Apartes

1ª SEXTA-FEIRA – 3/OUTUBRO/2014

SaoFranciscoDeBorjaS. FRANCISCO DE BORJA (1510-72). Nobre, vivia na corte de Espanha como bom cristão. Pai de 8 filhos, a morte súbita da imperatriz Isabel feriu-o profundamente : “Não continuarei a servir senhor que me possa morrer”, exclamou. Entrou nos Jesuítas onde chegou a Superior Geral.

Job 38,1.12-21; 40, 3-5 ; Sal 138, 1-3. 7-10. 13-14ab ; Lucas 10,13-16

DeusFalaAJobDIÁLOGO COM DEUS (Job 38,1.12-21;40,3-5 ; Luc.10,1-13-16). Sem dúvida que a desgraça de Corazaim e Betsaida é maior que a de Job !  Elas não viram, não escutaram. Os seus habitantes não aceitaram a mudança de vida que Deus lhes propunha.  Job, pelo contrário, é a figura do justo. A cabrunhado pelas desgraças sem ter feito qual-quer mal, não deixa de dirigir-se a Deus, mesmo que seja para gritar a sua cólera. E quando Deus fala, ele cala-se em sinal de respeito. Na nossa vida, como fazemos este diálogo com Deus, quaisquer que sejam as situações?Gritamos para Ele? Aceitamos calar-nos para escutar a Sua voz?

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ªQUINTA-FEIRA – 2/OUTUBRO/2014

AnjoDaGuarda_CortonaSTOS. ANJOS DA GUARDA. A Igreja celebra hoje os STOS. Anjos da Guarda, aos quais Deus confiou a missão de assegurar junto dos homens uma presença fraternal.

BeatoAntonioChevrierBTO. ANTÓNIO CHEVRIER (1825-79).“Aos pobres primeiro. Não tenhais medo de levar Cristo a todos os lugares, até às periferias existenciais”: século e meio antes desta exortação tão cara ao papa Francisco, já este francês se sentia chamado a aproximar-se dos que mais afastados estavam de Cristo e do Seu Evangelho. Em 1861 tomou a iniciativa audaciosa de comprar uma antiga sala de baile de má fama – o Prado – que transformou com valentia e confiança numa obra de preparação para a primeira comunhão! Ali acolhia gratuitamente os jovens que “nada têm, nada sabem, nada valem”. O padre Chevrier vivia no meio deles dando-lhes instrução de base e uma educação cristã. A sua fé, paciência e bondade causavam nestes jovens, conversões espectaculares. Para prosseguir e amplificar a sua acção, teve a ideia de criar uma “escola clerical” dedicada à formação de “sacerdotes pobres, para os pobres”. Assim nasceu a “Sociedade do Prado”, cujos primeiros padres foram ordenados em 1877, em Roma.  Apóstolo das populações operárias em plena revolução industrial, este admirador do Cura d’Ars a quem fora pedir conselho em 1847, tinha uma elevadíssima ideia da missão do sacerdote: “É necessário, dizia aos 1OS seminaristas, que vos torneis santos ; é necessário que sejais luzes para conduzir os homens no bom caminho, fogo para reaquecer os frios e os gelados, imagens vivas de Deus na terra, para servirdes de modelos a todos os cristãos”.

Êxodo 23, 20-23a ; Sal 90,1-6.10-11 ; Mateus 18,1-5.10

EM SEGURANÇA NO CAMINHO (Êx.23,20-23a; Mat.18,1-5.10).  A presença dos anjos é um convite para entrar no caminho. A caminhada com companhia é mais segura. O Livro do Êxodo recorda-nos uma das atitudes fundamentais da vida cristã: docilidade à voz de Deus, que nos dá a capacidade para discernir, entre os ruídos do mundo, o caminho que Ele nos indica, na certeza que Ele o tomará conosco. Isto exige certamente humildade, que se espelha na imagem das crianças, presente no Evangelho. Aceitar arriscar-me num caminho, com docilidade, sabendo que Deus não me abandona: este é o “convite – Boa Nova” dos anjos!

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 1/OUTUBRO/2014

SantaTeresaDoMeninoJesusSTA. TERESA DO MENINO JESUS (1873-97). Humilde carmelita, natural de Alençon, é uma das santas mais conhecidas e amadas, cuja intercessão se invoca no mundo inteiro! Entrou no Carmelo de Lisieux com apenas 15 anos de idade mas, nos poucos anos que ali viveu, pelo suas virtudes, retratadas no diário que escrevera (“História de uma Alma”, publicado depois da morte) depressa tornou reconhecido o seu caminho de infância espiritual e de abandono ao amor de Deus. São João-Paulo ll proclamou-a Doutora da Igreja em 1997.

Job 9, 1-12.14-16 ou Isaías 66,10-14c ; Sal 87,10bc-15 ; Mateus 18,1-5 ou Lucas 9, 57-62

FONTE ESCONDIDA (Is.66,10-14c). “A alegria interior mora no mais profundo da alma; pode ser possuída quer numa obscura prisão quer num palácio…”, dizia STA. Teresa de Lisieux.  Ela falava duma alegria cuja fonte está escondida, duma alegria que não depende dos acontecimentos e brota da certeza deslumbrada de ser amados por Deus. É a alegria que Isaías celebra. Nós podemos acolher esta promessa de paz e de vida, deixando-a transformar-nos profundamente, mantendo-nos como crianças diante dela com a boca aberta de espanto.

“AQUELE QUE SE FIZER PEQUENO…” (Mateus 18,1-5). Sabe-se o acolhimento que Jesus reservava às crianças, mas conhece-se pior o estatuto das crianças, na cultura do Seu tempo. Nada que se compare ao da “criança-rei” contemporâneo! As crianças eram numerosas, morriam novas, e enquanto não atingiam a idade para se tornar úteis à sociedade, esses frágeis e dependentes pequeninos eram desprezados, porque, embora representassem a esperança do futuro, eram uma sobrecarga demasiado pe-sada nas famílias pobres. A tradução “fazer-se pequeno” suaviza o texto: Jesus lembra que a criança é um ser “humilhado” que deve a sua vida e sobrevivência aos outros. Eis o que Jesus nos convida a acolher, eis, sobretudo, o estatuto que nos convida a aceitar!

“EU SEGUIR-TE-EI…” (Luc.9,57-62). É relativamente fácil responder “conjugando o futuro” : Eu seguir-Te-ei !   Porém Jesus põe-nos em guarda contra as ilusões : trata-se sempre do dia de hoje, deste instante em que Deus me faz sinal e me chama. Tudo depende do nosso acolhimento – agora, neste instante – da Presença divina.  Nada mais conta: os nossos raciocínios e sabedoria, as nossas conveniências familiares ou até a nossa piedade filial, nada mais serão do que obstáculos quando Deus nos quiser chamar para O seguir!  Será que terei de renunciar a algumas coisas?  Terei, sobretudo, que encontrar o sentido dessas renúncias! A iniciativa de Deus – porque Ele me ama primeiro – não vem sobrepor-se à minha vida, e, menos ainda, contrariá-la. Serei eu hoje capaz de  ouvir o apelo de Cristo? Será que vou viver ao ritmo de Deus, interiorizando o Tempo de Deus?

 “Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 30/SETEMBRO/2014

SaoJeronimoS. JERÓNIMO (420). Natural da Dalmácia – actual Croácia – o erudito S.Jerónimo foi, em Roma, o secretário do papa Dâmaso e depois, por não ter conseguido ser o seu sucessor, foi para Belém, na Terra Santa. Ali passou a maior parte da sua vida a traduzir e comentar as Escrituras (a célebre “Vulgata”) para que o povo cristão pudesse participar na liturgia na sua própria língua, ao tempo o latim.  Morreu, com mais de 90 anos. É Doutor da Igreja.

Job 3, 1-3.11-17. 20-23 ; Sal 87, 2-8 ; Lucas 9, 51-56

“PARTIRAM PARA OUTRA POVOAÇÃO…” (Lucas 9, 51-56). Quando Jesus enviara os Doze – na sua primeira missão – percorrer os caminhos da Galileia, um dos conselhos tinha sido que, no momento oportuno, soubessem sair de qualquer lugar “sacudindo a poeira dos seus pés”, sem mais formalidades e, sobretudo, conservando intacta a sua liberdade interior. Vemo-lO hoje aplicar a Si mesmo esta regra. Uma povoação não O quer receber? Pouco importa, parte para outro povoado. É tão simples quanto isto. E quando alguns dos Seus discípulos vêem nesta atitude de rejeição algo que merece o fogo do céu, é contra eles que Se exalta, repreendendo-os. Nada há, de facto, mais contrário à Sua moral e psicologia pessoal, que a vingança que lhE propõem. Jesus não lhes deu quaisquer razões, e seria ridículo e desagradável que nos arrogássemos o direito de as apresentar em seu lugar e propuséssemos fazer um sermão. Na verdade, será mil vezes melhor aproveitar a ocasião para – muito simplesmente – ver Jesus agir, e deixar-nos possuir pelos sentimentos que desperta a curta narrativa. Talvez, então, nos apercebamos ser este o método mais fru-tuoso, pois um simples gesto -sobretudo se for de Jesus – pode tocar-nos bem mais profundamente que a mais vibrante das homilias.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 29/SETEMBRO/2014

SaoMiguelSaoRafaelSaoGabrielArcanjosS. MIGUEL, S. GABRIEL e S. RAFAEL, Arcanjos. Os nomes dos 3 arcanjos, mensageiros de Deus, significam em hebraico: “Quem como Deus ?” (Miguel) , “Deus mostra a Sua força” (Gabriel) e “Deus cura” (Rafael).

Daniel 7, 9-10.13-14 ou Apocalipse 12,7-12a ; Sal 137,1-5 ; João 1, 47-51

CristoComNatanael_HenddrickszELES SERVEM-NO.  Hoje, festejamos os Anjos – seres misteriosos – cuja exis-tência a Escritura atesta profusamente.   Porém as leituras recordam-nos que eles têm algo em comum com os santos: os dois são inseparáveis do mistério de Cristo, e é sempre em Cristo – ou através d’Ele – que os celebramos. Daniel, na sua visão, vê milhões de anjos, mas é sobre O Filho do homem que fixa o olhar. João, no Apocalipse, vê também as potestades angélicas, mas contempla sobretudo Aquele a quem elas servem : O Cordeiro, que dO Pai recebeu o poder supremo sobre toda a Criação.   Os textos do Novo Testamento em que os anjos aparecem, mostram-os igualmente como servidores de Jesus-Cristo. Jesus, dirigindo-Se a Natanael e aos Apóstolos diz-lhes: “Vereis os céus abertos e os anjos a subir e a descer sobre O Filho do homem”. O Mestre está imóvel, são os servos que se agitam em torno d’Ele… Pode fazer-se todavia aqui uma pergunta: será que os Apóstolos chegaram a ver isto ?   Quando? Na linguagem normal o verbo “ver” substitui com frequência outros : compreender, conhecer, saber… Aqui sucede isso mesmo.  Podemos concluir que é pela meditação da Escritura- em especial dos textos que falam das relações entre Cristo, o Senhor, e  os Seus servos invisíveis – que penetraremos mais profundamente no mistério dO Filho do homem.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.