Apartes

SEGUNDA-FEIRA – 4/AGOSTO/2014

Texto e imagens in http://www.evangelhoquotidiano.org

S. João Maria Vianney, presbítero, +1859.

SaoJoaoMariaVianneyConhecido também como Cura D´Ars, S. João Maria Vianney nasceu em Dardilly, na França, em 1786. Era um camponês de mente rude e, segundo contam, tinha poucos dotes pessoais. Teve que se esconder por algum tempo por haver desertado do exército napoleónico na marcha para a Espanha. Nem sequer soube a gravidade desse acto, que se deveu ao facto de não ter conseguido acertar o passo com o seu batalhão. Os seus mestres de seminário ficavam muito desanimados com o seu péssimo desempenho mental. Mas devido ao modelo de piedade que era, o Vigário geral resolveu aprová-lo e deixar que a providência se encarregasse do resto. Em 1815, deram-lhe as ordens sagradas. Porém havia uma condição: não poderia confessar, por julgarem-no incapaz de guiar as consciências. Após um ano de aprendizado com o abade Balley, em Ecculy, foi para Ars, primeiramente com o título de vigário capelão e depois veio a ser vigário ou cura.

Jer 28, 1-17 | Sal 118 (119), 29 e 43. 79-80. 95 e 102 | Mt 14, 22-36

Comentário do dia
São Tomás Moro (1478-1535), estadista inglês, mártir
Carta escrita no cárcere a sua filha, 1534 (trad. Breviário, 22/6, rev.)

«Salva-me, Senhor!»

Não vou deixar de ter confiança, Meg, na bondade de Deus, por mais receio que tenha de, com medo, poder vacilar. Mas lembro-me sempre de São Pedro que, à primeira rajada de vento, começou a afundar-se por causa da sua pouca fé; se tal me vier a acontecer, farei como ele: gritar por Cristo e pedir-Lhe que me ajude. E assim espero que Ele estenda a Sua mão para me segurar e me salvar das águas tumultuosas, impedindo que me afogue.

E se Ele permitir que a minha semelhança com Pedro vá mais longe, ao ponto de me precipitar e cair totalmente, jurando e abjurando (que de tal coisa Deus me livre na sua infinita misericórdia e que, se assim for, dessa queda me venha antes mal do que bem), ainda assim espero que o Senhor me dirija, tal como fez a Pedro, um olhar cheio de compaixão (Lc 22,61) e me levante de novo para que possa outra vez confessar a verdade da minha consciência e suportar aqui o castigo e a vergonha da minha anterior negação.

Por fim, querida filha, estou plenamente convencido de que, sem culpa própria, Deus não me abandonará. Por isso, com toda a certeza e esperança me entrego nas suas mãos. […] Assim, minha querida filha, fica tranquila e não te preocupes comigo, seja o que for que me aconteça neste mundo. Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E seja o que for que Ele queira, por muito mau que nos pareça, é na verdade o melhor.

XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM 3/AGOSTO/2024

Texto   e imagens in http://www.evangelhoquotidiano.org

Is 55, 1-3| Sal 144 (145), 8-9. 15-16. 17-18| Rom 8, 35. 37-39| Mt 14, 13-21

Comentário do dia Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria, doutor da Igreja 24ª Carta para a festa da Páscoa

«Um lugar deserto, afastado»

Todos os santos tiveram de fugir da porta larga e do caminho espaçoso (Mt 7,13), vivendo a virtude em lugar deserto: Elias, Eliseu […], Jacob. […] O deserto é o abandono da agitação da vida, que proporciona ao homem a amizade com Deus. Abraão, quando saiu da terra dos caldeus, foi chamado «amigo de Deus» (Tg 2,23). Também o grande Moisés, quando saiu da terra do Egipto, […] falou com Deus face a face, foi salvo das mãos dos seus inimigos e atravessou o deserto. Todos eles são a imagem da saída das trevas para a luz admirável, e da subida para a cidade que está no céu (Heb 11,16), a prefiguração da verdadeira felicidade e da festa eterna.

Quanto a nós, temos connosco a realidade que foi anunciada por sombras e símbolos, isto é, a imagem do Pai, nosso Senhor Jesus Cristo (Col 2,17; 1,15). Se O recebermos como alimento em todos os momentos, e se marcarmos com o seu sangue as portas da nossa alma, seremos libertos dos trabalhos do Faraó e dos seus inspectores (Ex 12,7; 5,6ss). […] Agora, encontrámos o caminho para passar da terra ao céu. […] No passado, por intermédio de Moisés, o Senhor precedia os filhos de Israel numa coluna de fogo e numa espessa nuvem; agora, Ele próprio nos chama dizendo: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba; daquele que crê em Mim sairão rios de água viva, que jorra para a vida eterna» (Jo 7,37ss).

Portanto, que cada um se prepare com um desejo ardente de ir a esta festa; que escute o chamamento do Salvador, porque é Ele que nos consola a todos e a cada um em particular. Que aquele que tem fome venha a Ele: Ele é o verdadeiro pão (Jo 6,32). Que aquele que tem sede, venha a Ele: Ele é a fonte de água viva (Jo 4,10). Que o doente venha a Ele: Ele é o Verbo, a Palavra de Deus, que cura os doentes. Se alguém está sobrecarregado pelo peso do pecado e se arrepende, que se refugie a seus pés: Ele é o repouso e o porto de salvação. Que o pecador tenha confiança, porque Ele disse: «Vinde a Mim, vós todos que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei» (Mt 11,28).

1º SÁBADO – 2/AGOSTO/2014

Jer. 26,11-19 ; Sal 68,15-16. 30-31. 33-34 ; Mat.14,1-12

DecapitacaoDeSaoJoaoBaptista_Pitscheider“É POR ISSO QUE ELE TEM O PODER DE FAZER MILAGRES” (Mat.13,54-58; Jer.26,11-19). Esta re-flexão de Herodes, a respeito de João Baptista a quem matara, revela na casa deste rei um fundo de superstição e sumariza a sua Teologia.  Mas, como sucedeu com Caifás – o sumo-sacerdote que profetizou sem saber – a “teologia” de Herodes pode levar-nos longe na estrada do Precursor. Especialmente se atentarmos bem que Herodes identifica a sua vítima com Jesus.  Na verdade, quem tiver a coragem de ser discípulo de Cristo até ao fim, até dar a vida, ressuscitará com Ele. Ao ponto de, graça à sua identificação com Cristo, receber o poder de fazer milagres. Não necessariamente milagres espectaculares – esses não são os mais importantes – mas, contribuirá para operar curas e até, inclusivé, ressurreições espirituais.  Será mesmo capaz de  levar, como aqui, todos os“reis Herodes” a interrogarem-se e a colocarem questões.  E, sabemos, como um ponto de interrogação é já um dedo que se levanta para a campaínha do médico. Tudo isto é também válido para Jeremias. Com efeito, também ele teve a coragem de dizer palavras que iam contra a corrente do tempo.  E constatamos o milagre que isso produziu. Os “anciãos” (idade em que as convicções já solidificaram) encontraram suficiente liberdade de espírito para reconhecerem a mensagem dO Senhor naquilo que ia talvez colocar em questão toda a sua vida. Sim, se O Senhor ocupar na nossa vida o lugar que lhE pertence, ser-nos-á dado até o poder maravilhoso de fazer milagres.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª SEXTA-FEIRA – 1/AGOSTO/2014

STO. AFONSO MARIA DE LIGÓRIO (1696-1787). Advogado napolitano, fez-se sacerdote, fundou (1732) a Congregação dos Redentoristas.  Doutor da Igreja.

Jer. 26, 1-9 ; Sal 68, 5. 8-10.14 ; Mat.13, 54-58

DondeTeVemEstaSabedoria_TissotCONVERTER-SE DA MÁ CONDUTA (Jeremias 26,1-9). Jeremias denuncia o mal que parece ter-se instalado para sempre no povo de Israel. Na realidade, a expressão “instalado definitivamente” é ao mesmo tempo boa e má. Boa no sentido de e reconhecer ser difícil afastar os hábitos contrários à lei de Deus; instalamo-nos neles, ou eles em nós, não sabemos bem como dizê-lo. Mau porque, como diz o profeta, é um caminho em que nos embrenhamos, contrário ao desígnio de Deus. Perseguiram então o profeta da sua pátria mas onde os levou esse caminho? Será que podiam ter feito meia volta após se terem embrenhado nessa estrada? Parece difícil, ou mesmo impossível. Há porém uma expressão que nos tranquiliza; é dito: “mudai de caminho”, no sentido de con-vertei-vos; e não “voltai para trás”. Há aqui uma grande diferença; é como se Deus, na Sua misericórdia infinita, abrisse outra estrada boa, ao lado da nossa estrada má, e nos convidasse a um mero desvio para retomarmos, com facilidade, o caminho do bem.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1ª QUINTA-FEIRA – 31/JULHO/2014

STO. INÁCIO DE LOYOLA (1491-1556). Fundador da Companhia de Jesus. Os seus “Exercícios Espirituais” traçam um caminho para quem quiser consagrar a sua vida à glória de Deus. Foi canonizado em 1622 pelo Papa Gregório XV.

S. GERMANO (378-448). Um dos grandes prelados da sua época este Bispo d’Auxerre, durante trinta anos, encorajou a vocação de Santa Genoveva. Realizou duas viagens a Inglaterra para combater a heresia de Pelágio que ali se propagava.

Jeremias 18,1-6 ; Sal 145, 2-6 ; Mateus 13, 47-53

OReinoDosCeusEhComparavelAUmaRede_LuykenDISCERNIMENTO (Mat.13,47-53). Nas parábolas de hoje, dá-se uma separação. A separação entre o que é bom e o que é mau, entre os justos e os pecadores, onde se sublinha que O Reino implica um “discernimento”, palavra cuja etimologia é “separação”. O crente é convidado a confrontar-se com o dom que recebe e a “discernir” a resposta que deve dar-lhe, encontrando neste processo de discernimento um caminho de liberdade e de dom de si mesmo.   Se há um texto da Escritura que nos propõe um acto de fé é este. Na verdade, se olharmos para a Criação, para a grande história dos homens e para a nossa pequena história, temos a impressão que O Criador colocou na Sua obra tudo o que é necessário para que ela se desenvolva com total autonomia. Isto é verdade sobretudo para as criaturas dotadas de razão e liberdade. Portanto, mesmo que O Criador continue interessado por nós, poderá pensar-se que se reserva para intervir somente no final, para então fazer “a separação”, como Jesus diz na parábola da rede lançada ao mar.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.