Apartes

TERÇA-FEIRA – 27/MAIO/2014

SantoAgostinhoDeCantuariaSTO. AGOSTINHO de CANTUÁRIA (605). Monge beneditino, enviado do Papa Gregório Magno para evangelizar a Inglaterra. 1º Arcebispo de Cantuária.

Actos 16, 22-34 ; Sal 137,1-3. 7c-8 ; João 16, 5-11

PauloBaptizaAFamiliaDoCarcereiroNO MEIO DAS NOSSAS TREVAS (Act.16,22-34). A prisão de Paulo é semelhante às nossas vidas aprisionadas. Um corpo doente, dificuldades profis. sionais, familiares, de relação… A noite, por vezes, parece não ter fim.  Então, perguntamos: “Onde estás Tu Senhor ?” E como são duras as palavras que nos apetecem dizer: “Valia mais eu afastar-me…” A fé, todavia, convida-nos a descobrir que O Senhor vem à nossa prisão, ao âmago das nossas trevas, abrir-nos as portas. Se Cristo se retirou para nos dar O Espírito, não foi para nos deixar alguma coisa etérea, sem força.

“É NO VOSSSO INTERESSE…” (Jo.16,5-11). Jesus anuncia a Sua morte : os discípulos não O verão mais.  Na cruz, despojando-Se de todo o controle sobre a Sua missão terrestre, ele entrega a própria qualidade de filho ao discípulo amado, ao qual confia a Sua mãe. Jesus entrega-Se nas mãos dO Pai. Ele parte mas não deixa os discípulos sózinhos. Deixa-lhes O Seu Espírito. A força do amor que O une aO Pai, a força de vida, de ressurreição, que O Pai lhE entrega, Jesus dá-a aos Seus amigos. Graças à força dO Espírito que os envia em missão, eles continuarão a manifestar que Cristo vive, que é Deus connosco até ao fim do mundo : eles constituirão a Igreja.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 26/MAIO/2014

S.FILIPE NÉRI  (1515-1595). Este sacerdote que sabia aliar a fé à alegria foi o fundador da “Sociedade do Oratório”, dedicada ao serviço das paróquias e à prégação. É o Patrono secundário de Roma, depois de S.Pedro.

Actos 16,11-15 ; Sal 149,1-6a. 9b ; João15, 26–16, 4a

PauloFalaAsMulheresEmFiliposNA MARGEM DE UM RIO (Act.16,11-15). O primeiro contacto de Paulo, e dos companheiros, na Europa foi repousante. As provações só virão mais tarde, infelizmente bem numerosas, a justificar as palavras proféticas de Jesus. Mas hoje é tempo de tréguas num oásis de paz. O 1º anúncio da palavra ocorreu em ambiente bucólico, campestre, junto a um rio de água fresca.
Sentaram-se na relva e O Espírito estava presente à procura de entrar nos corações e foi Lídia, que já estava próxima de Deus, a ganhá-lO primeiro. Movida pelO Espírito a nova convertida dá uma lição a Paulo, convidando-o a repousar na sua casa.  O austero apóstolo começou por recusar pois nos diz : “Ela obrigou-nos a aceitar.” Aquilo que uma mulher pretende… Paulo está em acção, ele caminha, viaja, avança e realiza encontros por toda a parte. Mas o narrador dos Actos dos Apóstolos tem o cuidado de dizer que é O Senhor quem abre o espírito de Lídia.

O VERDADElRO TESTEMUNHO (Jo.15,26–16,4a). Ser missionário como Paulo, é, antes de mais, ser testemunha da acção de Deus no coração das pessoas.  A atitude de Paulo que se fez servo dO Espírito, mostra o que representa esse testemunho. Porque não damos testemunho de nós mesmos, mas sim da vida dO Espírito em nós.  De facto, o testemunho faz-nos penetrar no mistério da Santíssima Trindade, porque O Pai nos deu O Filho que nos enviou O Espírito.   Ou, dito de outra forma: toda a missão nasce destes dom e envio. No evangelho, prestes a enfrentar as provações, Jesus anuncia aos discípulos que hão-de telas, mas que enviará O Defensor para serem verdadeiras testemunhas.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

6º DOMINGO DA PÁSCOA – 25/MAIO/2014

SaoBedaVeneravelS. BEDA, VENERÁVEL (673-735). Monge da abadia beneditina de Jarrow (Inglaterra). Autor de uma importante obra, composta principalmente por escritos exegéticos e históricos em língua inglesa  (primeiro autor a fazê-lo).  Doutor da Igreja desde 1899.

Actos 8, 5-8.14-17 ; Sal 65,1-3a. 4-7a.16. 20 ; 1Pedro 3,15-18 ; João14,15-21

PedroEJoaoImpoemAsMaosSObreOsSamaritanosEVANGELIZAÇÃO DA SAMARIA (Act.8,5-8.14-17) E DO MUNDO (1 Pedro 3,15-18). O Espírito Santo esconde-se no nosso íntimo mais profundo.  Ele é a fonte da vida e do amor.  Ele habita-nos e dá-nos um novo sopro. Ele é a força que Cristo prometeu para podermos viver segundo o Seu Evangelho. Tal como os samaritanos da primeira leitura, representados na iluminura flamenga (Willem Vrelant 1481, activo 1454-1481, J. Paul Getty Museum, Califórnia), estejamos mais atentos à Sua presença nesta altura do ano em que muitos cristãos são crismados.  Invoquemos a Sua vinda para que se renove a face da terra. Na Epístola, a injunção de Pedro é firme, fraterna e incontornável. Fala da esperança que temos em nós, e como devemos saber transmitir aos outros o sabor desse sal e vida que nos foi dada em abundância. Será na forma como formos, vivermos e servirmos que os nossos contemporâneos poderão descobrir – em nós e através de nós – o rosto d’Aquele que dá sentido à vida, o rosto resplandecente de Quem, pela Sua morte e ressurreição, fundamenta a nossa esperança e abre à humanidade inteira um caminho de salvação. O mundo tem necessidade de homens e mulheres que digam e gritem que, após a madrugada do túmulo vazio, as trevas deixaram de ter direito de cidadania na humanidade.  Cristo estava morto, Cristo está agora ressuscitado e o mundo deve tornar-se naquilo que ainda não é : capaz de ver, capaz de reconhecer O Espírito da verdade.

MENDIGOS DA ESPERANÇA (Jo.14,15-21). Na hora em que Jesus saía do mundo para O Pai, Ele traçou aos discípulos o perfil das tes-temunhas que o mundo precisa: “Se Me tendes amor, sereis fiéis aos Meus mandamentos(…)e O Pai vos dará O Espírito da verdade ”. O que Jesus promete aos apóstolos – Espírito Santo, Espírito de verdade, Amor vivo das Três Pessoas divinas – torna-se realidade em nós : é-nos concedido O Espírito Santo de Deus.  Ele estará connosco para sempre e dá-nos a conhecer o mistério íntimo de Deus. Mas só se O quisermos. Teremos que responder livremente a este dom gratuito de Deus.  Se O desejarmos, Ele far-nos-á ganhar a capacidade de acolhimento, de receptividade, e permitirá que Deus Se manifeste. Da parte de Deus as condições estão satisfeitas, tudo se cumpriu.  Cabe agora a nós (tudo passa por aqui) recolhermo-nos e acolhermos na fé esta promessa de Jesus feita realidade : então entenderemos para lá de todas as palavras e provas que, de facto, é assim.  Então “habitaremos na tenda de Deus”, teremos O mesmo Espírito, reagiremos da mesma maneira, tornar-nos-emos verdadeira morada de Deus… Permanecer fiéis aos mandamentos de Jesus, amá-lO e deixar-nos amar pelO Pai, eis O Caminho do discípulo,que nos identifica com Cristo e faz de nós autênticas testemunhas dO Reino que vem. O Papa Francisco compreendeu-o bem. Ele não cessa de nos dar conta da esperança que o possui, lembrando, numa bela coerência de vida, de gestos e de palavras, O Caminho de Cristo e do Evangelho. Um Caminho que passa necessariamente pelo encontro com os mais pobres, esses mendigos da esperança.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 24/MAIO/2014

Actos 16,1-10 ; Sal 99, 2. 3. 5 ; João 15,18-21

VisaoDePauloDoMacedonio“ATRAVESSA O MAR E VEM AUXlLlAR-NOS” (Actos 16,1-10).  O homem Macedónio, que na visão clama por socorro, simboliza ao mesmo tempo os futuros santos da jovem Igreja e Nero, que iluminará os jardins de Roma com os cristãos cobertos de pez, a arderem como archotes vivos. Jesus não é demagogo ; Ele não esconde aos discípulos as provações que os esperam. E, todavia, vão partir com alegria à conquista deste mundo ambíguo, sabendo que o seu sacrifício contribuirá para acender a grande luz que iluminará a noite de todos os homens.

“O MUNDO ODElA-VOS…” (Jo.15,18-21). Se dois mil anos de cristianismo não o confirmassem, quem daria crédito a esta afirmação? Esses homens, mulheres e até crianças, que darão a vida, o corpo e alma, serão perseguidos e até mortos por quem desejam salvar.  “O mundo odeia-vos”.  Mas de que mundo se trata? S. João, o contemplativo, intérprete de Jesus, não sabe fazer a distinção que os seus comentadores posteriormente farão.   Ele não nos diz que há “mundo” e “mundo”: o mundo que recusa e o mundo que acolhe. Ele sabe que este mundo é feito de mudança, como todo o homem; que a distância entre o ódio e o amor é por vezes curta, e que um não é senão a“face contrária” do outro. É pequena a diferença entre o movimento para se olhar alguém nos olhos, vendo aí reflectido o rosto de Deus-Amor, e o de lhe virar as costas.   Paulo, ao chegar à Europa, irá encontrar, tal como na Ásia, este mesmo combate entre a luz e as trevas.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed.Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 23/MAIO/2014

SantaJoanaThouretSTA. JOANA ANTIDA THOURET (1765-1826). Fundadora da “Congregação das Irmãs da Caridade”, em Besançon, tendo como padroeiro S.Vicente de Paulo. Enfrentou sem ressentimento a cisão da sua Ordem, hoje já reunificada sob o nome de “Irmãs da Caridade de STAJoana Antida Thouret”.

Actos 15, 22-31 ; Sal 56, 8-1 ; João 15,12-17

CristoAEnsinarOsApostolosAMAI-VOS UNS AOS OUTROS (Jo.5,12-17). Não com amor sentimental mas com um amor efectivo, que compreenda e se coloque no lugar dos outros evitando tudo o que escandalizar. Mas também com um amor forte, que não deixe os irmãos adormeçerem, como na morte, em critérios e formas de ver caducas. Muitos homens e mulheres já trocaram promessas de amor e fidelidade, mas a originalidade do amor de Cristo está na sua bitola de referência : “como Eu vos amei”, ou seja até dar a vida pelos que se amam. O mandamento de Cristo é indissociavel da Cruz e do túmulo vazio: amar à maneira de Cristo passa por renúncias, esquecimento de si, mas busca a vida para quem é amado e para o que ama.   Senhor !, eu deixo-Te chamar-me “meu amigo”, mas ajuda-me a responder à Tua amizade tentando amar os outros como Tu me amas !

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed.Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.