Apartes

TERÇA-FEIRA – 19/AGOSTO/2014

SaoJoaoEudesS. JOÃO EUDES (1601-1680). Pregador sem par, missionário infatigavel, fundou a “Congregação de Jesus e Maria” e a de “Nª Sª da Caridade”. Difundiu em França a devoção ao SagrAdo Coração ficando conhecido como o “autor, pai, doutor, apóstolo e promotor entusiasta da devoção litúrgica aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.

SaoBernardoTolomeiS. BERNARDO TOLOMEI (1272-1348). Após uma juventude libertina, este Toscano (Siena) fez-se dominicano no mosteiro de “Nª Sª do Monte Olivete”, que fundou com 2 companheiros. Morreu ali, a servir os empestados que asilava. Canonizado por Bento XVI, em 2005.

Ezequiel 28,1-10 ; Deuteronómio 32, 26-28. 30. 35cd-36ab ; Mat.19, 23-30

“QUEM PODERÁ ENTÃO SALVAR-SE…?” (Mat.19,23-30). Sente-se que a pergunta dos Apóstolos vem do fundo da sua alma e é feita com angústia. Eles têm consciência de estar perdidos, ou não faria sentido ouvirem alguém falar de salvação. No tempo dos Juízes, “ser salvo”, tinha conotação política. Para Gedeão significava essencialmente escapar à OBuracoDaAgulhapilhagem periódica de Madiã. No tempo de Jesus a situação não melhorara e, para muitos, o fim da ocupação romana teria constituído, sem mais, a “salvação”. Pedro e os companheiros, porque eram instruídos por Jesus, começavam a entender que O Reino dos “salvos” não se confundia com a independência política do seu país. Mesmo não sabendo exactamente o que significava “estar perdido e ser salvo”, tinham cada vez maior consciência que a fórmula escondia e revelava simultâneamente o seu desejo da misericórdia de um Deus salvador e o abismo de miséria que os separava d’Ele. Se Jesus tivesse respondido à pergunta dizendo : “É difícil”, isso tê-los-ia conduzido ao desespero. Felizmente que lhes disse: “É impossível” ; impossível aos homens, mas possível a Deus. Desde então tudo está incluído neste “impossível”, primeiro a libertação da angústia, mas principalmente a fonte donde é possível tirar aquilo que o homem rico, demasiado rico, desdenhou, sem se dar conta que se empobrecia sem limites, ao preferir um coração cheio das suas pobres riquezas terrenas.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 18/AGOSTO/2014

SantoAlbertoCruchagaSTO. ALBERTO HURTADO CRUCHAGA (1901-52). Jesuíta chileno empenhado no sindicalismo cristão, fundador da revista “Mensaje” e da “Acção Sindical Chilena”. Hospitalizado com cancro, repetia: “Contente, Senhor!, contente”. Canonizado por Bento XVI, em 2009.

SantaHelenaSTA. HELENA (255-328). Mãe do Imperador Constantino que procurou e encontrou na Terra Santa o madeiro da Cruz, cuja descoberta STO. Ambrósio narra.

Ezequiel 24,15-24 ; Deuteronómio 32,18-21 ; Mateus 19,16-22

“QUE ME FALTA AINDA…?” (Mat.19,16-22). Esta pergunta feita a Cristo por um homem que, para reflectir, O procura no caminho, certamente que todos os santos a fizeram no coração. Quanto mais adiantado se estiver na via da perfeição maior será o apelo à ultrapassagem dos próprios limites. Na verdade, Deus coloca no íntimo de todos os homens esta JesusEOJovemRicointerrogação: “que me faltará ainda?”, pergunta que Ele acicata nos melhores e faz despontar nos que ainda dormem. O homem que encontrou Jesus era um jovem bom: observava os mandamentos e tentava praticar o bem para ter a vida eterna ; e, todavia sentia uma falta. Jesus convida-o a fazer mais, a ser perfeito pois as muitas riquezas o afastavam do verdadeiro tesouro. A história deste jovem rico mostra-nos como os bens do mundo são incapazes de saciar o coração dos homens mas podem, infelizmente, impedi-los de satisfazerem esse desejo profundo. Não imaginamos Jesus a responder-lhe : “Mas, não te falta nada, termina a tua busca, repousa, come, bebe, goza a vida!” Ele diz-lhe exactamente o contrário: “Segue-Me, caminha ainda e sempre; não sabes os caminhos que te farei percorrer; Eu, sei-o e isso deve bastar-te. Eu conduzo-te para outras riquezas ao pé das quais as que tentam reter-te parecerão ridículas. Os bens que te prometo são fonte de alegria, enquanto os “bens” que querem impedir-te de chegar ao limite do “que te faltará ainda”, são apenas e sempre fonte de tristeza”. É necessário desfazer-nos dos bens do mundo para ganhar o tesouro que Jesus dá aos que O seguem. Senhor !, eu observo os Teus mandamentos, mas não me faltará o essencial ?

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XX DOMINGO DO TEMPO COMUM – 17/AGOSTO/2014

SantaClaraDeMontefalcoSTA. CLARA DE MONTEFALCO (1268-1308). Mística contemplativa italiana, abadessa num convento da regra de STO. Agostinho.Tinha visões de Cristo e da Virgem Maria. Testemunha duma profunda devoção à Paixão de Cristo. Foi canonizada em 1881.

Isaías 56, 1. 6-7 ; Sal 66, 2-3. 5-6. 8 ; Rom.11,13-15. 29-32 ; Mat.15, 21-28

“MULHER, É GRANDE A TUA FÉ…”(Mat.15,21-28). Porque será que esta mulher Cananeia, uma pagã que não seria certamente capaz de explicar a sua fé de forma convincente perante um tribunal da Inquisição (noutras épocas teria sido talvez queimada na praça pública), conseguiu fazer Jesus mudar de atitude? Jesus dissera aos Apóstolos, enviados em mCristoEAMulherCananeiaissão : “Não sigais o caminho dos pagãos”, e, fiel a este princípio afirma-lhes ter sido enviado sómente por causa das ovelhas perdidas de Israel. Porém, como homem com experiência, sabe que, da mesma forma que são necessários princípios para viver, é impossível viver a vida sem os matizar, porque, se assim não for, nunca se poderá construir nem a própria liberdade nem a dos outros e, pelo contrário, edificar-se-á um inferno. Assim, não é certo que Jesus tenha tido, desde o início, a intenção de atender os rogos desta mulher. Modelo das nossas relações com Deus, este episódio coloca-nos 2 liberdades frente a frente, e mostra-nos como a nossa liberdade pode condicionar até a de Deus. Nada está decidido de antemão, como nu-ma cerimónia minuciosamente ensaiada. É, antes, um verdadeiro combate que se trava e cujo desfecho é incerto, tal como a luta de Jacob com o anjo. A liberdade é ao mesmo tempo terrível e maravilhosa! Quando as palavras não chegam, ou, pior, não existem para exprimir o que há a dizer, o silêncio ou o grito do homem tornam-se súbitamente mais fortes que todas as palavras. Jesus tinha-Se retirado no país de Tiro e de Sidon. Como era seu hábito ei-lO afastado da terra onde anunciava a Boa-Nova. Um grito rasga o silêncio do Seu repouso. Grito nada semelhante aos outros, que colocava cada um frente à sua humanidade e responsabilidades pois era o grito de uma pobre, da mãe duma doente, da mãe de uma moribunda. O grito da Cananeia foi assim: “Tem piedade de mim, Senhor, Filho de David !” Estas palavras tocaram o coração dos discípulos e o coração de Jesus. Os discípulos intercedem por ela, e Jesus iniciou o diálogo com uma mulher que viera ao Seu encontro embora não fosse do povo de Israel. Perante a insistência desta mãe, perante a grandeza da sua fé, Jesus deixou-Se tocar e satisfez o pedido. A cura da filha da Cananeia é sinal que a Boa Nova ultrapassou as fronteiras de Israel.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir. Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 16/AGOSTO/2014

STO. ESTEVÃO DA HUNGRIA (935-1038). Sagrado rei da Hungria no dia de Natal do ano 1000, dedicou-se a unificar e cristianizar o seu país, dotando-o de bispados, igrejas e mosteiros.

Ezequiel 18,1-10.13b. 30-32 ; Sal 50,12-15.18-19 ; Mateus 19,13-15

DeixaiVirAMimAsCriancinhas“DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS…” As crianças, como os pais bem sabem, não têm dificuldade de falar a Jesus nas suas orações. Sem preconceitos, sem segundas intenções, elas estão sempre dispostas a aproximar-se de Cristo com palavras simples, com imagens que lhes falam – e, quem sabe?, com que Ele lhes fala também – elas não têm dificuldade de se relacionarem com Jesus. Cristo encoraja-nos a que façamos viver a fé no coração dos mais pequeninos, a não os afastarmos da fonte da vida, que desde a mais tenra idade permite o seu crescimento espiritual e humano. Um exemplo, é certo excepcional, entre tantos outros: na hora da morte de STA Gianna Beretta Molla, foram os seus três filhos, ainda crianças, que consolaram o marido dizendo-lhe : “Papá, a mamã está feliz no Paraíso !”

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 15/AGOSTO/2014

ASSUNÇÃO DE NªSª Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua a seus pés, coroada com 12 estrelas.

Apocalipse 11, 9a ; 12,1-6a.10ab ; Sal 44,10bc-12ab.16 ; 1 Coríntios 15, 20-27 ;
Lucas 1, 39-56

AAssuncaoDeMariaPARA UMA CIDADE NA MONTANHA (Lucas 1,39-56). A felicidade de Maria foi ter acreditado com todo o coração na palavra do anjo. Ela saiu ao encontro da prima Isabel com passo rápido, marca da sua fé. Uma fé suficiente para ousar meter-se a caminho e partilhar a sua alegria. Uma fé que reúne hoje duas mulheres na felicidade de serem mães. A nossa própria fé também está do lado da alegria. Por vezes sobrecarregados no nosso caminho nem sempre estamos suficientemente livres para a expressar. Mas Maria leva em si a promessa de Deus para todo um povo : “O Senhor fez em mim maravilhas”. Ela não pode calar a Boa-Nova : O Espírito Santo tornou-Se carne nela. Ela está grávida dO Salvador. A nossa fé também nos mete a caminho. A exemplo de Maria, também ela produz fruto e a própria vida de Deus. Feliz aquela que acreditou, pois Maria prefigura toda a igreja. A promessa da Encarnação é Deus que Se junta a cada um no seu caminho. Com Cristo, o poder de Deus está ao serviço dos mais humildes. Deus nunca desiste do homem. Em pleno verão, a festa da Assunção recorda-nos que O Senhor é fiel e vem a nós, na condição de nos recordarmos da Sua promessa e de lhE respondermos humildemente. Tudo o que sobrecarregar a nossa caminhada, o que temos a mais e o que nos falta, apaga-se hoje perante a alegria de O podermos seguir. O Senhor está connosco e por nós, no caminho. Como Maria, a Igreja chama-nos a oferecer a Cristo a beleza e a simplicidade das nossas vidas. Na Assunção de Maria, O Senhor oferece-nos já a alegria do céu.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.