Apartes

QUARTA-FEIRA – 30/JULHO/2014

S. PEDRO CRISÓLOGO (450).  Reputado pela sua eloquência este Bispo de Ravena, recebeu o cognome de “Crisólogo”, que significa “palavra de ouro”. O Papa Bento XIII declarou-o Doutor da Igreja em 1759.

Jeremias15, 10. 16-21 ; Sal 58, 2-5a.10-17.18 ; Mateu 13, 44-46

PORQUE SERÁ QUE A MINHA DOR NÃO TEM FIM? (Jer.15,10.16-21). A lamentação do profeta Jeremias é um grito que percorre a história dos homens; e, contudo, podemos dizer que a história é um esforço imenso para o calar.  Aqui vê-se o sofrimento de um justo, com um mal imerecido.  Não é um grande pecador que fala, é um amigo de Deus.  Certamente que podemos apresentar uma razão : Jeremias é perseguido pelo ímpios que utilizam a sua liberdade de uma forma má.  Mas há tantos e tantos sofri-mentos que nos interrogam e desafiam todas as explicações! O profeta é a figura dO Servo Sofredor, Jesus Cristo. Ao entrar no mistério do mal, Jesus não nos dá uma explicação, mas faz mais que isso: revela aos homens que o mal será ultrapassado. O sofrimento insere-se no mistério dO Reino dos céus que se constrói na terra.

OReinoEhUmaPerolaDeGrandeValor_FettiPROCURAR, ENCONTRAR (Mateus 13, 44-46). As parábolas falam-nos de homens que procuram e encontram. Elas sublinham assim a busca essencial que habita o coração do crente. Ele está em movimento para este tesouro, para esta pérola, que adivinha mesmo no centro do seu campo de existência. Os mesmos homens vendem e compram: endividam-se para guardarem em si o tesouro que encontraram. Eles vivem para o adquirir, com despojamento dos bens que antes possuíam. Assim, O Reino está presente nas nossas vidas de maneira incondicional, mas depende de nós a decisão de acolher a sua riqueza e o seu dom. Não pode dizer-se que a dor faça parte do tesouro escondido no campo que o agricultor encontrou por acaso, porque o sofrimento é um mal em si mesmo. O sofrimento será, talvez, comparável ao estrume que faz frutificar essa riqueza. Porque o tesouro está vivo, mas é necessário vê-lo como uma planta que está a crescer e irá dar frutos abundantes, e nunca como um montão de objectos mortos por mais brilhantes que sejam. Quando experimentamos na nossa vida as dores de Sexta-feira Santa, como Jeremias, não é certa-mente fácil discernir com a razão o mistério pascal, onde o elemento essencial é o Domingo da Ressurreição. Todavia, a alegria está escondida na planta, que desejaríamos tantas vezes desenraizar e matar, e uma não chegará à maturidade sem a outra.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 29/JULHO/2014

STA. MARTA.Os nomes de Marta, Lázaro e Maria de Betânia evocam a família onde Jesus se sentia bem acolhido.

Rom.12, 9-13 ; Sal 33, 2-6. 9-11 ; Luc.10, 38-42

MariaEMartaOuvemJesus_CarolsfedAQUELA QUE ACOLHE (Rom.12-13; Luc.10,38-42). A Carta aos Romanos, duma certa maneira, fala de Marta, mulher unida a Jesus por uma amizade sincera, figura de esperança e capaz de uma hospitalidade singular.  O que caracteriza Marta, finalmente, é a sua capacidade de acolhimento em todas as circunstâncias : ela acolhe Jesus na sua casa e dispensa-lhe mil atenções; no momento da morte de seu irmão, ela acolhe a Sua mensagem de ressureição e exprime uma fé confiante.   Que O Espírito Santo ponha em nós o entusiasmo que elevava o coração de Marta e a empurrava para Jesus.  Que O Espírito Santo nos torne disponíveis, tão disponíveis como ela. Na família dos amigos de Jesus, em Betânia – na casa em que Ele gostava de descansar- Marta não era a figura que mais sobressaía. Entre Lázaro – o irmão ressuscitado por Jesus –  e a irmã Maria que “escolheu a melhor parte”, a sua silhueta parece ser a mais baça. Uma mulher vulgar que embora andasse activa, para receber convenientemente as visitas de sua casa, estaria nesse dia certamente dividida entre o desejo de – também ela – escutar O Mestre, e o serviço que não podia esperar… Esta Marta, no fundo, é muito seme-lhante a qualquer um de nós! Mas interessa-nos ainda sobretudo, porque a sua maneira de ser – simultaneamente discreta e directa – é, para nós, um modelo de fé.  Uma fé confessada, até nos momentos mais dolorosos ; quando da morte de seu irmão, é ela que sai de casa ao encontro de Jesus e diz: “Eu sei que meu irmão ressuscitará… Creio que Tu és O Cristo, O Filho de Deus que viria ao mundo”. Tem a fé que se traduz em humildes actos de serviço aos outros. Se partilharmos a sua fé também nos será dada “a melhor parte”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 28/JULHO/2014

S. PEDRO PÓVEDA (1874-1936). Este sacerdote criou a Instituição Teresiana, para a for-mação de professores leigos cristãos.  Homem pacífico morreu fuzilado, em Madrid, durante a Guerra Civil de Espanha. Canonizado, em 2003, pelo Papa João-Paulo ll.

Jeremias 13,1-11 ; Deuteronómio 32,18-21; Mateus 13, 31-35

OReinoEFermentoEscondidoNaMassa_LuykenENTRANHADO NO CORAÇÃO DAS NOSSAS VIDAS (Mat.13,31-35). Arriscamo-nos facilmente a situar O Reino dos céus fora do tempo e do espaço num lugar que nunca poderemos alcançar na terra.  As imagens usadas por Jesus situam-nO de outra forma : como o grão de semente dentro da terra e a levedura na massa, está entranhado no coração das nossas existências. Se Ele se reveste indubitavelmente dum carácter de pobreza e de pequenez, também opera uma transformação surpreendente e desproporcionada. Entre a fragilidade e a força, entre a humildade e a audácia, O Reino inscreve-se na dinâmica da encarnação de um Deus omnipotente que assume humildemente o caminho dos homens. Depende de nós a entrada na alegria discreta que Ele trás consigo. O Reino que Jesus anuncia e inaugura, é O Reino dO Espírito.  Se lermos as parábolas dO Reino substituindo a expressão “Reino dos Céus” por “Espírito Santo”, ficaremos maravilhados! O Espírito Santo é comparável à semente que se lança à terra, e ao fermento no interior da massa.  Voluntariamente, O Espírito Santo mistura-Se na massa humana e unifica o que nós somos: Corpo, Alma e Espírito. Contemplemos a humildade dO Espírito Santo que se apaga na Sua descida.  O Reino de Deus é uma “páscoa” que passa pela morte. Porém, o grão caído na terra torna-se uma belíssima árvore, e o fermento na massa faz levedar magníficos pães. A vida nova jorra da morte.  O Espírito Santo faz desabrochar em nós capacidades de vida que desconhecemos. O Reino de Deus é uma obra de recriação, de abertura a outra forma de ser. Vem, Espírito Santo, acende em nós o fogo do Teu amor; envia, Senhor O Teu Espírito e renova a face da terra!

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 27/JULHO/2014

BTO. TITO BRANDSMA (1881-1942). Este padre carmelita holandês, professor na universidade católica de Nimège, opôs-se firmemente às teorias nazis e à perseguição dos judeus. Preso, morreu em Dachau. Beatificado por João-Paulo ll em 1985.

STA. NATÁLIA (852). Cristã fervorosa, martirizada em Córdova.

1 Reis 3, 5. 7-12 ; Sal 118, 57. 72. 76-77.129-130 ; Romanos 8, 28-30 ; Mateus 13, 44-52

DISCERNIR,SEPARAR E ESCOLHER “Que devemos fazer?”. Quantas vezes terão os discípulos feito esta per-gunta a Jesus? A sua interrogação é-nos familiar pois também gostariamos de saber como proceder bem. O episódio da oração de Salomão é esclarecedor. Então, quando ele pôde pedir a Deus tudo o que queria, com a certeza de que seria atendido, o jovem rei pediu o discernimento, o que muito agradou aO Senhor. Na relação que mantemos com Deus pela oração, há escolhas a fazer, separações a realizar. Ousar pedir-lhE qualquer favor, ousar admitir que se tem uma necessidade, é já um primeiro passo. Fazer a triagem e saber o que pedir é o problema mais difícil!

OReinoDosCeusEUmTesouroEscondido_LuykenAS PARÁBOLAS DO REINO (Mat.13,31-35). O Reino dos céus também é um tema de discernimento.  As palavras que lemos no Evangelho neste domingo Evangelho põem em evidência uma escolha decisiva : dá-se tudo para ficar com o melhor, com o tesouro, com aquilo que tem valor. O homem que comprou o campo soube avaliar o valor da sua sorte. O negociante de pérolas valiosas conhece bem o seu negócio, tal como o pescador que puxa a rede cheia de peixes. Acolher O Reino será portanto fazer a boa escolha. Mas como discerni-lO?  O discernimento é uma tarefa de coração, e é por isso que O Senhor dá a Salomão um coração atento. Para identificar O Reino, é preciso conhecer-se : só um coração que ama pode fazer a boa escolha, a escolha da vida, a escolha de Deus. Ninguém reparava no tesouro e na pérola apesar de eles estarem ali há muito tempo, des-de sempre, um enterrado no campo, a outra perdida na massa. O Reino está aqui e nós não o sabemos !   Até ao dia em que Ele – O Reino, é Deus vivo em nós – Se deixa descobrir, Se deixa desejar, sem tempo para discutirmos nem regatearmos. Deus quer tudo. Por mais pobres que sejamos é sempre Deus que nos procura, porque deseja ser tudo.  Tudo na nossa pobre vida, neste campo que julgamos inútil e inculto. Ele pretende mais que os frutos do nosso campo, o que Ele deseja é o próprio campo onde anseia, escondido, habitar. O preço do campo foi aliás pago por Ele: é preço do Seu sangue. Só resta portanto oferecer-nos à gratuitidade do dom de Deus. É Ele que nos procura pri-meiro e agarra antes de suspeitarmos da Sua Presença ou de estendermos para Si as mãos. Ele é O negociante que procura a pérola rara, a pérola única, para a cinzelar, para reflectir a Sua própria luz, “tu és um tesouro para Mim, tens muito valor e Eu amo-te” (Isaías 43,4). Será que, conscientes deste amor de Deus podemos ficar ociosos e fugir dos preciosos momentos de oração, onde Ele nos quer mais atentos, mais ocupados de Si? Que este domingo nos ajude a contar com Deus, porque, sem Ele, nada é seguro, nada é santo.  Peçamos-lhE que nos ensine a fazer a boa escolha, e não nos esqueçamos que “aí onde estiver o nosso tesouro, aí também estará o nosso coração”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 26/JULHO/2014

AArvoreDeJesseSTA. ANA E S. JOAQUIM . Segundo a Tradição, Ana e Joaquim foram os pais da Virgem Maria. Os seus nomes foram mencionados pela primeira vez no Proto-evangelho de Tiago (séc.II). Os nomes dos avós de Jesus estão ausentes dos Evangelhos. A Igreja Ortodoxa dá-lhes o título de “justos antepassados de Deus”. Filho de Maria e de José, Cristo inscreve-se, como cada um de nós, numa história rica de rostos anónimos. “Senti atrás de vós essa longa “cadeia de amantes e de amantes” de que sois, neste instante, as únicas malhas visíveis, gostava de repetir Christiane Singer às jovens em dificuldade. Eles não desesperaram do mundo e vós sois disso a prova viva ! É com esta consciência que tereis a força e a coragem para vos elevardes”. (N’oublie pas les chevaux écumants du passé, éd. Albin Michel).

Ben-Sirá 44,1.10-15 ; Sal 131,11-12.17 ; Mateus 13,11-17

“SOlS FELIZES, PORQUE OS VOSSOS OLHOS VÊEM…” (Mat.13,11-17). Não sabemos quase nada dos pais de Nª Sª, que hoje festejamos. A tradição apenas nos transmitiu os seus nomes. Todavia, conhecemos o essencial, e é isso que as leituras escolhidas para a sua festa nos transmitem. O essencial é, em primeiro lugar, a sua posteridade: primeiro Maria e a seguir Jesus. Os pais são o tronco que produziu a mais bela flor e a seguir o fruto maduro da humanidade. A tradição vê neles “pobres dO Senhor”, pessoas que, como o ve-lho Simeão e a profetiza Ana e, evidentemente, a Virgem Maria e São José, estavam abertos para acolher a vinda dO Reino de Deus. Nós vivemos após Jesus Cristo, eles viveram antes. Mas, apesar de vermos o que eles não viram, alegramo-nos todos num plano em que não existe nem “antes” nem “depois”: na dimensão onde habita o desejo de que O Reino de Deus chegue. Por isso podemos chamar felizes tanto aos seus aos nossos olhos, porque estão voltados para o interior, e aí, pela fé, vêem já o que será sempre in-visível aos olhos da carne.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard) . Selecção e síntese: Jorge Perloiro.