gera fraternidade. Este caminho chama-se fraternidade e carrega um amor que tem mangas arregaçadas para agir.

Assim, cada um pode ser aquela retaguarda que multiplica os locais dos milagres de fraternidade, nas escolas, nos hospitais, nos lares, nas famílias…

E as famílias, precisamente pelo amor recíproco, podem merecer a presença de Jesus, tornando-se Igreja doméstica, cenáculo e escola de humanidade. Não foi assim no início do cristianismo? Neste caminho para a Páscoa podemos multiplicar os pontos de luz acolhendo Jesus e, como a semente que morre, assim germinará uma nova primavera para a Igreja e para a Humanidade.

                É a expressão da caridade que pode dar ao progresso científico o sentido do verdadeiro serviço à vida sem colocar condições.

         A fraternidade não pode reduzir-se a um simples exercício de palavras, ou a um elemento decorativo fazendo companhia à liberdade e à igualdade. É necessária uma humildade desarmante que suja as mãos na história, que na vida quotidiana vive o tempo, é criativa, tem a arte da hospitalidade, é amiga.

A mensagem do Papa não se limita a cada um, mas alarga o amor alertando-nos que «a partir do “amor social”, é possível avançar para uma civilização do amor».

É uma subida que pode ser íngreme e causar desânimos, mas desafia à coragem de arriscar e, nesta Quaresma especial, reclama sairmos de nós e ir ao encontro com um telefonema, uma refeição levada à porta daquela pessoa que está só, uma conversa usando as novas tecnologias disponíveis para nos alegrarmos com o bem que não é notícia e partilha as agruras dolorosas entre os escombros da solidão, da doença, do abandono, da miséria, da escuridão da alma, da morte.

Diante dos desafios, não temos limites e fazemos o caminho até ao fim para que ninguém sucumba à tentação de desistir. A beleza da comunhão ajudar-nos-á no aprofundamento dos afetos, na vivência do perdão, na regeneração das relações para sermos coerentes, resilientes e criativos.

A caridade é um dom que bate ao nosso coração.

E a grande dor deste momento presente não é o vírus, mas o isolamento, porque nos tira o timbre trinitário da relação. E a subida a Jerusalém é feita de relações, relação criatura-Criador, relação entre nós e relação com a criação. É que em Jerusalém haverá a Ressurreição com novos Céus e nova Terra.

E se virmos ‘aquele’ brilho dos olhos, então é porque o Paraíso não está longe, mas entre nós.

                Comissão Nacional Justiça e Paz

                       17 de fevereiro de 2021


[1] J.M. Bergoglio, Solo l’amore ci può salvare, LEV, Città del Vaticano 2013, p. 83.

[2] Documento da Academia Pontifícia para a Vida: “A velhice: o nosso futuro. A condição dos idosos depois da pandemia”, 9 de fevereiro de 2021.

[3] Papa Francisco, Audiência Geral, 10 de fevereiro de 2021.
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28 fev 2021 «Este é o meu Filho muito amado»

DOMINGO II DA QUARESMA – ANO B

Gen 22, 1-2. 9a. 10-13. 15-18; Sal 115 (116), 10 e 15. 16-17. 18-19; Rom 8, 31b-34; Mc 9, 2-10

Primeira leitura
Gen 22, 1-2.9a.10-13.15-18
O sacrifício do nosso Patriarca Abraão
Leitura do Livro do Génesis

Naqueles dias, Deus quis pôr à prova Abraão e chamou-o: «Abraão!». Ele respondeu: «Aqui estou». Deus disse: «Toma o teu filho, o teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à terra de Moriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar. Quando chegaram ao local designado por Deus, Abraão levantou um altar e colocou a lenha sobre ele. Depois, estendendo a mão, puxou do cutelo para degolar o filho. Mas o Anjo do Senhor gritou-lhe do alto do Céu: «Abraão, Abraão!». «Aqui estou, Senhor», respondeu ele. O Anjo prosseguiu: «Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum. Agora sei que na verdade temes a Deus, uma vez que não Me recusaste o teu filho, o teu filho único». Abraão ergueu os olhos e viu atrás de si um carneiro, preso pelos chifres num silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em vez do filho. O Anjo do Senhor chamou Abraão do Céu pela segunda vez e disse-lhe: «Por Mim próprio te juro – oráculo do Senhor – já que assim procedeste e não Me recusaste o teu filho, o teu filho único, abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar, e a tua descendência conquistará as portas das cidades inimigas. Porque obedeceste à minha voz, na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra».

Salmo Responsorial
Salmo 115 (116), 10 e 15. 16-17.18-19 (R. Salmo 114 (115), 9)
Andarei na presença do Senhor sobre a terra dos vivos.

Confiei no Senhor, mesmo quando disse:
«Sou um homem de todo infeliz».
É preciosa aos olhos do Senhor
a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:
quebrastes as minhas cadeias.
Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,
invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor
na presença de todo o povo,
nos átrios da casa do Senhor,
dentro dos teus muros, Jerusalém.

Segunda leitura
Rom 8, 31b-34
«Deus não poupou o seu próprio Filho»
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Se Deus está por nós, quem estará contra nós? Deus, que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não havia de nos dar, com Ele, todas as coisas? Quem acusará os eleitos de Deus, se Deus os justifica? E quem os condenará, se Cristo morreu e, mais ainda, ressuscitou, está à direita de Deus e intercede por nós?

Evangelho
Mc 9, 2-10
«Este é o meu Filho muito amado»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.