Apartes

SEGUNDA-FEIRA – 23/JUNHO/2014

SaoJoseCafassoS. JOSÉ CAFASSO (1811-1860).  Sacerdote e professor de teologia moral em Turim.  Foi director espiritual de S. João Bosco, cuja obra encorajou. Canonizado em 1947. Antes de morrer escreveu esta estrofe : “Não será morte mas doce sono para ti alma minha, se ao morrer te asssitir Jesus e te receber a Virgem Maria”.

2 Reis17, 5-8.13-15a.18 ; Sal 59, 3-5.12-13 ; Mateus 7,1-5

RetiraPrimeiroATraveDaTuaVistaRENUNCIAR A JULGAR (Mateus 7,1-5). Para os Pais eremitas do deserto não existia crescimento na caridade e na oração sem renunciar ao julgamento e à crítica dos outros.  Escutemos Doroteu de Gaza: “Imaginai o mundo como um círculo traçado na terra (linha redonda feita com compasso e um centro). Imaginai que o centro é Deus e os raios são os diferentes caminhos ou formas de viver dos homens. Quando os santos, desejosos de se aproximar de Deus caminham para o centro, à medida que entram no interior aproximam-se uns dos outros, e quanto mais se aproximam uns dos outros mais se aproximam de Deus.   Compreende-se que suceda o mesmo no sentido inverso : quanto mais afastados uns dos outros, mais os homens se afastam de Deus”. Doroteu de Gaza, o eremita (séc.VI) dizia também: “Se tivermos caridade, a própria caridade cobrirá todas as faltas”.  E que dizer dos santos que embora sem consentir no pecado, não julgam o pecador, nem “o abandonam”. Ao contrário, compadecem-se, exortam-no, consolam-no e tratam-no como membro doente. Um horizonte que podemos interiorizar, na plena consciência da nossa própria fragilidade.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

DOMINGO DO SS. CORPO E SANGUE DE CRISTO – 22/JUNHO/2014

S. TOMÁS MORE e JOHN FISHER (1535). Respectivamente Chanceler de Inglaterra  e bispo de Rochester, eles recusaram fazer, por fidelidade a Roma, o juramento da supremacia do rei Henrique VIII e morreram decapitados.

Deut. 8, 2-3.14b-16a  ; Sal 147,12-15.19-20 ; 1Cor.10,16-17 ; João 6, 51-58

SantissimaEucaristia_KharlamovO PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU (João 6,51-58).  A festa do “Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo” (desde o séc.XIII, é fruto das querelas teológicas e devoções da Idade Média. A transformação do pão e vinho nO Corpo e Sangue de Cristo permanece hoje o maior mistério da fé, e, por isso,  proclamamos solenemente na consagração: “Mistério da fé!” Na Idade Média os fiéis participavam afastados do altar da missa e raramente comungavam (todos, de pé, tentavam ver a exposição da Hóstia e do Cálice, na Sua elevação). Todavia a Igreja desde sempre afirma e crê que, no sacramento da Eucaristia, o pão se transubstancia nO Corpo de Cristo que Ele entregou, e o vinho se torna nO Sangue de Cristo derramado pela nossa salvação. Cada Eucaristia recorda a Sua morte e a última ceia, e proclama a Sua ressurreição. Quando celebramos a missa é Jesus ressuscitado que celebramos. Nesta passagem de S.João, há um número impressionante de frases que aludem á vida (ou à sua ausência):“o pão vivo”; “ele viverá eternamente”; “para que o mundo tenha a vida”; “vós não tereis a vida em vós”; “a vida eterna” ; “O Pai que está vivo” ; “Eu vivo pelO Pai” ; “viverá por Mim” ; “eles estão mortos” ; “viverá eternamente”.  Esta “vida” não designa a vida sobre a terra, mas a vida que vem do céu e por isso “eterna”, semelhante à vida dO “Pai”.   Ela torna-se possível possível por intermédio de Jesus (“Ele viverá por Mim). A nossa vida alimenta-se do pão que é O próprio Jesus: “Aquele que come a Minha Carne e bebe O Meu Sangue…” Sobrepõem-se dois domínios.  O primeiro é o mundo, ao qual pertencem o pão e o vinho que tomamos para sustentar a vida na terra. O segundo é o mundo divino, a que pertencem O Pão e O Vinho que comemos e bebemos na Eucaristia para sustentar a vida divina. Jesus ressuscitado faz-Se nosso pão para que possamos partilhar a vida divina que Ele comunga com O Pai. Esta é uma linguagem impossível e incompreensivel fora da fé em Cristo ressuscitado. O texto de João é disto um testemunho perfeito. Só quem comer a Carne de Jesus e beber o Seu sangue “permanece” em Jesus, e Jesus nele.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 21JUNHO/2014

SaoLuisGonzaga_colPartS. LUÍS GONZAGA (1567-91). Natural de Florença, filho primogénito da família de Mântua dos Gonzagas, morreu mártir da caridade ao serviço dos empestados em Roma, com 23 anos.  A sua pureza de vida era excepcional. Aos 17 anos, contra vontade da família, renunciou aos direitos de primogenitura a favor do irmão e entrou na Companhia de Jesus.   Canonizado por Bento XIII em 1724, que o declarou patrono dos jovens estudantes.

2 Crónicas 24, 17-25 ; Sal 88, 4-5. 29-34 ; Mateus 6, 24-34

O RISCO DA CONFIANÇA. O reino de Joás até se iniciara bem: ele era fiel aO Senhor !  Mas deixou-se seduzir pelo gosto do poder e do reconhecimento do povo. Não podendo servir 2 senhores, afastou-se de Deus. Os homens do nosso tempo estão também muitas vezes divididos: carregam o cuidado de muitas coisas ; agitam-se e inquietam-se.  Jesus convida-nos à confiança numa vida simples, frugal, centrada em Si e no Seu Reino.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir.Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 20/JUNHO/2014

BeatasSanchaMafaldaETeresaBTAS. SANCHA (1180-1229), MAFALDA (1195-1256)  e TERESA (1177-1250). As três beatas Teresa, Sancha e Mafalda, tam-bém chamadas raínhas Santas, eram filhas de Sancho I (netas de Afonso Henriques). Nascidas e criadas na Corte, acabaram todas por abraçar a vida religiosa, apesar de duas delas terem chegado a casar. As suas muitas obras de misericórdia e piedade, levaram a que fossem reconhecidas pelo Povo que lhes dedicou culto desde muito cedo.

2 Reis 11,1-4. 9-18. 20 ; Sal 131, 11-14.17-18 ; Mateus 6,19-23

AS RIQUEZAS (2R.11,1-4.9-18.20 ; Mat.6,19-23). A primeira leitura conta-nos uma história bem humana !   É, no fundo, uma história de “tesouro”. Esta palavra é o paradigma de tudo o que o homem ambiciona e procura conseguir. Por todos os meios, por vezes até com crimes, como se vê no comportamento da rainha Atália. Um homem político numa entrevista confessava que nada prende tanto ao coração humano como a paixão do poder. O desejo de possuir tesouros, quer se trate de poder ou de bens, está fortemente enraizado porque faz parte da sua natureza. Jesus na parábola das riquezas não tenta arrancar este desejo e até diz que há más e boas riquezas. Ele recorda-nos uma verdade básica: só se pode suprimir algo quando esse algo é substituído. À busca dos falsos tesouros, Jesus contrapõe a procura dos tesouros verdadeiros. Procura já não apenas horizontal mas vertical; já não tesouros que se desgastam, pois tudo no mundo acaba por se deteriorar (“desgaste”por vezes trágico, como no caso de Atália), mas antes um tesouro cujo valor irá incessantemente aumentar. Não mais um tesouro que corrói o coração mas aquele que o dilata até à sua dimensão divina. Jesus diz-nos : “Acumulai riquezas no céu”. Nós devemos tentar juntar laboriosamente na terra todas essas pequeninas partes, dia após dia (noite após noite), mesmo quando elas possam parecer-nos sem valor e sem brilho. Mas a fé diz-nos então, que, mesmo aparentemente desprezáveis, elas são de facto o nosso tesouro na eternidade.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Ir.Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.