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XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM – 28/SETEMBRO/2014

SantaEustaquiaSTA. EUSTÁQUIA (418). Filha de STA. Paula, seguiu o ensino de S. Jerónimo após o regresso deste a Roma. Acompanhou a mãe com S. Jerónimo numa visita à Terra Santa e sucedeu-lhe à frente do mosteiro-hospital que tinham construido em Belém.

SaoVenceslauS. VENCESLAU DA BOÉMIA (929). Filho do rei Ratislav, nasceu junto de Praga. Órfão muito novo foi educado pela avó STA. Ludimila.  Sucedeu ao pai, mas foi assassinado pelo irmão. Patrono da República Checa, é considerado mártir.

Ezequiel 18, 25-28 ; Sal 24, 4b-9 ; Filipenses 2, 1-11 ou 2,1-5 ; Mateus 21, 28-32

DoisIrmaosDEUS AMA-NOS PRIMEIRO (Ez.18,25-28; Filip.2,1-5; Mat.21,28-32). “Nada está garantido de antemão…”   Isto é verdadeiro, excepto para O Amor de Deus.   Deus é maior que o nosso coração.  O profeta Ezequiel já dizia aos filhos de Israel : “Deus não deseja a morte do pecador”.  Viver, é voltar-se para Deus e levar uma vida correcta e justa : mas, mesmo sendo sempre possível ao pecador voltar-se para Deus e salvar a sua vida, evitar o pecado será a conduta mais segura para alcançar a salvação! Deus ama-nos gratuitamente. Mas que sabemos nós deste Seu Amor?  S. Paulo escreve aos Filipenses que o modelo do amor é a forma como Cristo Se entregou a Si mesmo. Ele que estava junto de Deus fez-Se um de nós.  Tornado Servo, Cristo despojou-Se de tudo até morrer numa cruz, e nela revelou O Amor com que Deus nos ama : um amor sem partilha, absoluto, sem condições. Se os publicanos e as prostitutas do tempo de Jesus nos precedem nO Reino de Deus, é por-que ele já está foi antecipadamente ganho : Deus ama-nos primeiro, quer sejamos bons ou maus, e amar-nos-á até ao fim. Se O Seu Amor nunca tivesse tocado o nosso coração e nós não o acolhêssemos, viveriamos como agora? Olhar-nos-íamos sempre com os mesmos olhos? Na Parábola, o evangelista generaliza. O primeiro filho “faz a vontade d’O Pai”, apesar da sua recusa inicial. O segundo, ao contrário do que prometera, nada faz. Todos os interlocutores de Jesus concordam com Ele. Porquê então Jesus os critica tão duramente apontando-lhes a sua desclassificação nO Reino de Deus? É que eles não acreditaram na palavra do justo João Baptista, enquanto os publicanos e as prostitutas estão salvos porque acreditaram e se arrependeram. Mateus não escreveu para os chefes dos sacerdotes nem para os anciãos. O seu evangelho dirige-se, após a Páscoa, às comunidades cristãs. Pressente-se que este evangelho tem em vista os numerosos cristãos de origem judaica. Entre eles, alguns estavam na comunidade na expectativa da vinda dO Reino, mas tentados a voltar às suas convicções anteriores. Certamente todos, chefes dos sacerdotes, anciãos, publicanos e prostitutas hão-de participar nO Reino! Ninguém está excluido. Mas em troca todos devem esforçar-se por viver com coerência a fé. Se nos contentarmos com belas declarações, e não procurarmos ser justos e ajustar-nos a Deus, recuamos e fazemos recuar O Reino.  É pedido aos discípulos que correspondam ao que acreditam. Para apoiar este pedido, é dado o exemplo dos pecadores profissionais que se converteram e mudaram a sua vida. Como eles, os cristãos devem aprofundar a sua conversão, sem voltar atrás, permanecendo amarrados fortemente aO Senhor Jesus. Deus, finalmente, não é Aquele que julgamos.  Neste domingo digamos com O Apóstolo: “Eu tenho uma certeza: nem a morte nem a vida, (… ) nem os céus nem os abismos, nem qualquer criatura poderá separar-nos dO Amor de Deus em Jesus Cristo (Rom. 8,38-39).

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 27/SETEMBRO/2014

SaoVicenteDePaulo_01SÃO VICENTE DE PAULO (158–1660). Grande apóstolo da caridade.  Foi o fundador das Congregações dos “Padres da Missão”, das “Filhas da Caridade” (com STA. Luísa de Marillac) e das Equipas S. Vicente.

Cohélet 11, 9–12, 8 ; Sal 89, 3-6. 12-14. 17 ; Lucas 9, 43b-45

IR ALÉM DAQUILO QUE SE VÊ (Lucas 9,43b-45). Esta cena do Evangelho diz-nos muito sobre a maneira de ser de Jesus. Enquanto todos estão perturbados, Jesus permanece lúcido : Ele vai ser entregue !   Esta palavra está velada, não por esoterismo mas pela cegueira dos corações.  Com efeito, a admiração que Jesus suscita é superficial, fruto de uma religiosidade exterior. Ao contrário, Ele convida-nos a ir além daquilo que vemos, abrindo os ouvidos, deixando-nos transformar pela Sua Palavra. Esta transformação não é fácil e pode mesmo revoltar-nos, como sucedeu a Pedro.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 26/SETEMBRO/2014

SaoCosmeESaoDamiaoSTOS. COSME e DAMIÃO (séc. IV). Dois irmãos médicos, decapitados pela fé em Cirro, próximo de Alepo na actual Síria, durante a perseguição de Diocleciano. O seu culto expandiu-se no ocidente a partir do séc. V.

STOS. MÁRTIRES DA CHINA (Diocese de Macau).

Cohélet 3, 3-11 ; Sal 143, 1a. 2ab. 3-4 ; Lucas 9, 18-22

“E VÓS, QUEM DlZElS QUE EU SOU…?” (Lucas 9,18-22). Nas sociedades secularizadas, esta é uma pergunta essencial. Queixamo-nos da fraca prática religiosa, mas que dizer do nosso silêncio perante esta pergunta. Pedro pode ajudar-nos a responder.  Como os outros dis-cípulos ele ouve a pergunta de Jesus. E, bom judeu do seu tempo, responde com a riqueza de vocabulário da Escritura. E nós, onde fundamentamos as nossas palavras para respondermos a Jesus ?  Não nos apressemos nos lamentos sobre a sociedade. Escutemos Jesus e frequentemos a escola da Escritura.   Então saberemos responder a esta grave questão. Os anúncios da Paixão são com frequência apresentados como motivo de escândalo para os Apóstolos. Na verdade, Pedro – em nome dos Doze – insurgiu-se contra a idéia de um Messias sofredor e rejeitado. Jesus repreendeu-o severamente. Aqui Ele diz-nos: “É necessário que…” ; o que nos remete para outra passagem do evangelho de Lucas, quando O Senhor – após a Sua Ressurreição – apareceu aos discípulos de Emaús perguntando-lhes: “Não era necessário que O Cristo sofresse para entrar na Sua glória?” No anúncio da Paixão que hoje faz, e pela pergunta que nos coloca: “Para vós, Quem sou Eu ?”, Jesus transforma-se num profes-sor da Sagrada Escritura a examinar os alunos.  Será que os apóstolos, pertencentes a um povo que estudava a Escritura, desco-nheciam as profecias de Isaías acerca dO Servo sofredor ?   Esta ignorância é ainda mais lamentável porque Ele próprio – na sinagoga de Nazaré – Se identificara com esse misterioso personagem, que carregava sobre si os pecados dos outros para, logo a seguir, pela mesma razão, ser glorificado.  Estas reflexões recordam-nos, uma vez mais, a importância de conhecer o Antigo Testamento para melhor compreender O Novo.  Mais precisamente, para saber responder correctamente – durante toda a nossa vida – à pergunta :  “E vós, quem dizeis que Eu sou?”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 25/SETEMBRO/2014

BeataJosefaNavalGirbesBTA. JOSEFA NAVAL GIRBÉS (1820–93). Virgem, carmelita secular, abriu novos caminhos de santidade para a maioria dos membros da Igreja do mundo laical. O tempo em que viveu foi um tempo muito perturbado para a Igreja: “ O grande escândalo do séc. XIX foi a perda da classe operária”, disse o Papa Pio XI.  A casa de Josefa, o seu atelier de bordadeira, o seu catecismo, os círculos de formação de mulheres, as suas obras de caridade eram o seu convento. Exemplo e palavra! Josefa viu claramente os deveres do cristão leigo e viveu-os. S. João-Paulo II beatificou-a (1988).

Cohélet 1, 2-11 ; Sal 89, 3-6.12-14.17 ; Lucas 9, 7-9

INDIFERENTES A TUDO (Cohélet 1,2-11 ; Lucas 9,7-9). Pode suceder ficar-se por vezes como O Esclesiastes, indiferente a tudo! Tudo parece igual e sem valor, julga-se saber tudo e controlar todas as coisas.  Tal como Herodes, não se sabe o que pensar. Finalmente, “que aproveita ao homem tudo isso”? É o “para que serve”? Estes textos da Escritura retratam-nos e provocam-nos: será que vamos querer continuar a ver o mundo como sinistro e sem finalidade? É verdade que as coisas mudam, que muitas já não são possíveis e outras nunca o serão.  Como vamos reagir? Dizendo “nada de novo” e “já não sei o que pensar” ? Ser fiel a Cristo convida a uma lúcida esperança: Cristo, vencedor da morte é maior que tudo.  Com a Sua prégação, com os Seus gestos, Jesus coloca-nos uma pergunta. Até Herodes fica intrigado.  Fazer perguntas é o primeiro acto de evangelização, como na manhã de Pentecostes.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.