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TERÇA-FEIRA – 10/JUNHO/2014 ANJO CUSTÓDlO DE PORTUGAL

Daniel 10, 2a. 5-6. 12-14ab ; Sal 90, 1.3.5b-6.10.11.14-15 ; Lucas 2, 8-14

AnjoCustodioDePortugalHÁ VÁRIAS FORMAS DE VER OS ANJOS.  Deve haver uma maneira simples e correcta para se escutar Deus a falar-nos. Uma maneira que simplifique o coração, que o abra ao silêncio da “lectio divina” vivida por milhares de cristãos que nos precederam. Uma maneira de deslizar entre eles e de sintonizar o posto da nossa alma no comprimento de onda das grandes liturgias milenárias, preenchidas com o cânticos de serafins e os murmúrios de asas revestidas com a fulgurante luz da divindade. A razão sabe que nesses momentos se deve “desistir”, pois a escada que sobe ao alto é demasiado íngreme e também ela necessita de asas: das asas dos Anjos. Há um tempo para se ser sábio e um tempo para“ser como as crianças”. Tempo para analisar e tempo para tudo celebrar na unidade. Um tempo para abrir os olhos e um tempo para os fechar, antes de os poder reabrir ao mundo invisível. Este é o 1º degrau da regra de S. Bento, o degrau que instala o cenário e os personagens: O Deus invisível, mas que vê tudo “do alto dos céus” ; o homem consciente a quem “o olhar de Deus penetra em cada uma das suas acções”, que “os anjos continuamente lhE reportam”. Não se trata de espionagem, mas apenas e unicamente da presença dO Pai que ama os Seus filhos e da forma que escolhe para lhes falar. Com os olhos fechados sinto esta presença intensa a envolver-me.  E um grito brota dos meus lábios: “Deus, meu Deus, cantar-Te-ei na presença dos Anjos !”: do meu Anjo da Guarda e do Anjo Custódio de Portugal.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 9/JUNHO/2014

SantoEfremSTO. EFRÉM (373). Os hinos e tratados teológicos deste diácono sírio que refutavam as heresias cristológicas fazem dele um dos escritores mais fecundos do século IV. S.Jerónimo refere que a sua exposição era tão clara que em algumas igrejas liam as suas obras depois da Sagrada Escritura. Em 1920 foi proclamado Doutor da Igreja.

S. JOSÉ DE ANCHIETA (1534-97). Natural de Tenerife (Canárias), foi com 14 anos para o colégio jesuíta de Coimbra e aí descobriu a sua vocação missionária. Com 19 anos foi enviado para o Brasil (1553) onde se ordenou sacerdote e permaneceu 43 anos até à sua morte. Participou na fundação do Colégio jesuíta de S.Paulo de Piratininga (1554), origem da cidade de S.Paulo. Beatificado por João-Paulo II em 1980, e canonizado pelo papa Francisco em Abril de 2014.

1 Reis17,1-6 ; Sal 120,1-8 ; Mateus 5, 1-12

“FELIZES SEREIS!” Ao ver as multidões perdidas como ovelhas sem pastor, Jesus sobe a montanha e anuncia as Bem-aventuranças. Ainda hoje, O Filho de Deus continua a olhar para os filhos de Adão. O Evangelho (Mat.5,1-12), não volta nossos olhos para os céus e felicidade prometidos, mas para as realidades terrestres, para os infelizes deste mundo. A mensagem das Bem-aventuranças repete aos pobres, aos aflitos e oprimidos – aos homens do mundo a que pertencemos – que, a partir de agora, todos os pecadores, quaisquer que eles sejam, são filhos muito amados dO Pai. Se O Verbo Se fez carne não foi apenas para nos desvendar a realidade celeste, mas também para nos mostrar o caminho que conduz aO Pai. As Bem-aventuranças são esse caminho, esse percurso espiritual para o alto. Jesus não se contentou em proclamar esta mensagem: viveu-a, tornando-Se Ele próprio a Verdade, o Caminho e a Vida. De facto, a Sua vida é uma contínua exortação a que vivamos em comunhão com um pouco mais de felicidade, com um pouco mais de partilha, de carinho, de justiça, de misericórdia, de paz, de justiça e pureza. Será que tento proceder assim no quotidiano da minha vida?

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

DOMINGO DE PENTECOSTES – 8/JUNHO/2014

Actos 2, 1-11 ; Sal 103,1ab. 24ac. 29bc-31. 34 ; 1Cor.12, 3b-7.12-13 ; Jo.20,19-23

VindaDoEspiritoSantoNo Cenaculo“CHEIOS DO ESPíRITO SANTO…”  (Actos 2,1-11). O relato dos Actos insiste ao mesmo tempo no colectivo e no particular : veja-se a  frequência das palavras “todos” e “cada um”.  As  línguas de fogo são substituídas pelas línguas faladas. Com o dom dO Espírito, o silêncio dos discípulos torna-se palavra. Os discípulos galileus fazem-se compreender por cada um dos Judeus presentes provenientes “de todas as nações que há debaixo do céu” porque eles se exprimiam nas línguas maternas.  Todos aqueles ho-mens ficaram desconcertados e maravilhados. Fazer-lhes conhecer as maravilhas de Deus será a partir de agora o trabalho dos discípulos cheios dO Espírito Santo, anunciado por um som “comparável ao de uma forte rajada de vento” e pelo fogo. O episódio aconteceu durante a festa judaica dO Pentecostes, que celebra o dom da Lei de Deus a Moisés no Sinai. O relato dos Actos é um eco desse acontecimento judaico. Os cristãos são os beneficiários deste novo Sinai. Hoje, O Senhor transmite O Espírito, O Seu Sopro santo, aos discípulos dO Ressuscitado para que eles dêem a conhecer “as maravilhas de Deus” aos Judeus saídos de todas as nações. A continuação do Livro dos Actos desenvolverá o relato dO Pentecostes pois os discípulos irão além dos seus concidadãos, até até ás extremidades da terra. Proclamar “as maravilhas de Deus”, é dar a conhecer a todos o Evangelho que é Jesus, O Ressuscitado. O Pentecostes não é separável da Páscoa.  Os Actos e O Evangelho de João completam-se. Com a Páscoa e O Pentecostes abre-se o tempo dO Espírito e da Igreja, o tempo do testemunho.

NASCIMENTO MISSIONÁRIO (Jo.20,19-23).  Eis a pequenina Igreja nascente reunida em torno de Maria  e dos Apóstolos numa casa. Cerca de cinquenta dias atrás, junto da Cruz, Maria estava só com João. O Espírito já estava presente na auto-entrega de Jesus aO Pai mas, para os discípulos, era a consternação, a dispersão. Agora, por estar ali reunidos, antes de serem cheios dO Espírito Santo e se dirigirem à multidão cosmopolita de Jerusalém, dá-se o encontro decisivo que subverte a consternação. Entre a dispersão e a reunião, Jesus, O Crucificado, aparece-lhes vivo. Ele tinha morto a morte! Sim, a Igreja começa a nascer no momento em que encontra Jesus Cristo.  Ela faz a experiência vital de ser reunida e instigada na paz dO Ressuscitado, apesar dos seus medos. Cristo mostra-lhes as Suas chagas, ela enche-se de alegria e Ele repete-lhe sempre : “A paz esteja convosco!” A Igreja nascente, reunida, pacificada, é então enviada por Jesus, como O próprio Jesus fora enviado pelO Pai: ela recebe O Espírito Santo. A Igreja que passara da dispersão à reunificação pela presença de Cristo ressuscitado, ei-la que passa da reunificação ao envio, pela presença dO Espírito Santo. Podemos interrogar-nos se o mundo não conheceria já melhor Jesus Cristo se as diferentes igrejas cristãs estivessem unidas entre si na evangelização, celebrando, ao menos, os grandes mistérios da fé comum nas mesmas datas, como o Papa Francisco sugeriu na sua viagem à Terra Santa.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

1º SÁBADO – 7/JUNHO/2014

Actos 28,16-20. 23b-24. 28-31 ; Sal10, 4. 5. 7 ; João 21, 20-25

“E ELE ?” (Jo.21,20-25). Tal como o ditado que diz, “a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha”, haverá um ou mais momentos da vida em que poremos a questão : “E ele, Senhor?”  Porque será ele mais gratificado – ao menos na aparência – com a Tua presença? Porque será a vida dele um longo rio tranquilo?  Jesus responder-nos-á então: “Tu, segue-Me”. Comparar-nos aos outros pode levar-nos à inveja, ao ciúme, à tristeza.   Dito isto, pode também acontecer perguntarmos a Deus porque sofrerá tanto alguém.   Ele convidar-nos-á então a reconfortá-lo e a consolá-lo.  Será igualmente seguir Cristo.  Entre Deus e cada um há um segredo íntimo, incomunicável. Amanhã virá O Espírito Santo. Da mesma forma que as crianças, na vigília do Natal, pedem presentes, também as crianças de Deus que somos hoje estão convidadas a mostrar os seus desejos Àquele que tudo pode dar. Entre outros pedidos seria bom que fizéssemos um : a graça de respeitarmos e favorecermos o mais possível a intimidade profunda, única, com Deus, daqueles que nos são próximos.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.