Apartes

QUINTA-FEIRA – 14/AGOSTO/2014

S. MAXIMILIANO KOLBE (1894-1941). Este sacerdote franciscano polaco foi um apóstolo entusiasta do culto da Virgem Maria e um heróico mártir do amor no campo de extermínio de Auschwitz, onde ofereceu a sua vida em lugar de outro deportado, pai de família. Foi canonizado em 1982.

Ezequiel 12,1-12 ; Sal 77, 56-59. 61-62 ; Mateus18, 21–19, 1

OServoImpiedoso_BowyerPERDOAR: UM TRABALHO SOBRE SI MESMO (Mateus 18,21–19,1). O perdão não é uma coisa fácil! Todavia, Jesus convida-nos a perdoar ainda uma e outra vez… recordando aos interlocutores a sua própria dívida a Deus, dívida que pode ter muitas causas (indiferença; fecho em si próprio…). O caminho do perdão surge assim como essencial e não como opcional. Haverá sempre alguém a quem perdoar. Porque o perdão é uma obra de humanização, uma escolha consciente pela qual se manifesta que o amor é mais forte que o ódio. Mas o perdão é também uma obra de divinização. Deus é o primeiro a ser misericordioso e nós somos capazes de ser misericordiosos como Ele. Quanto perdoamos, é então que nos assemelhamos mais a Deus. É verdade que isto ultrapassa as simples forças humanas e implicará um investimento pessoal baseado no trabalho sobre si para não se ficar no “ressentimento”, valor farol da nossa época, mas sem o negar. O perdão apela, pois, à capacidade que cada um dispõe de fazer triunfar o amor sobre o ódio, para se deixar configurar com Cristo. Maximiano Kolbe, dizia quando o maltratavam : “Graças Te dou Senhor por me terem ofendido porque agora já posso rezar melhor O Pai Nosso”.

VIGíLIA DA ASSUNÇÃO DE NªSª

1Crónicas15, 3-4.15-16;16,1-2 ; Sal 131, 6-7. 9-10.13-14 ; 1Coríntios 15, 54b-5 ; Luc.11, 27-28

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 13/AGOSTO/2014

STOS. PONCIANO e HIPÓLITO (235). As heresias eram muitas no final do séc. II e princípio do III. Hipólito, tradi-cionalista muito culto, recusou reconhecer o Papa Calisto que acusava de ser modalista e suprimir a Trindade o que causou um cisma na Igreja que continuava quando foi eleito o Papa Ponciano, sucessor de Calisto. A perseguição de Maximino desterrou Ponciano e Hipólito para a Sardenha onde morreram reconciliados.

Ezequiel 9, 1-7; 10,18-22 ; Sal 112,1-6 ; Mateus 18,15-20

AGloriaDeDeus_Chagall“A GLÓRIA DE DEUS ESTAVA SOBRE ELES…” (Ezequiel 9,1-7;10,18-22). Estranho carro celeste conduzido pelos anjos fulgurantes que avança em todas as direcções no céu levando a glória de Deus; deixando O Templo que vai ser destruído, a glória acompanha o povo exilado na Babilónia. Este carro é a “merkabá”, que aparece nas especulações místicas da Cabala, e a “sweet charriot” dos Espirituais Negros dos escravos negros americanos. A literatura apocalíptica tem os seus códigos com que nos devemos familiarizar: este texto relê O Êxodo e a salvação do povo marcado na fronte e arrancado por Deus à escravidão; ele é o cântico de esperança de todos os deportados e miseráveis que esperam a vitória de Deus. Esperança que deve habitar em nós.

“QUE ELE SEJA PARA TI COMO UM PAGÃO OU UM PUBLICANO…” (Mateus 18,15-20). “Viver em Igreja”, supõe aprender a levar a comunidade – apesar das tendências más sempre virem à superfície – à aceitação humilde da ajuda entre os irmãos. Quando se lê este texto temos tendência para colocar o pecador em primeiro plano. Jesus, porém, não faz assim e dirige-se primeiro aos membros sãos da comunidade. Na Igreja todos devem ter consciência que estão encarregues dos que pecaram gravemente. Porém, quando surgir um pecador cujo coração esteja tão endurecido que pareça já não haver mais nada a fazer, deve ser tratado “como um pagão ou um publicano”. Estará tudo acabado ? A frase de Jesus devia ser como um provérbio que se dizia sem sequer pensar no “pagão” e no “publicano”. Mas quem eram eles para Jesus ? A resposta está na história dos homens: nenhuma exclusão é definitiva! Os pagãos em breve encherão a Igreja. Quanto aos publicanos, o próprio Mateus, antigo publicano, sabe que Jesus veio procurar o que estava perdido. Mateus apresenta-nos a comunidade cristã como um local de diálogo e de empenhamento e nunca de “fala-barato” ou de indiferença. Isto é um desafio que implica a purificação do coração : pela oração, conhecimento de si mesmo e das suas pobrezas, o domínio das paixões (cólera, orgulho…) Não serão os irmãos que exortaram em vão o pecador, os mesmos que, agora de comum acordo, rezam para que Deus, que tudo pode, cure os seus irmãos doentes? De facto, como sempre, a palavra de Deus diz-nos aqui muitas coisas sobre o que deverá significar para cada um “viver em Igreja”… Peçamos aO Espírito para nos iluminar e guiar.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 12/AGOSTO/2014

STA. JOANA-FRANCISCA DE CHANTAL (+1641). Viúva aos 28 anos, colocou-se sob a direcção espiritual de S. Francisco de Sales. Com ele, fundou em 1610, em Annecy, a “Ordem da Visitação”(as Visitandinas).

BTO. KARL LEISNER (1915-1945). Internado no campo de concentração de Dachau, este diácono alemão foi aí ordenado clandestinamente por Monsenhor Piguet, bispo de Clermont Ferrand. Beatificado em 1996.

Ezequiel 2, 8–3, 4 ; Sal 118,14. 24. 72.103.111.131 ; Mateus 18,1-5.10.12-14

ChamamentoEzequiel“EU ABRI A BOCA E ELE DEU-ME A COMER O LIVRO…” (Ez. 2,8–3,4). Para alguém se tornar profeta – no povo de Deus devemos sê-lo todos – não basta repetir a doutrina como um gravador, é necessário “comer o livro”, alimentar-se dele, assimilá-lo até se identificar com a Palavra que ele contém. Mas olhemos um pouco para esse “livro”. Na época eram rolos com escrita normalmente num único lado; aqui o rolo está escrito na frente e no verso para significar ser o pecado do povo tão grande que se tornava difícil encontrar espaço para escrever todo o castigo que merecia. E, todavia, este rolo cheio de ameaças é doce de comer como o mel. Porque será ? Não nos é dada nenhuma explicação, como que a convidar-nos a procurá-la. Para Deus, o castigo é sempre condicional e a doçura do mel faz-nos pressentir que, se o pecador se arrepender, a misericórdia seguirá de perto a justiça. Assim, por mais preenchido que esteja o rolo, e por mais apertada que seja a sua escrita, Deus encontrará sempre forma de escrever entre as suas linhas. Ezequiel sabe isso e saboreia de antemão a doçura do perdão. Ele é o profeta que fala da solicitude dO Pastor pela ovelha tresmalhada que volta ao redil, tema que Jesus retoma e relaciona com a alegria de Deus. Os que se alimentam da Palavra e do perdão de Deus, sabem que essa alegria já não é terrena e que ela contribui para os transfigurar ; por isso, virá aos seus lábios, espontâneamente, o cântico do salmista : “Doces são ao meu paladar as Tuas palavras, Senhor, muito mais do que o mel na minha boca”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 11/AGOSTO/2014

SantaClaraSTA. CLARA DE ASSIS (1193-1253). Impressionada com o exemplo de S. Francisco de Assis, Chiara Offreduccio foi a origem da segunda ordem franciscana, a das “Pobres Damas”(ou Clarissas), que ela dirigiu durante quarenta anos. Morreu a agradecer a Deus tê-la criado. Foi canonizada logo em 1255.

Ezequiel 1, 2-5. 24-28c ; Sal 148,1-2.11-14 ; Mateus 17, 22-27

A GLÓRIA DE DEUS (Ez.1,2-5.24-28c). Será difícil encontrar maior contraste entre as duas leituras. Ezequiel diz-nos -ou melhor, balbucia-nos – a visão que iniciou o seu ministério. Ele viu, não a Deus, o que é impossível aqui na terra, mas sim aquilo a que chama a “Sua glória”. Na sua pessoa é a terra que se eleva a antecâmara do céu e, Ezequiel, à vista do reflexo da “glória de Deus” caíu com o rosto por terra.

CristoPedroEAMoedaDoTributoDEIXAR-SE INTERPELAR (Mat.17,22-27). O texto evangélico relata também uma visão : a da fé pura. É o céu, na pessoa de Jesus Cristo, que desceu não à antecâmara do mundo mas sim às suas mais escuras áreas, pois trata-se já da Paixão e morte dO Senhor. As duas visões não são separáveis. Consideradas em conjunto definem o cristão e são o bilhete de identidade dO Filho do homem. O próprio Jesus apresenta-Se sem equívocos desta forma, pois põe o Seu título messiânico em relação com a Sua morte e ressurreição : “O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens ; será morto e ao terceiro dia ressuscitará !” Graças à fé, nós podemos agora fazer a união das duas visões e, assim, não nos é lícito seguir o profeta e os Apóstolos no seu temor e tristeza. O Filho do homem, que também é “glória de Deus” tem que ser doravante a fonte da nossa confiança e da nossa alegria. “Simão, que te parece ?” Não é a primeira nem a última vez que Cristo faz uma pergunta: “Para vós, quem sou Eu ?”(Mat.16,15) ; “Simão, filho de João, amas-Me tu mais que estes ?” (João 21,15). Deixemo-nos interpelar por Cristo, situemo-nos diante d’Ele e reinvestamos as nossas realidades humanas num novo recomeço. Que descobriu Pedro através deste diálogo, senão a liberdade dos filhos de Deus? Liberdade que Paulo consi-derava como um fruto da Redenção, a avaliar sempre com a medida da caridade : “Tudo é permitido, mas nem tudo é conveniente” (1Cor.10,23). Diz S. João: “No amor não há receio; pelo contrário, o amor perfeito expulsa o medo”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XlXª SEMANA DO TEMPO COMUM – 10/AGOSTO/2014

SaoLourencoS. LOURENÇO (258). Este jovem diácono morreu queimado vivo numa grelha por ter recusado entregar ao imperador as esmolas que a Igreja reservava para os pobres.

1 Reis 19, 9a.11-13a ; Sal 84, 9-14 ; Romanos 9,1-5 ; Mateus 14, 22-33

“SILÊNCIO E TEMPESTADE (1 Reis 19, 9a. 11-13a). A experiência mística do profeta Elias relatada na primeira leitura mostra-nos por imagens a passagem do temor ao amor. Será possível expressá-lo melhor do que pôr os flagelos da natureza em contraste com a brisa ligeira (brisa anunciadora no paraíso do encontro íntimo do homem com Deus) ? Um grito, um murmúrio… nós reconhecemos logo a voz dos que nos são queridos. A voz deles não é ruído, ela é linguagem, apelo, rosto. O ambiente sonoro da primeira leitura deste domingo é exemplar. O profeta Elias aguarda O Senhor que vai passar na montanha. Coisa fácil para alguém habituado a transmitir as mensagens de Deus aos homens, poderíamos pensar… Todavia, nada mais complicado. Elias teve que resistir à tempestade, ao tremor de terra e ao fogo, antes de reconhecer O Senhor no silêncio de uma brisa ligeira. E então, Elias “cobriu o rosto” como era o costume para se manter diante de Deus.

PensavamQueEraUmFantasma“NÃO TEMAIS, SOU EU !”(Mat.14,22-33). Os discípulos vivem a experiência do medo nesta cena do evangelho. Eles começaram a gritar na barca, cheios de medo, quando viram alguém a caminhar sobre o mar, e o vento só amainou e chegou a calmaria quando Jesus e Pedro voltaram a bordo. O homem é alguém habitado pelo medo; um sentimento que o seu crescente domínio do universo não extirpou, longe disso. O motivo do medo pode mudar mas ele permanece, porque não está ao alcance do homem arrancar a raíz dos seus temores. Os pagãos tinham medo dos deuses com quem procuravam reconciliar-se por intermédio de rituais mais ou menos mágicos. Deus encontrou os homens possuídos por estes temores ainda que, felizmente, por vezes eles sejam remédio contra o mal mais temível: a recusa dO Deus-Amor. Depois, no final os tempos, veio Jesus-Cristo. Se Jesus encontrar lugar na minha vida, a raíz do medo será arrancada. A Sua luz tem a virtude de dissipar as trevas, símbolo do pecado, mas também do medo; porém, só o pode fazer na medida em que o homem abrir o seu coração. “Sou Eu, não tenhais medo!” Sim!, se eu acolher Cristo verei desaparecer todos os medos porque acolherei O Amor. Mas como será possivel que Deus continue no anonimato para alguns e não para outros? Que Ele Se revele apenas a alguns, no silêncio ou na provação? O Apóstolo Paulo parece já levantar esta interrogação dolorosa na Epístola aos Romanos. Que a nossa oração se volte para aqueles que têm o desejo de crer mas não conseguem fazê-lo. Peçamos aO Espírito que nos converta coração para aceitar Deus como Ele é.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.